9 - Eva Grayson

1328 Palavras
8:00AM — Eva, para de chorar e explica isso direito. — Emma parecia nervosa no telefone. Eu tentei parar de chorar, mas foi só isso o que eu fiz a noite toda. Chorei. Eu nunca me senti tão usada como agora. Odeio tanto o Jordan por isso. Enguli o choro e pigarreei tentando recuperar a voz. — Ele me usou Emma. De novo. — voltei a chorar. Sabe quando você chora tanto que parece que não tem mais lágrimas pra chorar? Eu pensei isso até acordar hoje e lembrar de tudo. Eu continuei chorando, então imagino que meu estoque de lágrimas seja como um oceano. — Jordan? — ela perguntou assustada. — Sim. — sussurrei tapando minha boca. — Eva... Que p***a. Me atende na chamada de vídeo. A Kate disse que queria falar com você. Kate. Será que ela daria bons conselhos agora? — Vamos fazer chamada de vídeo então. — decidi enxugando meu rosto. Liguei pra Emma e Kate logo em seguida. — Oiiii. — Kate acenou mas logo desmanchou o sorriso. — O que houve? — Eu fui mais uma vez iludida pelo pai do meu filho. — lamentei tentando ser forte e não desabar no choro. — p**a que pariu. — Emma falou. Parece que só caiu a ficha agora. — Emma! — Kate parece que a repreendeu. Emma não tá acostumada com esse povo chique ainda? — Eu ía dizer isso. Pura que pariu Eva! Como você tá se sentindo com relação a isso? Agora acredito que ela é psicologa mesmo. — Estou péssima. Chorei a noite toda. Eu não consegui sair do quarto ainda. Tô na casa dos pais dele. — O que aconteceu? Você pode nos contar? Que vergonha. Baixei minha cabeça pra ver se fico menos desconfortável pra falar sobre isso. — Ele veio até o quarto e disse que queria ficar comigo e que f**a-se a Jenna... E eu acreditei. Depois... — voltei a chorar. — Quando a gente tava transando, ele chamou o nome dela. — chorei baixo e escondi meus olhos com as mãos. — Eva... — Emma tá me olhando sem saber o que fazer. Não a julgo. Acho que ninguém sabe o que fazer diante disso. — Sabe o que você precisa agora? — Kate mudou seu tom. Ela não tá com pena de mim. — Você precisa ser resiliente Eva. Levanta essa cabeça e enxuga essas lágrimas. Não é um i****a de um cara que vai te derrubar. — me incentivou. — Não enquanto você tiver amigas. Né Emma? — Sim. Sim. — Emma tá com os olhos arregalados assim como eu diante disso. Acho que o que eu precisava era de uma Kate na minha vida. Eu até nem sinto o nó na minha garganta mais. Ela tem razão. Não é o Jordan que vai me fazer baixar a cabeça. — O que eu faço então? — enxuguei meu rosto. Eu não sei como fazer isso. E provavelmente vou falhar feio. — Contorne a situação. Mostre pro Jordan que ele não faz diferença na sua vida. Mostre a ele que você é quem decide o que quer, não ele. Mostre a ele quem você é Eva. Manda ele se fuder, metaforicamente. Não fala isso a ele tá. Só tô brincando. Mas dê um basta. Tem muito homem no mundo. Não existe só ele com pênis, nem o pênis dele é o único que funciona. Mete o pé na b***a dele Eva. Eu acredito em você. — Eu também. — Emma sorriu. Tá. Obrigado Deus. Eu tenho as melhores amigas. Ela tem razão. Ela tem muita razão. Eu sinto uma coragem. Uma força brotando de dentro de mim só de absorver essas palavras. Eu posso sim ser melhor do que isso. Eu posso. — Ok. Eu não vou derrubar mais nenhuma lágrima pelo Jordan. — disse convicta e elas começaram a me aplaudir orgulhosas. Depois de desligar, lavei o rosto, escovei os dentes e arrumei meus cabelos. Saí do quarto pronta pra