Capítulo 14 - Um acordo pacífico

1177 Palavras
Adentramos o ambiente, e eu realmente me surpreendi com o interior do teatro. Era lindo e bem conservado, e eu não sabia exatamente o tamanho da dívida que aquele lugar poderia ter. - Então Hanna, me explica mais ou menos a situação que vocês estão enfrentando? - Falei enquanto ela me levava para dar uma volta no lugar, e Deshi caminhava com o rapaz por outro lado. - Bom, meus avós mantiveram esse lugar por muito tempo, como eu havia comentado, está em nossa família a gerações. Mas, meu avô faleceu há uns 4 anos, e logo em seguida minha avó por conta da depressão, se atolou em dívida de jogos, e um tempo depois faleceu também. Foram coisa de meses, nós conseguimos pagar as dívidas, mas deixamos o terreno em atraso. Agora devemos em torno de 200 mil dólares que é o equivalente para quitar tudo. - Ela falava com uma leveza, era uma situação muito complicada, mas que ela tinha maturidade para resolver. - Homens invadiam minhas apresentações no meio das peças, e sempre levavam meus cachês, até que finalmente quitamos essas dívidas. Muito daqui, como lustres e castiçais também foram levados como pagamento, se você notar. - Eu não havia reparado, a beleza do lugar está nele mesmo. - Meus olhos brilhavam. - Sim, eu também sempre achei. Nunca deixei pegar nem uma poeira por aqui. As vezes nós alugamos para casamentos pequenos e eventos de aniversário, mas resolvi parar pois estavam degradando o lugar com as baladas no final. - Ela falou rindo. - Eu imagino, e no teatro tudo é sempre tão organizado, as pessoas ficam todo o tempo sentada, e mesmo nos coquetéis, não há uma bagunça destrutiva. - Sorri. - Sim, você tem razão. E você, o que procura por aqui? Deshi tinha comentado de uma proposta... - Ela me olhou de uma maneira, que parecia que eu poderia salva-la, e de fato eu poderia. - Bom, sinto muito em te informar, mas eu trabalho com algo que você provavelmente odeia... Sou dona de um cassino de apostas! - Eu esperei uma reação. - Ah, eu não esperava isso de uma mulher tão elegante, mas não odeio cassinos, só acho que pessoas de mente fraca não podem pisar em um. - Ela riu. - Entendo, é realmente desconsertante essa situação. - Mas, por favor, continue... - Nós faremos um evento, mas é discreto, meu cassino não é legalizado. Deshi comentou que vocês são bons e discretos, e que talvez eu pudesse ajudar quitando essa dívida. - Ela suspirou, mas não parecia exitante. - Temos uma companhia maravilhosa, realmente, e imagino que seu medo seja a indiscrição... - Sim, eu não tenho minha identidade divulgada, meu cassino é meio que uma herança maldita. Na verdade, esse meu lado de dona de cassino... - Ri. - Eu entendo, as vezes é difícil manter um vício longe, principalmente quando ele te lembra alguém tão querido. - Ela sorriu. - Eu não quero me aproveitar da situação de vocês, mas não posso me comprometer a pagar mais do que esse valor. Até porque o evento que estou fazendo, é para arcar com grandes perdas. - Ela apontou para um banco e uma mesa linda, nós nos sentamos. - Olga, eu não tenho nenhuma outra solução, e uma apresentação que garanta novamente o meu lugar e o lugar de tantos artistas que acolhemos, vai ser gratificante. Muitos começaram aqui, conosco, e voltariam com muito prazer! - Ela sorriu. - Eu estou feliz de saber que esse dinheiro ajudaria vocês, e não só uma companhia de teatro, mas um sonho, um lar. - Ela segurou minha mão em agradecimento. - Você já tem a equipe de teatro que procura, e estou muito feliz que nosso caminho tenha se cruzado. - Seus olhos pareciam se encher de lágrimas, e eram lágrimas de alívio. - Eu prometo que darei um cachê para vocês logo após todo esse terror financeiro passar. - Sorri. - Você já está fazendo demais por nós. - Agora, precisamos encontrar esses rapazes, estão sumidos demais para meu gosto. - Ah, se você precisar criar mais eventos, será sempre bem vinda a usar nosso espaço. - Ela me deu grandes ideias, e eu adorei a localização do espaço. - Muito obrigada, Hanna! - Sorri. (...) Após nossa tarde agradável, eu e Deshi voltamos ao carro e fomos para casa, por enquanto, aquilo que estava sendo muito bom. Informei Lilly sobre os acontecimentos e ela ficou muito feliz em saber que essa parte do problema estava resolvida. O buffet e os músicos também já haviam se resolvido, e todos eles são muito familiares, estão sempre presentes em todos os nossos eventos, já sabiam como tudo funcionava. A decoração, Lilly já colocou todos os organizadores a par da situação, a maioria dos itens foram alugados, e por incrível que pareça o total de tudo, foi metade do valor que poderíamos investir. Agora só faltavam os convites e os divulgadores. A equipe de marketing, que também era muito parceira, não cobrou por quase nada, em troca de ter sua empresa com uma logo estampada no evento, como um patrocinador, o que eu achei muito interessante. Os cardápios impecáveis já estavam sendo finalizados, e a data do evento seria dali a um mês, eu só precisava encontrar agora, todos os participantes da festa, no caso, os convidados ricos. Me ocorreu que talvez, os filhos de Phillip fossem ótimos convidados, levando em consideração que eles tinham uma pequena rede de restaurantes para lavar todo o dinheiro do crime, e que eu tinha essas informações. Manter eles na minha vista, poderia me dar informações sobre seu pai, e me deixar mais perto da minha revanche. (...) A semana passou voando, e eu não havia posto meus pés na empresa por três dias. Deshi estava empenhado em aprender tudo sobre nós com meu pai, e as noites passeava comigo e fazíamos apostas absurdas em cassinos ao redor. Era uma delícia arrancar dinheiro dos meus concorrentes. Também, era uma grande novidade a Viúva saindo de seu estabelecimento para averiguar a concorrência. Como um super chefe visitando restaurantes comuns. Eu era muito boa nisso, e Deshi realmente tinha razão sobre o quão assustados todos ficavam com a minha presença. Não era como se eu fosse um marco, era uma boa blefadora, e encontrei alguns corajosos espalhados por aí, pessoas que nunca receberam o naipe, e que seria um prazer trazer mais para perto, principalmente com a chegada do evento. Dias antes, eu havia voltado para ver Hanna, fomos no cartório e quitamos a dívida, passamos o lugar para o nome deles, e foi lindo ver que ela e a equipe estavam criando uma peça incrível para apresentar no dia do baile. Era comovente, dançante, um musical completo, tinha músicas atuais, óperas, citações genuínas e eles realmente eram muito bons no que faziam. Eu estava muito feliz em ver que tudo estava dando certo. Eu só precisava ir tomar alguns drinks com as meninas malvadas, que no fim das contas, nem eram tão malvadas assim...
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