No dia seguinte, Mary permanecia em casa, as aulas estavam suspensas por causa dos incidentes, o clima no ambiente familiar estava denso, a garota se negava a sair do seu quarto, Henry e Lílian já não sabiam mais o que fazer, por várias vezes os pais da garota passava pela porta do seu quarto, a mãe dela muitas vezes bateu naquela porta, mas a garota se negava a responder.
— Mary? – disse Dylan ao bater na porta. – Mary, o pai e eu vamos na fazenda, eu queria saber se não quer com a gente! – disse ele novamente.
A garota que estava em sua cama, cobriu a sua cabeça com o seu lençol, ela virou para o lado da parede e fechou os seus olhos.
Enquanto isso no andar de baixo, Henry estava conversando com um certo jovem que ele havia encontrado em cima do telhado da varanda.
— Você não tem medo da morte não garoto? – perguntou Henry a Jacob.
O garoto estava com a cabeça baixa e com muito medo do homem à sua frente, mesmo que Henry perguntasse muitas coisas, ele não respondia nada.
— Você está me ouvindo? O que estava fazendo no telhado? Sabe que eu posso te prender não sabe? – questionou Henry.
— Sim senhor! – disse o garoto.
— Olha, ele fala! – disse Henry.
— Querido por favor! Pare, está o assustando! – disse Lílian.
Henry ficou calado, ele andava de um lado para o outro e enquanto isso Lílian estava a entregar um copo com suco para o garoto.
— Aqui querido, desculpe pelo meu marido, as vezes ele não sabe conversar! – disse Lílian ao entregar o copo ao garoto.
— Obrigado! – disse Jacob ao olhar para a mulher.
— Posso te perguntar uma coisa? – perguntou Lílian ao garoto.
— Sim senhora! – disse Jacob.
— Você consegue tirar a Mary do quarto? Pergunto isso por que eu sei que vocês terminaram mais também sei, que ela ainda é apegada a você! – disse Lílian.
— Sim senhora! – disse Jacob.
— Então por favor, tire— a de lá! – disse Lílian.
O garoto concordou e então se levantou da cadeira que estava sentado, ele passou por Henry que estava na porta da cozinha, o homem cedeu passagem para o jovem passar e ele assim fez, ele seguiu pela escadaria da casa e caminhou pelo corredor onde ficava os quartos, ele se aproximou da porta do quarto da garota e bateu na mesma.
— Mary, sou eu Jacob, abra a porta, precisamos conversar! – disse ele.
A garota que estava em seu quarto, permanecia coberta com o lençol por todo o seu corpo, Jacob sabia que ela não cederia assim tão fácil, então ao invés de entrar pela porta do quarto ele resolveu tentar uma outra entrada, a janela do quarto dela, o garoto desceu as escadas e passou pelo casal Campbell, que estava perto da porta da sala da casa.
— Ela ainda não saiu do quarto? – perguntou Lílian ao ver o jovem.
— Eu vou tentar uma coisa! – disse o garoto ao chegar à porta de saída da casa.
O garoto saiu da residência e o casal Campbell acompanhou o garoto para saber o que ele planejava fazer, o jovem ao se aproximar da varanda da casa, ele subiu naqueles telhados com um único movimento, sem qualquer dificuldade.
— Como ele conseguiu fazer isso? – perguntou Henry a Lílian.
— Ele é jogador, talvez seja por isso! – disse Lílian.
— Pode ser! – disse Henry.
Voltando ao garoto, ele agora estava para abrir a janela do quarto de Mary, ele assim ele fez, ao conseguir entrar, o garoto retirou os seus sapatos e deitou— se ao lado da garota que ainda estava coberta.
— O que faz aqui? – perguntou a jovem ainda coberta.
— Vim saber como estar e o seu pai me pegou tentando entrar no seu quarto! – disse ele.
— E ainda está vivo? – perguntou Mary.
— Graças a Deus sim, pensei que fosse morrer depois do interrogatório! – disse ele.
