Capítulo seis.

1272 Palavras
O remorso é o veneno da vida — Diana abra o i********: — peço — estão pensando que eu e Jerry... Isso não é um absurdo? Como se dão o direito de fazer comentários inescrupulosos ao meu respeito? — encaro Jerry — ao nosso respeito! — As pessoas costumam ser maldosas Anne — diz Jerry — você deve saber, pois... Acredito que já passou por várias situações embaraçosas e difíceis. — Sim, mas estamos todos no começo da puberdade, não imaginei que conseguiam ser tão insensíveis e infantis. — É difícil Anne — Diana pousa a mão em meu ombro e me olha enquanto mordisca a pele do lábio superior — mas você é forte o suficiente para suportar. — Enfim, vida é curta demais para ser gasta fomentando animosidade ou remoendo erros. — chegamos na rua de casa — amanhã será melhor. — Você é uma poetisa Anne! — Ah não Diana, essa frase é da Jane Eyre, eu procuro dizer para mim mesma quando sinto que as coisas estão fora de controle. — É o seu segundo dia de aula Anne, apenas isso. Fique tranquila. Sorrio. Diana pega o celular e mostra o número de seu telefone para Jerry, ele faz o mesmo. Por que todo mundo tem um celular e eu não? — Eu deveria ficar chateada em saber que os dois tem celular menos eu? — Não se preocupe Anne, eu te empresto o meu se você quiser falar com o Gilbert Blythe. Diana me encara e encara meu primo, completamente sem juízo, de fato. — Não seja inconveniente Jerry, Gilbert Blythe é o futuro namorado da Ruby. — Da Ruby Gillis? — ele gargalha — ele não dá a mínima para ela. — Como assim? Anne você não pode. — Não Diana, Jerry está sendo prematuro em suas ideias malucas. Não se preocupe, eu não tenho intenção nenhuma de... Fazer sei lá o que com Gilbert Blythe, ele é egocêntrico e cheio de soberba. — Não é não. — Diana me encara — Billy Andrews sim, mas Gilbert? Jamais Anne! Jerry fica cabisbaixo enquanto Diana defende Gilbert. Só eu que senti que talvez os dois tenham se identificado até demais? — Hoje a noite nos vemos? — Diana disse — eu venho lhe chamar. — Certo Diana, até mais tarde. Diana atravessa a rua e entra em sua casa gigante e elegante, e nós dois seguimos rumo a entrada de nossa simples casinha. — Não pense nisso Jerry — falo antes de entrarmos. — Pensar no que? — ele pergunta curioso. Oh céus como é inocente! — Em namorar Diana Barry — lhe encaro — é a única amiga que tenho até agora e você não vai estragar isso. — Mas eu nunca... — Jerry, me prometa. — Eu não posso prometer isso, da mesma forma que você não pode prometer que nunca irá se apaixonar pelo garoto da mansão. — Eu nunca vou me apaixonar por ele Jerry. — digo encarando-o. Escutamos um barulho no lado de dentro da casa, e Marilla grita. Corremos e quando abrimos a porta Matthew está no chão desmaiado com uma xícara quebrada em pequenos fragmentos de porcelana, eu não sei a dimensão do sentimento de medo que se apossa de mi, mas, meus instintos gritam silenciosamente para que Matthew, meu querido Matthew Cuthbert estivesse vivo. — Vou ligar a caminhonete — diz Jerry. — Certo — largo as coisas no chão e palpo seu punho para sentir sua pulsação, ainda estava lá, um tanto acelerada mas estava. — Matthew! — Marilla chora — por favor Matthew. — Venha Anne, vamos colocá-lo na traseira — diz Jerry. Com dificuldade, carregamos Matthew, no meio do caminho o Sr. Barry chega junto com sua família e nos ajuda a colocá-lo lá. — Sabe dirigir garoto? — ele encara Jerry. — Sim estou com minha carteira de motorista aqui. Eu e Marilla vamos atrás com Matthew e Jerry junto com o Sr. Barry na frente. Matthew continua desacordado, e encaro Marilla que mexe na barra da saia enquanto nem sequer desvia os olhos de seu irmão. — Ficará tudo