Capítulo 04 - Cumplicidade

3819 Palavras
- Já chega de tantas perguntas sobre mim. O resmungo contrariado de Bella o fez rir, o que pareceu irritá-la ainda mais. Bufando, ela moveu a perna rapidamente e jogou água nele com o pé, o que apenas aumentou sua diversão. Poucas vezes durante sua existência ele se sentira tão tranquilo quanto se sentia naquele momento, sentado na beira de um rio com ela, ambos descalços e com os pés na água, depois de terem se limpado após mais uma caçada de Bella. Ele tinha que admitir que o autocontrole dela o surpreendia. Mesmo que a sede ainda estivesse claramente presente, Bella se mostrava incrivelmente lúcida o tempo todo, rendendo-se aos instintos apenas quando estava entre suas presas, algo extremamente atípico para um recém-nascido tão jovem quanto ela – sua própria experiência em seus primeiros anos como vampiro, e também observando os de Esme, provava que o frenesi da sede deixava pouco espaço para a racionalidade. Mas, aparentemente, não para Bella. E, mesmo que depois de quatro dias inteiros como vampira a mente dela continuasse sendo um lugar completamente inacessível para ele, Edward não precisara ler seus pensamentos para saber que ela tirava parte daquela força de vontade do forte desejo que tinha de nunca machucar ninguém. Aparentemente, a perspectiva de ferir o pai, ou qualquer outro ser humano, a apavorara mais do que ele tinha imaginado. E, a cada segunda que passava com ela, ele se encantava mais com o quanto ela era extraordinária. Quatro dias e noites inteiros conversando só tinham aumentado seu fascínio e sua vontade de saber ainda mais sobre ela – algo completamente sem precedentes: geralmente, com a infinidade de tempo que a imortalidade trazia, não apenas ele, como também a maioria dos vampiros, tendia a se entediar rapidamente, mesmo com as novidades. Com Bella, era o completo oposto: quanto mais tempo ele passava em sua adorável companhia, mais a desejava. Era enervante. Viciante. E inquietante, especialmente quando ele parava para pensar sobre o futuro. Se sua vida de vigilante já parecia vazia e atormentadora antes, o quão insuportável seria depois que Bella seguisse seu próprio caminho e ele se visse sozinho novamente? Grunhindo internamente para reprimir aqueles pensamentos, Edward procurou voltar a se concentrar apenas na longa lista de coisas que queria saber sobre ela, antes que eles tivessem que se separar. Não havia sentindo em desperdiçar o tempo precioso que ainda tinha com ela pensando sobre aquele futuro iminente. Desde aquele primeiro dia em que ela despertara, ele havia percebido que era muito melhor simplesmente colecionar memórias daqueles momentos doces juntos. Talvez as memórias pudessem servir de algum consolo para ele, quando ela já não estivesse mais ali. - Mas ainda não terminei minhas perguntas. – ele a provocou com um sorriso inocente, apesar de estar dizendo a mais pura verdade. Sua vida humana, apesar de estar dentro dos padrões de normalidade que ele conhecia, parecia estranhamente fascinante. Talvez porque fornecia detalhes sobre ela que permitiam a ele entender melhor sua personalidade. Além disso, conhecer o interior de uma pessoa através de uma conversa era outra coisa completamente nova para ele: a leitura de pensamentos geralmente lhe fornecia um panorama tão detalhado de todos os que conhecia, mesmo sem ele querer, e acabava por desmotiva-lo a perguntar por mais. E, para falar a verdade, ele não se lembrava de alguma vez ter tido tanta vontade de conhecer alguém tão completamente. Nem mesmo seus pais, que eram as pessoas mais doces e admiráveis que ele conhecera em toda a sua existência. Contudo, sua ânsia por conhecer Bella melhor era muito mais do que o simples fascínio diante de algo novo. Era quase uma necessidade. - Por que quer saber tanto sobre mim? – o bufar enfadado