Por de baixo das cobertas, a garota sorriu com o que o jovem disse, ela virou— se para ele e por sua vez, o mesmo retirou a coberta sobre ela fazendo assim com que o rosto dela ficasse amostra.
— Assim está melhor! – disse ele ao olhar para ela.
— Tem alguma notícia da Elisa? – perguntou ela.
— Ela está em coma, os médicos não sabem o que aconteceu, os pais dela disseram que ela começou a ficar doente e depois que saímos do colégio, parece que ela teve uma crise o senhor Willian tentou ajuda— la, mas ela acabou desmaiando e depois disso, ela não acordou mais, os médicos disseram que ela está muito fraca, e talvez seja por isso que não consiga mais acordar! – disse o jovem.
— Ela corre risco? – perguntou ela.
— Sim, ela pode não voltar mais! – disse ele. – Hoje será o velório e o enterro da Nora, acho que você deveria ir, você a ajudou e estando lá, você pode ajudar a consolar os pais dela. – disse ele novamente.
— Eu não sei se deveria ir, eu não consegui salvar ela! – disse a garota.
— Mas você fez o necessário! – disse ele. – Por favor Mary, você não pode ficar trancada nesse quarto pelo resto da vida, não quando se tem um cachorro muito esperto te esperando no quintal. – disse ele novamente.
— Um cachorro? – perguntou a garota ao se levantar e se sentar a cama. – Você está falando sério? Tem um cachorro na minha casa? – perguntou ela novamente.
O jovem que ainda estava deitado, mexeu a cabeça com concordância para a jovem, a garota levantou— se da sua cama em um pulo e seguiu para abrir a porta do seu quarto, assim que ela abriu a mesma, em segundos o cachorro que Jacob havia dito entrou em seu quarto.
— Não acredito, oi garoto, como é o nome dele? – perguntou Mary ao jovem.
— Lobo! – disse o pai da garota ao aparecer na porta do quarto dela.
O homem ficou feliz ao ver o sorriso no rosto de sua filha, mas quando olhou para a cama dela e viu Jacob deitado sobre a mesma, ele o olhou com um olhar fatal e por sua vez o garoto levantou— se em um pulo.
— Agora vai sair do seu quarto? – perguntou Lílian que estava ao lado de Henry.
Mary a olhou e balançou a cabeça em concordância, ela voltou a olhar para o cachorro e continuou a fazer carinho nele, o cachorro também fez carinho na jovem, com várias lambidas em seu rosto, agora ela estava sorrindo assim como os seus pais queriam.
Um tempo depois, a jovem saiu do seu quarto e já estava arrumada para ir ao enterro da garota Nora, Jacob que estava ainda na casa da jovem a esperando no andar de baixo da casa, estava a todo o momento encarando o novo morador da casa, o Lobo, e o próprio também encarava ao jovem.
— Vamos? – perguntou Mary ao aparecer na sala.
Jacob que até o momento estava brincando com o cachorro de quem encarava mais tempo, virou— se para Mary e balançou a cabeça em concordância.
— Vamos Lobo! – disse Mary ao cachorro.
— Vai leva— lo também? – perguntou Jacob.
— Sim, porque? – questionou Mary.
— E se ele me morder? – perguntou o garoto.
— Se ele te morder, eu o deixo dormir no sofá! – disse Henry ao sair da cozinha com uma xicara de café em mãos.
Lílian que estava passando pelo corredor da casa com um cesto de roupas sujas, reprendeu Henry apenas com um olhar, Mary estava segurando o riso ao ver a cena e Jacob estava novamente encarando o cachorro.
— Vamos Jacob! – disse a garota.
— Vamos! – disse o jovem.
— Filha! – chamou Henry a atenção de Mary. – Se o Lobo quiser morder ele, pode deixar! – disse Henry antes de tomar um gole do seu café.
A garota começou a sorrir e em seguida saiu para o exterior da sua residência, então caminhou em direção ao seu carro que estava estacionado ao acostamento em frente à sua casa.
— Onde vai Mary? – perguntou Dylan ao sair da garagem da casa.
