11 - J.C. Blake

1544 Palavras
Há um milhão de anos atrás nessa porra... — Oi coisa feia. Tenho um babado pra te contar. [...] — .... Tô pintando. Já tá perto minha exposição e eu tô a todo vapor. Vem aqui, você me conta o que quer falar e aproveita pra ver os quadros. [...] Não teve como fingir que Jordan não existe nessa sala. Então enquanto ele me olha com cara de que pensa que vou falar com ele como falei com os meninos, eu falei só o necessário. — A ultra-som é próxima terça. — e fui pro ateliê do Elliot. [...] — Jordan me falou sobre suas regras. Porque tá assim Eva? Vocês não eram "amigos"? — fez aspas no ar. — Pelo jeito ele não te contou tudo não né? — levantei. — O que? Aconteceu alguma coisa? — Me encarou com o cenho franzido. Eu conto agora? Acho que sim. Tem muita gente pra apartar a briga e não deixar o Elliot matar o Jordan. Ou vice-versa. — Sim... [...] Finalmente capítulo novo. Espero que gostem. ???? Bati na porta do quarto do Elliot. Logo a Eva abriu e pela sua cara eu tinha interrompido algo. Porque a Eva tá assim? Eu não pensei que uma bobagem dessa iria afetar ela. Foi só um nome. Qual o problema? — Eva? Preciso falar com você. Ela olhou em várias direções antes de olhar pra mim. — O quê? Olhei pros lados e vi os meninos sentados no sofá. — Aqui não. Vamos conversar no meu quarto. — Não tenho nenhum segredo. — continuou fria e os meninos ficaram nos olhando. — É sobre o bebê. Vai ser rápido. — me mantive calmo. Felizmente depois de um instante hesitando ela me acompanhou até meu quarto e fechei a porta. Sinceramente, não reconheço mais a Eva. Ela era tão alegre, engraçada... Agora anda toda metida e nem olha pra mim. Poxa, a gente vai ter um filho! — O que você quer falar? — encostou na parede cruzando os braços. — Você disse que a ultrassonografia é na terça. Só que na terça eu tenho que viajar. Canadá. Pra fazer uma sessão de fotos. — lamentei. — E? — E que eu queria saber se não podia mudar a data. Na quarta ou quinta... — sugeri preocupado. — Não. Vai ser na terça. Não tem como mudar. — Mas como eu vou? Eu preciso viajar! — minha preocupação aumentou. Ela nem ligou. Deu de ombros. — Se você prefere ir tirar fotos na neve a ir ver a primeira ultra-som do seu filho a culpa não é minha. No que a Eva se transformou? — Eva, eu não prefiro nada. Eu não tenho escolha! Lógico que eu quero ver a primeira ultra-som do nosso bebê! Mas você não ajuda. Me dá o número do médico. Eu falo com ele. Peço pra trocar. — Não. Não vai trocar nada. Eu já confirmei hoje cedo com eles. Sinto muito mas não vai mudar nada Cameron. — ela continuou firme. Cameron? Ela nunca me chama assim. — Nossa... — andei pelo quarto perplexo. É como se ela fizesse de propósito. — Eva, isso não é sobre a gente, é sobre nosso filho. — tentei lembra-la. — Será que você sempre vai colocar a droga daquela história no meio das coisas do bebê?! — a encarei impaciente. Ela ficou pensativa, sem expressão. — Cameron... O bebê é nosso, mas como você disse, não podemos colocar assuntos pessoais no meio, muito menos de trabalho, que é bem pessoal. Então você que resolva seu problema do trabalho. Sinceramente, eu não me importo se você vai ou não. Eu sei que eu estarei lá, com ou sem você. — Descruzou os braços e saiu do meu quarto. Nossa, que merda de gênio a Eva tem. ???? Sexta-feira 20:00PM — Oliver? — liguei pro meu novo assistente. — Oi. — Cara eu tô com um problemão. Sabe a viagem pro Canadá na terça? Você precisa fazer alguma coisa pra adiar ela. — Como assim? — É a primeira ultra-som do meu filho e a Eva não quer mudar o dia de jeito nenhum. Eu não queria faltar nesse dia. — expliquei desesperado. Ultimamente eu tenho sonhado tanto com nosso bebê. Mas tem sido um pesadelo imaginar se a Eva vai continuar com essa crise de raiva de mim. Já era pra ter passado. Uma semana só. Acabou. Ela devia tirar alguma lição boa disso. Tipo, pelo menos ela fixou na cabeça que entre a gente não dá porque eu tenho a Jenna. Assim como eu tirei a lição de que por mais