DONA MARTA NARRANDO O jantar com o José foi… diferente. No começo, eu tava nervosa. Fazia tanto tempo que eu não saía assim, que eu não me arrumava desse jeito. Me senti uma menina, ansiosa como se fosse meu primeiro encontro. Mas José soube me deixar à vontade. Ele me fez rir, me fez sentir bonita. Desde o momento em que me pegou em casa, eu percebi no olhar dele que ele gostou do que viu. — Você tá linda, Marta. Foi a primeira coisa que ele disse quando eu entrei no carro. E isso já me deixou sem graça. Fomos para um restaurante tranquilo, longe da bagunça do morro, onde ninguém me conhecia, onde eu não precisava pensar em nada além daquele momento. Ele foi um cavalheiro o tempo inteiro. Puxou a cadeira pra mim, me serviu vinho—ele bebeu e eu fiquei no suquinho de maracujá, po