dela o tirou de seus pensamentos. Ao virar-se para ela, ele teve novamente vontade de rir diante do rosto contrariado e das bochechas um pouco infladas. Porém, ao tomar seu tempo para observa-la literalmente brilhar sobre a luz do sol, com o início do colo visível através do decote da blusa azul escura que ele trouxera para ela após sua ida à cidade... Ele se sentiu... Exasperado? Paralisado? Talvez a palavra mais adequada fosse deslumbrado. Excitado parecia pouco cavalheiresco. Disfarçando sua reação, ele desviou o olhar novamente para as águas cristalinas do rio. Assim que aquele primeiro dia escureceu, ele correu rapidamente até a cidade mais próxima e invadiu imperceptivelmente uma loja de conveniências para lhe trazer algumas roupas e itens básicos de higiene. Contudo, mesmo que aquela estranha ansiedade de estar longe dela o tivesse incentivando a voltar o mais rápido possível para Bella, ele ainda assim se vira, inexplicavelmente, escolhendo as roupas a partir de como imaginava que ela ficaria em cada uma delas. Geralmente, quando pegava roupas para si mesmo, ele se baseava meramente em tamanho e discrição, executando a tarefa em poucos minutos. Todavia, dias atrás, cada nova peça que ele colocava em sua mochila gerava automaticamente uma nova imagem mental sobre como as curvas de Bella se acomodariam dentro dela; como a pele, o cabelo escuro e os lábios rubros pareceriam ainda mais atraentes em contraste com as cores... Não que ele realmente achasse que havia alguma maneira de ela ficar ainda mais bonita do que já era. E, mais urgente do que tudo aquilo, ele tinha que parar de se deixar levar por aqueles pensamentos, antes que acabasse fazendo algo muito e******o. Por isso, tentando disfarçar seus pensamentos indecorosos, ele sorriu tortamente para ela, como sempre fazendo aquela expressão perdida voltar ao rosto de Bella. - Eu não posso evitar, sua vida humana era fascinante. – ele não acrescentou que o fascínio vinha simplesmente do fato de que ela estava envolvida, com medo de ser m*l interpretado. Ou talvez o medo nascesse justamente de que ela o interpretasse corretamente e acabasse indo embora. - O que há de fascinante na terra do Arizona e nos meus livros surrados? – ela perguntou duvidosamente. - A maneira como você fala sobre eles. – ele se permitiu ser um pouco sincero – O jeito que os enxerga de maneira tão única... Posso literalmente sentir como são especiais para você. – sua voz foi se tornando mais intensa do que ele pretendia e, diante do olhar envergonhado e tímido no rosto de Bella, Edward mudou rapidamente de assunto, temendo tê-la incomodado – E, acredite em mim, ouvir suas histórias é mil vezes mais interessante do que simplesmente ficar vagando por aí, sem qualquer objetivo, durante quase 100 anos. – ele tentou ser bem humorado, mas não conseguiu impedir a nota de amargura que escapou em seu tom. - Eu duvido. – Bella disse suavemente, antes de continuar, mais acanhada do que nunca – Na verdade, eu... Eu queria saber mais sobre você, Edward. Já contei sobre tantas coisas... Meus livros, meus pais, minha vida em Phoenix, em Forks... Mas ainda não sei nada sobre você. – ela se remexeu desconfortavelmente, antes de continuar, com a voz baixa e tímida – Não... Não parece muito justo. E ali estava. O momento que o universo estava lhe dando para ser sincero com ela e finalmente confessar que, diferente dela, ele tinha escolhido machucar humanos. Muitos deles. Era o momento em que ela descobriria que tinha passado quatro dias na companhia de um monstro e o desprezaria para sempre. Era um momento bastante propício, na verdade: ele já lhe contara praticamente tudo sobre vampiros e agora ela poderia seguir sua vida sem qualquer necessidade de ajuda vinda dele. Era o momento de ele ficar sozinho novamente. E, como um covarde, ele se tornou evasivo, tentando evitar aquela conversa fatídica a todo custo. - O que quer saber? – ele perguntou cuidadosamente. - Tudo. – ela deu um sorriso tímido – Por exemplo... O que você gosta de fazer? Quer dizer, além de andar por aí, como me disse. – ela riu. Por um segundo, ele ficou sem fala. Sem dúvida, gostar de fazer algo era um conceito que ele havia abandonado há muito tempo naquela vida de vigilância – ou, dando-lhe o nome correto, aquela vida de monstruosidade. No início, o prazer do sangue humano havia suprido aquela lacuna, mas, com o passar do tempo, ao conhecer cada vez mais mentes hediondas e sentir o peso opressor da culpa por ceifar aquelas vidas, os dias tinham se tornando nada mais do que um ciclo vicioso. Ele se resignou em vagar de cidade em cidade, distraindo-se apenas com as caçadas ocasionais e o tormento mental e moral que vinha com elas. De fato, há muito tempo, ele não fazia algo que gostasse verdadeiramente. Ainda um pouco pasmo pela pergunta que ela lhe fizera, e com a certeza de que queria respondê-la, - era bobagem, mas também havia um parte dele que estava eufórica por saber que ela queria conhece-lo melhor e, principalmente, desejava que Bella pudesse conhece-lo melhor, mesmo sabendo que aquilo seria desastroso – Edward se viu voltando quase 70 anos em memórias, para a época em que ele, Esme e Carlisle ainda eram uma família e ele costumava agradar sua nova mãe tocando-lhe algo ao piano diversas vezes ao dia... - Eu... Gosto de música. – ele respondeu finalmente, surpreso com a potência da melancolia que lembrar-se daquela época o fez sentir. Porque, de fato, naquele momento ele percebeu que havia parado de tocar há muito tempo. Desde que deixara a casa dos Cullen, não encostava em um piano. Porém, pensando racionalmente, isso necessariamente não fora o que impedira de continuar se dedicando à música. Sua velocidade e força o permitiam entrar em qualquer lugar. Ele poderia muito bem perambular pelas cidades em busca de um lugar para tocar ou até mesmo simplesmente escutar música novamente. Mas, deliberadamente, ele não o fizera e só agora se dera conta do porquê. Não parecia certo que alguém tão desprezível quanto ele tivesse momentos de satisfação artística. E, mais supreendentemente ainda, ele se deu conta de que talvez não fosse apenas a existência como vampiro que o estivesse torturando. Talvez ele mesmo estivera fazendo isso inconscientemente consigo mesmo, em busca de se punir, de alguma maneira. - Desculpe. – o pedido de perdão de Bella o sobressaltou e ele ficou pasmo ao ver o profundo arrependimento no olhar dela – Eu não queria fazer você se sentir triste. - Bella, não preocupe. – ele a acalmou gentilmente, erguendo a mão para colocar uma mecha de seu longo e sedoso cabelo escuro atrás da orelha dela, antes que pudesse se refrear – Você jamais me deixaria triste... – ele permitiu que seu dedo percorresse suavemente a bochecha dela, antes de recolher a mão, mais do que nunca achando que ela estaria profundamente corada se ainda fosse humana – Eu... Apenas tinha esquecido o quanto gosto de música. – Edward admitiu, quase tímido - De ler, também, claro, mas... Principalmente de tocar. - Tocar? – Bella perguntou, quase emocionada – Você toca algum instrumento? - Sim, toco piano. – ele sorriu, internamente se deliciando com a óbvia aprovação dela – Desde que eu era humano, pelo que me lembro. Foi uma paixão que levei para a imortalidade. - Por que você parou de tocar? – a pergunta curiosa dela o fez se retesar e, antes mesmo de sequer ter tempo de digladiar-se consigo mesmo, sua garganta foi mais rápida, imediatamente enviando uma resposta vaga e segura para fora de seus lábios. - Não tive muitas oportunidades ao longo dos anos. – ele respondeu simplesmente. - Oh, sim, claro. – Bella disse, tentando parecer agradável, embora fosse um pouco óbvio que ela estava envergonhada por ter insistido naquele assunto. Querendo dissipar o clima de constrangimento em que ela parecia estar envolta, ele sorriu agradavelmente – Então? Já chegou minha vez de novo? - É claro que não! – ela bufou, adoravelmente brava – Você tem me feito perguntas a mais de três dias initerruptamente. Não está nem perto de ser sua vez novamente! A risada que ele deu diante de sua irritação pareceu ser a reação errada, já que o rosto de Bella fechou-se ainda mais e suas bochechas inflaram, enquanto um som um pouco profundo, praticamente um ronco baixo, saiu de dentro do peito dela, revelando que certamente ela ficara pelo menos um pouco ofendida por ele acha-la engraçada. Pressionando os lábios juntos para conter uma nova gargalhada diante do pequeno rosnado que ela acabara de soltar, – quase como o de um gatinho bravo – ele observou-a entrar em choque por um segundo. - O que foi isso? – ela perguntou, pasma, olhando para si mesma ansiosamente. - Foi apenas um rosnado. – ele mordeu o interior das bochechas, tentando conter o humor que havia em chamar aquele pequeno som irritadiço de rosnado – Vampiros podem fazer isso quando se sentem aborrecidos, mesmo inconscientemente. Não se preocupe. - M-mas... Eu não queria rosnar para você... – ela praticamente choramingou, a expressão terrivelmente arrependida – Me desculpe, eu... - Bella, calma... – ele se aproximou ainda mais dela, inclinando um pouco o pescoço para que seus olhos ficassem na mesma altura. – É uma resposta automática. Somos predadores, afinal. Talvez os mais eficazes de toda a natureza. Eu fiz algo que te desagradou e seus instintos resolveram me dar um aviso. É perfeitamente normal. Aliás, isso m*l pode ser descrito como um rosnado de verdade. – a risada que ele estava contendo finalmente se libertou – Foi mais adorável do que ameaçador de verdade. As bochechas dela voltaram a inflar – Você mesmo me disse que eu sou um predador imortal, poderoso e indestrutível. Como isso me faz adorável? E, para o seu governo... – ela bufou – Eu sei ser ameaçadora quando quero. - Não duvido disso. – ele deu um sorriso provocador, que logo se tornou uma expressão sombria – Todos os vampiros são ameaçadores, Bella. Mas, às vezes, essas características podem ser camufladas e só se manifestar quando estamos em situação de risco. E, sinceramente, espero que nunca tenha que enfrentar uma situação em que tenha que lutar de verdade. – a mera ideia de algo, ou alguém, ameaça-la, o enfureceu de maneira quase incontrolável: era absolutamente irracional, mas ele sentiu vontade de esmagar algo entre as mãos ali mesmo, para representar seja lá quem ou o quê ousasse, talvez, querer ferir Bella algum dia. Ou melhor, ferir novamente. Um minuto de silêncio se passou e ele sequer precisava olhar para ela para saber que os dois estavam se lembrando da mesma cena. – Bem, agora sinto que eu saberia me defender... Dessa vez. – Bella murmurou, enquanto observava uma das mãos frias e pálidas com as sobrancelhas franzidas. - E você também não estaria sozinha dessa vez. – ele afirmou em um murmúrio tão baixo quanto o dela, mas ainda assim ferozmente determinado. Sua declaração, ainda que extremamente problemática, – afinal, quem poderia prever quanto tempo mais eles teriam juntos, antes que ela descobrisse sobre seu passado? – trouxe um lindo e tímido sorriso para o rosto de Bella, que aqueceu o peito dele quase a ponto de arder. Uma ardência boa, entretanto. Enlouquecedoramente boa, na verdade. - E também sinto que poderia intimidar você, se quisesse. – ela disse por fim, dando um pequeno sorriso desafiador. Primeiramente, ele teve a intenção de provoca-la de volta enquanto avaliava sua figura delgada duvidosamente. Contudo, conforme seus olhos começaram a se demorar nas formas suaves e curvas aparentes de seu corpo, ele se pegou quase tendo que bater no próprio rosto para conseguir parar de cobiça-la de maneira tão descarada. Aquela era mais uma das sensações novas e exasperantes que ele poderia acrescentar na lista de coisas que Bella repentinamente trouxera para sua existência tediosa e repetitiva: aqueles novos desejos sedentos e físicos. Diferente da sede incômoda com a qual ele se acostumara ao longo dos anos, aquela necessidade inédita não era desagradável: pelo contrário, era quente, arrepiante e intensa, quase como a antecipação de algo muito maior... Algo que ele só poderia conseguir se fechasse a distância entre os dois e pressionasse aquelas curvas tentadoras contra seu corpo, enquanto entrelaçava os lábios nos dela... Repentinamente, a vergonha o trouxe de volta à realidade e ele teve que trocar as pernas de posição para evitar que ela percebesse o rumo que seus pensamentos tomaram enquanto a observava. Ele nunca fora um pervertido sem controle daquela forma antes. Na verdade, nenhuma das inúmeras fêmeas, imortais ou não, em que ele colocara seus olhos ao longo daqueles quase cem anos, havia sequer despertado seu interesse e, muito menos, aquelas... Reações masculinas. Pigarreando, enquanto tentava retomar o controle de si mesmo, Edward deixou um risada nervosa escapar. – Sinto muito, mas acho que dificilmente você pareceria intimidadora para mim. Ela permaneceu observando-o, inexpressiva, por mais um momento, antes de repentinamente se erguer, olhando-o de cima com um brilho quase perigoso na íris escarlate enquanto sorria maliciosamente. - Isso é um desafio? – ela cruzou os braços sobre o peito, com seu corpo curvando-se em uma postura de ataque que ele imaginou que fosse quase inconsciente. Sorrindo de volta para ela, ele se levantou lentamente, dessa vez evitando medi-la, a fim impedir que seus pensamentos fossem longe demais novamente. Flexionando suavemente os braços, satisfeito por ter recuperado o controle sobre todo o seu corpo, - e também porque os olhos de Bella pareciam bastante interessados em seus movimentos, seguindo-os atentamente o tempo todo – ele também se colocou em posição de ataque, mas quase como se em uma caricatura. Afinal, ele certamente jamais seria capaz de se tornar violento com Bella, mesmo que não passasse de uma brincadeira, como naquele momento. Ainda assim, ele adorou profundamente a sensação de familiaridade, de proximidade: era preciso certo grau de amizade e confiança para brincar um com o outro daquela maneira, certo? Ele nunca tivera muitos amigos, claro, mas parecia que sim. E, mais do que tudo, ele gostava de ser amigo de Bella. Não importava que aquela parte confusa dentro de seu peito considerasse amigos uma palavra bastante insuficiente. - E então, senhorita Ameaçadora? – ele a provocou, produzindo um som dentro de seu peito que era na verdade um ronronar, ao invés de um rosnado – Como exatamente planeja me atacar? Ela observou minuciosamente sua postura por alguns segundos, antes de dar um suspiro emburrado e se endireitar, com um biquinho se formando em seus lábios, aparentemente desapontada ao notar que ela não teria como ataca-lo sem ser interceptada, não importava o ângulo que escolhesse. Ainda sem ter desfeito sua postura, ele começou a rir, preparado para dizer algo bem-humorado que pudesse consolá-la, quando, repentinamente, graças à mente silenciosa dela que sequer lhe dera uma dica do que ela estava planejando, Bella lançou-se sobre ele, enlaçando seu peito com o braços o máximo que conseguia e lançando-o para trás. Apesar do efeito surpresa realmente tê-lo pego de guarda baixa, – mais uma coisa inédita – ele certamente poderia ter contra-atacado, mas obviamente não o fez, permitindo que Bella o prensasse contra a árvore mais próxima, sentindo a madeira estalar e ter diversas camadas esmagadas diante da