que a Eva me deixe louco, eu ainda amo minha namorada. Mas a Eva é muito sentimental, e eu não imaginava que ela era assim. Ela sempre pareceu mais sensata, de repente é uma bomba de lágrimas e raiva encima de mim. — Te entendo. Quando era pra ver minha Lolo pela primeira vez eu fiz de tudo pra estar lá. Mas cara, e o que você quer que eu diga? Eles não vão se comover com isso. Eu conheço bem esse povo. São todos frios e calculistas. — Não sei. O que funcionaria? — Seria mais fácil eles adiarem por uma dor de barriga do que por uma ultra-som. — Então fala que eu tô com dor de barriga. Das brabas. — desliguei o telefone. Eu tenho que ir nessa ultra-som. Nem que eu perca meu contrato. ???? Terça-feira 09:12AM Entrei na clínica feito um doido varrido. Parei em frente ao balcão da recepção e dei de cara com uma enfermeira com uma cara não muito boa. — Bom dia. Eva Grayson... Ela já chegou? — Quem é você? — ela olhou pra o computador depois pra mim. — Sou... Amigo dela. Pai do filho dela. O que ela tá esperando. — respondi nervoso. Desde que acordei não consigo manter minha perna quieta. Eu tô muito nervoso com isso tudo. É tudo muito novo. Caramba eu vou ser pai e daqui a pouco vou ver meu filho dentro da barriga da Eva. Da Eva! — Hummm... — ela ficou procurando no computador, com o dedo passeando pelo mouse. — Aqui. — ela esperou uma folha sair da impressora e depois perguntou meu nome e me deu um adesivo dessa folha, com meu nome escrito a caneta e o nome visitante impresso. — Quarto 04. — Obrigado. — colei o adesivo na minha roupa e segui pelo corredor. Cheguei ao quarto e encontrei a Eva mexendo no celular deitada na cama. — Dizem que não é bom deixar o celular perto da barriga. Tem radiação, pode fazer m*l ao bebê. — entrei no quarto. — Eu não perguntei nada a ninguém. — bloqueou o celular e guardou na bolsa. Nossa. Não tem jeito mesmo. — Eva você não é assim. — Agora sou. Com você. — Foi só um nome! — Só um nome, Cameron? — me encarou irônica. — Não me chama assim. Você sempre me chamou de Jordan. — Não temos mais i********e pra isso. — Você não pode ser assim fria comigo. — Posso sim. Eu posso. A médica entrou e só percebi quando ela começou a mexer no aparelho. — Bom dia pombinhos. — seu tom de voz é animado. Pombinhos... Nossa discussão acabou no mesmo instante. — Como tá a mamãe? — Ansiosa. — ela deu um pequeno sorriso. — Vou passar um gel e a gente logo vê o bebê. Vocês já sabem de quanto tempo está? — Não. — ela respondeu. De repente o monitor começou a fazer barulho enquanto ela passava o ultra-som na barriga da Eva. Tum tum... Tum tum... Meus olhos se encheram de lágrimas rapidamente. É meu filho! Eu vou ser pai! Eu vou ser pai! — Olha o coraçãozinho dele batendo. — a médica explicou derretida. A emoção foi tanta pra mim e pra ela que quando vi já estava segurando sua mão. As lágrimas estão molhando seu rosto. Ela apertou minha mão sem olhar pra mim. — Olha William. — sorriu. William??? Sério isso?! Soltei sua mão incrédulo. Como ela pôde me chamar de William?! Ela queria que ele fosse o pai do bebê? É isso?! Conseguiu me magoar legal agora. — Parece que ele já tá com umas 12 a 13 semanas. — ela disse. Sem dúvidas eu sou o pai do bebê. Nada de William, Eva. Isso são 3 meses. 3 meses! — Na próxima ultra já vai dar pra saber o sexo. Hoje ele tá com as perninhas fechadas. Eu sorri esquecendo por um instante que ela me chamou de William. É um bebê tímido ele. Valeu a pena desistir da viagem e vir até aqui. ? Depois que acabou o exame, esperei a Eva levantar. Eu sei que ela tirou a mão de perto da minha, mas o nosso filho era motivo suficiente pra reaproximar a gente. Porque ela me chamou de William? Não aguentei esperar. Entrei de novo no quarto. — Porque você me chamou de William, Eva? — cruzei os braços enquanto ela tá com um sorriso estampado no rosto. — Relaxa. Foi só um nome. — dei de ombros e saiu do quarto. Sério que ela fez de propósito?! Ok. Acabou tudo. Acabou.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR