- Papai? Tia Cath? - Os chamei.
- Oi, meu amor. - Disse tia Cath. - Não vimos que você já tinha acordado.
- Do que estavam falando?
- Nada, meu bem. - Disse papai.
Os dois se olharam em silêncio e logo mudaram de assunto. Em seguida, London e May acordaram, tomamos café da manhã no hotel e depois fomos pra praia. May, London e eu brincamos bastante, tomara que mamãe não saia nunca do hospital.
Eu fui até a beira do mar para pegar um pouco de água quando um senhor se aproximou de mim e ficou me encarando, não gostei do jeito que ele me olhou, era a mesma forma que os amigos da mamãe me olhavam, sai de perto dele e fui correndo para o colo do papai.
- O que houve, meu amor?
- Nada! - Falei ainda um pouco assustada.
Papai me acalmou e depois voltei a brincar.
À noite fomos em uma pizzaria e caminhamos pelo centro, tomamos sorvete… A viagem estava incrível.
(...)
No dia seguinte, fomos à praia pela manhã e depois fomos embora para nossa casa. Eu não queria voltar, estava com medo de mamãe já ter saído do hospital, mas para minha alegria, ela ainda estava internada, porém, infelizmente havia acordado. Eu não queria que ela saísse do hospital, eu não queria voltar pra casa.
Era um domingo quando papai nos deu uma triste notícia:
- Amores, a mamãe recebeu alta, amanhã vou levar as duas para o colégio e depois voltarão pra casa de vocês.
- Não, papai. - Me agarrei no pescoço dele e comecei a chorar.
- Hey, meu amor, calma. Vocês sabem que infelizmente não podem morar comigo, por mais que eu queira, e temos que cumprir a ordem do juiz.
Eu odeio esse juiz. Eu odeio a justiça. E eu odeio a mamãe.
No dia seguinte, papai nos levou para o colégio, me agarrei no pescoço dele e comecei a chorar, não queria deixá-lo ir.
- O que houve, Chloe? - Perguntou a professora ao vir até onde estávamos.
- Amor, para de chorar, por favor, o papai precisa ir, tenho muitas coisas pra resolver.
- Me leva com você. - Pedi aos prantos.
- Não posso, são coisas de adulto, preciso ir, tenho médico agora, se eu não for, vou me atrasar. Na sexta, eu busco vocês, ok?
Papai foi embora e eu fiquei aos berros chamando por ele.
- Chloe, o que houve? - Perguntou a professora.
Ela se aproximou de mim, e eu comecei a me debater.
- Me deixa, me deixa. PAPAI! EU QUERO O MEU PAI. NÃO QUERO FICAR AQUI. - Gritei e me debati sem parar.
Nisso, avistei que havia diversas crianças ao meu redor, inclusive Jenny e Mike, que me olhavam assustados.
A professora me tirou dali e me levou até o refeitório, onde não havia ninguém.
- Chloe, o que está havendo com você? O que você tem?
- Não quero ficar aqui, quero o meu pai.
- Tudo bem, mas o papai tem compromissos, senão tenho certeza que ele ficaria com você.
A professora conversou um pouco comigo e após me acalmar, fomos para a nossa fila, e em seguida para a nossa sala.
- Chloe, o que houve? - Mike perguntou. - Não está se sentindo bem?
- Não é nada.
A professora pediu que fizéssemos desenhos livres. Eu desenhei com giz preto um dos homens maus sem roupa e sorrindo e eu escondida em um canto assustada. Depois, com raiva, risquei todo o desenho.
- Chloe? O que foi? - A professora perguntou.
- Não quero desenhar.
- Tudo bem, não precisa mais desenhar.
(...)
Durante o brinquedo livre, o Jonas, um colega, veio me convidar para brincar, mas eu disse que não estava afim, porém, ele ficou insistindo.
- Eu já disse que não quero! - Falei ao empurrá-lo.
O garoto caiu e bateu com a cabeça na quina de uma das mesas, o que ocasionou um pequeno corte, que começou a sangrar. A professora correu para atendê-lo e todos os meus colegas me olharam assustados. Eu não queria ter feito aquilo, mas não sei o que me deu, acho que estava com tanta raiva dentro de mim, que acabei descontando nele.
- Desculpa, desculpa. - Comecei a chorar.
A professora colocou gelo no machucado do meu colega, e depois me levou até o pátio para conversar comigo.
- Chloe, você nunca foi assim. O que está havendo? Chorou para entrar, rabiscou teu desenho e agora agrediu um colega… Você nunca foi violenta, eu nunca te vi bater em alguém…
- Meu pai diz que ninguém tem o direito de machucar o corpo do outro.
- E seu pai tem toda razão. Mas então, por que você machucou o Jonas? Ele só queria brincar com você. - Pegou em minhas mãos. - Meu amor, eu só quero saber o que está havendo para te ajudar, porque me preocupo com você. Está tudo bem em casa?
- Aham, está. - Respondi cabisbaixa.
- Ok. Mas qualquer coisa, pode me contar, viu?
Acenei a cabeça positivamente e depois voltamos para a sala.
Quando o sinal para a saída tocou, eu comecei a pensar o que fazer, não queria voltar pra casa da minha mãe. De repente tive uma ideia. Peguei o cartão que o tio Edu havia me dado e liguei pra ele.
- Edu?
- Chloe? É você?
- Sim.
- Oi, baixinha. O que houve?
- Vem nos buscar na escola, por favor? - Comecei a chorar. - Não quero ir pra casa.
- Eu não estou muito perto, mas vou praí agora mesmo, me esperem.
- Obrigada!
May e eu ficamos esperando na frente da escola, ela não estava entendendo muito bem o que estava acontecendo, mas entrou nessa comigo.
Algum tempo depois, Edu estacionou o carro na frente da nossa escola, ele saiu do veículo e eu corri para abraçá-lo.
- Hey, o que houve? - Perguntou.
- Eu não quero ir pra casa. Nos leva pra sua casa, por favor?
- Oh, meu bem… Vamos lá pra minha casa pra gente conversar e depois eu vejo o que faremos, ok?
Acenei a cabeça positivamente.