Capítulo dezenove.

1526 Palavras
Não entendo o que a minha alma diz... (Narração Gilbert) Springdale ainda trazia a mesma sensação pela qual eu havia deixado, o vazio incontestável encoberto por dor e sofrimento, e um bônus de uma vida solitária e sem sentido. O aeroporto ainda com sua mesma característica de pequena cidade com poucos habitantes, contudo, ainda sim cheia de segredos e lugares belos. Chamo o Uber, e rapidamente o carro preto para em minha frente, o motorista desce, coloca minha mala no porta malas, eu entro no carro, no banco da frente. Coloco o cinto, o aeroporto ficava há alguns minutos apenas de minha casa. — Turista? — o homem pergunta. — Não não, eu moro aqui, estava viajando. — Entendo — ele encara a rua — e como foi a viagem? — Foi agradável, mas eu precisava voltar pois tinha assuntos inacabados. — É tão jovem para ter assuntos inacabados — ele arqueia a sobrancelha — você não acha? — Talvez eu ache, mas isso ainda é real — solto o ar com mais força — e não posso simplesmente ignorar o fato de que assuntos inacabados, rodeiam cada um de nós, de todas as idades. Ele assente e continua dirigindo. — Tem razão — sua voz é mais baixa agora, com um sorriso ainda inexpressivo — como é o seu nome? — Meu nome é Gilbert. Ele olha para a tela do celular pronúncia meu nome. — "Gilbert Blythe" — ele para no farol enquanto olha a tela — você estava com uma garota? — ele pensa — há dois dias atrás levei três meninas para uma casa nesse mesmo bairro, e elas falavam de um garoto, tenho certeza de que era você. Sinto a meu masseter contraindo enquanto semicerro os olhos em sua direção. — Como elas eram? — Ah isso é fácil lembrar, uma morena, uma loira, uma ruiva — ele ergueu os ombros — achei engraçado porque, não é sempre que encontramos tantas tonalidades em um círculo de amizade, tenho uma filha dessa idade e ela quase não tem amigas, e as que tem, são de uma cor de cabelo só — ele gargalha assim que para na frente de minha casa. — Há algo que elas disseram que fosse importante me dizer? — Não me lembro, elas estavam ansiosas para uma festa, na verdade, a ruiva não estava muito alegre, víamos no rosto dela a insatisfação. Sorrio e desço do carro. — Rapaz — ele chama — é ela seu assunto inacabado não é? — Digamos que basicamente, sim. — Boa sorte então! — Obrigado. . . . Era aproximadamente 15h00, e eu estava tão cheio de fome que m*l conversei com o Sr. Pires, lhe cumprimentei e entrei às pressas para pode ver Mary, e para poder me alimentar. — Ah querido Sr. Blythe — ela me encara e me abraça — está tão magrelo e sem graça! Venha sente-se eu irei alimenta-lo. Enquanto me sento Mary faz um milhão de perguntas. — Deixe-me comer — brinco com ela. — Me desculpe! — ela sorri — é tão estranho não saber de tudo, que me sinto vazia de informação. Assim que conto tudo a ela, sobre os amigos que conheci, sobre o que me fez voltar, eu subo e vou direto para a cama, eu precisava mais do que qualquer coisa, descansar, e provavelmente essa mesma noite, irei na casa de Anne para esclarecer tudo o que não fora esclarecido. . . . (Narração Anne) Eu não estava acostumada com a rotina da cidade, essa hora se eu estivesse em Green Gables, estaria cuidando de cavalos. Não podia me esquecer que eles eram tão lindos e por incrível que pareça, tinham muita personalidade, inclusive Belle. — Está pensativa Anne — Matthew diz sentando-se na sala — o que está acontecendo? — Estou com saudades de Green Gables — falo cabisbaixa — não estou reclamando da cidade, pois ela é tão agitada quanto eu — sorrio enquanto sinto os calcanhares baterem sutilmente no pé do sofá, olho para baixo e controlo as pernas — não seria incrível poder voltar nem que fosse por um dia? — Seria — ele relaxa e seu corpo fica esparramado no móvel — mas esse sofá nem se compara ao que tínhamos lá — ele brinca enquanto tenta ligar a televisão. — Realmente — pego o controlo de sua mão — e também não temos uma televisão como essa — aperto o botão e ligo-a — vou subir para me trocar, daqui a pouco irei na casa de Diana. Ele movimenta a cabeça em um sim. Subo as escadas, sorte que eu já tinha tomado banho, encaro o relógio eram 17h00 em ponto, me troco rapidamente, tínhamos combinado que hoje, compraríamos pizza e assistiríamos um filme. Assim que termino desço as escadas e sou barrada por Jerry que está prestes a sair. — Programa de garotas? — Sim — vejo ele