Carina A noite caía pesada, espessa como sangue coagulado. Do lado de fora, a cidade parecia segurar a respiração — e eu também. Minhas mãos tremiam levemente quando disquei o número de Dante. Não por medo dele, mas pelo peso da decisão que eu estava prestes a tomar. Ele atendeu no segundo toque, como se já esperasse minha ligação. — Carina? Fechei os olhos por um instante antes de responder. — Venha até meu apartamento. Agora. Temos que conversar. Do outro lado da linha, houve um silêncio curto, denso. — Estou a caminho — ele disse, com aquela voz grave que carregava aço e pecado em igual medida. Desliguei. O telefone ainda estava na minha mão quando ouvi três batidas secas na porta. Não o som hesitante de alguém esperando permissão para entrar, mas de quem se considera no direi