— Vou ao velório da Nora! – disse ela.
— Posso ir junto com você? Ela e eu éramos próximos! – disse Dylan.
— Tudo bem! – disse ela. – Vamos! – disse novamente.
Mary, Dylan e Lobo entraram no carro da jovem, enquanto Jacob entrou em seu próprio carro, eles seguiram em direção da casa onde morava os pais da jovem falecida, Dylan parecia quieto e pensativo, Mary não tentou conversar com o seu irmão, pôs sabia que o melhor remédio para a dor, era o silencio.
A residência dos Young, estava cheia de pessoas entrando e saindo, entre essas pessoas havia, familiares, amigos, vizinhos e curiosos, a jovem Campbell estacionou o seu veículo no acostamento duas casas antes da casa dos pais da garota, Jacob parou o seu veículo logo atrás do dela, a garota olhou para o seu irmão assim que desligou o carro.
— Tudo bem se não entrar, eu entendo que deva estar se sentindo triste, afinal ela era a sua amiga! – disse Mary.
— Tudo bem! Eu vou entrar, eu preciso fazer isso! – disse Dylan antes de sair do carro.
Assim que o seu irmão saiu, Mary pegou a chaves do seu carro e saiu em seguida.
— Fica ai garoto! – disse Mary ao cachorro.
Dylan estava caminhando na frente, Jacob e Mary estava o acompanhando, assim que entraram na casa, na sala de estar, estavam os pais da garota e alguns familiares envolta do caixão, assim que a jovem Campbell entrou os pais de nora perceberam a sua presença e caminharam em direção a ela.
— Você foi a garota que ajudou a nossa filha? – perguntou a senhora Young.
— Sim senhora! – disse Mary.
— Eu queria te agradecer por ter tentado salvar a vida dela! – disse a senhora.
— Não tem que me agradecer, eu não consegui salva— la, eu queria mais não consegui! – disse a jovem.
— Só de ter a levado para o hospital, para que tentassem salva— la, foi o suficiente! – disse a senhora.
Mary ficou em silencio, e olhou para o seu irmão, que estava perto do caixão onde estava o corpo da jovem.
— Obrigada por vir, fique à vontade! – disse a senhora Young.
A mulher se distanciou da jovem e a mesma se aproximou de Dylan, ele disse algo a ele e o abraçou, o irmão de Mary após se afastar do abraço da senhora, passou por sua irmã e seguiu para o andar de cima, onde ficava o quarto da garota, Jacob e Mary se entre olharam e permaneceram onde estavam.
— O quanto eles se conheciam? – perguntou Jacob a jovem.
— Não faço ideia, Dylan nunca conversa comigo sobre os seus sentimentos! – disse ela.
— Não acha que ele está demorando muito para descer? – perguntou Jacob.
— O que será que aconteceu? – perguntou Mary.
Jacob e ela se entre olharam e a jovem subiu as escadas para o andar de cima da casa, ela caminhou pelo extenso corredor cheio de quartos e olhou para dentro de cada um dele até encontrar o seu irmão sentado sobre cama do quarto da Nora, ele segurava um papel em mãos e estava chorando sem fazer barulho.
— Dylan! – disse Mary.
O garoto não respondeu à sua irmã, ela se aproximou dele e sentou ao seu lado.
— Quer conversar? – perguntou Mary.
— Eu ia pedir ela em namoro na próxima semana ao pai dela. – disse Dylan.
— Eu não sabia que estava namorando, porque não me disse? – perguntei.
— Não somos tão próximos assim para que compartilhe esse tipo de coisa com você! – disse ele.
— Mas eu sou sua irmã, eu estou aqui para te escutar e te apoiar! – disse Mary.
— Eu sei! – disse Dylan.
A garota segurou na mão do seu irmão e olhou para Jacob que estava parado de frente a porta, ela suspirou e segurou um pouco mais forte a mão do seu irmão.
