10 - Eva Grayson

1508 Palavras
Uma semana depois... Eu não brinquei quando disse aquilo ao Jordan. Acabou a amizade mesmo. Será que ele pensou que eu tava brincando? Porque mandou um monte de bom dia e boa noite pra mim. Foda-se ele. Agora eu tô focada em impressionar meu pai. E olha, eu estou indo pra empresa com ele. Sou a nova assistente pessoal, ganhando uma bolada e vários elogios! Só ando no pique e baixei a burguesinha grávida. Só no luxo. Chupa Jordan! Sabe o melhor? Os CEOs novinhos que estão indo pra as reuniões da empresa do meu pai. Talvez eu seja uma CEO um dia e talvez eu conheça algum CEO legal. — Papai, tem alguém ligando pra você. — alertei enquanto organizava a agenda dele. Ele não sai de perto desse celular e nunca me deixa atender esse telefone. — Ah, sim. — levantou e saiu do escritório. Todo dia é essa mesma história. Ele atende longe de mim. Levantei e espiei da parede de vidro. Ele tava conversando e sorrindo. Na certa ele arranjou uma mulher. Eu não sei se fico feliz ou preocupada. Quando ele desligou eu corri pra sentar na minha cadeira e logo ele entrou na sala. Pigarreei.— Ligação importante? — Sim. Sim. — ele continuou sério. — Investidores? — Não. É outra coisa. — me olhou desconfiado. — Papai você está escondendo alguma coisa de mim? — estreitei meu olhar. Agora eu descubro os podres dele. — Não. Não minha filha. O que eu esconderia? — o vi corar. — Não sei... Me diz você... Uma ficante? Peguete? Como é que chamavam isso no seu tempo? Tico-tico no fubá? — estreitei os olhos novamente. — Eva, não se meta na minha vida, enxerida. — Enquanto o senhor morar sob mesmo teto que eu me deve satisfações mocinho. — imitei ele quando reclama comigo. Ele olhou pra mim e deu uma risada. — Não é nada demais. — Quem é ela? É legal? Casada? Ela tá traindo o marido com o você? É divorciada? O marido dela morreu? Porque talvez ela tenha matado. Ela tem menos de 30 anos? É modelo??? O nome dela é Jennifer? Conheceu ela no Tinder? — Eva... Tenho certeza que ela não é nada disso. — Então conta sobre ela. — o pressionei. Meu pai é um homem bonito, um CEO podre de rico, divorciado e muito carente. Tem muita mulher esperta atrás de passar a perna em homens como ele. — Ela é muito bonita. Tem quase a minha idade, é divorciada e tem dois filhos. O ex marido dela não morreu e ela nunca matou nenhum marido porque ela só teve um. Satisfeita? — Sim. — Então esta dispensada por hoje. — Quê? Mais já? — desanimei. Eu gosto de ficar na empresa. Tem muita gente legal que fica conversando comigo. — Minha filha, eu não te aguento o dia todo. Você faz muita pergunta. Sem ressentimento é claro. Nossa, eu sou chata assim? — Tudo bem. Até a noite em casa. — levantei da cadeira, peguei minha bolsa e depois de dar um beijo no rosto dele e fui embora. No carro coloquei uma música eletrônica, porque meu bebê já vai nascer na vibe Ibiza, e liguei o carro. Olhei pelo retrovisor pra sair da vaga e do outro lado da rua, vi um carro igual o da minha mãe estacionado. Esperei um pouco e não é que o dono saiu de dentro?! — O que a minha mãe tá fazendo aqui? — perguntei a mim mesma. Será? Será que é ela a mulher que meu pai tá conversando todo dia? Vou ligar pro Elliot. Disquei e conectei a chamada pra sair no carro enquanto eu dirijo. — Oi maninha. — Oi coisa feia. Tenho um babado pra te contar. — Eu também. Mas não dá pra falar agora. Meu celular tá 3%. — Sério chato?! Vamos nos encontrar num café. — Não dá. Tô pintando. Já tá perto minha exposição e eu tô a todo vapor. Vem aqui, você me conta o que quer falar e aproveita pra ver os quadros. Ele não sabe do que aconteceu entre mim e Jordan. — Não sei não... — pensei bem. — Tô te esperando aqui. Beijo. Tchau. — desligou. Droga. °•°•°•°•°•°•°•°•°•° Estacionei o carro e entrei no prédio. Toquei a campainha e esperei rezando pra que não seja o Jordan quem vai atender. Não foi. Foi um gostosão que nunca vi na minha