Olhos da escuridão

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O voo de São Paulo a Porto Alegre levou o dobro do tempo, devido a uma forte neblina - o que pra mim foi r**m, pois ainda precisava pegar um ônibus para Pelotas. Usei um taxi do aeroporto até a rodoviária, cruzando uma cidade adormecida pela noite fria. Na rodoviária, comprei a última passagem. Fumei um cigarro e embarquei, dirigindo-me a poltrona "23". Peguei o celular e liguei o rádio deixando em volume baixo, apenas para relaxar. Havia poucos passageiros neste horário: duas senhoras bem gordas, uma adolescente nariguda, um careca engraçado, um casal f**o e um jovem executivo magrelo - Se me vissem falando assim, poderiam acreditar que sou um baita exemplar estético, mas não... Sou nanica de pele pálida. E, como se não bastasse, minha magreza costuma me enviar diretamente

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