— ela ia terminar comigo, ela não disse claramente, mas as atitudes dela, mostrava que ela iria terminar comigo, a uns dias, ela começou a agir de forma estranha, e em uma conversa com uma de suas amigas, ela disse ter encontrado um cara perfeito, que a satisfazia e que dava a ela o que eu não dava, eu não quis aceitar que ela já poderia ter outro alguém em sua vida, então fingi que não sabia da sua traição, mas ela se afastou cada vez mais e agora, eu não sei o que fazer! – disse o garoto ao voltar a chorar.
— Eu sinto muito Dylan! – disse Mary.
Os garotos ficaram naquele quarto por mais alguns minutos, assim que o jovem Campbell se recuperou da sua dor, eles saíram do quarto da garota, porém ao pisar no corredor novamente, Mary sentiu um arrepio em sua espinha, ela começou a sentir aquele ambiente gélido, como se estivesse dentro de uma geladeira, ou até mesmo como se fosse época de geada na cidade.
— Mary? Está tudo bem? – perguntou Jacob.
— Tem alguém aqui! – disse a garota.
— Além de nós, não há mais ninguém aqui! – disse Dylan.
— Não, tem sim, tem alguém aqui, não estão sentindo esse frio? – perguntou a garota.
— Frio? Mary, está o maior sol lá fora, e além disso, estamos no verão! – disse Dylan.
“— Mary”
— Mas que p***a é essa? – disse Dylan ao olhar sobre os ombros da irmã.
A garota olhou para trás e pode ver a mesma mulher que havia visto a um dia atrás, a caminho da escola.
“— não sinta medo Mary, eu sou a sua força”
A mulher correu em direção da garota e Mary colocou o seu braço a frente do seu rosto para se defender, mas assim que a mulher se aproximou dela, ela desapareceu uma forma de fumaça cinza.
— Mas o que é isso? – disse Mary ao sentir o seu pulso queimar, como se estivesse tido contato com óleo quente.
— Mary, calma vamos te ajudar! – disse Jacob ao segurar o braço da garota.
— O que está acontecendo com o braço dela? – perguntou Dylan.
No braço da garota no local onde ela havia sentindo queimar, estava aparecendo uma espécie de marca, como se fosse uma chave, a chave da ira, a pele da garota borbulhava e sangrava enquanto aquela marca não cicatrizava.
— Isso está queimando! – disse Mary.
— Calma, vai ficar tudo bem! – disse Jacob.
Dito isso, a marca no braço da garota cicatrizou, e a forma da chave estava como se fosse uma marca em seu corpo, segundos depois a janela do quarto da garota se abriu, um vento soprou em direção a eles e algumas imagens começaram a se passar na mente da garota, imagens da jovem Nora em seu quarto, ela estava dormindo e havia um monstro dobre ela, e algo ao seu redor, como uma fumaça branca flutuava em direção daquele ser maligno, outras imagens começaram a passar na mente dela, imagens de Elisa e a mesma criatura ao lado dela, e a mesma fumaça sobre ela, enquanto Mary estava em transe, Dylan e Jacob estavam tentando traze— la de volta a vida real, mas as imagens não paravam de passar, muitas vozes, rostos estavam aparecendo um após o outro para a Mary, e por fim, o rosto do professor Willian com um sorriso maligno surgiu para ela e depois ele assumiu a forma de um demônio.
— O portão do inferno se abriu, o sétimo selo está prestes a se abrir! – disse Mary.
— O que? – perguntou Dylan.
— O professor Willian! É ele, ele que está fazendo tudo isso! – disse Mary.
A garota saiu do seu transe e olhou fixamente para Jacob, ela notou algo diferente ele e na sua aparência.
— O que você é? – perguntou ela a ele.
O garoto se sentiu desconfortável, ele desviou o seu olhar para o quarto da garota e engoliu seco.
— Alguém sabe me dizer o que está acontecendo aqui? — perguntou Dylan.
— Eu preciso ir! – disse Mary.
— Onde vai? – perguntou Jacob.
— A escola! – disse ela.
Mary saiu daquela casa rapidamente, ela entrou em seu carro e deu a partida.
— Espera! Eu vou com você! – disse Jacob.