bem Marilla — seguro em sua mão — Matthew não ousaria nos deixar agora, talvez devêssemos pedir a Deus para deixá-lo ficar por mais alguns anos nessa vida terrena. — Oh Anne, você ainda consegue arrancar sorrisos de mim nos momentos mais difíceis. — É isso que uma filha faz, não é? — Sim, Anne, é isso que uma filha faz. . . . O ambiente melancólico deixava-me cada vez mais apreensiva com tudo, se Matthew fosse recolhido agora para o seu descanso eterno, o que seria de mim e Marilla? — Anne — Jerry toca em meu ombro e me viro para olhá-lo — Matthew está bem. Suspiro aliviada, e sinto meu corpo automaticamente relaxar após a notícia reconfortante. Pego um copo de isopor, e espero meu café expresso ficar pronto, quando sou surpreendida pela doce voz dizendo: — O que faz aqui? Encaro Gilbert Blythe que me observa um tanto curioso. Uma de suas sobrancelhas está erguida e seus lábios desenham um belo e apaixonante sorriso torto. — Meu... Ah.. Matthew sofreu um acidente e tivemos que trazê-lo para cá. — Matthew é seu pai? — Tutor legal. — Ah entendi — ele fica sem graça — desculpe eu não queria ser tão intrometido. — E o que lhe trás aqui, Gilbert? Seu sorriso se perde e só consigo focar em seus lindos olhos esverdeados encarando-me com tristeza. É nessa hora que sinto, que não deveria ter perguntado nada. — Meu pai está aqui — ele diz — há algum tempo sofre com um câncer e agora está tendo uma piora significativa. — Eu sinto muito — digo enquanto direciono minhas mãos até às dele, contudo, o destino optou por esse não ser o momento de tocá-lo. Somos surpreendidos pelo líquido preto conhecido como Capuccino descendo como uma cascata sentido aos nossos pés. — Esqueci que essa máquina não é tão nova quanto a que tenho em casa — digo — olha só essa sujeira. Ele chama uma das faxineiras do hospital e pede para ela um pano. — Não seria mais fácil perguntar se ela podia limpar? — Gosto de ser educado — ele me encara — me sinto melhor, o tempo todo tem pessoas querendo fazer as coisas para mim. Me oferecer a ajudar é aliviador. — Você não é tão egocêntrico e egoísta como pensei — falo por impulso. — O que? Por que achou isso? Ergo os ombros em resposta, talvez eu não devesse dizer nada além do meu objetivo. — Às vezes sou espontânea demais — a faxineira chega com um esfregão e limpa a sujeira — obrigada — digo encarando-a. — Ser espontânea não é r**m, é uma qualidade admirável. Mas não justifica o fato de me achar... Egocêntrico e egoísta. Isso é tudo que eu não sou. — Eu fico feliz em saber isso Gilbert. — Talvez você devesse me dar uma chance de lhe mostrar. — Acho que terei tempo o suficiente para descobrir isso. Encaro-o e sorrio. — Agora devo ir — ele diz — até breve Anne. — Até. Que tipo de pessoa eu sou? Consigo tirar conclusões precipitadas de um garoto gentil e cavalheiro, somente olhando as pessoas que o rodeiam. Remorso é pouco para sentir, eu estava arrependida e decepcionada com tudo isso. Caminho em direção onde Matthew está, e passo pelo quarto do pai do Gilbert, sei porque ouço a voz de Gilbert em desespero. Respiro fundo, paro e dou meia volta. Me posiciono na porta do quarto, e o garoto está prostrado sobre o corpo do pai. Entro sem me importar com as pessoas, alguém me puxa para trás e ele se recompõe e pede para a pessoa me soltar, e antes que eu pudesse pensar, o garoto popular e cheio de si, como eu havia deduzido, está em meus braços chorando feito um bebê quando tem o doce roubado. E eu impulsivamente enlaço meu braço nele, sem me importar se estávamos sendo vistos, aquele abraço, apesar de inesperado e inadequado, era tudo o que precisávamos. . . .
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR