— Olha quem temos aqui, as ratas! – disse Ellen ao perceber a presença das garotas.
— Olha quem temos aqui, a aranha de sótão! – disse Emma.
— Por que estão aqui? – perguntou Ellen.
— E tínhamos que estar onde? Não sei se percebeu, mas aqui é o refeitório, ele é para todos os alunos, não é exclusivo seu! – disse Ashley.
— Eu estou pergunto o porquê de terem sentado tão perto de nós! – disse Ellen.
— Por que a mesa estava livre e temos o direito se sentarmos onde quisermos! – disse Mary.
— Olha, Mary, nem percebi que estava aí, tudo bem com você? Eu acho que sim, parabéns pelo o seu aniversário! – disse Ellen.
— Hum! – indagou a Jovem.
— Jacob, você já deu o presente de aniversário dela? Há, é mesmo, vocês não estão mais juntos, ele está comigo agora! – disse a Ellen.
— Ellen por favor! – disse Jacob sem qualquer autoridade.
— Não contou a ela Jacob? – perguntou Mary ao rapaz.
— Mary por favor! – disse Jacob.
— Me contar o que? – perguntou Ellen.
Mary se levantou e ficou cara a cara com Ellen, ela olhou fixo nos olhos da garota e soltou um leve sorriso de sarcasmo.
— O Jacob não contou onde ele passou a noite? – perguntou Mary a Ellen.
— Do que está falando? – perguntou Ellen.
— Ela já me deu meu presente de aniversário, quase a noite toda, foi mais de seis vezes, logico que demos uma pausa, afinal ficávamos cansados a cada ato, e depois de tanta selvageria ele dormiu abraçado comigo e saiu da minha casa hoje de manhã, com toda a certeza foi um dos melhores presentes de aniversário que eu recebi, ele pode estar com você Ellen, mas é comigo que ele faz questão de t*****r todas as noites! – disse Mary com um leve sorriso em seu rosto.
Ellen em um ato de fúria, estendeu a mão para bofetear Mary, mas ela foi mais rápida e segurou o braço de Ellen.
— Sabe por que ele não te procura? Por que é a mim que ele ama, e você sabe disso, só não quer aceitar, mas eu vou acalmar o seu coração, eu não o amo mais, ele foi apenas uma diversão na noite passada, agora ele é todo seu, ele não tem mais utilidade para mim. – disse Mary.
Ela soltou o braço da garota e olhou para o seu ex-namorado rapidamente e depois o ignorou, todos da escola estavam prestando atenção no que estava acontecendo, Mary desviou o seu olhar para Elisa que mesmo com tudo acontecendo a sua volta, estava no mesmo estado que antes, estava com os seus pensamentos longe e totalmente desanimada.
— Elisa? – Chamou Mary a atenção da garota.
Ela olhou para Mary e fixou o seu olhar sobre ela, ela não conseguia falar e não conseguia raciocinar.
— Vamos conversar? Tenho algo para te perguntar! – disse Mary.
A garota saiu do seu momento de transe e se levantou de onde estava, Mary a seguiu até o corredor dos armários que estava vazio, Elisa parou de seguir reto e ficou andando de um lado para outro enquanto mordia as suas unhas.
— Elisa? Está tudo bem com você? – perguntou Mary.
— Você me ouviu, eu sei que me ouviu, você consegue me ouvir, ele me disse que você conseguia fazer isso, mas não acreditei, ele me disse também que você podia me ajudar! – disse Elisa enquanto andava de um lado para o outro.
— Ele quem Elisa? – perguntou Mary.
— O que te protege, ele está aqui, ele está observando você, ele quer falar com você! – disse Elisa.
— Ele quem Elisa? – perguntou Mary já ficando sem paciência.
— Eu não posso dizer, ele não me deixa dizer, Mary eu preciso da sua ajuda! – disse a garota.
— Eu juro que não estou entendendo nada me explica o que está acontecendo Elisa! – disse Mary.
