Capítulo vinte e dois.

1315 Palavras
Sou destemida e empoderada. — Não fazíamos nada demais — retruco para a diretora que me encara aparentemente compreensiva — olha, estávamos fora do colégio. — Sim diretora Stacy — Gilbert diz — não fizemos nada aqui dentro. — Causaram tumulto na porta do colégio — ela se levanta — vocês sabem que nós prezamos muito por nossa boa fama. — Desculpe — falamos em coro — há algo que possamos fazer para compensar esse erro? — Vi que vocês tem bastante popularidade — ela caminha na sala — e o teatro está prestes a sair de uma de nossas atividades por causa do pouco interesse. — Não somos populares — digo — eu não sou, Gilbert é, e ser impopular é muito melhor porque, a popularidade não serve para absolutamente nada — ergo os ombros — pelo contrário, nos trás diretamente para a diretoria. — Você tem uma ótima dicção — ela me encara. Sorrio. — Está certo, então a senhora sugere que façamos parte do grupo de teatro? — Gilbert diz enquanto ergue suas sobrancelhas, é impossível dizer que não sinto nada quando ele faz isso pois, é exageradamente sedutor. — Sim — ela pousa as mãos em sua mesa — o teatro enfim teria o impacto que merece. — Eu adoraria atuar — digo — se as histórias forem boas o suficiente, eu gosto de coisas românticas, cheias de clichês e empoderamento feminino — a encaro — digamos que sou uma feminista em formação. Ela sorri, para minha surpresa feliz o suficiente para que não fossemos castigados por causa do tumulto na entrada do colégio logo pela manhã. — Eu topo — Gilbert mexe nos cabelos enquanto se levanta — podemos sair? — Amanhã às 17h00 — ela diz — dia da reunião do teatro. — Certo — falo — obrigada por sugerir um castigo bom o suficiente para que eu não me odiasse pelo... Ocorrido hoje. — Até amanhã, Senhorita Shirley e Sr. Blythe. Saímos da sala e caminhamos para o nosso armário, a fim de guardar as coisas e esperar o próximo sinal. — Graças aos céus ela é uma diretora ótima — digo guardando meu livro — imagina se ela fosse raivosa? — Aí seria um cachorro — ele diz irônico. Dou risada. — Por que fez aquilo Gilbert? — o encaro assim que ele fecha o armário — me beijou sabendo que eu tenho que contar a Ruby antes... — Eu não sei — ele encosta em sua porta — eu nunca faria isso se não estivesse tão incomodado com um certo alguém... — Você está com ciúmes? — pisco repetidas vezes — de mim? Quando eu, Anne Shirley-Cuthbert, imaginei nesse universo que alguém do nível de Gilbert, fosse sentir ciúmes de mim? Era estranho porque, durante anos pensei que seria casada com as minhas aventuras, as quais, nunca,em hipótese alguma me desmereceram (até porque, não tinham como fazer isso). Ele assente, enquanto morde os lábios. — Me desculpe — sua voz sai com bastante arrependimento — eu a expus e isso não é o que faço. — Tudo bem — sorrio — olha, uma hora ou outra Ruby ia descobrir, mas não achei necessário você fazer aquilo porque eu disse para o Ben que eu e você tínhamos assuntos inacabados e que eu sabia que você voltaria, e não importasse o tempo que você demorasse porque eu jamais iria me permitir gostar de alguém como gosto de você Gilbert. Ele enrola a ponta de meu cabelo com o dedo indicador. O sinal toca, o corredor enche. — Que sorte a minha passar a manhã com você — ele sorri. — Não posso discordar porque sei o quanto é prazerosa a minha companhia — o encaro — vamos para a aula? — Vamos. . . . (Narração Gilbert) Anne tinha um cheiro doce e irresistível, além de seu jeito inocente e esperançoso, coisas que eu com certeza presava e admirava com fervor. Em momento algum da minha vida imaginei encontrar alguém como ela, apesar de ainda estar no auge dos meus dezessete anos. Algo, me dizia claramente que jamais encontraria uma pessoa tão especial como ela. — Tenho que lhe contar algo — encaro-a no meio da aula de geometria — talvez esse não seja o melhor momento mas... Ela me