Olhos Abertos e Promessas Claras Hugo estava em sua sala, diante da grande mesa de madeira escura, revisando alguns relatórios que já não faziam sentido nenhum. Lia, relia, mas a mente insistia em fugir. Margarida aparecia em cada intervalo de pensamento: o sorriso tímido, o jeito delicado de falar, a forma como segurava a xícara de café com as duas mãos. Ele suspirou fundo, passando a mão pelos cabelos. Foi então que a batida na porta ecoou firme, sem hesitação. — Pode entrar — disse, ajeitando-se na cadeira. A porta se abriu e Lúcia entrou. Não havia sorriso, nem expressão dura demais. Era algo pior: serenidade. Aquela calma que sempre vinha antes de uma conversa séria. Hugo engoliu em seco. Ele sabia. No fundo, sempre soube que esse momento chegaria. — Hugo — Lúcia disse, fechando