— Você que sabe! – disse ela.
O irmão de Mary ficou na casa dos Young, ela começou a dirigir em direção da escola, logo atrás dela estava Jacob em seu carro.
— Está bem garoto? Como está a sua pata? – perguntou Mary ao cachorro.
O animal olhou para ela e fez uma cara de triste, a jovem sorriu ao olhar pelo retrovisor e logo em seguida olhou para frente, enquanto isso na delegacia, Henry estava olhando atentamente as fotos e os papeis do caso da jovem Harley Davis, a garota encontrada morta na floresta.
— Chefe? Está muito ocupado? – perguntou Eric ao abrir a porta da sala de Henry.
— Não, não, pode entrar, aconteceu alguma coisa? – perguntou Henry.
— Não, só vim trazer um papeis, parece que é um novo caso, uma família foi encontrada morta hoje de manhã por um dos seus vizinhos, parece que eles não foram vistos por dois dias, e quando esse vizinho foi saber como a família estava, ele encontrou a porta entre aberta e quando entrou, viu a família toda morta! – disse Eric.
— E como eles morreram? – perguntou Henry.
— Não é certeza, mas ao que parece eles faleceram de tanto comer! — Disse White.
— Está querendo me dizer que eles morreram por comerem em excesso? – perguntou Henry.
— Sim senhor! – disse White.
— Bom nada mais me surpreende, afinal, já vivenciei muita coisa que até hoje penso se foi sonho ou real! – disse Henry enquanto se levantava de sua cadeira.
— Senhor tem mais uma coisa! – disse White.
— O que houve agora? – perguntou Henry.
— Nada não houve nada, só acho que ultimamente tem acontecido coisas estranhas na cidade, parece que as pessoas estão enlouquecendo, primeiro a garota do culto e agora essa família, é como se estivesse começando o fim do mundo! – disse White.
— As pessoas sempre foram loucas, só que nos tempos de hoje a loucura entrou na moda infelizmente, e isso não é um sinal para o fim do mundo, esse mundo ainda está longe de acabar! – disse henry ao colocar a arma no coldre.
— O senhor vai a algum lugar? – perguntou White.
— Sim, vamos a cena do crime! – disse Henry. – Temos muito a fazer hoje! – disse ele novamente.
Henry deu a volta em sua mesa e caminhou em direção a porta da sua sala, ele passou por White que o seguiu assim que o seu chefe passou pela porta.
— Policial Kim, vou precisar sair por alguns instantes e preciso que você fique responsável pela delegacia enquanto estiver fora, o Policial White irá me acompanhar em uma cena de crime e depois dele você é a outra no comando quando não estou! – disse Henry.
— Tudo bem senhor! – disse a Policial Kim.
Henry fez gesto de concordância com a cabeça e começou a andar em linha reta em direção a porta da delegacia, já o policial White estava colocando a papelada que estava em suas mãos sobre a mesa da Policial Kim, quando o delegado Campbell estava prestes a tocar a maçaneta da porta, as luzes da delegacia começaram a piscar, ele e todos que estavam naquele local, começaram a estranhar aquela situação, uma sensação de frio exalou na delegacia por inteiro, até mesmo os presos em suas celas estavam sentindo aquele vento gelado que rodeava aquele lugar, alguns policiais passavam suas mãos sobre seus próprios braços na esperança de tentarem se esquentar.
— O que está acontecendo? – questionou Henry.
— Senhor! – chamou White.
Henry olhou para o policial que estava logo atrás dele e o mesmo estava apontando para uma pessoa que estava dentro da sala do delegado, essa pessoa era um homem, alto, forte e de pele n***a, ele estava de costas para a janela, fazendo assim com que fosse impossível de visualizar o seu rosto, Henry tirou a sua arma do coldre e em passos leves se aproximou da porta da sua própria sala.
— Com licença! – disse Henry a porta da sala.
— Você tem um péssimo gosto para arte, também, não há como te julgar, não seria justo, você não deveria nem ao mesmo ter nascido, acredito esse seu m*l gosto, esteja relacionado a esse fato! – disse homem ainda de costas.
