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Luz na Escuridão

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Sinopse

Décadas atrás, Edward Cullen fez uma escolha: permanecer como um vigilante errante no mundo de escuridão e sangue que escolhera, sem nunca retornar aos Cullen. A cada nova noite, ele sofre ao encarar o monstro de olhos escarlate que se tornara: um monstro que não merecia família, felicidade ou paz. Até que, ao intervir no ataque de outro vampiro, ele acaba se envolvendo na nova vida de uma recém-criada que mudará sua existência sombria para sempre.

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Capítulo 01 – A Garota
O crepúsculo. Para Edward Cullen, ele parecia estar demorando mais para chegar a cada dia que se passava. Talvez fosse o peso da eternidade distorcendo seu julgamento, mas ele podia jurar que cada segundo vinha se tornando mais longo conforme os anos iam passando. Os dias eram sempre arrastados e insuportavelmente tediosos enquanto ele procurava distrações ineficazes entre suas viagens pelas cidades e florestas, escondendo-se dos humanos. As noites não eram tão longas, pelo menos: traziam consigo a alegria da liberdade e a satisfação da sede. A noite era o momento da caça. Mas nem esse momento deixava de ter suas agonias. Por mais que o sangue humano satisfizesse sua natureza mais primal, era também durante a noite que, refletido nos olhos sem vida de suas presas, ele o via: o monstro. Aquele em que ele havia se convertido. Em seus primeiros anos como vampiro, quando decidira se render ao apetite voraz que vinha com aquela nova vida imortal, ele tivera a ideia equivocada de que poderia impedir o remorso se suas presas fossem monstros como ele: homens que caçavam outros mais frágeis, indefesos, apenas para saciar seus próprios prazeres. Mas aquele achismo não fora nada mais do que um equívoco. As mentes perturbadas que ele aniquilava da existência traziam certo senso de justiça só até o momento em que ainda estavam vivas. Depois, quando viravam nada mais do que um amontoado de pele, ossos e carne desprovida de sangue, todos - do maior psicopata até o cúmplice sem moral - viravam apenas recordações físicas de quem era o verdadeiro monstro ali. Era em momentos como aquele que Carlisle lhe vinha à mente. Seu criador e um bom homem. Sim, homem, porque, apesar de também estar condenado àquela existência infinita, Carlisle Cullen tinha mais humanidade dentro de si do que metade dos seres humanos com quem Edward já havia se deparado em sua vida de vigilância. Seu criador tentara guiá-lo pelo bom caminho: por uma dieta de sangue animal que protegia os humanos e camuflava até mesmo a monstruosidade escarlate em seus olhos, substituindo-a por um dourado mais puro. Contudo, na época ainda jovem e impetuoso, e como um leitor de mentes que muitas vezes tinha acesso aos pensamentos mais distorcidos que a humanidade era capaz de produzir, Edward tinha se achado no direito de procurar seu próprio caminho, satisfazer suas próprias necessidades, independente do que Carlisle poderia pensar que era melhor para ele. Assim, mesmo com uma parte de seu coração morto pesarosa por estar magoando aqueles que eram seus pais naquela nova vida, ele partira sozinho, abandonando Carlisle e sua companheira Esme. Sua expectativa em tornar-se um vigilante, se alimentando dos homens mais vis que havia no mundo dos humanos, se concretizou até certo ponto. Mesmo nos dias atuais, tanto tempo depois de ele ter se entregado ao sangue humano por completo, ainda haviam indivíduos tão repulsivos que conseguiam lhe trazer alguma satisfação, mesmo que mínima, em matar. Contudo, mesmo esse sentimento vinha rareando. Nas últimas décadas, ele não sentia muito mais do que uma simples sensação de nojo por aquele tipo de ser humano ter existido. Acabar com suas vidas, porém, na grande maioria das vezes, era como olhar-se em um espelho: e ver a terrível criatura que roubava a vida de outras criaturas. Afinal, ele os considerava repulsivos, mas fazia o mesmo que eles. Dessa forma, não seria ele o mais repulsivo de todos? Era aquela realidade odiosa que vinha atormentando-o cada vez mais, a cada segundo de cada dia. Várias vezes, especialmente logo nos primeiros anos de vigilância, ele pensara em voltar para Carlisle e Esme. Pedir que eles o perdoassem e o aceitassem novamente, como um filho pródigo. Que lhe dessem um lar onde ele poderia se esquecer daquela vida repleta de monstros cruéis e auto aversão. Mas então ele percebera que, a cada dia que se passava enquanto decidia se deveria voltar ou não, ele mergulhava cada vez mais naquela podridão. Era um ciclo vicioso de crueldade e sangue: ele passeava pelas lembranças sádicas e perturbadoras de um estuprador ou de um assassino - o tipo de imagem que nunca mais o deixaria dormir, caso ele ainda fosse capaz de fazer tal coisa - e então colocava o sangue deles dentro de si. Um baile de criaturas grotescas que sempre acabava em morte. Carlisle e Esme mereciam mesmo ter por perto aquele tipo de homem, - seus lábios não resistiram em se abrir em um sorriso de escárnio ao pensar em si mesmo com um termo tão afável - que já vira tanto, já presenciara tanto e já matara tanto? Ele sabia que a resposta era não. Eles eram bondosos demais para se recusarem a recebê-lo de volta, Edward bem sabia. Mas foi tentando ser justo com aqueles corações bondosos que ele decidira que não os forçaria a ter que suportar sua presença sombria em suas vidas. Porque Edward sabia que aquelas quase sete décadas como vigilante o haviam mudado de um jeito irreversível. Ele estava quebrado e ele não submeteria os Cullen a tentar consertá-lo. Eles mereciam mais do que isso. Mereciam alguém que tivesse respeitado seu estilo de vida desde o começo. Alguém com moral o suficiente para se esforçar para ser bondoso naquela nova vida, como eles eram. Alguém que se esforçasse para não ser um assassino. Sim, Carlisle e Esme mereciam mais do que um monstro como ele. E, assim como quase todas as noites, ele se esgueirava pelas ruas, mergulhado naquela existência interminável e na agonia daqueles longos dias sem propósito nenhum, além da matança noturna e do sangue. Sem propósito nenhum além de alimentar aquele ser demoníaco de olhos vermelhos que ele já se convencera de que seria para sempre. Talvez aquela repulsa, que ia destroçando-o tortuosamente aos poucos por dentro, fosse o castigo que ele estava recebendo por suas escolhas egoístas: ele não queria ser um monstro, mas era exatamente o que ele era. E não havia nada que ele pudesse fazer sobre isso. Nada além de perpetuar aquela existência, acalmando sua garganta ardente e condenando mais sua alma a cada nova gota de sangue. Mais um sorriso de escárnio. Como se ele ainda tivesse uma alma. Resignando-se, ele esperou o crepúsculo dar lugar à noite para poder adentrar a cidade de Port Angels de verdade. O lugar era pequeno e aparentemente inofensivo, mas ele podia ouvir as mentes grotescas que se escondiam naquela fachada de calmaria, espreitando na escuridão, prontas para se aproveitar da sensação de segurança para atacar vítimas incautas. A apenas alguns quilômetros de distância das vielas escuras pelas quais Edward andava naquele momento, por exemplo, havia um grupo de homens bebendo em um bar, tentando ser discretos enquanto olhavam lascivamente as mulheres ali ao redor. O líder deles, procurado em vários estados por uma lista de crimes mais longa que um braço, tinha planejado mais uma vítima inocente naquela noite, mas seus planos tinham sido frustrados por um policial que aparentemente tinha achado seu rosto familiar e agora o estava seguindo. A imagem de várias garotas, suas vítimas, - e das terríveis imagens do que ele fazia com elas - se misturavam com o ressentimento voraz que o desgraçado sentia por não poder adicionar mais uma a sua coleção naquela noite. Por não poder fazer sua caçada. Contendo um grunhido, mesmo sabendo que o policial já começara a preparar um cerco do qual certamente o homem não poderia escapar e que logo o levaria para o escrutínio da lei, Edward começou a ir até lá, querendo mostrar àquele homem qual era a sensação de ser uma presa indefesa contra um caçador implacável