Terminamos o nosso almoço, e ainda não havia visto nenhum dos dois saírem, mas eu precisava voltar aos problemas empresariais o mais rápido o possível.
A conversa com Paul continuava sendo agradável, apesar de eu me desfocar várias vezes dos assuntos por estar mais interessada no que acontecia naquele corredor do restaurante.
Paul e eu voltamos à empresa, e como eu já imaginava, minha pausa para o almoço havia acabado com uma pilha maior dentro da sala, e ao que parecia, hoje seria o dia de assinar coisas urgentes.
O problema, é que eu não assinava nada sem ter conhecimento do conteúdo, e Paul sabia muito bem disso. Até se disponibilizou para ler os contratos para mim e separá-los dos mais importantes aos menos importantes. (Como se houvessem menos importantes).
O celular da Secret começou a ecoar de dentro do meu cofre que ficava abaixo da minha mesa.
- Olga, está ouvindo isso? -Ele me olhou curioso.
- Estou sim, é o celular de coisas particulares. - Respondi sorrindo.
- Aquele em que suas irmãs ligam? - Ele riu.
- Sim, esse mesmo! - Uma mentira que contava a ele desde a época de nosso namoro.
- Sua irmã está ligando no seu celular da empresa agora... - Ele apontou para o outro que vibrava em cima da mesa.
- Eita, deve ser mesmo urgente! - Sorri sem graça.
- Eu vou te deixar a vontade! - Falou e saiu da sala encostando a porta.
Atendi ao telefone, era Lucy, a mais velha.
- Em que posso ajudá-la?
- Olga, sempre tão prestativa!
- Quando você volta? - Ri com a falsa empolgação dela.
- Daqui a dois dias, tenho novidades! - Ela falava com sua voz doce.
- Que tipo de novidades?
- Eu vou ficar um tempo com vocês! -Falou animada, o que não era de certa reciprocidade já que elas deixavam nosso pai ansioso, tínhamos discussões recorrentes e ela me perseguia para todos os lados.
- Irmã, isso é ótimo, será bom para o papai ter alguém além de mim para ele se preocupar! - Respondi.
- Olga, não conte ao papai ainda, nem a Mary! - Ela pediu.
- Está bem irmã, se cuide! Se alimente bem, e tenha uma boa volta para nossa casa! - Eu sentia muita falta delas, apesar de não ser tão calorosa.
- Obrigada irmãzinha, te amo! - Falou meiga.
- Também, te amo!
Lucy era linda, inteligente e carismática, todas nós havíamos um pouco disso, e era muito engraçado como as revistas adoravam nós três juntas. Éramos quase Kardashians, e era engraçado como nada disso fazia sentido com nossas personalidades. Éramos três esquisitas que calhamos de puxar a beleza de nossa mãe.
De volta ao trabalho, eu teria que ficar até tarde para concluir tantas tarefas, mas estava disposta a terminar tudo o quanto antes. O problema era que quanto mais eu focava, mais erros eu via, e tinham coisas muito erradas acontecendo ali dentro da empresa.
Peguei o telefone e marquei uma reunião com o chefe da equipe financeira, também, com a coordenadora do RH e do conselho de Exportação. Até tentei fazer com que meu pai estivesse presente, mas ele não atendia nenhuma das minhas ligações.
(...)
- Olha, eu reuni todos vocês aqui, porque NADA está correto e como eu estou cansada de revisar esses papéis, que vocês me mandaram, e notar que eles não fazem sentido, eu os reuni para podermos resolver tudo juntos. Nas cópias de relatório que encaminhei, temos muitos acordos de exportação. O problema é que aparentemente o RH não tem contato com essas empresas, então não estou conseguindo monitorar a situação de fluxo de materiais, não sei quantos funcionários estão atuando para nós e nem nada do tipo, o que fica ainda pior na parte financeira pois os lucros não estão sanando investimentos, é como se a empresa estivesse montando filiais em ilhas desertas, pois não tem retorno algum de caixa e está dando um desfalque grosseiro nos lucros, sinceramente, os números me dizem que nós estamos falindo. É isso?
Eles olhavam os papéis aflitos, não sabiam como encontrar o erro, tudo estava um absurdo e os relatórios todos problemáticos.
- Eu não sabia que o RH não entrou em contato com essas empresas. - Disse Roland da parte de exportação.
- Bom, nós entramos em contato, mas eles não estão fornecendo nada para nós, e um pessoal de nossa equipe foi enviado para lá a um mês para ter conhecimento de tudo.
- É, mas quem tomou conta disso? - A olhei.
-A senhora! - Ela abriu um e-mail que chegou com o meu nome.
-E desde quando eu envio e-mail de conta pessoal?
-Me perdoe! - Ela abaixou a cabeça.
-Tá tudo bem, só o que não está bem é que a verba para esses monitores irem, foi enviada, mas eles estão todos aqui. Liguei para todos eles, estão na filial daqui, não estão viajando, e esses funcionários são caros, são poliglotas, o valor de permanência e estadia deles tá girando nos gastos financeiros, mas eles estão sentados em salas esperando para irem. Estamos pagando para QUEM estar lá? Sendo que eles estão aqui, e estão recebendo da mesma forma?!
Ninguém entendia, e ninguém abria a boca.
-Agora, eu quero saber, quem está fazendo os pagamentos duplicados na parte financeira, quem está sendo tão generoso enviando dinheiro que nem água para empresas fantasmas? e como você Washington, não tem conhecimento nenhum disso tudo. Será que só eu estou notando essas falhas gritantes?
-Na verdade, todo esse problema foi crescendo após o nosso Diretor de Riscos sair de férias. -Cristen abriu a boca, finalmente.
-Diretor de Riscos? -Eu sorri forte, parecia uma piada.
-Seu pai contratou um amigo dele para poder ajudar com alguns problemas pessoais. O que entregou a ele acessos extremos em vários setores. Ele saiu de férias e então começaram a surgir algumas invalidades no sistema.
-Também notamos isso, mas o Diretor geral (meu pai), pediu para que não fizéssemos alerde. - O líder do setor financeiro tremia, parecia com medo.
-Entendi! Bom, muito obrigada por tudo! Peço que não façam nada que esteja fora dos padrões antigos. Vou conversar com o Diretor Geral mais tarde e entender qual é a situação. Não íamos sair daqui hoje, sem resolver tudo, mas já está tarde, vocês tem suas casas e vidas e eu tenho um grande problema para resolver. Boa noite! - Me levantei e sai da sala imediatamente, me sentia uma otária por não ter visto nada disso antes, e o pior de tudo, eu tinha certeza que o problema "Amigo" era o tão perigoso Phillip!
Meu pai ajudou um criminoso a f***r com a nossa empresa, e provavelmente estava tentando resolver tudo de forma escondida, talvez ele estivesse com vergonha ou algo do tipo. Lutamos juntos pela empresa, e não havia segredo entre nós... Apesar que, analisando bem, eu tinha uma vida dupla, ele também poderia ter.