— Quem é você? – perguntou Henry.
— Já se esqueceu de mim? Passamos momentos tão intensos naquele hospital! – disse o homem antes de virar— se.
No momento em que aquele homem mostrou o seu rosto, Henry rapidamente apontou a sua arma para ele, e o mesmo olhou o senhor Campbell rapidamente.
— Não vai precisar atirar em mim dessa vez, eu serei rápido! – disse o homem.
— Miguel, você é o Arcanjo Miguel, Uriel me falou muito sobre você, ele me disse que você é um anjo nada amigável! – disse Henry.
— É engraçado ouvir isso de um humano tão i*****l e patético quando você, não foi você mesmo que atirou em mim quando eu queria apenas conversar? – questionou Miguel.
— Conversar? Você queria matar a minha filha e a minha esposa! – disse Henry.
— Sua filha? Sinto lhe informar, mas aquela aberração, não pertence a você, e falando nela, me diga onde ela está agora? – perguntou Miguel.
— Não vou lhe dizer onde a minha filha está! – disse Henry.
— Humano i****a, eu posso acabar com a sua vida em questão de segundos, e ainda me responde de maneira tão m*l educada? – disse Miguel ao rir internamente. – Eu vou perguntar mais uma vez, onde está a garota? – perguntou Miguel ao olhar diretamente nos olhos de Henry na tentativa de intimida— lo.
— Eu já disse, eu não vou lhe falar onde está a minha filha! – disse Henry com tom de autoridade.
E nesse momento as luzes piscaram ainda mais rápido, e dessa vez houve um apagão, toda a delegacia ficou no escuro, Henry engatilhou a sua arma e ficou em posição de atirar, apenas esperando o ataque do Arcanjo.
— CHEFE, CHEFE! – gritou a Policial Kim.
Henry percebeu que no lado de fora da sua sala, os policiais estavam com as lanternas ligadas, e todos estavam apontando para o lado de fora da delegacia.
Em um breve relance de luz de uma das lanternas de um dos policias, Henry tornou a olhar para dentro da sua sala e viu que o Arcanjo já não estava mais lá.
O homem saiu mais uma vez da sua sala e caminhou em direção ao policial White que estava em frente a uma das janelas ao lado da porta de entrada e saída da delegacia.
— Chefe olha isso! – disse o policial ao olhar para o homem ao seu lado
— O que é isso? É sangue? – perguntou a policial Kim.
— Sim, é sangue! – disse Henry.
A chuva de sangue estava deixando todos atordoados, além da densa nevoa que estava cobrindo toda a estrada que levava para a cidade, se tornando impossível a saída das pessoas daquela delegacia.
— Por que isso está acontecendo? – perguntou a policial Kim.
— Esse é o indicio do fim do mundo! — Respondeu White.
— Não, isso é o indicio de que temos que nos preparar! – disse Henry.
O senhor Campbell saiu de perto da janela e virou— se de costas, ele passava a não sobre o seu lábio superior enquanto pensava no que iria fazer, pôs ele sabia que essa chuva de sangue não significava boa coisa.
— PRESTEM ATENÇÃO, PRECISAREMOS DE ARMAS E DE MAIS LANTERNAS, ESSA CHUVA SIGNIFICA QUE ALGO MUITO r**m VAI ACONTECER, ENTÃO VAMOS NOS PREPARAR PARA O PIOR! – disse Henry em voz alta.
— Senhor como sabe que isso significa ser algo r**m? – perguntou um policial aleatório.
— POR QUE EU JÁ VI ISSO ANTES! — Disse Henry em tom alto.
Ele virou— se novamente em direção a janela e o mesmo pode ver que em meio àquela névoa, havia duas pessoas caminhando em direção da delegacia.
Henry sentiu um arrepio na espinha e sentiu que a sua respiração começou a ficar densa, e a presença daquelas duas pessoas, estava causando nele um nervosismo inexplicável.
