Capítulo vinte e três.

1501 Palavras
O que eu mais quero.. O dia estava com cara de desastre, pela manhã ao acordar me deparei com uma espinha enorme centralizada em minha testa, a cólica espremia o meu útero enquanto eu tentava fingir que não tinha nada errado e para completar, eu estava com início de gripe. Puxo o celular e vejo a mensagem de Gilbert. "Bom dia minha Anne com E" "Bom dia Sr. Blythe" Tomo um banho, lavo os cabelos e assim que estou pronta para o colégio, desço para tomar café. — Então hoje a noite temos planos? — Jerry pergunta enquanto mastiga a torrada. — Sim — relaxo os ombros enquanto tomo leite — você acha uma boa ideia? Sabe.. eu e a perua loira juntas... — Não, eu não acho — ele me encara — até porque, obviamente ela veio para cá por um só motivo. — Gilbert — reviro os olhos — como ele pode ser tão ingênuo? — Ele não é ingênuo Anne — Jerry diz — só não quer que as coisas fiquem pairando no ar sem uma resolução, talvez queira mostrar pra garota que tem você. — Ela é mais velha — pego o celular — bonita, rica e elegante. — Como sabe de tudo isso? Mostro o celular. — Você pesquisou? — Dei uma stalkeada — digo — ela se chama Winifred. — Eu não sei porque te deram um celular. — Para nenhum Billy Andrews se aproveitar da minha fragilidade sozinho — encaro-o — vamos? — Vamos. . . . Penso no caminho em como conseguirei dizer a Ruby que eu e Gilbert estamos mais ou menos juntos. Assim que ela sai de sua casa, encara-me um tanto irada, mas não como eu imaginei que seria. — Poderia ter me contado antes de todos postarem nas redes sociais — ela diz assim que chega perto — olha Anne, eu não ligo mais para Gilbert Blythe, ele é todo seu. Diana troca olhares surpresos comigo, e Ruby caminha em nossa frente rumo ao colégio. — Tem certeza disso Ruby? — pergunto — eu queria lhe dizer mas não tive tempo. — Estava ocupada demais beijando-o, não é? — Olha Ruby. — É brincadeira gente — ela se vira ficando de frente para nós — olha, eu sempre soube que Gilbert não dá a mínima para mim, eu também não sou tão trouxa para ficar atrás dele implorando atenção. Já você Anne, desde que chegou, conseguiu atrai-lo de uma forma que não entendo — ela me observa de cima abaixo — enfim, sejam felizes. — Não vai me odiar por isso? — Eu não posso odiar você por ter um amor não correspondido. — ela cruza os braços — de verdade Anne, seja feliz. O resto do caminho foi acompanhado de um silêncio atormentador, mesmo assim, talvez o dia não ia ser tão desastroso como pensei que seria. Pelo menos com Ruby, tudo estava bem. . . . (Narração Gilbert) — Um jantar em minha casa? — eu perguntei a Anne que sugeriu. — Sim, olha Gilbert, acho que não há lugar melhor para me apresentar os seus amigos, inclusive a moça que cuida de você. — Mary? — Se você quer algo a mais comigo Gilbert, tem que ir direto ao ponto. Eu já fui em sua casa, duas vezes nas minhas contas, na verdade quatro, duas eu entrei e bom, duas não. — Então você quer que eu chame Winifred e Bash para jantarem em minha casa junto com você e Jerry e Diana? — Precisa que eu desenhe? — ela me encara m*l humorada. Respiro fundo enquanto penso. — Quer que eu vá até sua casa pedir a permissão aos seus pais? — ironizo. Ela me encara enquanto molha o lábio inferior. — Não é o momento ainda — ela responde — olha, só acho mais prático e melhor para evitar qualquer desastre público e sei lá, sabemos bem que "fofocas de Springdale College" nos persegue, não quero que seja uma brecha para que eles nos exponha. As palavras de Anne entram em minha mente, e penso realmente na proporção que tomaria o fato de estarmos todos reunidos em algum lugar público. — Essa página não dá sossego. — Você não gosta de ser o centro não é? — encaro-a. — Essa não é a questão — seus ombros visivelmente estão tensos — eu gosto quando o assunto é importante, não quando são apenas pessoas que não tem o que fazer tomando conta de minha vida. — Devo concordar, você tem razão. — E então — Diana e Jerry se juntam a nós no refeitório — onde será o tão esperado jantar? — Em minha casa — diz Gilbert. Elas trocam olhares enquanto Jerry e eu, tentamos decifrá-los. — Isso não é uma boa ideia — sussurra o francês encarando-me. — Eu sei. . . . (Narração Anne) Após a reunião do teatro corri para casa. Eu precisava me arrumar para o jantar e precisava dar um jeito de fazer aquela