O Pedido Que Nasceu do Amor Margarida tinha um hábito que jamais contou como sacrifício, embora muitos o vissem assim. Todo mês, assim que o salário caía na conta, ela sentava na beira da cama, abria o aplicativo do banco no celular e fazia a transferência para a mãe. Não sobrava muito, nunca sobrara. Mas sobrava o suficiente para dividir. Ela lembrava do rosto cansado da mãe, das contas empilhadas na mesa da cozinha, dos irmãos ainda pequenos pedindo material escolar, roupa nova, um pouco mais de comida. Margarida ajudava como podia. Não por obrigação — por amor. Sempre fora assim. Naquela manhã, enquanto se arrumava, o pensamento insistia em voltar ao futuro. Ela queria estudar. Queria crescer. Queria ser mais do que a menina do interior que saiu cedo de casa para ajudar a família. Ma

