Prontas pra quebrar tudo, eu e Lilly estávamos bem arrumadas, elegantes e sensuais. A noite das mulheres seria em uma boate, a mais badalada entre os ricos e milionários.
Tantos rostos familiares, conversas fiadas e muitos drinks caríssimos.
- Até que enfim a princesa saiu da torre! - Penélope, sim, ela fazia jus ao nome. Alta, loira, olhos cor de mel e uma personalidade afiada, mas não tinha nada de m*****o nela, na maioria das vezes era chacota entre as garotas, por ser muito inocente.
- Garota, se eu te contar! - Ri lhe dando um abraço.
- Como vão as coisas? Eu não te vejo a décadas! - Ela parecia sincera, o que não impediu que olhares maldosos na roda de mulheres me atacassem com certa rapidez.
- Tudo caminhando, amiga! - Sorri forçado para a roda que estava presente.
- É, fiquei sabendo o que houve, é tão chata essa situação! - Sophy. Era filha de um acionista menor, mas não perdia a oportunidade de me atacar, já que era apaixonada por Paul desde a faculdade.
- Sim, realmente! - Respondi educada.
- E Lilly, sempre seu amuleto da sorte, não é? - Sophy.
- Ela é minha irmã de consideração! - Toquei o ombro de Lilly.
- Também senti falta da sua arrogância Sophy! - Touché, elas se odiavam.
- Hora, hora! Quem temos aqui? - Uma voz avassaladora surgia por entre as curiosas.
- Alice! - A olhei com um sorriso gigante.
- Olga, você não perdeu sua beleza incomparável! - Me abraçou forte e eu retribui.
Alice era uma mulher fenomenal, estudamos juntas na faculdade, ela era minha parceira em todas as tarefas. Após a faculdade, ela se casou e teve um filho lindo, de tornou uma super mãe, mas passavam todo o tempo viajando e se divertindo com a fortuna de seu marido, dono de muitos imóveis e concessionárias de várias cidades. Ela tinha estatura mediana. Cabelos ruivos e curtos num Chanel. Era elegante, pálida, e sempre com um batom vermelho, saltos finos e roupas estilosas, vestidos longos e ousados. Ela sempre chamava a atenção por onde passava, fosse pela sua beleza ou por seu carisma.

- Olha quem fala! Que saudades! - A olhei com um sorriso forte, era ótimo estar perto dela novamente.
- Eu senti muito sua falta! - Sorriu.
- Por onde esteve todo esse ano? - Perguntei curiosa.
- Não está cedo para começar a falar sobre suas aventuras de mãe? - Penélope. Elas não se gostavam.
- Eu sei que você não gosta, pois não teve uma mãe! - Alice era maldosa quando podia.
- Hey hey hey, calma garotas, a noite começou agora e temos muito uísque para beber! - Para Lilly engolindo o riso.
- Vamos lá, temos muito o que conversar! - Fomos caminhando para a área vip.
- Se quiser, Olga, posso pagar a entrada de vocês! - Sophy, com um riso m*****o.
- Como quando eu tive que fazer isso por você várias vezes no passado? - Chutei o balde.
- Vocês estão afiadas hoje, vai ser divertido! - Alice ria alto.
- Senti falta disso! - Falou Lilly, revirando os olhos.
- Eu ainda tento entender como conseguimos sair juntas se não nos suportamos! - Falou Alice.
- É que nós não somos falsas, como a maioria. A gente não se gosta, mas se respeita! - Penélope.
- Sim, e as vezes é melhor ser uma víbora com vocês para descontar as minhas frustrações da vida adulta, suas cadelas! - Falou Sophy.
- Que vida adulta que você leva? Você desfila para marcas de luxo e posta foto nas redes sociais! - Lilly.
- E você Lilly, vai revelar com o que trabalha, ou só vai continuar sugando nossa energia espiritual? - Sophy.
- Fico com a segunda opção, mas não é justo, você não tem nenhuma energia espiritual! - Elas riram alto, como hienas.
- Essa foi boa, vaca! - Sophy.
Fomos ao nosso local favorito do vip. Tínhamos uma vista do lugar inteiro, e chamávamos a atenção de muito rapazes. Éramos uma super gangue. Porém, ninguém se importava com isso. Nunca beijávamos ninguém, só ficávamos fofocando sobre todos ao redor e se atacando, bebendo e dançando as vezes.
- Olga, ainda fuma? - Alice.
- Sinceramente, sim! - Falei arqueando a sobrancelha.
- Então, vamos mais ali para o canto. O que houve contigo? Conseguiu largar essa merda, e voltou!! - Ela parecia decepcionada, eu não a culpava por isso.
- Você sabe...
- Estresse!
- Muito! O tempo todo! - Rimos.
Acendemos um cigarro e ficamos em silêncio por um tempo, curtindo o som.
- O que há contigo? - Perguntei.
- Como assim? - Ela me encarou.
- Sei que há algo errado. Você sempre viaja, mas ama a sua casa mais que tudo. E esse ano não parou para nada, nem para sua super festa de aniversário com as 10 pessoas. - Era uma tradição dela. Todos os anos, a festa de aniversário com as 10 pessoas mais importantes da vida dela. E eu sempre estava inclusa.
- Então, é perceptível... - Deus um trago forte e assoprou meio rancorosa. - É o Sebastian, ele está me traindo. - Respirou fundo.
- O quê? - Eles tinham a imagem de família perfeita, porque realmente sempre foram.
- Eu descobri a pouco tempo, e sinceramente não sei o que fazer. Eu o amo tanto, mas não consigo estar perto para ver nada disso. - Ela respirou fundo.
- Como você pode ter tanta certeza?
- Bom, durante as minhas viagens, nossos cartões tem sido usados por ele em hotéis caros, lojas de roupas femininas e perfumarias, joalherias, o tempo todo, e sempre que eu chego, não há nada para mim. Então, para quem é? - Fazia um pouco de sentido.
- Acho que vocês deveriam conversar sobre tudo isso, e você deveria dizer a ele como se sente!
- Eu sei, nunca fomos de esconder nada um do outro. Eu acho que só tenho medo de tudo acabar e acabar perdendo ele, não suporto a idéia de ser traída, mas odeio mais ainda a hipótese de ficar sem ele. Isso é estranho?
- Não, eu imagino que sua cabeça deve estar os caos, mas, viajar e sumir, não vai resolver seus problemas. Vocês precisam ser francos! - A olhei.
- O que você entende de casamento né? - Ela riu ao proferir.
- Eu sou fluente na linguagem do amor! - Rimos.
- Tá, e quem é o cara por quem você está apaixonada agora? - Ela sorriu.
- Tanto tempo sozinha, desde o Paul. Cê acha mesmo que vou arrumar alguém agora? - Sorri.
- Eu não sei, mas que você está transbordando alegria e amor, isso você está! É sinal de amor no coração! - Riu.
- Bom, na verdade eu tô apaixonada pelo meu noivo! - A vi se revirar toda para mim e tapar a boca com as mãos.
- Noivo??!!!
- Sim! Ele tem me ajudado muito na parte financeira, o que é maravilhoso para nós!
- Essa sua carinha não é a de "gratidão" é a de amor! - Ela sorriu.
- Eu vou te contar tudo, só não fique muito chocada! - Sorri...