Capítulo 06 – O Monstro (Parte 01)

3693 Palavras
Naquele momento, ambos reagiram repentinamente. Tomada pelo frenesi da sede, Bella deu um salto, tentando pular por cima de seu ombro e correr em direção a sua presa. Travando os braços em torno da cintura dela, que agora estava na altura de seu peito, ele a manteve no lugar, tentando apressar o passo enquanto ela se debatia freneticamente. Seus esforços se mostraram em vão quando ela, agora com um verdadeiro rugido de ódio que praticamente fez a floresta em volta deles estremecer de medo, cravou uma das mãos em seu ombro e com a outra empurrou a cabeça dele para longe, enviando seu pescoço para o lado com tanta força que ele certamente estaria morto se fosse humano, enquanto tentava força-lo a soltá-la. Ainda se esforçando para mantê-la contida enquanto lutava contra sua força descomunal de recém-nascida, Edward tentou trocar os braços de posição, esforçando-se para encontrar uma forma mais eficaz de restringi-la e impedi-la de usar as mãos... E, inconscientemente, ele deu tudo o que Bella precisava. Como sempre o pegando de surpresa, ela plantou as mãos nas costas e no cabelo dele, usando-o como base para tomar impulso para frente com tanta força que o enviou inevitavelmente para o chão. Por um breve milésimo de segundo, ela conseguiu se desvencilhar o suficiente de seus braços para se colocar por cima dele e, com uma das mãos, rapidamente afundar sua cabeça profundamente na terra, deixando uma grande cratera para trás antes de saltar para longe dele e começar a correr na direção dos campistas. Em pânico, Edward se levantou da cova no exato formato de seu corpo que ela havia feito e literalmente voou atrás dela, usando cada grama de força que tinha em seu corpo para alcança-la, correndo mais rápido do que já se lembrara de ter corrido. A emoção da caçada infelizmente a havia transformado em uma predadora feroz e, mesmo se valendo de toda a sua velocidade, ele só conseguiu alcança-la quando ela estava no alto de uma colina, prestes a pular nos pobre homens incautos. Literalmente lançando-se sobre ela, ele conseguiu alcança-la antes do pulo, envolvendo os braços e o peito dela com os próprios braços duramente, puxando-a para trás com um impulso rude. Sua interferência dessa vez, contudo, pareceu ter alertado o instinto de Bella, que, entendendo-o como um rival na caça, decidiu trata-lo como tal. Primeiramente, ela tentou se contorcer para todos os lados, tornando-se um borrão indefinível enquanto tentava libertar especialmente os braços, certamente para poder ataca-lo. Contudo, agora ciente de quais eram suas táticas, – bastante primitivas, sem dúvida, devido a inexperiência dela – ele se manteve firme e inabalável, mantendo-a perfeitamente presa enquanto dava alguns passos para trás, tentando afastá-la dos campistas, que naquele momento estavam confusos e assustados com os altos rosnados que escutavam, sem conseguir identificar de onde vinham. - Bella... – ele grunhiu, ainda levando-a para trás na velocidade humana, temendo que pudesse perder o controle sobre ela se começasse a correr – Essa não é você... Você não quer machucá-los, lembra? Eu posso levar você para longe daqui, vai ficar tudo bem... Suas súplicas, contudo, se mostraram completamente ineficazes diante da insanidade sedenta de Bella, que, repentinamente, inclinou-se para frente, envergando as costas completamente, mas, dessa vez, não para tentar se soltar. Com a força descomunal de um recém-nascido, somada à loucura da sede e o ódio contra um oponente de caça, ela cravou os dentes no braço dele, rompendo facilmente o tecido da camisa e chegando até a carne de mármore, rasgando-a no formato de sua arcada dentária com um som terrivelmente áspero, quase metálico. Trincando os dentes ao sentir sua carne de pedra ser dilacerada e o veneno da boca de Bella começar a queimá-lo como ácido, Edward se manteve firme, continuando a andar para cada vez mais longe, mesmo que isso apenas fizesse os dentes de Bella irem mais fundo. Um pouco mais e ela certamente arrancaria um bom pedaço do braço dele, mas, sinceramente, Edward não se importava. Ele sabia o que matar um humano faria com Bella. Se deixa-la arrancar seu braço era o preço a pagar para impedi-la, então ele a ajudaria de bom grado. Ele a deixaria parti-lo em mil pedaços se aquilo fosse impedi-la de sofrer. Completamente possessa ao ver suas presas avançarem rapidamente floresta adentro, para longe deles, assustados pelos sons viscerais de sua luta, Bella soltou mais um rugido profundo e puxou a cabeça para cima, ainda com a carne dele entre os dentes, arrancando boa parte dela com um som terrível, deixando apenas uma pequena parte ainda presa ao braço. A dor intensa o fez soltar um som que era algo entre um grito e um grunhido de agonia de entre os dentes trincados, mas ainda assim ele não soltou seu aperto ao redor dela, mantendo-a longe dos campistas. - Bella, por favor... – ele grunhiu, arfante, tentando fazê-la voltar a si, enquanto ela continuava a se contorcer, parecendo determinada em terminar o trabalho em seu braço – Está tudo bem, Bella. Sou eu, Edward... Preparando-se para mais um investida, ele a viu rosnar, enfurecida, e virar o pescoço de maneira quase apavorante, parecendo determinada a arrancar agora parte de sua garganta, quando seus olhos finalmente se encontraram. Aos poucos, ele viu a expressão predatória no rosto de Bella se tornar completamente apavorada e os músculos, antes tensos, tornaram-se trêmulos entre seus braços. - Bella? – ele a chamou, querendo se certificar se ela estava completamente lúcida, mas ela apenas balançou a cabeça, parecendo completamente em choque. - Eu... – ela olhou para longe, para onde os campistas haviam desaparecido, mas não de maneira desejosa, e sim horrorizada – O que eu estava fazendo...? Eu... Oh, meu Deus... – ela arfou, quase gritando, e, surpreso, ele percebeu que ela olhava para a carne completamente dilacerada do braço dele, quase que completamente arrancada. – Como... Como eu pude...? – ela chorou, quase espasmando de tanto tremer. - Bella, está tudo bem, eu juro. – ele tentou acalmá-la, abraçando-a contra o peito e sussurrando em seu ouvido gentilmente – Isso não foi nada. Eu estou bem, assim como com aqueles homens. Você não machucou ninguém, não se preocupe. - Como não machuquei?! – ela soluçou, a voz em completa agonia – Eu estava prestes a matar sem pensar duas vezes... Eu fiz isso com você. – a dor aguda na voz dela fez o peito dele apertar – Eu sou um monstro... - O quê? Não, claro que não! – ele a repreendeu, preocupado e ofendido por ela estar dizendo aquilo sobre si mesma; será que ela não tinha se dado conta ainda de que tudo estava bem? – Eles estão vivos e eu posso resolver isso rapidamente, Bella. Você não tem que se culpar por nada. Nada de m*l aconteceu. - Como pode dizer isso?! Olhe o seu braço...! – a profunda dor na expressão dela fazia parecer que estava sentindo a ferida em seu próprio braço. - Não está doendo. – ele mentiu, ansioso por consolá-la – E não ouse dizer que é um monstro, Bella. Um monstro de verdade teria o sangue daqueles homens nas mãos a essa hora. - Se eles estão vivos agora, é porque você me impediu. – ela fungou – Foi você que os salvou. - Não fiz isso por eles, Bella. – ele a corrigiu suavemente - Foi por você. Porque eu sabia o que mata-los faria com você. Porque eu sabia que você era capaz de voltar a si, se eu te ajudasse. E eu estava certo. – ele sorriu docemente – Eu posso ter tido que segurar você por conta do frenesi da sede, Bella, mas isso é absolutamente normal. Ainda assim, você ter conseguido voltar à lucidez tão rápido, quando percebeu que eu estava com você? Isso só prova o quanto você é extraordinária. – ele encostou a testa em sua têmpora, olhando-a amorosamente – Então não ouse manchar o nome de uma mulher tão incrível e bondosa quanto você, se chamando de monstro. Sei o que é um monstro de verdade e você é o total oposto disso. - Se isso é verdade, então porque eu quase arranquei uma parte do seu braço? – ela grunhiu, ainda claramente com asco de si mesma. - Isso não foi nada. – ele suspirou, perguntando-se o que deveria dizer para que ela pudesse se convencer de que aquilo não fora nada – Vai se curar em pouco tempo. Um minuto de silêncio se passou, enquanto Bella apenas olhava fixamente para o ferimento no braço dele e Edward continuava a abraça-la, com medo de que ela fugisse por conta da culpa, se ele a soltasse. Por fim, com um soluço contido, ela sussurrou, desolada. - Você disse que era um monstro com tanta convicção... Mas, no final, eu fui a única que