pressão de suas costas. Ele teve a nítida impressão de que seu coração teria acelerado, se estivesse batendo, quando ela ficou cara a cara com ele, uma expressão animada e vitoriosa no lindo rosto, enquanto descia as mãos para envolver seus bíceps, mantendo-o firmemente no lugar. Sentindo-se orgulhoso dela, Edward percebeu que ela realmente o pegara em uma boa armadilha: apesar dele ser mais experiente e também mais rápido, ele sem dúvida teria problemas com aquela força de recém-nascido, caso eles estivessem lutando de verdade. Hipnotizado, um arrepio prazeroso percorreu seu corpo quando um sorriso convencido fez os lábios carnudos dela se levantarem, ainda a poucos centímetros dos dele por conta da posição em que o ataque dela os deixara. - O que você estava dizendo? – ela balançou um pouco a cabeça, provocativa. - Que você é o monstrinho mais assustador que já vi em cem anos. – ele suspirou, com a voz divertidamente humilde – Peço perdão. Tenha piedade de mim. – ele implorou, sem consegui conter o sorriso provocativo que se espalhou por seu rosto. - Você vai aceitar que agora é a minha vez de fazer perguntas? – ela ergueu uma sobrancelha, desafiadora. - Tudo o que você quiser. – ele ronronou, sua voz saindo mais sugestiva do que ele pretendia, enquanto as mãos dela apertaram seus braços com um pouco mais de foça, mas não de maneira dolorosa, trazendo-o para mais perto lentamente. Com os olhos fixos nos lábios dela, ele desceu as mãos até envolver as laterais de seus quadris, com a mente completamente alheia a tudo que não fosse ela... Até que um estalar alto surpreendeu os dois e, sentindo a árvore começar a ceder atrás dele, Edward teve apenas um segundo de vantagem para impulsioná-los para frente, antes que o grande tronco caísse, com a base destroçada pelo impacto de suas costas, causando um enorme estrondo ao bater em diversas outras árvores antes de finalmente alcançar o chão, mandando diversos pássaros para longe, assustados. - Droga. – Bella exalou, culpada. - Não se preocupe. – Edward riu – As pessoas provavelmente vão pensar que foi um raio que fez isso. Ela ainda parecia pasma, com os olhos muito arregalados enquanto olhava para a árvore tombada perto deles, quase assustada. Sabendo que aquela prova de força deveria estar sendo um pouco chocante para ela, Edward se aproximou e tocou seu ombro novamente, sentido uma onda de pura eletricidade percorrê-lo ao fazer isso – o que ele achou ser consequência da atmosfera intensa que os estava cercando poucos segundos atrás. Dando-lhe um sorriso gentil, ele procurou animá-la. - Não fique assim. Você me venceu. – ele a felicitou, orgulhoso – Agora sou seu cativo. Farei o que você quiser. – ele a provocou, embora seu estômago tenha se apertado em antecipação, quando ela o olhou intensamente. - Qualquer coisa? – ela sussurrou depois de um momento, quase tensa. - É claro. – ele prometeu, querendo acalmá-la. - Você... Me responderia uma coisa? – ela mordeu o lábio, obviamente nervosa. Sentindo seus ombros endurecerem antes mesmo que ele pudesse se controlar, Edward engoliu em seco discretamente, temeroso sobre o que exatamente seria aquela pergunta. Contudo, por fim, ele se deu conta de que estava, cada vez mais, perdendo a capacidade de dizer não a Isabella Swan, independente de ela tê-lo vencido ou não. - Claro. – ele respondeu novamente, dessa vez com a voz mais baixa e pesarosa. - Eu só queria saber... – Bella começou, incerta, sem olhá-lo diretamente - Você disse que viveu quase cem anos... – ela soou fascinada e perplexa - Como você se transformou? Com um suspiro, ele desviou os olhos para o chão, enquanto seu peito se apertava dolorosamente em antecipação pelo que estava por vir. Seu tempo tinha acabado. E logo ele estaria sozinho na escuridão novamente.
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