— Policial White e Policial Kim, eu preciso que vocês dois vão até o armazenamento de armas e distribua para todos aqui, e precisa ser um armamento pesado! – disse Henry.
— E o porquê disso senhor? – perguntou White.
— Mas que merda é essa? – questionou um policial que estava olhando através da janela.
No meio daquele nevoeiro estava saindo uma legião de criaturas estranhas, que possuíam o corpo de um cão, mas de um tamanho de um cavalo, sua pelugem era azulada, e seus olhos estavam fechados, suas cabeças eram cabeças de ursos, e no centro dessas criaturas estava ele, Miguel.
— São cachorros? – perguntou o policial White.
— Sim, mas são de uma raça muito rara, peguem as armas! – disse Henry.
Enquanto Henry e os seus policias se preparavam para qualquer coisa que estivesse prestes a acontecer, Mary estava prestes a chegar à escola.
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Assim que Mary estacionou o carro ela o engatou e desceu do mesmo, Jacob estacionou o carro dele ao lado do dela e desceu logo em seguida.
— Eu vou deixar o vidro aberto para você, se ver alguma coisa é só latir, que eu venho até você, se cuida garoto! – disse ela enquanto acariciava o seu cão.
Ao ver o Jacob, Lobo começou a grunhir.
— Calma garoto! — Disse Mary ao animal.
— Por que ele não gosta de mim? — Perguntou Jacob.
— O meu pai deve ter o treinado para isso! — Disse Mary.
— Vai deixa— lo no carro? — Perguntou Jacob.
— Vou, ele ainda está r**m da pata, não quero que ele se esforce! — Disse ela.
— Tudo bem, vamos entrar? — Perguntou ele.
Mary concordou e fez um último carinho em seu cachorro e começou a caminhar em direção a entrada da escola.
Ao chegar no portão, Mary e Jacob perceberam que o mesmo estava com uma corrente que estava presa ao cadeado.
— O que faremos? — Perguntou Jacob.
— Vamos por nossa entrada secreta! — Disse Mary ao se afastar.
Eles seguiram para o outro lado da escola, onde havia uma densa vegetação, que ficava atrás da parte isolada da escola, onde existia uma velha porta de madeira que estava desgastada por causa do tempo que estava naquele local.
Muitos jovens da idade da jovem Mary, assim como ela e Jacob, usavam aquela entrada para poder ter acesso a escola, ou por que estavam atrasados e não queriam ser vistos ou para usar a escola como local de atividades carnais.
Jacob passou a frente de Mary e abriu aquela porta com um leve empurrão, e ao abri— la, ambos puderam ouvir gritos vindos de dentro da escola.
— Espera Mary! — Disse Jacob ao tentar impedir a jovem de correr.
Mas era tarde, a garota correu por aquele corredor onde só havia o vestígio do incêndio que ocorreu naquele local anos atrás, por causa de um descuido de uma aluna na aula de química.
Ao passar pela porta que levava para o centro da escola, Mary parou de correr assim que aquela figura feminina surgiu a sua frente.
— Mary espera! — Disse Jacob ao pegar no braço da garota.
E logo o jovem percebeu que ela estava com o seu olhar fixo, ele seguiu com o olhar em direção ao local onde a garota estava olhando e o mesmo viu aquela figura fantasmagórica que se aproximava de ambos em leves passos, e quando estava próxima, aquele ser passou a se contorcer por inteiro, até ficar na mesma posição de um animal quadrúpede, o pescoço da criatura se esticou e agora olhando com fúria para os jovens, a criatura começou a dar leves passos na direção deles.
— Jacob! — Disse Mary.
— Já sei! Corre Mary, corre! — Disse o garoto ao segurar a mão de Mary.
Os jovens começaram a correr em direção a escada do segundo andar, eles corriam como se a vida deles depende-se disso, e realmente dependia.
Ainda segurando a mão da garota, Jacob a arrastou para dentro de uma sala no fim do corredor, assim que entram Mary soltou a mão dele e começou a arrastar as cadeiras e mesas para segurar a porta que no momento Jacob estava segurando firme.