O carro parou seco.
Antes mesmo do motor desligar, a porta já estava aberta.
Leon chegou primeiro.
Mais rápido do que deveria.
Mais rápido do que demonstraria normalmente.
A porta abriu.
E ele viu.
Gianni sentado.
Camisa manchada.
Sangue seco misturado com o que ainda escorria.
Respiração pesada.
E Morgana.
De pé.
Ainda suja.
Ainda alerta.
Os olhos dela encontraram os dele.
Não havia explicação ali.
Só uma verdade simples:
deram errado.
Leon se aproximou.
Sem pressa aparente.
Mas cada passo carregava algo mais pesado.
— Onde.
Não era pergunta completa.
— Ombro — Morgana respondeu
— raspão, mas entrou.
Ele se ajoelhou na frente do irmão.
Segurou o rosto dele com firmeza.
Virou de um lado pro outro.
Avaliando.
— Você tá consciente?
Gianni soltou um riso fraco.
— Infelizmente.
Leon não riu.
Soltou ele devagar.
Mas o olhar…
não saiu.
Subiu pra Morgana.
— O que aconteceu.
Ela não desviou.
— Emboscada.
pausa
— Ele entrou antes.
Silêncio.
Leon assentiu.
Uma vez.
Não gritou.
Não explodiu.
Pior.
— Claro que entrou.
Gianni travou o maxilar.
— Eu resolvi—
Leon levantou.
Rápido.
— Você não resolve.
A voz veio baixa.
Mas dessa vez…
carregada.
— Você reage.
Silêncio.
Morgana deu um passo.
Interferindo.
— Já foi resolvido.
Leon virou pra ela.
Rápido.
— Resolvido?
Um segundo.
— Atiraram nele.
Aquilo não era acusação.
Era sentença.
Morgana sustentou.
— E não vão fazer de novo.
Silêncio.
Os olhos dele ficaram nela.
Mais tempo.
Mais fundo.
Não era só sobre a missão.
Era sobre quem estava ali.
Quem saiu.
E quem voltou ferido.
Ele respirou fundo.
E então…
a decisão veio.
— Acabou.
Silêncio.
— Agora não é mais resposta.
pausa
— é guerra.
A palavra caiu pesada.
E ninguém ali questionou.
Porque todos sentiram.
Isso não era mais estratégia.
Era família.
Do outro lado da cidade…
longe.
Um homem observava.
Sem pressa.
Sem emoção visível.
Volkov
O copo girava lentamente entre os dedos.
Whisky.
Intacto.
Na mesa, uma foto.
Gianni.
Caído.
Sangue no ombro.
Ao lado…
outra imagem.
Morgana.
De pé.
Fria.
Ele observou por mais tempo essa.
— Interessante…
A voz saiu baixa.
Quase curiosa.
Não havia raiva ali.
Ainda não.
— Não foi você.
Um homem ao lado respondeu:
— Não, senhor.
Volkov assentiu de leve.
— Então foi um teste.
Silêncio.
Ele colocou o copo na mesa.
— E eles passaram.
Os olhos voltaram pra imagem.
Mais focados agora.
Mais interessados.
— Principalmente ela.
Um leve sorriso surgiu.
Pequeno.
Errado.
— Traga ela até mim.
Silêncio.
— Viva.
Agora sim.
Perigo.
De volta à casa…
Gianni já estava sendo cuidado.
Mas o clima…
não.
Leon estava de pé.
De costas.
Mãos apoiadas na mesa.
Morgana encostada na parede.
Braços cruzados.
Silêncio.
Até que ele falou.
— Você vai ficar fora da próxima.
Ela nem se mexeu.
— Não.
Curto.
Ele virou.
Devagar.
— Ele quase morreu.
— E não morreu.
Silêncio.
— Porque eu tava lá.
Aquilo bateu.
Mas não encerrou.
Leon se aproximou.
— Eu não vou arriscar você também.
Erro.
O olhar dela mudou.
— Você não decide isso.
Mais perto agora.
— Eu decido sim.
— Não comigo.
Silêncio.
Aquilo…
não era discussão.
Era colisão.
E por um segundo…
ficaram perto demais.
De novo.
Mas dessa vez…
não tinha tensão contida.
Tinha algo mais bruto.
Mais perigoso.
— Isso não é só sobre você — ele disse
Ela sustentou.
— Nunca foi.
Silêncio.
E ali…
ficou claro.
A guerra não estava só do lado de fora.