— Mary, Elisa está tudo bem? – perguntou o professor Willian ao aparecer naquele corredor de repente.
Ele se aproximou das garotas, e Mary percebeu o nervosismo de Elisa ao ouvir a voz daquele homem, a corrente ainda estava lá, ligando aos dois.
— Íncubo! – disse Elisa.
— O que? – perguntou Mary.
— Íncubo! – disse a garota mais uma vez.
— Elisa a senhor Miller quer falar com você, ele a espera na sala dele! – disse o senhor Willian.
Ele passou a mão sobre os ombros da garota, e ela ficou de cabeça baixa, olhando para o chão, enquanto Mary o olhava fixamente, definitivamente, a garota não tinha medo dele.
— Senhorita Campbell, não deveria estar no refeitório? Suas amigas devem estar esperando por você! – disse o homem.
— Acredito que elas não vão se importar com a minha ausência, não nascemos grudadas umas nas outras! – disse Mary.
— Certo, mas mesmo assim, eu recomendo que volte para o refeitório! – disse o senhor Willian.
— Tudo bem, vamos Elisa? – perguntou Mary a garota.
A jovem iria dar um passo em direção de Mary, porém foi impedida pelo homem que ainda segurava em seu ombro.
— Não, a senhorita Elisa terá que vir comigo, o senhor Miller espera por ela! – disse o homem.
Mary deu um leve sorriso de lado que foi retribuído pelo homem, ela olhou para Elisa, que permanecia olhando para o chão, ela agora arrancava as cutículas de suas unhas e suas mãos tremiam como se ela estivesse com frio.
— Vamos senhorita Kim? – perguntou o homem a garota. – Senhorita Campbell, com sua licença.
O homem e a garota se afastaram, Mary permanecia ali, parada olhando— os se distanciarem, mas ela não era a única que estava observando, outra pessoa estava lá, longe do campo de visão de qualquer pessoa.
Em seu coração Mary sabia que algo estava para acontecer, e sabia que precisava ajudar aquela garota, havia muitas perguntas que ela queria fazer, e uma delas, é saber que é a pessoa que a protege.
❧
— Xerife, que bom que chegou! – disse o policial White ao ver Henry entrar na delegacia.
— Aconteceu alguma enquanto estive fora? – perguntou Henry.
— A senhora Campbell, pediu para que ligar— se para ela, ela disse que tentou contato com o senhor pelo celular, mas não conseguiu, então ela pediu para que lhe passa— se o recado! – disse o policial White.
— Certo, vou ligar para ela, será que pode me fazer um favor? – perguntou Henry ao policial.
— Claro senhor! O que deseja? – perguntou White.
— Será que pode dar água e comida pro cachorro da Mary? Ele está na fora! – disse Henry.
— A Mary tem um cachorro? – perguntou White.
— Agora tem! – disse Henry antes de entrar na sala dele.
o policial White fez o que Henry havia pedido, ele alimentou o cachorro, lhe deu água.
— A Mary vai gostar muito de você, ela é uma menina maravilhosa, você também vai gostar dela! – disse o policial White ao cachorro.
Ele fez carinho no animal que por sua vez havia gostado do homem.
— Com licença, essa é a delegacia onde trabalha o senhor Campbell? — Perguntou um homem afrodescendente ao se aproximar do policial.
— Obviamente, afinal, ela é a única delegacia da cidade! Mas o que deseja? – perguntou o policial White.
— Saberia me dizer se o senhor Campbell se encontra? – perguntou o homem.
Quando o homem iria responder “Lobo” começou a ladrar, o cachorro ficou agitado e incomodado com aquele homem.
— O senhor Campbell está fora, não sabemos em que horário irá retornar! – disse o Policial.
Eric era intuitivo, ele vivia falando que confiava nos animais, ela dizia que quando um animal não gosta de uma pessoa, é por que essa pessoa não era boa coisa, e quando ele viu a forma que aquele cachorro havia reagido para com aquele homem, ele confiou em sua intuição e acabou mentindo para o homem.
