Dante O som do isqueiro estalou pela terceira vez antes que eu acendesse o maldito charuto. Não era ansiedade. Era irritação. Aquele tipo de silêncio carregado que precede uma discussão onde palavras viram facas e intenções viram pólvora. Guiseppe estava ali, parado diante de mim como um padre prestes a declarar uma sentença. Meu consiglie. Meu aliado mais leal... e, naquele momento, meu maior opositor. — Você vai mesmo fazer isso, Don? — ele perguntou, finalmente. Levei o charuto à boca, inalei devagar, saboreando a fumaça antes de responder. — Já está decidido. Ele riu. Um riso seco, sem humor. — Casar-se com aquela advogada... é assim que pretende manter sua cabeça sobre os ombros? Me levantei da poltrona com calma. Ajustei os punhos da camisa. Um movimento contido. Frio. O

