Capítulo 15

507 Palavras
🌾 A Conversa — Adrian & Lúcia Adrian demorou um segundo a mais para entrar na casa. Não porque estivesse hesitando… mas porque precisava recuperar o ar. Lúcia. Filha de Raul Ramires. Isso ele não esperava. Ele sempre via Raul no rancho, simples, direto, trabalhador. Sabia que o peão tinha dois filhos — o mais velho, Ramires Júnior, que todo mundo chamava apenas de “Ramires”, e uma menina que quase ninguém via. A menina que agora estava parada na frente dele… só que crescida, linda, e olhando nos olhos dele como se pudesse ler pensamentos. Adrian pigarreou, tentando se recompor. — Você é… Lúcia? — perguntou, ainda conferindo, como se o mundo tivesse pregado uma peça. Ela cruzou os braços, apoiando o ombro na porta, relaxada… mas com um brilho esperto no olhar. — Sou, sim. A filha do Raul. Depois inclinou a cabeça, divertida: — Pensei que você só reparava em gente importante, doutor Santiago. O jeito como ela disse aquilo — sem servilismo, sem timidez, apenas uma leve provocação — pegou Adrian de jeito. Ele tentou manter a postura. — Eu… só fiquei surpreso. Nunca tinha te visto por aqui. — Porque não estava aqui. — Ela respondeu simples, direta. — É que eu não sou de sair, fico muito em casa. Adrian assentiu, mas o olhar dele desceu por um instante, involuntário, apreciando o jeito como ela segurava a porta, a postura firme, quase desafiadora. Lúcia percebeu. Ah, ela percebeu. E sorriu. Não de vaidade. De consciência. — Você quer entrar? — perguntou, com a voz baixa, quase macia. — Ou prefere ficar aí parado me olhando? O sangue subiu no rosto de Adrian — algo que raramente acontecia. Ele respirou fundo. — Desculpa. Sim, claro. Vim pegar a assinatura do seu pai. Ela se virou para guiá-lo para dentro, e Adrian a seguiu, sentindo o perfume suave dela preencher o corredor, algo leve… e perigosamente agradável. Enquanto caminhavam, Lúcia comentou: — Meu irmão, o Ramires, está no curral desde cedo. Mas meu pai já vem. Ele ficou contente quando soube que você vinha — disse que um Santiago respeitar a palavra ainda era coisa bonita de se ver. Adrian sorriu de leve. — Seu pai é um homem leal. Sabe disso. Ela parou de repente, virando-se para ele. Os dois ficaram próximos demais — perto o suficiente para que Adrian tivesse que escolher entre recuar… ou encarar. Ele encarou. Lúcia segurou o olhar dele sem desviar. — E você? — Eu… o quê? — Adrian perguntou, sentindo o estômago contrair. — Você também é? Os olhos dela brilharam, mas não era uma provocação vazia. Era um teste. Uma pergunta séria escondida dentro de uma ousadia suave. Ele abriu a boca para responder, mas os passos pesados de Raul surgiram no corredor. — Adrian! — o homem chamou, sorrindo. — Fico feliz que tenha vindo! Lúcia desviou primeiro, mas não antes de lançar um último olhar — curto, profundo, e cheio de um aviso silencioso: “Isso ainda não acabou.”
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