Mârco

1946 Palavras
Toda criança sonha com o momento que se tornara adolescente. A adolescência é como um marco, colegial, faculdade, namorados, sexo, e assim, por diante. Uma ponte entre a infância e a vida adulta. Mas pulei essa ponte. Quando olho para minha vida, vejo como se tivesse me tornado adulta logo quando sai da infância. Mas ainda assim não sei lidar com a solidão da vida adulta e de ser independente. Diversos estudos dizem que na adolescência o pior marco é a rebeldia no relacionamento com os pais, e na minha adolescência foi quando mais me aproximei da minha mãe, ela sempre foi muito além de uma mãe, foi meu pai, minha melhor amiga, minha professora da vida. E enquanto todos do meu colégio não via a hora para chegar a sexta feira e saírem beber, se pegar, serem rebeldes, torcia para chegar as noites de sexta feira e deitar no sofá com a minha mãe e maratonarmos novelas mexicanas. Com pipoca, chocolate quente, coberta, e grandes risadas. Minha mãe sempre esteve ao meu lado pra tudo, e quando vi o tumor se agravando pensava apenas em como aproveita cada segundo ao lado dela, e não como iria lidar em não a ter do meu lado. A vida infelizmente não nos dá nenhum manual de instruções especifico para lidar com o luto, ou sobreviver aos maiores dias de ausência sem a pessoa que você queria ao seu lado. Às vezes, como agora, parada frente ao espelho olhando que já se aproxima as sete horas, fecho os olhos, e desejo apenas que ela esteja ao meu lado, o que me ajuda a lidar com essa ausência e pensar o que ela falaria para me encorajar, trago ela a memória falando, e e tão real que posso sentir o sussurro dela no meu pescoço. E ao abrir os olhos me dói ver que tudo era apenas o poder da imaginação. Ainda vestida com as mesmas roupas de ontem, arrumei todo o quarto, tentando deixá-lo o mais limpo possível, e caminhei até o restaurante, Lavínia já estava com meu uniforme em mãos, e com a garota que possivelmente será a que me ajudara nesse começo. Diferente do que imaginei, ela parece ser bem simpática simples, tanto quanto eu, ela e jovem, e bonita, de r**o de cavalo loiro e olhos verde; - Já ia procura lá para entregar seu uniforme, pode ir até o banheiro se trocar, essa e kethelin, mais pode chamá-la de ketty, ela irá te orientar e passar o passo a passo de como funciona o clube, boa sorte no seu primeiro dia... Lavínia se afastou como se tivesse apressada e ketty sorridente se aproximou se apresentando e caminhamos até o banheiro. O uniforme dava para ver que ele presava pelo conforto, e não tanto pela elegância. Era uma legging preta, tênis branco, e camiseta baby look azul com branca, trazia um ar de roupa esportiva. - Bom como você pode ver eles prezam por duas coisas, conforto, porque teremos que andar muito, e limpeza, os tênis e a camiseta devem estar sempre impecáveis, cabelo r**o de cavalo, para não cair cabelo na comida dos velhotes do golfe que ainda assim querem que estejamos apresentáveis, por isso não usamos touquinhas de cozinheira. Você levou sorte, nós iremos ficar nas melhores áreas para gorjetas, e por isso as outras funcionárias talvez te olhem com caras de cu, mas é o normal delas, você se acostuma com o tempo. Na maioria das vezes estaremos juntas, então não se preocupe. Se algo não sair como planejado, sorria, passe confiança, e veja a mágica acontecer. Por mais que quisesse conversar com ketty e ser mais simpática, estava tão nervosa e insegura que algo me impedia disso, e o pior é que o nervosismo me deixa completamente desastrada. Mas tentei me acalmar com respirações funda, e seguimos até o campo de golfe. Em uma área dele havia um espaço aonde tinha uma espécie de mini lanchonete, bebidas, refrigerante, e também os tacos e bolinhas, agenda com os horários que o campo estaria ocupado e tudo mais. Começamos arrumando o local, colocando as mesas para fora, organizando a mini lanchonete. Até começar a surgir pessoas. E para minha grande surpresa, de calça legging e top, deslumbrando o corpo perfeito e bronzeado a garota da noite retrasada na casa de Ruiz, a de vestido vermelho, ao me ver ela fechou seu semblante, como se me odiasse, e voltou a correr pela pista de caminhada. - Algum problema com ela; - ketty perguntou vendo o clima que predominou no ar. Mesmo que não quisesse comentar sobre minha vida pessoal, algo falou mais forte me dando a******a para comentar com ela. - Parece que ela é a namorada do babaca do meu meio irmão, ela me tratou super m*l quando apareci lá na noite retrasada. - Estefani... - ketty disse. - A garota mais odiada do clube, ela é arrogante, e parece que os problemas a perseguem. A vida dela por mais que pareça perfeita tem diversos pontos sem explicação... - Como assim sem explicação? - perguntei intrigada pela forma que ketty disse. - Ela é um livro fechado, ninguém sabe de onde veio, quem são seus pais, quem ela é de verdade, entende? Afastei os pensamentos deixando a vida dela em paz, e sem dar respostas a ketty, segui varrendo o chão. As pessoas começaram a chegar ao clube, e ketty se aproximava sempre deles dando olá, bom dia, um seja bem vindos, e observava atenta aos detalhes para aprender o que deveria fazer. Eram homens mais velhos, bem apresentados, e na maioria das vezes era nítido perceber que eles usavam o golfe para resolverem problemas na empresa, discutirem de trabalho, ou como uma forma de conseguirem algo ao invés de ser como pensava, por lazer. Eles se dirigiram ao campo, e se sentaram em uma mesa, não passou muito tempo e educadamente me chamaram, caminhei com o balançar do meu r**o de cavalo indo de um lado ao outro, me aproximei da mesa, e com a voz doce perguntei se gostariam de tomar algo. - Nos vê dois sucos de laranja e uma garrafa de água. - Acenei com a cabeça anotando na caderneta que me foi dada. No caminho em direção a lanchonete, observei Estefani vindo em minha direção com a cara furiosa: - O que você fez com Ruiz?