espinha horrorosa sumir do centro de minha testa. — Parece nervosa — Diana entra no quarto. Ladeio de um lado para o outro ainda debaixo do roupão pois não havia encontrado uma roupa digna para a ocasião. — Se vamos na casa dele, você pode usar algo mais ousado — ela sugere enquanto vasculha minhas roupas. Ela joga uma calça jeans branca, uma regata com brilho e uma jaqueta preta de couro. — Calça branca? — falo — sem chance eu estou em péssimos dias para isso. — A calça branca te deixa com a b***a maior — ela ergue os ombros — ok, ok. Deslizo o olhar para observar-me. — Eu não quero parecer ser mais... Sensual que ela. Gilbert me conhece o suficiente para saber que eu não tenho nada de sensual. — Veste isso. Ela joga um vestido vermelho. — Sério? — Você não quer parecer uma criança que está procurando a mamadeira, quer? Movimento a cabeça em um não. — Então Anne, você não está em sua cidade do interior. Tem que ser um pouco mais ousada. — Eu beijei ele na porta do colégio — digo enquanto tento a convencer de que sou ousada. — Ele te beijou, a atitude foi dele — ela me encara com aqueles olhos verdes constrangedores. — Eu prefiro algo mais simples. Ela puxa uma saia preta de couro, com uma regata vinho de brilho. — Sem reclamações — ela diz — veste isso. — Você não acha exagerado demais? Vamos só na casa dele. — Vamos na casa dele, conhecer uma garota que descaradamente quer roubar ele de você... Ah Anne, se eu estivesse no seu lugar, eu iria para deixá-la no chinelo. — O que? — pergunto. — Deixa para lá, é uma metáfora que os brasileiros usam. — Interessante — encaro-a. — Vamos, já são sete e meia, daqui a pouco temos que ir. . . . A casa estava impecável, o cheiro da comida invadia meu cérebro. — Olá Anne — disse a governanta, conhecida como Mary. — Olá Mary — digo cumprimentando-a. — Venha — ela diz — Gilbert já vai descer. Nós quatro caminhamos silenciosamente para a sala. Assim que Mary se retira, Diana cutuca minha perna, e diz cochichando. — Estou com um pressentimento r**m sobre essa noite. — Você não é a única, acho que por isso somos melhores amigas — lhe encaro enquanto as unhas cravam em minha perna — eu não consigo parar de fazer isso — aponto para as marcas. — Você não pode ficar se machucando por causa disso. — ela diz com a voz um pouco falha — olha lá, Gilbert está vindo. Gilbert desce as escadas, concentrado em manter os olhos fixos somente em mim. Seu estilo clássico e ao mesmo tempo elegante, seu sorriso galanteador e sua forma sedutora de falar. — Oi pessoal. Todas as vezes que Gilbert falava, era impossível não sentir o fervor derretendo minha sanidade, se eu pudesse, todas as vezes que ele falava, lhe daria um bom e demorado beijo. A campainha tocou. Gilbert veio até mim e me deu um beijo de cumprimento. O encarei sorrindo, e logo meus pensamentos foram inundados de negatividade, assim que a jovem loira, alta, bonita e sensual, adentrou a grande sala. Ela fixou os olhos em mim, como se estivesse prestes a me m***r somente com uma piscada. — Onde está Bash? — Gilbert disse interrompendo aquele momento desagradável. — Adivinha Gil — ela deu risada — está conversando com sua governanta. Gilbert sorri. E ela chega mais perto de nós dois. Ela lhe dá um abraço e um beijo, e estica a mão para mim. Assim que nossos dedos se tocam, já sinto nossas energias opostas. Isso não daria certo, nunca. — Eu sou Winifred — ela diz como se estivesse prestes a me picar com seus dentes afiados de naja. — Eu sou Anne, com E. Ela enlaça o braço em Gilbert, certamente para provocar-me, olhando por cima do ombro como se a guerra já estivesse ganha. — Vamos Gilbert, mostre-me esse bela casa. Enlaço meu braço no lado livre de Gilbert. — Vamos meu amor — digo com ironia — vamos mostrar o quanto sua biblioteca é vasta, tenho certeza que uma jovem tão encantadora como Winifred certamente aprendeu o que sabe, com livros. Ela revira os olhos, como se nunca em hipótese alguma gostasse de ler. — Afinal, a biblioteca é sua parte favorita, não é amor? Gilbert assente sem graça. — Venha Winnie — falo com sarcasmo — vou lhe mostrar algumas leituras que fizemos quando EU estive aqui. Faço questão de enfatizar, para ela saber que a terra que ela estava invadindo pensando que não tinha escritura, já tinha, e estava no nome de Anne. . . .
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