Capítulo 8 - Tecendo planos.

1081 Palavras
Cheguei em casa, lá pelas 23 horas da noite. Fui até a sala de visitas onde meu pai estava. Ele estava com um copo de Uísque, seu olhar era de envergonhado, como se estivesse perdido em algum lugar de sua mente. Me sentei de frente com ele, peguei um copo do uísque mais caro e que eu não era muito fã particularmente dizendo. Acendi um cigarro comum, que estava em cima da mesinha de centro, acho que era a primeira vez que eu fazia isso na presença dele, e também, faziam anos desde a ultima vez que fumei um cigarro. Ele sabia que eu estava irritada, não tinha como negar. -Eu, nem consigo te olhar. -Ele continuava encarando o próprio copo. Dei uma tragada firme, e engoli a fumaça, era uma sensação de saudade, e angústia, tragar um cigarro depois de tanto tempo. Cruzei a perna delicadamente em um movimento lento, e comecei a balançar o pé. -Eu não devia ter confiado nele. - Me encarou. -Você sabe quem ele é? -O encarei de volta, mas falava devagar. -O pior é que eu sei. - Ele falou se posicionando em sua cadeira de maneira ereta. -Sabe o que ele e toda a sua família, fazem? - Suspirei com um sorriso debochado. Virei o copo de uísque de uma só vez. -Você sabe? -Ele arqueou a sobrancelhas. -É claro que eu sei, mas jamais imaginaria que o senhor deixaria um amigo ter controle de algo tão importante que o construiu. - Me curvei pegando outra dose de uísque, meu pai me olhava aflito, nunca agi como a Viúva perto dele. -Você é igual a sua mãe quando está chateada. - Ele riu leve. -Esse não vai ser um dos nossos momentos. Eu estou muito decepcionada com o que fez. Achei que nós fossemos uma dupla. Eu trabalhei por anos alí, claro, não chega nem perto de tudo o que o senhor fez pela empresa, mas isso não significa que pode destruir tudo! - virei novamente o copo de uísque. coloquei o copo sobre a mesinha e me levantei. Apaguei o cigarro no cinzeiro. -Não sabia que você fumava. - Ele não conseguia me encarar novamente. -Parece que todos nós temos segredos, mas alguns se prejudicam sozinhos, e outros, levam todos juntos. - Senti como um tipo de crise de ansiedade se sobrepor em mim. -Sei como consertar! - Ele retrucou firme, estava começando a se irritar comigo. -E você vai precisar de mim para isso, não é? - O olhei novamente, e vi seu olhar se voltar lento em minha direção. -É só um casamento! - Falou enchendo o copo novamente, e colocando mais em meu também. Me voltei a cadeira e peguei o copo, acendi outro cigarro. -O senhor acha que é a solução? - Traguei. -Não, a quantia foi realmente absurda, e eu não sei como resolver. O casamento pode me dar tempo. Podemos recomeçar. Eu conheci o rapaz hoje, parece ser gentil. -Os Wang sabem disso? -Ele me olhou assustado. -Você anda me vigiando? - Falou intrigado. -Bom, não tenho tempo para isso, mas nunca perdi contato com Deshi, e vocês almoçaram no mesmo restaurante que eu hoje. Eles sabem? -Não! -E o senhor quer mesmo os levar para esse conflito? -Eu não posso encarar Phillip, o que ele faz é completamente repulsivo. -Ele falou tomando um gole de sua bebida. -Eu te amo, o senhor sabe. Vamos dar um jeito nisso, mas preciso que o senhor confie em mim, e não cometa mais erros. -Respirei fundo. Virei novamente o copo. -O que diabos você está fazendo, bebendo e fumando como uma arruaceira? - Ele se irritou com minha falta de etiqueta. -Me economiza! - Levantei abrupta, joguei o cigarro no cinzeiro e fui até a porta. -Aonde pensa que vai? - Ele se levantou e me encarou. -Eu sou uma arruaceira, não me espere acordado! Fui até o lado de fora, chamei um taxi, com o endereço da mansão de luto. Ainda estava botando meu pensamentos em ordem, sem perder a elegância. Olhei o celular pessoal, e haviam muitas ligações de Lilly. Novamente chamava, e então a atendi. Entrei em minha casa escura e só acendi as luzes da cozinha. Peguei uma garrafa de vinho e a bebia direto da garrafa. -Fala comigo! -Vi, por onde esteve? -Ela parecia aflita. -Resolvendo problemas! -Que bom, tá nesse pique ainda? Temos um grande, grande, grande problema! -Ele riu nervosa. -Que p***a de dia, o que está acontecendo aí? -É o convite de naipe, Phillip está aqui, ganhou muito dinheiro, e está ameaçando quebrar tudo por você não estar aqui. Não podemos assustar nossos clientes com ele. -Eu já estou indo pra aí! Me dê alguns minutos! Acendi outro cigarro, que droga eu estava fazendo. Peguei o celular e liguei para Deshi. -Querida? -Uma ova. -O que houve? -Precisamos fazer um jogo, um jogo que precisamos ganhar a todo custo, mas não estou no meu melhor dia. Você é mais diligente e concentrado em situações de risco. -Falei sentindo que estava ficando fora de mim. -Quanto você bebeu? -O suficiente pra precisar de um kit Japão. -Sorri. Esse era o nome que eu dava pra bebida horrorosa que ele fazia para me deixar melhor. -Eu sou Chinês, sua desgraçada! - Deu risada. -Querido, estou em casa. -Falei me debruçando sobre a mesa. -Estou chegando! Não morra ainda querida! - Ele conseguia me distrair. Guardei a garrafa na prateleira, e fui até o banheiro. Liguei o chuveiro gelado e entrei, vestida, fiz força para vomitar todo o uísque odioso que consumi na briga com meu pai. O que não foi tão difícil já que era pavoroso. -QUERIDA? -Ouvia o rapaz gritar. -Estou no banheiro! - Já conseguia me sentir um pouco mais sóbria. -A água está tão fria que eu vejo fumaça saindo da sua boca roxa. - Ele me veio com um roupão. -Deve ser do cigarro. -Sorri tremendo. -Ele já apagou faz tempo. -Ele riu apontando para meu cigarro molhado. -É, tem razão. - O encarei mais séria. -Estou envergonhada. -Tá tudo bem, te conheço o suficiente pra saber que é só uma crise, tudo vai passar e estou aqui! - Ele falou desligando o chuveiro e me cobrindo com o roupão. - Vamos subir, a viúva precisa ficar elegante para a grande noite! - Você é incrível! - Eu sorri. Subi as escadas mais rápido. -Cuidado maluca! - Ele riu. -EU VOU ACABAR COM AQUELE INFELIZ! - Gritei ansiosa.
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