com a chave da caminhonete — e você, programa de garotos? — Sim, vou conhecer um pouco da cidade. — Ok, boa noite Jerry. — Boa noite Anne. . . . Jogo parte do meu corpo na grande cama de Diana, seu quarto era tão grande que eu podia dizer que era do tamanho da sala de minha casa, pego o celular e começo a mexer nele. — Você viu? — Diana pula na cama sentando-se. — O que? — pergunto enquanto vejo o perfil de Benjamin. — A última postagem do Fofocas do colégio Springdale? — Não, eu não vi. Depois da postagem de minha foto com Ben — sinto o ar mais carregado — eu não consegui mais encarar esse i********: inútil. Cheio de informações falsas. — É a função da página — diz Diana — e eu não sei quem é o dono dela. — Talvez devêssemos criar uma, desmentindo situações como essa. Sempre com base nas informações corretas. — Você é tão criativa que me sinto inútil — Diana sorri — mas mesmo assim, não quer saber o que foi postado? — Não — movimento o cabelo enquanto tiro os nós. — Nem se for relacionado a Gilbert Blythe? Entro na página, e vasculho a informação. E lá está Gilbert Blythe, com sua roupa esporte chique, esquentando a palma da mão enquanto a sopra, aparentemente. "Olha só quem voltou de viagem, será que foi por causa da nossa penúltima foto postada?" A penúltima foto postada, era exatamente a minha foto com Ben. Subo a página e continuo lendo. Dessa vez os comentários. Uns dizem sim, outros dizem não, e outros dizem "agora vai pegar fogo". Encaro Diana que me está com os olhos brilhosos fixos em mim. — E então, o que você acha? — Acho que isso foi desnecessário e ridículo. Se ele voltou é porque precisa resolver coisas importantes. — Se ele voltou deve ser porque ficou com um ciúmes imensurável. — Não seja essa pessoa Diana — desligo a tela do celular — eu não tenho e pretendo não ter nada com um garoto como Gilbert. — Você já disse isso uma vez. — Antes de descobrir que ele era como todos os outros. — Tudo bem. Vamos escolher o filme? — ela desconversa. — Vamos. . . . Diana era romântica demais, já era de se esperar, ela fala francês perfeitamente, a língua mais romântica. — Apesar de estar assim — encaro seu estilo gótico — você continua com a mesma essência doce. Ela sorri. Eu não podia falar do filme, pois ele me fazia lembrar perdidamente de um garoto com o sorriso mais lindo e cheio de ternura que já conheci, apesar de no momento, eu estar odiando-o mais do que qualquer outra coisa. — Devo ir — olho para o celular que me diz que são oito horas — amanhã temos aula. — Bom, mas você nem tocou na pizza — ela aponta para o prato. — Acho que não estou com a fome que imaginei. — ok Anne — ela diz um tanto brava — eu vou fingir que não sei que você está nesse momento tendo um conflito interno, vou ignorar para que você não se sinta pressionada a me dizer. — Não sei o que sinto por Gilbert — ergo os ombros — saber que ele está de volta me deixou um tanto desnorteada, imaginar que amanhã terei de encará-lo. — Lembrando que ele é sua dupla ainda. — Sim, isso se ele voltar para o colégio. Nesse momento milhões de questionamentos invadem minha mente — desabafo — preciso pensar nisso com calma. — Certo, então vá e esclareça suas dúvidas. E lembre-se Anne, eu estou bem aqui do outro lado da rua, qualquer coisa venha até mim. — ela me abraça. — ah Diana, você é a melhor amiga que alguém poderia ter. — Boa noite Anne. — Boa noite. Atravesso a rua e entro em casa. Assim que entro na cozinha para tomar um copo de água, escuto a campainha tocar. — Marilla — grito. — Estou no banho Anne, atenda para mim. Deixo o copo no balcão, e caminho até a porta, um pouco apreensiva, pois sentia que a visita era para mim. Abro a porta, e vejo dois pares de olhos encarando-me, um par de olhos cor de chocolate, e um par de olhos verdes. No mesmo instante sinto o arrepio percorrer por minha coluna, não sei bem qual é o causador disso, mas tenho certeza que noventa por cento é culpa do que está a esquerda, Gilbert. Perco as palavras por um instante, sem saber se devo questioná-los ou manda-los embora. Mesmo com minha profunda luta interna, não posso deixar de dizer o que se diz quando abre a porta, respiro fundo e digo: — Olá Ben — digo primeiro — Olá Gilbert — falo depois porque sabia, que seu pronunciasse Gilbert primeiro, m*l conseguiria pronunciar Ben — em que posso ajudá-los? . . .
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