— Certo, então retorno mais tarde! – disse o homem.
— Tudo bem, caso precise de ajuda com alguma coisa, pode pedir para qualquer policial aqui na delegacia! – disse o policial White.
— Suponho que o que tenho para falar, é um assunto que só ele pode resolver! – disse o homem antes de dar as costas para o policial.
O homem saiu de perto da delegacia, ele caminhou por alguns instantes e sumiu como fumaça assim que um caminhão passou por ele, o policial que estava de olho ficou assustado, ele não entendia como aquele homem havia desaparecido assim de uma hora para outra, sem ao menos chegar do outro lado da rua.
Voltando para dentro da delegacia, Henry estava ao telefone com Lílian, ele andava de um lado para o outro dentro da sua sala, ele parecia apreensivo e preocupado, o chão estava quase desbotando de tanto aquele homem nadar na mesma rota.
— Tem certeza disso? – perguntou Henry ao telefone.
— Absoluta! É estranho, nunca havia visto isso antes, é como se tivesse sido atuado, mas por dentro da pele! – disse Lílian.
— Estranho, por que o assassino mataria e tatuaria isso? Não tem lógica! – disse Henry.
— Mas o símbolo não foi tatuado com ela morta, essa marca, foi feita com ela ainda viva, pelo que vi, esse símbolo está aqui a mais de dois anos! – disse Lílian.
— Você tem certeza disso? – perguntou Henry.
— A mesma certeza que tenho de que a Mary está correndo perigo! – disse Lílian.
— Certo, eu vou desligar, vou procurar por ele, ele deve saber de alguma coisa! – disse Henry.
— Certo, me avise se precisar ou se algo acontecer! Toma cuidado! – disse Lílian.
— Eu vou tomar! – disse Henry.
Agora sim Henry estava à beira de um colapso nervoso, depois da notícia que Lílian o havia dado, ele agora estava com os nervos à flor da pele.
O homem pegou a sua arma e distintivo sobre a mesa e saiu da sua sala, e depois da delegacia.
— Senhor está de saída? – perguntou o policial White que estava quase entrando na delegacia novamente.
— Sim, precisa de alguma coisa? – perguntou Henry.
— Não, eu só queria avisar ao senhor que um homem estava o procurando, mas eu disse a ele que o senhor não estava, deduzi que o senhor estivesse ocupado, então disse isso a ele! – disse o policial White.
— Você fez bem, realmente estava ocupado, mas como era esse homem? – perguntou Henry.
— Ah, ele era alto, forte, vestia uma espécie de vestido batina, não sei ao certo e tinha uma tatuagem no antebraço, era uma espada desenhada! – disse White.
— Estranho, não conheço ninguém assim, bom, se ele voltar, diga que me espere na minha sala, não vou demorar para voltar, e mais uma coisa, tem como cuidar do Lobo para mim? – perguntou Henry.
— Claro que sim! – disse White.
— Certo, obrigado, agora tenho que ir, lembre— se que você é o segundo no comando aqui na delegacia! – disse Henry antes de caminhar até o seu carro.
O homem arrancou com a viatura e seguiu o seu caminho, até a sua antiga casa, que estava desocupada, ou melhor, nem tão desocupada assim.
❧
Voltando ao colégio onde a jovem Mary estudava, as coisas por lá pareciam calmas, agora na aula de matemática básica, Mary estava entediada, ela odiava aquela matéria, mas como era uma matéria obrigatória ela precisava comparecer, tirar notas boas para poder honrar com o trato com o seu pai.
Mas além do tédio, Mary estava pensando em Elisa, que por sua vez não havia voltado para a sala, desde o horário do intervalo de classe.
A atenção daquele grupo de alunos e do professor de matemática, foi tirada com um grito que ressoou naquele corredor, todos se assustaram e começaram a se olhar entre si e a cochichar, e então mais um grito ressoou naquele corredor, então todos se levantaram e correram em direção as janelas da sala e da porta.