e impiedoso... Até que a imagem dela o congelou no lugar. Outro imortal também caçava ali perto, em busca de sangue humano fresco, assim como ele. Contudo, diferente dele, - e semelhante ao homem no bar – aquele vampiro encontrava prazer na fragilidade de suas vítimas e em sua incapacidade de se defender. O que era uma perfeita descrição da jovem na qual ele tinha seus dentes cravados no pescoço. Em sua mente, Edward ouvia a euforia de sentir o sangue doce descer pela garganta, misturado com resquícios das lembranças do momento em que ele cheirara a jovem mulher – o toque floral tão delicioso e irresistivelmente vívido que despertou até mesmo a sede de Edward, apesar do cheiro não passar de um pensamento alheio. Mas não foi nada daquilo que o paralisou em seu caminho. Foi a mistura de lembranças na mente daquele monstro noturno – tão parecido com ele – que, por razões que Edward não conseguia entender, o perturbaram profundamente. Primeiro, a imagem de quando a menina, que não podia ter mais de 18 anos, ainda estava alheia ao caçador que a espreitava, prestes a atacá-la: ela andava pela rua escura com uma bolsa de livros na mão, olhando ao redor freneticamente, como se estivesse perdida... E então a imagem que era um retrato do presente: o corpo frágil e débil dela entre os braços do vampiro, já quase sem sangue e sem vitalidade, mas ainda assim agonizando. E, antes mesmo que se desse conta, Edward já estava correndo até eles. Aquela reação era completamente exagerada, ele bem sabia. Era óbvio que os outros da espécie dele se alimentavam de humanos sem fazer qualquer distinção entre eles, assim como os humanos não faziam distinção entre as vacas ou os porcos – Carlisle e seu estilo de vida, e até mesmo ele e sua vigilância cuidadosamente escolhida, eram pontos fora da curva; exceções à regra. As dietas dos outros, no entanto, estavam completamente fora de sua jurisdição. Contudo, havia algo na imagem da pobre garota já quase sem vida, a pele quase branca e a lembrança na mente do vampiro de seus apavorados olhos cor de chocolate antes de ser atacada, que não apenas o perturbaram profundamente, mas também o enfureceram de uma maneira que ele jamais experimentara antes. E, quando ele finalmente se aproximou o suficiente para avistar os dois no alto da rua, o pensamento que o vampiro teve em seguida fez o veneno dentro de suas veias ferver de ódio. Pois, satisfeito com o sangue da garota, – as recordações em sua mente lhe mostraram que ele já havia se alimentado bem naquele dia: a jovem era apenas a satisfação do capricho de se deleitar com algo que cheirava tão bem, mesmo que ele já estivesse completamente saciado e quase com dificuldades de beber mais – ele afastou a boca de seu pescoço dilacerado e a avaliou por um momento, permitindo a Edward perceber que a garota ainda estava viva; moribunda obviamente, mas ainda assim viva. E foi com asco e fúria assassina que ele ouviu o vampiro – Laurent, ele registrou remotamente – averiguar que a moça ainda era atraente mesmo prestes a morrer, e que, talvez, ela ainda tivesse mais algum tipo de prazer para oferecer a ele enquanto o frágil corpo debilitado dava seus últimos suspiros... — Tire as mãos dela! – Edward tinha sua mão envolta na garganta do vampiro e o rosnado colérico saindo do fundo de seu peito antes mesmo que se desse conta de que não poderia deixar aquela garota morrer ali, daquela maneira horrível, nas mãos daquele crápula. Surpreso, Laurent apenas a deixou cair no chão sujo, o corpo sem forças atingindo a rua com um baque pesado enquanto ele se virava para encarar Edward, furioso por algum forasteiro ter estragado o resto de sua diversão. No século em que vagara por aquele mundo – vivo e morto – Edward nunca se vira na necessidade de lutar contra alguém de sua espécie: verdade seja dita, desde que aquela nova existência começara, ele era tudo menos sociável. E não havia maneira de se criar inimizades quando ele nem sequer conhecia muitos outros da mesma espécie – e muito menos estreitara laços com eles. Contudo, Edward felizmente descobriu que lutas corporais eram fáceis