enfrentar o que vir. Encontrei a Rose e a Sierra na cozinha tomando café da manhã. — Bom dia. — sorri e sentei um instante. — Bom dia gatinha. Como vai meu sobrinho? — Sierra se derrete toda vez que olha pra minha barriga. E eu nem tenho barriga de grávida ainda. Provávelmente meu filho está com sono, porque eu não dormi a noite, ele também não deve ter dormido. Desculpa lagartinha. — Ele deve tá dormindo. — sugeri. — Toma um suco querida. — Rose me passou a jarra. A conversa com ela ontem foi tão boa. Ela me falou que também sofreu com o assunto "maternidade", e me garantiu que é um processo lento, de muito aprendizado, mas que um dia eu vou ficar mais calma e feliz por ter alguém que saiu de mim. Coloquei um pouco de suco e virei de uma vez. — Tenho que ir. Meu pai já deve tá preocupado. — levantei logo em seguida. — Mas já? — Rose estranhou. — Pensei que você fosse passar o dia aqui com o Jordan. — Não, eu já tô indo embora. — ele apareceu na sala com cara de o****o. — Ah, então tá. Vocês vieram juntos, imagino que vão juntos... — Sim. — respondi mesmo que quisesse dizer um não. Essa é a oportunidade de dar um basta nisso. Me aproximei dela e dei um abraço de despedida. — Até logo Rose. Obrigada pela conversa. Ela abriu um grande sorriso carinhoso. — Que isso. Você sabe pra onde correr quando tiver dúvidas. — Sim. Claro. — peguei minha bolsa na mesa. — Tchau cunhada. — pisquei pra Sierra. — Tchau gatenha. Fala pro Elliot que eu vou lá de noite. — Certo. — andei na direção da porta sendo a mais fria possível com o Jordan. Oque eu tinha por ele morreu ontem a noite. Entrei no meu carro e ele encostou na janela. — Tem certeza que eu posso ir com você? — Entra. — respondi ligando o carro. Ele contornou e entrou, sentando no banco da frente, ao meu lado. Troquei de marcha e pisei firme. Permaneci calada o tempo todo. Mas eu queria mesmo saltar encima dele e socar sua cara toda. Quebrar todos os seus dentes. Otário. — Vai devagar. — ele disse num momento em que eu tinha pisado firme na estrada. Ele tá impaciente. Dá pra ver sua cara de preocupação. Não deve ser comigo. Ele não pensa em mim. Ele só pensa na Jenna. Quando chegamos em frente ao prédio deles, parei e esperei ele sair. Ele tirou o cinto e continuou pensativo. — Eva, sobre ontem. Me descul... — Não. Você não tem nada pra me falar. — o cortei sem olhar pra ele. — Me dá uma chance de me explicar. — reclamou. — Você não tem chance de nada mais comigo Jordan. Acabou. — continuei olhando pra rua. — Acabou tudo o que eu falei que sentia por você. Você fez isso. Você acabou com tudo o que eu sentia por você. Agora você é só o pai da criança que tô esperando. Só isso. Então se for dirigir a palavra a mim que seja sobre a criança. Você não tem mais nada haver comigo. E não pense que somos amigos. Você só e o pai e pronto... — me calei. Mas ele continuou parado me encarando como se eu fosse mudar de idéia. — Sai do meu carro por favor. — pedi sem olhar pra ele. Finalmente ele saiu. Eu pude relaxar minhas costas no banco do carro e comemorei com um leve gritinho. Eu fui forte. Eu enfrentei e não fraquejei. Mostrei quem eu sou. Eu posso ser melhor do que uma garota grávida apaixonada por um i****a. Nunca mais um filho da p**a vai me fazer chorar. Passei a marcha e segui rumo a minha casa. Eu tenho que fazer alguma coisa com as meninas pra comemorar. Malditas lágrimas que eu desperdicei.
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