— Vocês, saiam da porta e das janelas, não sabemos o que está acontecendo, fiquem longe, dependendo do que for, vocês podem ser um alvo fácil! – disse o professor.
Dito isso alguns alunos começaram a se afastar das janelas e da porta, mas um outro grupo de alunos de outra sala estavam saindo e aparecendo em meio ao corredor.
“Me salve Mary”
— Elisa! – disse Mary.
A garota saiu da sala mesmo com o pedido feito pelo professor, e ao aparecer no corredor, Mary não conseguia acreditar no que estava vendo, Elisa estava arrastando um corpo de uma garota, ela estava desfalecida, os gritos da garota, foi uma forma de pedir socorro para quem estivesse próximo.
— Mary por favor! – disse Elisa ao ver Mary.
Todos que estavam no corredor olharam para a garota, Mary sem pensar duas vezes se aproximou das duas garotas, Elisa sentou— se ao chão e pôs a cabeça da garota quase desfalecida em suas pernas, Mary assim que se aproximou, presenciou a cena mais horrível da sua vida, a garota estava totalmente mumificada, ela não tinha sequer um pingo de gordura em seu corpo, sua pele estava ressecada, era nítido ver as feridas das marcas de unhas em seu rosto, a boca da garota estava em pele viva, ela estava com os olhos fechados e em seu pulso, havia uma marca, era uma marca parecida com uma corda, como se a garota estivesse ficado presa por muito tempo, Mary pode ver também que havia sangue sobre a camisa daquela garota, sangue que vinha de algum lugar perto do abdômen.
Mary levantou com cuidado a camisa da garota e então ficou preocupada com que havia visto, era como se ela tivesse caído em um vergalhão e esse objeto tivesse perfurado profundamente os órgãos da garota, havia um enorme buraco, era como se o “Vergalhão” estivesse sido arrancado com brutalidade e fazendo assim, com que o intestino delgado da garota saísse para fora.
— Precisamos chamar a ambulância, se ela continuar a ter hemorragia, ela vai morrer! – disse Mary a Elisa.
— Por favor, não a deixa morrer! Se isso acontecer, ele vai ficar mais forte e vai ser impossível vender ele! – disse Elisa baixinho.
— Meu Deus o que houve aqui? o que estão olhando? Alguém chama a ambulância! – disse Abigail ao se aproximar das garotas.
A senhora se ajoelhou diante das garotas e tirou a sua echarpe para colocar em cima do ferimento da garota que estava ao chão.
— Não vó, não faça isso, ela pode contrair uma infecção, o certo é levava para o hospital o mais rápido possível, se não ela morre, um ferimento tão exposto assim, não pode ter contato com nada do ambiente externo, precisamos leva-la ao hospital! – disse Mary.
— E como vamos leva-la? – perguntou Abigail.
— Vamos leva-la no meu carro, mas vamos precisar de ajuda para carrega-la! – disse ela.
— Eu ajudo! – disse Jacob ao se aproximar delas.
— Vamos precisar de mais alguém! – disse Mary.
— Eu também ajudo! – disse Anael atrás de Mary.
— Certo, levantem ela com cuidado e vamos levava para o meu carro! – disse Mary.
Os garotas concordaram com ela e com cuidado levantaram a garota, as pessoas curiosas que estavam naquele corredor, abriram caminho para que os jovens passassem, com muita rapidez Mary havia chegado primeiro em seu carro, ela abriu a porta do veículo e entrou, os garotos colocaram a garota ferida no banco de trás junto com Mary, ela segurou a cabeça da garota e ficou em uma posição nada confortável, apenas para manter aquela garota firme naquele banco.
— Jacob, eu preciso que dirija! – disse Mary ao entregar a chaves para o garoto.
— Certo! – disse Jacob.
Assim que o jovem entrou no carro, ele deu a partida e seguiu mais rápido possível para o hospital.
— Não para, continua correndo! – disse Mary ao perceber que o jovem estava prestes a parar no farol vermelho.
— Você vai ganhar uma multa ou ser presa! – disse Jacob.