quando se podia prever os próximos movimentos do adversário através de seus pensamentos. E as imagens do que Laurent planejava fazer com a pobre garota depois de se alimentar apenas inflamaram as chamas da fúria dentro dele e, em poucos minutos, sua cabeça decepada já estava na mão dele, a morte interrompendo o pensamento de que ele não deveria ter se desgarrado de seu grupo anterior – uma fêmea ruiva e um caçador talentoso, cujas excentricidades levaram Laurent a desistir da convivência e seguir sozinho, até se deparar com aquele cheiro inebriante naquela noite. E, sem dúvida, aquele fora seu maior erro. Se eles estivessem em bando, Edward certamente não teria sido capaz de despedaça-lo e montar um fogueira com os restos, como fazia naquele momento, movendo-se como um borrão para amontoar os membros arrancados e incendiá-los com o isqueiro que sempre trazia no bolso para eliminar os restos mortais de suas vítimas com mais eficiência, quando necessário. Largando os pedaços rígidos e inertes no fogo raivoso, Edward avançou até a garota, absolutamente pasmo com a onda de preocupação que sentia por ela – e pela agonia excruciante de saber que, muito provavelmente, ela não sobreviveria. A ansiedade em libertá-la de Laurent e a distração da luta não haviam permitido que ele percebesse o quanto ela realmente devia cheirar bem, até aquele momento. Mas havia tão pouco sangue no pequeno corpo que apenas conter a respiração foi suficiente para que ele pudesse se aproximar e pegá-la suavemente nos braços, o corpo flácido leve como uma pluma. Em pânico, ele se perguntou o que deveria fazer. Levá-la para o hospital deveria estar no topo da lista, mas o cheiro dela não negava: havia veneno de vampiro começando a circular por suas veias, apesar do coração estar ficando cada vez mais fraco. E o coração morto de Edward afundou quando se deu conta de que agora só havia dois destinos para ela: a morte ou a imortalidade. Pesaroso, ele a aninhou melhor em seus braços e decidiu levá-la para a floresta, o mais longe possível da cidade, e lá esperar o destino que estava reservado para ela. Ele só não esperava pela repentina pontada de emoção que o atingiu quando ela entreabriu os olhos durante a corrida em seus braços, o olhar castanho e perdido conseguindo focar no rosto dele com muita dificuldade, enquanto os lábios moldavam fracamente uma palavra que parecia ser "anjo", antes de se fecharem pacificamente novamente. Contudo, não ficaram pacíficos por muito tempo, pois, pouco antes deles finalmente alcançarem a floresta, o horror da transformação começou a atingi-la, mesmo quase morta, e a garota começou a gritar sobre seu pescoço estar em chamas. Perturbado e até um pouco desnorteado, Edward deitou seu corpo inquieto sobre a grama na parte mais profunda da floresta, onde ninguém poderia ouvir os gritos implorando por piedade e pela morte, qualquer coisa que a livrasse do sofrimento do fogo que consumia suas veias. Ver a agonia dela trouxe a Edward mais sofrimento do que ele era capaz de compreender, dificultando sua capacidade de tomar uma decisão. Nos momentos mais intensos de dor dela, ele cogitara acatar seus pedidos e matá-la como fizera com o outro vampiro, mas um simples olhar para o rosto em agonia, as lágrimas escorrendo pelas bochechas sem cor e o relance dos olhos chocolate que às vezes se entreabriam para encará-lo, e ele se resignava de que não era capaz de tocar em um único fio de cabelo daquela frágil criatura condenada. Condenada a ser como ele. Errante, sem alma. Não, ela ainda tinha escolhas a fazer, mesmo que não mais sobre sua mortalidade. Ela não precisava escolher os caminhos que ele tomara. Ela poderia ser como Carlisle. Ele poderia mostrar a ela como, quando a transformação acabasse. Quer dizer, se ela o quisesse por perto. Até onde ele sabia, ela poderia acordar odiando-o por não ter acatado seus pedidos de matá-la. E apenas o simples pensamento o fazia se sentir como se estivessem arrancando seu coração do peito. O que havia de errado com ele, afinal? Porque ele salvara aquela garota e agora se via na responsabilidade de