- ela perguntou com o semblante frio e arrogância em sua voz. - Como assim? - perguntei surpresa sem entender. - Que droga. Você surge como quem não quer nada, a pobre órfã e sem teto, maltrapilha, e vira nossas vidas de cabeça para baixo. Ele terminou comigo, sabia? - Como poderia saber? ele é apenas um arrogante, m*l conheço ele... - Você mexeu com ele, e tem alguma coisa nessa história, e vou descobrir... Estefani saiu me deixando totalmente nervosa e ainda tentando entender o que havia acontecido ,ketty me cercava com o olhar de interrogação de quem também tentava entender. - Olha ela é louca, não tenho nada a ver com isso. - falei me justificando. - Não estou te olhando assim por isso, por que você a deixa falar assim com você? - Nunca fui boa em me defender, sempre abaixei a cabeça, e para ser sincera nunca tive que lidar com algo do tipo. - Sabe o que vi quando Lavínia me contou sua história? uma mulher forte e destemida, você teve que lidar com uma situação f**a que a maioria das pessoas não aguentariam, por respeito a sua história você deveria ter no mínimo ter mandado aquela garota a merda, você já aguentou coisa demais, e não deve ficar tolerando uma situação dessa... no fundo ketty tinha razão, a mulher que eu refletida naquele espelho ontem à noite, era uma mulher empoderada, forte, e sei que sou dessa forma, mais frente aos problemas ainda reajo como uma criança assustada. Uma vez ouvi uma frase que diz que nem sempre nós mostramos as pessoas quem realmente somos, e as pessoas reagem e nos veem baseado no que mostramos, e sempre era tratada como uma criança amedrontada porquê era essa a imagem pela qual estava mostrando ao mundo. - Ketty, você pode servir os rapazes, tenho que fazer uma coisa rapidinho. Falei me afastando da lanchonete determinada a tirar o peso que estava em meus ombros. Um pouco afastada peguei o celular, e disquei novamente o numero do meu pai. Mais uma vez como esperado Sara atendeu ao telefone. - Olha, sou eu de novo, e eu quero falar com meu pai, então não me importa o que caralhos ele esta fazendo, apenas passe o telefone para ele ou terei que contar que você esta me impedindo de falar com ele. - falei com a voz firme e intimidadora soltando um sorriso de canto ao soar engraçado a forma brusca que falei. O silencio reinou, ate o “alo” de meu pai surgir do outro lado. - É a Ellen, sua filha. Estou em Sydney, a mãe faleceu vitima de um tumor, você saberia se tivesse mantidos contato. Vim em busca de te ver, preciso mais do que nunca da sua ajuda mais me deparei com o arrogante de seu novo filho... - Ellen! Meu Deus não acredito filha, como você esta, como aconteceu isso? Conversei com ele notando entusiasmo em sua voz, lhe contei tudo sobre minha mãe e como havia acontecido, ate a minha chegada na mansão dele, Ruiz, e meu novo emprego, contei sobre as pendencias da nossa casa em Blue Mountain e notei que sua voz não era de alguém que não gostaria que eu tivesse surgido. - Ellen minha filha, lamento muito por tudo isso que te aconteceu, não quero que você alugue um lugar, infelizmente não vou poder voltar em breve, mais quero que você vá para a mansão beira mar, e faça de lá sua casa também, irei falar com Ruiz e você não terá mais problema com ele. Era impossível não sorrir ouvindo isso, ele teria que me aguentar goste ou não. Voltei ao trabalho, e trabalhei animada durante todo o dia, embora ainda estivesse me adaptando com as pessoas havia gostado do serviço, os homens que frequentavam ali havia um olhar pecaminoso, de maldade e encaravam de uma forma que dava a entender o flete, de quem estava dando em cima. Ketty disse que era normal, que isso acontecia diariamente, e se tornava um hábito por ser frequentado por homens que estavam atrás de oportunidades de emprego mais também de oportunidades de um romance proibido atrás dos arbustos. No final do meu expediente me troquei e fui embora, saindo pelos portões decidi ligar para o moço do posto de gasolina, Call, pedindo um favor dele levar gasolina pra mim até onde estava minha camionete. Gentilmente ele respondeu que não haveria problema algum, e me encontraria em menos de cinco minutos ao local que lhe informei com pontos de identificação. A parte que estava determinada é confiante na mulher que estava desabrochando dentro de mim sentia uma sensação de poder após ter sentido o olhar de Call naquela manhã no peito de gasolina. Ele era cativante, e bonito. A minha alegria estava gerando o sentimento de quem necessitava ter alguém ao meu lado, e que m*l haveria se esse alguém viesse trajado de gentileza e olhos verdes. Caminhava sorridente, o sol já estava a se por, olhava o mínimo como se nele houvesse outra cor, seria por que havia ouvido a voz de meu pai? Seria por que agora o bad boy arrogante teria que me aturar? Seria por que iria ver o Call? Um jovem que havia me feito tão bem?
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