Pedido De Ajuda

950 Palavras
Edu levou a minha irmã e eu para sua casa, que era um pouco longe da nossa escola. A casa dele era grande e muito bonita, e tinha alguns brinquedos dos seus filhos. O homem pediu que a gente sentasse no sofá e assim fizemos. Ele sentou de frente pra gente, e então, perguntou: - O que aconteceu? - Não queremos voltar pra casa. - Falei. - Queríamos ficar com o papai, mas ele diz que se ele ficar com a gente, pode perder a nossa guarda. Deixa a gente ficar aqui? - Oh, pequena, se eu fizer isso, posso ser preso por sequestro. - Mas você não nos sequestrou. - Disse May. - E eu prometo, que se a gente ver que as coisas estão ficando tensas, a gente volta. Por favor. - Comecei a chorar e o abracei. O homem ficou alguns minutos em silêncio, respirou fundo, e logo perguntou: - E o seu pai? Ele pode ficar preocupado. - Depois falamos com ele. Edu… Por favor… - O olhei com os olhos lacrimejados. O homem pensou um pouco, e logo disse: - Ah, isso está tão errado, mas assim que as coisas complicarem e eu falar pra vocês voltarem, vocês voltem. - Combinado! - Falei ao abraçá-lo. Edu era um amigo e tanto, estava sempre tentando me ajudar, eu gostava disso. E ele era tão bonzinho, e a May também gostava bastante dele. Eu só não sei como seria a questão da escola, eu não queria faltar aula, mas tinha medo que mamãe fosse na nossa escola atrás da gente. À noite, tio Edu arrumou duas camas pra gente no quarto de hóspedes, e enquanto May terminava de jantar, ele entrou no quarto e sentou na cama, ao meu lado. - Eu sei o porquê de você não querer voltar pra casa. É pela sua mãe, não é? - Acenei a cabeça positivamente. - Ela anda te machucando muito? - Eu não ligo se ela me xinga ou me bate, eu só não quero que… Que ela leve aqueles caras maus. - É por isso que eu resolvi entrar nessa, porque não quero que você passe por isso. - Obrigada! - Não precisa agradecer, querida. Mas… Eu não entendo. Você passou por tanto e mesmo assim, confia em mim e quis ficar na minha casa, não ficou com medo? - Não. Edu, eu confio em você porque você teve oportunidade de me machucar e não me machucou, você ganhou a minha confiança. - Oh, meu bem… - Falou ao me abraçar. Nisso, May entrou no quarto e desfizemos o abraço. O homem nos colocou para dormir, que nem papai fazia, e então apagou a luz do quarto. - Acende, por favor, não gosto de escuro. - Claro, querida. Ele acendeu a luz e saiu do quarto. May e eu ficamos conversando um pouco e depois acabamos dormindo. No dia seguinte, não fomos ao colégio, ficamos na casa do tio Edu. Ele precisou sair para ir trabalhar e pediu que a gente ficasse quietinhas, sem fazer barulho e disse que qualquer coisa poderíamos ligar para ele, ah, tio Edu deixou almoço pra gente, e era só esquentar no microondas, coisa que eu já sabia fazer. Ficamos o dia todo brincando com alguns brinquedos dos filhos de Edu, que tinha na casa. Era por volta de 18h quando Edu chegou do serviço, ficamos felizes em vê-lo. - Como passaram o dia? - O homem perguntou. - Bem. - Respondeu Maytê. - Trouxe algo para vocês. - O homem entregou uma sacola para mim e outra para May. Na sacola havia um ursinho de pelúcia, uma blusa, um shorts, uma calcinha e alguns doces. - Obrigada, eu amei. - Disse May ao abraçá-lo. - Obrigada, tio Edu, eu também amei demais. - Também o abracei. - Que bom, meninas, fico feliz que gostaram, mas agora já pro banho. Vocês… Sabem… Tomar banho sozinhas? - Sabemos. - Respondi. - Ou você acha que a mamãe nos dá banho? - Ok, então vão lá. Na verdade, saber a gente sabia, mas eu gostava quando alguém nos dava banho, porque sempre deixávamos cair shampoo nos nossos olhos e ardia muito, mas por Edu ser homem e não ser o pai, achei melhor tomarmos banho sozinhas. May e eu fomos tomar banho, e colocamos nossa roupa nova, havia servido direitinho na gente. Mais tarde, eu resolvi ligar pro meu pai, ele estava super preocupado com a gente, ele disse que mamãe havia ido até a sua casa e até a escola, estava enlouquecida atrás da gente, queria tanto que ela estivesse preocupada como qualquer mãe estaria, mas eu sabia que ela só queria nos encontrar para me levar para aqueles homens malvados, era só pra isso que eu servia pra ela. Eu contei pro papai que não queria voltar pra casa e ele pediu pra gente não fazer isso, mas eu estava decidida, pra casa eu não voltaria. Dois dias depois e a nossa cara estava estampada na primeira página do jornal da cidade e já estavam falando do “nosso sumiço” até nos noticiários, por que mamãe estava tendo todo esse trabalho se nem gosta da gente? - Meninas, vocês viram que a coisa está ficando complicada. - Disse Edu. - Daqui a pouco vão chegar até mim, e… - Não, não vão. - Falei. - A gente não sai daqui, não fazemos barulho, ninguém vai nos descobrir. - Falei. - Chloe, mais cedo ou mais tarde, chegarão até mim, e lembra o que você me prometeu? - Mas eu não quero voltar. - Comecei a chorar. Droga! E agora? O que faço? Eu não quero voltar pra casa, eu não quero…
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