encara enquanto registra as contas em seu caderno. — Pode ser depois desses cálculos horrendos? — ela diz com um sorriso torto. Movimento a cabeça em um sim. — Anne — Diana a chama. Me viro junto com ela para olhar para trás e a garota morena aponta para Ben, sentado sozinho cabisbaixo olhando para o chão enquanto amassa um papel. — Devo falar com ele — ela me encara — não fique com ciúmes por favor — ela diz — eu não gosto de vê-lo assim. — Empatia... — ele ergue os ombros — eu sei, faz parte de você. O sinal toca, Anne se levanta e caminha até o garoto. Fico a observando, quando tenho os pensamentos interrompidos por Diana. — Se você gosta realmente dela, por favor não a pressione — ela diz — Anne é fiel a quem ama Gilbert. Seja você, eu, Jerry e até Ben. — Eu sei Diana, mas precisava dizer algo para ela urgente antes que ela saiba por si própria. Ela é estourada demais para entender. — Tá bom — ela diz — conte-me. — A garota do navio está em Springdale. — A loira oxigenada está aqui? — ela diz um tanto indignada. — Loira oxigenada? — gargalho. — Para mim, é. — ela cruza os braços com raiva. — Eu pensei que Anne teria essa reação, não você. — Sou a melhor amiga dela — sua voz é rancorosa — acha mesmo que as reações seriam diferentes? Encaro Anne com Ben. — Pare de olhá-los! — ela me puxa — venha vamos sair daqui. — Ela quer conhecer a cidade — explico — eu não vejo m*l nisso. — Nem eu — Diana ergue os ombros — desde que não seja com você — ela tira o esmalte preto da unha como se fosse uma mania aliviadora para sua raiva — imagina que Benjamin fosse um garoto que Anne viajou por semanas, e ele viesse atrás dela, depois dela vir embora para consertar um relacionamento que nem sequer tinha começado, e ela fosse toda feliz mostrar a cidade para ele. — ela me dá um pequeno soco — seja mais astuto. — Realmente — penso na possibilidade — você tem razão. — Eu sei que tenho razão Gilbert — ela pisca com um olho — eu sempre tenho razão quando o assunto é relacionamento, exceto o meu. Ela se vira para observar Anne que está chegando. — E se fossemos juntos? — sugiro — eu e Anne, você e Jerry, jantarmos com esses amigos que conheci no navio? — Nós todos juntos? — ela movimenta os cabelos inquieta — eu não sei se isso é uma boa ideia. — Elas podem se conhecer — digo — quem sabe até gostarem uma da outra. — Tudo bem, boa sorte em convencer Anne a fazer isso — ela diz enquanto observa Jerry — eu vou conversar com Jerry. — Boa sorte em conversar com ele — digo — tenho certeza que um jantar será bom o suficiente para fazê-los se reconciliar. — Obrigada — ela diz e sai rapidamente atrás do garoto. — E então? — questiono Anne que se junta a mim. — Nada — ela ergue os ombros — ele só achou um pouco complicado a socialização, mas ele conhece mais pessoas que eu, já até ingressou no time de futebol. — Entendo — a encaro — que bom que ele tem essa fácil interação. Ela me olha, como se já sentisse que eu precisava lhe dizer algo. — Alguns de meus amigos do navio vieram para Springdale — solto sem pausas. — A garota loira — ela desvia o olhar — não estão na sua casa, né? — Não! — exclamo — eu não costumo hospedar pessoas que nem conheço direito. — Ótimo — ela sorri falso — e o que mais? — Queria marcar um jantar entre todos nós — ele diz — tenho certeza que vocês duas vão gostar uma da outra. — Você quer que eu me relacione indiretamente com o seu caso do navio? — ela ironiza — você não tem consciência não é Gilbert? — Eu não tive uma relação no navio — me defendo — eu jamais teria algo com outra pessoa tendo a deixado aqui. — Então está bem — ela fala ainda duvidosa — marque esse jantar, espero que eu não me arrependa de ter aceito isso. — Anne, a única mulher da minha vida é você. — Estamos no ensino médio ainda — ela diz — mas acredito perdidamente em amores eternos, Gilbert Blythe. . . .
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