— Meu pai é o delegado, eu não tenho que me importar com isso! – disse a garota.
Jacob continuou correndo, ele passou pelas ruas e faróis em velocidade máxima, e então com a metade do tempo eles chegaram ao hospital, o jovem desceu do carro assim que parou em frente à emergência, ele correu para dentro do hospital para pedir ajuda de alguém, e logo ele voltou acompanhado com quatro enfermeiros e uma maca, a jovem foi tirada do carro de Mary e foi levada às pressas para a sala de cirurgia.
— Você está bem? – perguntou Jacob a Mary.
Ela apenas balançou a cabeça em concordância e desceu do carro, ela seguiu para dentro do hospital acompanhada de Jacob, ela se sentou em um dos bancos de esperar que havia na recepção e aguardou.
❧
Henry finalmente havia chegado a sua antiga casa, ele estacionou a sua viatura e caminhou em direção a sua antiga fazenda, na verdade ainda era dele, mas por segurança, ele preferiu deixa-la aos cuidados de um amigo.
— Se está aqui, é por que algo aconteceu! – disse um homem que estava sentado na varanda da casa.
Ele era alto de cabelos grisalhos, não só os cabelos, como também a sua barba, que cobria quase todo o seu rosto, ele era pardo de olhos cor de âmbar, e possuía uma tatuagem em seu braço esquerdo, era uma espécie de arco, Henry se aproximou daquele homem com as mãos em sua cintura, ele olhou para a casa e sentiu uma saudade imensa daquele lugar.
— Precisamos conversar! – disse Henry.
— Então vamos entrar! – disse o homem ao se levantar.
Ele abriu a porta da casa e Henry entrou primeiro, ele observou mais uma vez a casa, mas agora era o lado de dentro, estava tudo em seu devido lugar, estava tudo em perfeita ordem, o hospede de Henry estava realmente cuidando daquele lugar.
— Fique à vontade, a casa é toda sua! Literalmente! – disse o homem.
— Vejo que tem cuidado da casa, está tudo em perfeita ordem! – disse Henry.
— E por que não cuidaria? É o mínimo que posso fazer por sua hospitalidade e sua amizade! Agora me diz, o que faz aqui? – perguntou o homem.
— Eu recebi uma denúncia hoje pela manhã, uma jovem entre vinte cinco e trinta anos, foi encontrada na floresta, pendurada em uma arvore, em forma de cruz, mas uma cruz invertida! – disse Henry.
— Isso tem cara de sacrifício de grupo satânico! – disse o homem.
— Foi o que pensei, até Lílian descobrir uma tatuagem que foi feita, internamente na garota a mais ou menos dois anos atrás! – disse Henry.
O homem que estava a colocar o vinho em uma taça, parou o mesmo instante olhou para Henry.
— Que tipo de tatuagem? — Perguntou o homem.
— Lílian não conseguiu distinguir, ela me disse que parecia mais ou menos com uma espécie de chave, era um formato triangular nas duas pontas, porém havia em uma das partes uma volta que fechava as cavidades! – disse Henry.
O homem havia desistido de beber o vinho, ele agora estava pegando uma garrafa de Whisky puro e enchei a taça a sua frente até a metade.
— Eles se chamam decretos, são entorno de sete pessoas, uma para cada pecado liberto na terra, pela discrição que me deu, suponho que a garota tenha carrego até o breve momento a chave para libertar o pecado da ira, pecado que apenas Azazel tinha controle, essa garota não foi morta, ela morreu por que quis, ela sabia que precisava morrer, e com a morte dela, o pecado da ira foi liberto, agora temos que conter o novo portador do poder de Azazel! – disse o homem.
— E como sabemos quem será o portador desse pecado? – perguntou Henry com medo da resposta.
— Você sabe quem, algo grande despertou, isso não acontecia a séculos, agora precisamos nos preparar, se isso aconteceu, se os portadores estão libertando os pecados, é por que ele já despertou! – disse o homem.
— Ele quem? – perguntou Henry.
