Capítulo vinte.

891 Palavras
Um coração determinado. Meus olhos se dividiam para ver os dois, minhas mãos soavam frio e meu coração batia acelerado dentro do meu peito, tanto que até pensei por um segundo a possibilidade deles estarem escutando-o. — Olá Anne — eles dizem em coro. Sinto as bochechas quentes, e continuo ainda com o impasse de saber para quem olho. Finalmente consigo focar só em um. O único capaz de compreender-me só olhando-me. — O que querem? — vacilo novamente os olhos. — Vê-la — diz Ben. — Esclarecer tudo — diz Gilbert. Os dois se encaram e eu fico plantada na porta com uma terrível sensação de frustração. — Certo, vocês querem entrar? — pergunto. — Acho melhor ir embora — os dois falam. — Vocês podem parar de combinar as palavras? — peço. — Sim — os dois dizem. Reviro os olhos. — Então os dois vão embora? — Fica cara — diz Ben — todos sabemos que vocês dois tem assuntos inacabados. Gilbert me encara. — Ben — seguro em sua mão antes que ele se vá — como conseguiu chegar até aqui? — Cole, comentei sobre você e perguntei se ele sabia onde você morava. — Ah sim. — o solto. — Depois conversamos, eu te chamo. — Está bem. — Quem saiba ele fique e eu vá embora — Gilbert diz incomodado. — Não — falo. — Seria uma boa — diz Ben. Ergo os ombros. — Gilbert, por favor, fique. Ben se despede e vai embora. — Podemos conversar aqui fora? — Gilbert fala. — Sim, acho que o ar puro será necessário para conter-me. — respondo assim que fecho a porta. — E então, o que quer? . . . (Narração Gilbert) Anne queria fingir que não ligava para a situação, mas eu sabia, só por sua forma de andar que ela estava completamente incomodada com aquilo, seus olhos desviavam todas as vezes que se encontravam com os meus. Quase me descontrolei ao ver aquele garoto em sua porta, contudo, eu não iria embora, ainda mais porque eu havia chegado segundos antes, e havia apertado sua campainha. Certamente, ele sabia quem eu era, pois assim que ele me viu, observou-me de cima a baixo, e sem dizer nada parou ao meu lado. — E então... — Anne me olha — pensei que nunca mais o veria novamente. — Eu voltei porque... — Por que não consegue entender que posso pertencer a outra pessoa além de você? — ela me interrompe — Mesmo você vivendo a vida adoidado enquanto eu fico aqui pensando em quanto posso tê-lo magoado? E quando eu penso em pedir desculpas e vou até sua casa, você vai embora e me deixa aqui, e no meio do caminho de volta Billy Andrews me agride e quase quebra meu nariz? E então, eu fico aqui, sozinha Gilbert, com a mesma sensação que tive por anos e quando eu ganho um celular e decido procurá-lo, você envia uma foto de uma garota anos luz mais bonita que eu? E então, quando finalmente estou conseguindo seguir a minha vida, diga-se de passagem, sem VOCÊ, você retorna porque não aceita perder?! — Billy Andrews bateu em você? — deslizo a mão em seu rosto macio, perguntado-me como alguém em sã consciência poderia ferir algo tão gracioso — ele bateu em você? — enfatizo a pergunta. Uma lágrima escorre de seus lindos olhos da cor do céu. — E você não disse a ninguém, suponho. — Disse para Jerry e para Diana, agora para você. E pretendo que isso não saia daqui, porque independente de qualquer coisa, eu ainda confio em você. — Eu não posso deixar isso passar desapercebido — ela me abraça — eu vou resolver isso. — isso não é o que veio fazer, Gilbert. — Eu vim pedir desculpas — encaro-a — pois aprendi que onde quer que eu esteja a dor irá acompanhar-me, então Anne, eu prefiro estar aqui com você para ajudar-me a superá-la, assim como você disse para mim... Eu escolho a dimensão da minha dor, e você me ajuda a esquecê-la. Eu agi errado em ter saído daqui e ter deixado de te procurar, porque todos os dias Anne, o tempo todo você ocupava minha mente. — Você foge das lembranças mas elas te encontram — ela diz com dificuldade por causa das lágrimas — acho que estou apaixonada por você Gilbert. — Eu não acho que estou apaixonado por você Anne. Eu tenho certeza de que estou, e se por um motivo torpe eu a perdi, garanto que irei reconquista-la. Você me ajuda a enxergar o melhor que existe em mim. — Isso é ótimo — ela sorri enquanto acaricia meu rosto com o dedo indicador — eu não sabia o quanto precisava de você, até saber que partiu. — Eu sinto muito por tudo que aconteceu, mas aquela garota do navio, é só uma garota que fiz amizade, você vai gostar de conhecê-la, caso ela venha para cá. Ela revira os olhos. — Mas eu não acho — digo a fim de acalmá-la. Ela sorri torto enquanto aparentemente pensa. — eu não deveria fazer isso — sua voz é sugestiva — mas eu vou. — O que? E em poucos segundos, ela choca os lábios nos meus, fazendo-me esquecer por um segundo de tudo que me rodeava, meu coração palpita a cada olhar entre o beijo, assim que me dou conta, a puxo para mais perto de mim agarrando sua cintura. Ela sorri, e sinto a ponta de seus cabelos em minhas mãos. Ela para e me encara com um sorriso apaixonado. — É acho que isso é muito mais que paixão. . . . .
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