ensinar pelo menos o básico daquela vida imortal a um recém-criado? Ele bem sabia, pelas experiências que vivera em seus primeiros anos de vida e os de Esme, que vampiros recém-criados eram criaturas instáveis, anormalmente fortes até mesmo para sua espécie e altamente sedentos, que m*l podiam ser deixados sozinhos por um só segundo sem ceder ao instinto de dizimar uma cidade inteira em busca de sangue. A sede era algo indescritível e enlouquecedor e ele já ouvira histórias de recém-nascidos que podiam levar até mesmo mais de uma década para finalmente começar a ter um pouco de controle sobre si mesmos novamente. E, conforme os dias foram escoando lentamente enquanto a garota sofria para se transformar, cada segundo trazia também seu próprio flagelo para Edward. O primeiro dia foi repleto de incertezas, especialmente se ela sobreviveria ou não: ele não tinha certeza se o coração fraco seria capaz de transformá-la por completo antes que o corpo simplesmente desistisse. Tudo isso somado ao fato de que, finalmente, ele se deu conta de algo inédito: ele não conseguia ouvir sua mente. Talvez fosse o fato da pobre garota estar em seu leito de morte e no meio de uma transformação em que ela não estava consciente de nada além da dor. Contudo, mesmo isso não fazia sentido: Carlisle trouxera Esme para casa enquanto ela se transformava e Edward estivera ciente de cada um de seus pensamentos de pura agonia durante cada momento do processo. Por que ele não conseguia ouvir a garota? A pequena semente de curiosidade surgiu em meio ao mar de preocupações em que ele estava envolto, conforme ela gritava e implorava que ele a ajudasse, que apagasse o fogo, que acabasse com ela, que apenas fizesse algo para dar fim ao seu sofrimento. E seu coração morto se encolhia a cada segundo daquilo, em desespero por não poder ajudá-la. O que havia de errado com ele para se sentir tão envolvido assim? Ele nem ao menos sabia o nome daquela garota... Por que então ele m*l conseguia suportar a ideia da menina mandá-lo embora assim que acordasse – se acordasse? O segundo dia veio com a confirmação de que já não havia mais escolha: em breve, ela seria como ele. Ou melhor, ela seria uma vampira, ele se corrigiu severamente. Aquela recém-adquirida e insistente mania de tentar estabelecer alguma proximidade entre os dois era algo com que Edward estava, cada vez mais, tendo que lutar contra. Era vergonhoso que, enquanto a menina se contorcia de dor e agonia no gramado ao lado dele, ele estivesse às vezes parando para refletir sobre o futuro, ao invés de apenas velar sua convalescência e lamentar que ela estivesse condenada a ficar presa naquela meia-vida miserável também. E, se os dois primeiros dias o deixaram mergulhado em piedade e incerteza, o terceiro e último dia da transformação foi talvez o mais tenso de todos, pois, conforme o coração começava a bater cada vez mais devagar e o cheiro humano dava lugar a um aroma adocicado e floral, – uma mistura do perfume natural de sua espécie com uma essência única vinda da garota e que ele tinha que admitir que era inebriante – as múltiplas perspectivas de como ela reagiria a tudo aquilo – e a ele – começaram a assombrá-lo impiedosamente. Claro, sua natureza pessimista não ajudava em nada, mas aquela realmente não era uma situação em que valia a pena enganar a si mesmo e forçar-se a ser otimista. Qual outra reação a jovem poderia ter à perda de sua vida humana que não o total e completo horror? Uma perda que ele era parcialmente responsável. Ele não colocara aquele veneno dentro de suas veias, mas poderia ter impedido que ele se espalhasse... E a intensa onda de repulsa que o tomou quando ousou sequer pensar em se aproximar dela com a intensão de machucá-la foi o suficiente para ele comprovar, novamente, que não teria sido capaz – e duvidava que algum dia seria, independentemente de como ela se sentiria em relação a ele – de fazer m*l à aquela garota de qualquer maneira que fosse. O que não o tornava menos culpado. E certamente ela também pensaria isso quando despertasse.

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