— A fome, o terceiro cavaleiro do apocalipse, agora ele vai fazer de tudo para recolher a quantidade de almas necessária para erguer o seu chefe, o anticristo! – disse o homem.
— E como podemos impedir isso? – perguntou Henry.
— Não podemos, mesmo com a minha força e os meus poderes, não podemos impedir, mas pode ser que outra pessoa consiga fazer isso! – disse o homem.
— Quem? Quem pode detê-lo? – perguntou Henry.
— Mary, ela é a única que tem chances de vence-lo, antes que isso, cause o fim do mundo! – disse o homem
— Não tem outra forma de fazer isso? – perguntou Henry.
— Não, tem que ser ela, apenas a sua filha pode ser capaz de fazer isso! – disse o homem.
— Como tem certeza disso Uriel? – perguntou Henry.
— Por que eu vi a forma que ela deteve Gabriel naquele dia no hospital eu vi, o quando essa garota é forte, mas precisamos treina— la, não é qualquer treino, precisamos treina— la para uma guerra celestial, precisamos prepara— la para o que está por vir! – disse Uriel.
Vocês leram certo, Uriel o anjo que Henry havia dito há anos atrás que havia matado, mas não matou, pelo contrário, ele o ajudou e desde então se tornaram próximos, posso assim dizer, até mesmo amigos.
Henry sentiu a preocupação invadir o seu corpo, ele não queria que a sua filha se machuca— se, mas no fundo ele sabia que o arcanjo estava certo, Mary era a única, capaz de conseguir vencer um cavaleiro do apocalipse.
❧
Voltando ao hospital, Mary estava agora com o seu rosto deitado no ombro de Jacob, enquanto ele segurava a sua mão, ela havia dormido apoiada nele depois de duas horas de espera.
— Mary! – disse Jacob ao desperta-la.
A garota acordou rapidamente e olhou para a sua mão de imediato e em um movimento soltou a mão de Jacob e se levantou.
— A sua mãe! – disse Jacob ao apontar para Lílian que estava caminhando em direção a eles.
A mãe da garota caminhou em direção aos jovens.
— Que faz aqui? – perguntou Lílian a sua filha.
— Jacob e eu troucemos a garota! – disse Mary.
— Que garota? – perguntou Lílian.
— A que foi ferida na escola, acho que esfaquearam ela, e a deixaram para morrer! – disse Jacob.
— Como é o nome da garota? – perguntou Lílian.
— Nora Young! Ela é do segundo ano! – disse Mary.
— Alguém avisou aos pais dela? Você ligou para o seu pai? Se foi uma tentativa de assassinato, a polícia tem que investigar! – disse Lílian.
— Eu não pensei nisso, eu não tenho o número da mãe dela, eu nem a conhecia direito! – disse Mary.
— Vou tentar resolver isso com o hospital, eu vou ligar para o seu pai, você deveria ir para casa! – disse Lílian.
— Tudo bem, eu vou, mas por favor, me avisa se algo acontecer! – pediu Mary a sua mãe.
— Aviso sim! Agora vai para casa! – disse Lílian.
Mary concordou com um a cabeça e então caminhou em direção a porta do hospital, enquanto ela caminhava, algo em sua mente acendeu, ela acabou por ter uma lembrança que era impossível de ser lembrada, ela lembrou do dia em que ela e a sua mãe se deparou com aquela criatura grotesca naquele mesmo hospital, tudo ao redor dela se tornou igual a alguns anos atrás, a luzes piscando, o homem se levantando e se transformando em mostro e a morte da recepcionista, ela lembrou também dos corpos das pessoas espalhados por todo o hospital e lembrou também, que aquele ser havia desaparecido.
— Mary cuidado! – disse Jacob ao puxar a garota para o canto da parede.
Médicos e enfermeiros estavam correndo para a sala de emergências com uma maca e uma pessoa sobre ela, e essa pessoa era Elisa, logo após isso, um casal entrou naquele hospital desesperados, mas não era os pais de Elisa, os pais de Elisa haviam entrado segundo depois.