quase tirou três vidas hoje. - Mas você parou, Bella. Não percebe? – Edward a virou para ele, tirando o olhar dela de seu braço e focando-o em seus olhos – Eu tirei centenas de vida ao longo dos anos e o remorso jamais foi capaz de me parar. Essa é a diferença entre nós. Entre um monstro e um anjo. Seu elogio ardente a fez arregalar os olhos de choque e, no segundo seguinte, ela desviou os olhos para o chão, terrivelmente envergonhada. Ainda assim, ela ainda rebateu, com a voz trêmula. - Eu não acho que você está certo. - O que eu tenho que fazer para você acreditar em mim? – ele suspirou, exausto. Ainda que continuassem tristes e culpados, os olhos de Bella ganharam um brilho novo, deixando claro que ela estava maquinando algo em sua mente silenciosa. Frustrado como sempre, ele permaneceu quieto, aguardando que ela mesma lhe revelasse o que estava se passando em seu pensamentos. Finalmente, ela recostou a bochecha contra seu ombro e murmurou, parecendo escolher as palavras a dedo. - Se eu parar de me chamar de monstro, você promete parar de se chamar assim também? Por um segundo, a pergunta apenas o deixou pasmo. Ela realmente havia ficado tão profundamente incomodada ao saber o que ele pensava sobre si mesmo? A ponto de se lembrar daquilo mesmo em meio àquela situação? Que coisinha teimosa ela era... - Bella... – ele começou a falar, frustrado, mas ela o interrompeu novamente. - Ouça. – ela pediu, olhando-o no fundo dos olhos com um brilho tão encantador nos olhos escarlate que tudo o que Edward conseguiu fazer foi ficar ali, admirando-a, silencioso – Está bem óbvio que não concordamos com o que cada um pensa sobre si mesmo. Eu acho que estou certa e você também... Então, porque não fazemos um acordo: já que eu pareço ser a única que te vê claramente, apenas eu vou poder dar a palavra final se você é um monstro ou não, está bem? Em troca, você pode fazer o mesmo sobre mim, já que tem tanta certeza de que está certo. Encarando, atônito, o pequeno sorriso encorajador dela, Edward não conseguiu sequer reagir por algum tempo. Por mais que o "acordo" dela fosse apenas um delírio inocente, uma fantasia que inevitavelmente cairia por terra assim que ela se desse conta verdadeiramente de quantas vidas humanas ele ceifara ao longo das décadas... Por mais que ela provavelmente apenas estivesse se esforçando para fazê-lo mudar de ideia porque se sentia grata a ele por tê-la ajudado a entender sobre o mundo vampírico... Havia uma parte dele, uma parte tola e esperançosa, que queria delirar, que queria viver aquela fantasia até que ela virasse pó. Mais do que tudo, havia uma parte dele que queria que o que ela estivesse dizendo fosse verdade. Que queria ver a si mesmo pelos olhos dela: um homem que poderia ter redenção, que poderia parar de se alimentar de sangue humano e que poderia se tornar digno de Bella. Digno de sua confiança, de seu esforço para ajuda-lo, de sua gentileza... Digno de pertencer a ela em todos os aspectos. E, enquanto ela o observava atentamente, aguardando sua resposta, ele podia quase sentir seu interior se revirando, enquanto aquelas duas partes antagônicas guerreavam dentro dele: a cética e a esperançosa. Uma parte que lhe dizia que aceitar aquilo seria apenas retardar o momento em que Bella iminentemente mudaria de ideia e o deixaria, irreversivelmente destroçado pela sua ausência, para trás. A outra parte, porém, queria mais do que tudo que ele confiasse nela: ele queria acreditar que poderia se redimir, que Bella realmente não se importava com seu passado e que ele poderia tê-la ao seu lado pelo resto da eternidade. Céus, ele realmente queria acreditar que também merecia a felicidade. Que ele poderia deixar o monstro que era para trás... E, quando olhava no fundo dos olhos daquela mulher extraordinária, tão cheios de confiança e esperança direcionados apenas a ele, Edward se sentia capaz de qualquer coisa. Sentia como se todas aquelas lindas fantasias pudessem se tornar realidade. Como se ele tivesse apenas que estender a mão e tocá-la, para que eles dois pudessem ser felizes. - Sabe... – a voz de Bella, parecendo receosa depois de ele ter demorado tanto para lhe responder, o retirou de sua luta interna, trazendo-o de volta para a realidade – Você... Não precisa deixar de beber sangue... – ela engoliu em