vida. — Olá. — Oi. Eu sou irmã do Elliot. Ele tá? — mantive a postura. Afs, Elliot só arranja amigo bonito! — Ah, desculpa. Ele tá sim. Entre. — abriu espaço pra mim. Na sala dei de cara com o William, Brandon e o Jordan. É a reunião dos gostosos da cidade. Só pode. Ele ficaram me olhando com os olhos arregalados e eu fiquei morta de vergonha mas soube disfarça e fiz uma cara de deboche bem bonita. Acho que eles estão achando estranho eu estar arrumada desse jeito. Eu andei meia desleixada esses últimos meses. E que eles também acham estranho eu não ter um barrigão ainda. Nem sei de quanto tempo tô grávida. Mas olha, Eva Grayson voltou! — Olá. — dei um sorriso rápido e me aproximei do William. Eita pedaço de homem da p***a! — Oi gatinha. — ele me deu um beijo no rosto. — E aí gatinho, tudo bem? — sorri. — Melhor agora. — ele me olhou com aquele jeito safado de sempre. Eita que minha calcinha molha... — Bran. — o cumprimentei e ele levantou e me deu um beijo no rosto também. — Quanto tempo. Você tá bem... Cadê o bebê que dizem que você tá esperando? — me olhou apavorado. — Ele é tímido. Não quis aparecer ainda. — toquei minha barriga e sorri. Não teve como fingir que Jordan não existe nessa sala. Então enquanto ele me olha com cara de que pensa que vou falar com ele como falei com os meninos, eu falei só o necessário. — A ultra-som é próxima terça. — e fui pro ateliê do Elliot. Entrei bem rápido fechei a porta. Elliot tá parecendo que tomou um banho de tinta. — Você gasta mais tinta em você do que nas telas. — comentei e ele veio dar um beijo no meu rosto. Será que ele tem noção do tanto de gente que beijou meu rosto hoje? — Então, conta os babados. Eu também tenho uma coisa pra te contar. — Conta primeiro então. — sentei no banquinho curiosa e ele sentou no outro pensativo. — Eu acho que... Não, eu tenho quase certeza disso. Sabe aquele namorado da mamãe? — perguntou e eu assenti. — Eu acho que ele é gay. Nossa. Isso se liga com a minha fofoca. — Como você chegou a essa conclusão? — Eu tava na casa dela, na nossa casa ontem, cheguei hoje com ela. E ele me deu umas olhadas Eva... E fez umas perguntas que você nem queira saber. Ele me deu um elogio muito gay. Mamãe tá sendo enrolada viu. — levantou e voltou a pintar. — Não. — botei minha cabeça pra funcionar. — Eu acho que ela armou isso. — concluí. — Ela disse um dia a mim que as vezes é preciso fazer certas coisas pra concertar outras...Uma coisa assim sabe. Como se ela não quisesse se separar do papai. Papai disse que ela separou dele porque ele não dava atenção. Talvez ela arranjou esse cara pra fazer ciúmes e abrir o olho do papai. Faz muito sentido. — Você acha? — Ele anda falando com uma mulher, e só vive sorrindo no telefone, não me deixar ver quem é, nem sai de perto do celular. As características dela são exatamente as da mamãe. E o mais importante: mamãe parou o carro em frente a empresa hoje. — Bons argumentos, mas esse último argumento não dá, porque ela é dona da empresa. Desconsidere. Mas é estranho mesmo. Será que eles estão conversando? Flertando?? Merda. Verdade. — Não. Eles estão de Tico-Tico no fubá. — corrigi e ele riu. — Tomara que seja verdade. Nossa família junta de novo... — ele sorriu. — Também quero que isso seja verdade. — sorri. Seria perfeito. Meu bebê nascer numa família normal. Só que com o acréscimo da capa do Batman. Já imagino minha filha chamando ela de capa do batmam. Vou rir horrores. — E você? Como é que tá? — olhou diretamente pra minha barriga. — Tô bem. — Jordan me falou sobre suas regras. Porque tá assim Eva? Vocês não eram "amigos"? — fez aspas no ar. — Pelo jeito ele não te contou tudo não né? — levantei. — O que? Aconteceu alguma coisa? — Me encarou com o cenho franzido. Eu conto agora? Acho que sim. Tem muita gente pra apartar a briga e não deixar o Elliot matar o Jordan. Ou vice-versa. — Sim...
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