— Nora Young! – disse a mulher do primeiro casal.
Eram os pais de Nora, o colégio havia avisado a eles sobre a sua filha e onde ela estava.
— São os pais da jovem? — Perguntou o médico que estava cuidando da garota.
— Como ela está? – perguntou o pai da jovem.
— Eu sinto muito...
Mary que ainda estava no hospital com Jacob, observou aquela senhora desabar em choro, ela pode sentir a dor daquela mulher, literalmente, ele pode sentir, os seus olhos lacrimejaram, ela começou a chorar ao ver aquele casal desesperado por sua perda, era como se tudo estivesse agora em câmera lenta, as pessoas ao redor do casal, tentavam consola— lós, mas a dor era tão grande que todo aquele hospital se cobriu de tristeza e sofrimento.
— Vamos Mary! – disse Jacob.
Eles saíram daquele hospital, o rapaz a levou para casa, ela entrou em sua casa e foi para o seu quarto, ela deitou em sua cama e ficou observando o teto, ela se perdeu em seus pensamentos, suas mãos e suas roupas ainda estavam manchadas de sangue da garota, ela estava triste por não conseguir salva— la a tempo.
“Mary!”
Ressoou uma voz em seu quarto, Mary olhou para perto da porta e pode ver a projeção astral daquela garota que havia acabado de falecer, ela deixou uma lagrima percorrer seu rosto e olhou fixamente para a figura fantasmagórica a sua frente.
— Me perdoe! – disse Mary.
A garota na porta, apenas sorriu e começou a desaparecer.
“— Faça o seu melhor, salve quem precisa de ajuda, você é mais forte do que pensa!”
E por fim, a garota desapareceu, deixando Mary chorar sozinha, enquanto isso, Jacob estava sentado ao lado da janela dela, observando a garota que ele amava sofrer, sem poder fazer nada.
❧
Enquanto Mary se corroía com a sua dor, na escola, a polícia seguia com a investigação, eles estavam procurando pistas e algo que pudesse explicar a morte e o ataque a garota, os alunos estavam dispersos em outras partes do colégio, logico que havia uns curiosos que permaneciam próximos ao local do crime, para saber o que estava para acontecer, e outros que estavam distantes e sozinhos, assim como Anael, ele estava sentado em um dos bancos da arquibancada da quadra da escola, Ashley o viu e então se aproximou dele e sentou ao seu lado.
— Ela morreu! – disse Ashley.
— Eu sei! – disse Anael.
— O que faz aqui? – perguntou ela.
— O mesmo que você! – disse ele.
— Não acredito nisso, nunca queremos a mesma coisa! – disse Ashley.
— Realmente, não queremos a mesma coisa! – disse ele.
— Como sabia que era ela? — Perguntou Ashley.
— Eu não sabia, mas soube quando você próximo a ela! – disse Anael.
— Por favor, use o feminino comigo, não vê que agora eu sou uma garota? – perguntou Ashley.
— Desculpa senhorita! – disse Anael.
— Ainda está trabalhando para eles? Como consegue? Depois de tudo o que eles lhe fizeram! – disse Ashley ao Questionar Anael.
— Eu tenho uma dívida com eles, preciso pagar e assim vou fazer, e logo poderei ser livre novamente! – disse ele.
— Você ainda acredita nisso? Acha mesmo que eles vão te libertar? Acha mesmo que não vão lhe matar depois? – perguntou Ashley.
Anael ficou em silencio, ele observou aquela quadra vazia a sua frente, ele parecia pensativo e preocupado.
— Não importa como ou por quem vou ter que passar, mas eu garanto, que vou fazer de tudo para cumprir a minha missão! – disse Anael.
— Você seria capaz de até mesmo matar a sua própria irmã para isso? – perguntou Ashley.
— Não tenha dúvidas! – disse Anael.
— Então irmão, temos um problema, por que eu também sou capaz de tudo para proteger a minha amiga! – disse Ashley.