seco, claramente não sendo capaz de dizer a palavra humano para completar a frase – Se não quiser. E-eu não vou pensar m*l de você. – ela prometeu, com a voz trêmula – Podemos simplesmente caçar separados e... - O quê? – ele arfou, perplexo com o que ela estava sugerindo – Eu jamais continuaria a beber sangue humano se aceitasse estar com você! Eu... – ele engoliu em seco e com um murmúrio desolado, continuou – Eu sei que você não acha que eu sou um monstro, mas... Mesmo que eu seja, realmente não quero que você me veja assim. Matando... Sendo um assassino. - Então volte atrás, como disse que queria. – ela o incentivou ansiosamente, erguendo a mão para tocar carinhosamente sua bochecha, fazendo um arrepio de prazer percorrê-lo - Não é tarde demais. Vamos beber sangue de animais juntos e eu vou provar a você que está errado sobre ser um monstro! – Bella afirmou, tão determinada que ele teve vontade de sorrir - Vou provar a você como é o homem mais gentil e altruísta que eu já conheci! - Nos conhecemos há 05 dias. – ele não pôde evitar de provoca-la, com o fantasma de um sorriso surgindo inevitavelmente em seu rosto. - Mesmo assim, foi tempo suficiente para eu saber que você é. – ela sorriu, satisfeita - Viu? Só prova como estou falando a verdade. - Acho que não conheceu muitos bons homens... – carinhosamente, ele colocou a mão sobre a dela, acariciando-a com o polegar, sem saber se deveria afastá-la ou ceder ao desejo de levar a palma delicada até sua boca e beijá-la. - E você precisa aprender a valorizar minha opinião. – suas bochechas se inflaram daquela maneira adorável, como sempre acontecia quando ela ficava irritada - Sou a juíza do seu caráter agora. - Sua opinião é o que eu mais valorizo. – ele admitiu, com um suspiro entristecido - Por isso não quero que insista em continuar me vendo como não sou... Não vou suportar quando se decepcionar comigo... – ele tentou engolir o nó que se formou em sua garganta ao sequer imaginar como seria se ela o odiasse - Quando decidir me deixar. - Eu nunca faria isso. – a convicção inquebrável na voz dela o fez erguer o olhar, igualmente surpreso e deliciado - E você nunca vai saber o que vai acontecer, se não me deixar estar com você. E, além do mais, eu sou teimosa. – ela sorriu e Edward a acompanhou; como ele já não soubesse disso... - Garanto que posso convencer você de que estou certa! Só preciso de tempo e que você deixe de ser cabeça dura. – ela reclamou, com um toque de bom humor no timbre musical. - Olha quem fala... – ele a provocou de volta. - E então? – ela sorriu, claramente satisfeita com a óbvia nota de rendição em sua voz – Você aceita? Ele realmente seria capaz de negar algo àquela garota quando ela o olhava daquela maneira que fazia seu coração morto parecer flutuar? É claro que não. Seja lá o que o futuro reservasse para os dois, ele se esforçaria para deixar o passado para trás. Por ela... E por si mesmo. Se – ou, mais provavelmente, quando – chegasse o momento em que ela iria querer deixa-lo, ele se tornaria sem dúvida um homem ainda mais vazio do que jamais imaginara, mas ele não colocaria empecilhos para ela pudesse partir e encontrar sua própria felicidade. Até lá, talvez até mesmo seres desalmados como ele poderiam se dar ao luxo de sonhar: criar fantasias estúpidas em sua mente de que, talvez, eles pudessem encontrar a felicidade juntos. Mas ele não daria a ela aquela vitória tão facilmente. - Posso fazer quantas perguntas quiser? – ele perguntou com um sorriso brincalhão, mas ainda assim falando completamente à sério. Não importava se eles ficariam juntos por mais algum curto período de tempo ou para toda a eternidade... Ele queria passar cada segundo aprendendo sobre Bella. - Sério? – ela questionou, emburrada. - Estamos falando de provar como você é uma coisinha gentil, bondosa e sem qualquer tendência à maldade. – seu sorriso se ampliou, arrancando dela aquela costumeira expressão confusa, que agora ele pretendia descobrir exatamente o que era - Vou provar que estou certo em pouco tempo. Preciso de mais vantagens. - Você é tão exagerado... – Bella reclamou, embora seus lábios tenham se curvado em um pequeno sorriso envergonhado. - Bem, está decidido, então: quero poder fazer todas as perguntas que me ocorrerem e também te elogiar à vontade. – ele sorriu torto - Amo essa expressão no seu rosto. Amar... Sim, definitivamente ele amava aquela expressão. E, finalmente, ele admitiu para si mesmo que não era a única coisa que ele amava. Parando para pensar, era dolorosamente óbvio, tanto que ele sequer se sentia surpreso. Era óbvio desde aquele primeiro dia, quando ela ainda era humana. Na verdade, ele estaria em choque se não tivesse se apaixonado por Bella. Afinal, ele já presenciara aquilo antes com seus próprios olhos, quando Carlisle encontrou Esme. Na mente deles, o amor parecia algo abstrato para ele. Por anos e após passar por incontáveis mentes mortais e imortais, ele achava que conhecia aquele sentimento, que já tinha visto recortes o suficiente dele para saber identifica-lo. Mas ele não poderia estar mais errado. Nada o preparou para aquela intensidade insana, os instintos incompreensíveis que o fizeram salvá-la de seu algoz antes mesmo dos dois sequer terem se visto pessoalmente. Ele tinha conhecimento do quanto se apaixonar mudava um vampiro, criando um laço ainda mais indestrutível do que suas peles de diamante. Contudo, observar e viver a verdadeira experiência era enlouquecedoramente diferente. Antes, ele achava que se tratava de etapas: atração, paixão e então amor. Contudo, quando olhava para Bella, não havia aquela linearidade. O que viera primeiro para ele? Ou todos estiveram ali ao mesmo tempo, desde que ele a tinha visto pela primeira vez? Independentemente de quais as respostas para aquelas perguntas, de uma coisa ele estava perfeitamente certo: durante cada segundo do resto de sua existência infinita, ele amaria aquela linda vampira, com toda a força daquele sentimento extraordinário que – ele estava convicto – preencheria seu coração morto para sempre. Era uma convicção inevitável, mas ainda assim triste: Bella poderia estar sendo uma ótima amiga naquele momento, tentando salvá-lo do mundo de escuridão em que estivera submerso... Mas, por mais que ele verdadeiramente se esforçasse para encontrar redenção, ela algum dia o veria como alguém digno de ser seu companheiro? Alguém por quem ela pudesse se apaixonar? Amar daquela maneira desesperadora? Bella rolou os olhos e, por um segundo, ele achou que de algum maneira ela tinha ouvido seus pensamentos, contudo, rapidamente ele se deu conta, aliviado, de que ela estava apenas desdenhando de sua última frase. - Está bem. – ela fez um careta cansada – Deixo você dizer o que quiser. Mas me prometa que vai ser justo e me deixar fazer as minhas perguntas também, está bem? Ainda tem muitas coisas que eu não sei e ficar contando a você sobre meus professores favoritos não vai me ajudar em nada com isso. – ela franziu o nariz, adoravelmente emburrada como sempre. Olhando carinhosamente para a única mulher que já havia amado e que sempre amaria, Edward riu, m*l podendo acreditar que não apenas havia se apaixonado, como também aceitado abandonar a dieta de sangue humano e de vigilância, tudo isso em menos de uma semana. - Temos um acordo então, Stra. Swan. – estendendo a mão para ela, Edward deu um pequeno sorriso provocador, mas seu rosto rapidamente caiu quando ele viu o olhar perturbado e profundamente pesaroso no rosto dela. Preocupado, ele olhou para a mão que havia estendido e só então se deu conta de que seu ferimento ainda estava ali exposto, mesmo que parecendo já um pouco menos grotesco agora que a carne estava, aos poucos, lutando para se regenerar. - Eu sinto tanto... – ela choramingou e ele não teve dúvidas, pelo intenso arrependimento em sua voz, que ela estaria se desmanchando em lágrimas naquele momento, se fosse possível. - Não se preocupe, vou resolver isso. – movendo as mãos em um borrão, ele arrancou a manga comprida de sua camisa e a enrolou em volta da mordida, escondendo a pele deformada do olhar culpado de Bella e garantindo que as partes soltas estavam bem apertadas juntas, para facilitar a cura; certamente haveria uma grande cicatriz, mas aquele pensamento nem sequer ficou em sua mente por um segundo inteiro: para impedir Bella de passar pela agonia de se sentir um monstro por matar um ser humano, ele arrancaria o próprio braço com alegria. Sendo sincero, ele arrancaria qualquer m****o, do corpo de qualquer pessoa, para impedir que Bella sofresse.
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