Espero encontrá-la em outro mundo.
O meu coração saltava de alegria em pensar que tudo estava resolvido entre mim e Gilbert, só de pensar que foram longas semanas sem ele, imaginando como seria tocá-lo mais uma vez, e fiquei tão surpresa quando o vi que entrei em êxtase.
— Se bem a conheço, as coisas deram muito certo entre você e Gilbert — disse Jerry enquanto eu preparava um lanche da noite.
— Muito certo é pouco — sorrio encarando-o.
— Já eu não posso dizer o mesmo — ele se senta um tanto perplexo — Diana está diferente, nem parece a mesma garota que conheci semanas atrás, depois do nosso beijo, passou a ser mais... Reservada.
— Eu não sei o que acontece Jerry, mas prometo que tentarei ajudá-los, talvez ela esteja confusa com tudo, garotas são assim acredite, e eu não a crítico por isso porque sei o quanto somos complexas as vezes.
— Se você diz — ele ergue os ombros — sinto que posso confiar.
— Quer um lanche? — pergunto assim que tiro o meu da sanduicheira — essa situação me deu muita fome.
— Ah claro, por favor — ele mexe nos cabelos caídos — você acha que Diana não gosta disso? — ele aponta para os fios.
— Jerry, se ela gosta de você, ela gosta do jeito que você é.
— Talvez eu não beije tão bem.
— Calma, eu vou perguntar a ela o que está acontecendo, talvez ela não esteja em bons dias, sabe?
Ele assente.
— Certo, vamos comer — digo — amanhã temos aula.
. . .
(Narração Gilbert)
— Parece que a lua sorriu para você hoje — Mary disse enquanto me encarava — está sorrindo feito bobo.
— Não sei o que dizer Mary — encaro-a — estava prestes a colocar tudo a perder.
— É tão bom saber que você está amando, meu filho — ela aperta minha bochecha — seu pai ficaria muito feliz em saber que o amor te pegou assim como o pegou em relação sua mãe.
— Você a conheceu?
— Sim, ela era tão doce e gentil — Mary se senta — assim como você. É impossível não compará-los.
O meu celular começa a tocar e logo o puxo do bolso, mas a chamada não era de quem eu esperava.
"Bash?"
"Olá amigo, estou passando uma temporada aqui na sua cidade"
"Você me seguiu?"
"Não só eu"
"O que? Quem está junto com você?"
"Winnie, ela estava ansiosa para conhecer o lugar de onde o Gil veio"
"Acho que terei problemas então, amigo"
"Do que fala? Não me diga que a garota..."
"Sim, conseguimos nos entender"
"Winifred ficará arrasada"
"Eu disse a ela que éramos apenas amigos, e não ia passar disso"
"Sim, eu sei que você esclareceu as coisas para ela, mas se bem a conheço ela não vai desistir"
"Isso é insano"
"Nada é insano para ela, Gil"
"Contarei a Anne, ela é um pouco geniosa, não sei se ela entenderá"
"Torço para que sim"
"Até mais Bash"
"Até mais"
. . .
Assim que o relógio despertou, me levantei e fui para o banho. Meu retorno para o colégio deveria ser normal, eu não podia ainda a pedido de Anne, tratá-la como algo a mais, pois ela ainda tinha que conversar com Ruby.
— Tenho que ir fazer umas coisas perto do colégio hoje — disse Mary assim que cheguei a porta — quer eu te leve?
Assinto e vamos para o carro, no caminho recebo uma mensagem.
"Hello Gil, estou ansiosa para conhecer Springdale" - Winnie.
Respiro fundo e encaro Mary.
— A garota do navio, não é? — ela questiona enquanto ajeita os cachos no retrovisor.
— Eu disse a ela que não quero nada. — respondo de imediato — quando ela vai entender?
— Talvez entenda quando estiver perto da cenourinha — ela sorri — bom, se me permite chamá-la assim.
— Ela não ia gostar muito — gargalha — mas não posso dizer que discordo, esse apelido é a cara dela...
— Você está tão apaixonado — ela diz.
— É Mary, eu estou.
. . .
(Narração Anne)
— E então, você simplesmente não sabe o porquê está se afastando de Jerry? — pressiono minha melhor amiga que aparentemente pensa.
— Eu eu... — seus ombros relaxam — não posso ficar com ele Anne.
— Por que? — sinto minha voz ficar mais tensa — diga-me.
Seu semblante está triste, e seus olhos entregam a confusão de seus pensamentos.
— Eu não posso porque meus pais tem planos para mim.
— Os seus pais tem planos para você, e isso não inclui pessoas como Jerry, não é?
— Não, não é isso — ela me encara — eu o quero em minha vida, mas eu não sei se consigo suportar a pressão de meus pais.
— Isso é tão retrógrado — digo enquanto caminhamos — não estamos no século dezenove.
— Eu sei, eu sei — ela diz — mas não posso simplesmente dizer "mãe, pai não posso ir a universidade de Princeton porque eu amo Jerry Baynard".
— Princeton?
— Sim.
— Seria um sonho — digo — eu amaria estudar lá.
— Anne, você é capaz de chegar lá, sem depender de ninguém.
— Ainda falta dois anos para isso, devemos focar no nosso objetivo atual. O ensino médio.
— Não quero magoar Jerry, mas não quero deixa-lo ainda, mesmo assim, minha consciência não me deixa em paz.
— Jerry veio da França, Diana, em breve voltará para lá também. Talvez os dois devessem se sentar, e conversar. Sabe?
Paramos na porta do colégio e ela aponta para o carro que deixa Gilbert Blythe.
— É a governanta dele.
— Me lembro dela no dia do velório — digo — ela é tão linda.
A alguns metros de distância, Gilbert me encara e da aquele lindíssimo sorriso de arrancar arrepios.
— Acha que eu não os vi aos beijos? — Diana me cutuca — sorte que Ruby não vem hoje porque... Você vai ter problemas.
— Ruby gostou de Filipe — digo — e acho que ela não vai se importar em saber que eu e Gilbert somos um...
— Casal? — ela brinca — uuuuuhul.
— Não seja indiscreta.
— Um grito não é nada indiscreto perto da troca de olhar de vocês Anne. Para, qualquer um sabe.
— Bom dia garotas — diz ele se juntando a nós.
— Olha é o Gilbert — começo a escutar os murmúrios dos fofoqueiros e puxa saco de Gilbert.
— E ele está com a Anne.
Todos nos encaram.
— É Gilbert Blythe — diz Billy e Josie se juntando a nós — acho que sabemos porque você voltou.
No mesmo instante eles abrem caminho para que possamos ver. E lá está Benjamin, caminhando com um sorriso estampado no rosto, e uma mochila nas costas, vindo em nossa direção.
— Acho que agora Billy, as coisas vão ficar boas — Josie diz sugestivamente.
— Eu acho que não — Gilbert se vira me puxa para perto dele e me dá um beijo.
Flashes, gritos e muita bagunça. Foi tudo o que vi e ouvi, antes de estar na diretoria.
. . .