Eu não queria voltar pra casa, mas eu também não queria que Edu se complicasse por minha causa, ele era tão legal pra gente, não merecia se ferrar por minha causa, e ele prometeu que nos levaria para casa e que conversaria com mamãe para que ela parasse de levar aqueles caras maus para me machucarem, fiquei muito feliz dele querer me ajudar.
Edu nos levou até em casa e assim que mamãe abriu a porta, ela torceu a cara em nos ver.
- Ah, resolveram voltar, cansaram de brincar de fugitivas? - Logo olhou para Edu. - E você? O que faz com elas?
- Meninas, nos deem licença, por favor. - Pediu o homem.
Edu adentrou nossa casa e fechou a porta encarando mamãe. May e eu saimos da sala, minha irmã foi para o nosso quarto e eu fiquei escondida para ver o que ele falaria com mamãe.
- O que é? - Mamãe perguntou com agressividade.
- Eu quero que você pare de vender a sua filha.
''Vender? Pra quem mamãe tinha me vendido?'' - Pensei.
- Ela é só uma criança, caramba!
- Ué, ficou com peninha? Depois que fez e aconteceu com ela, resolveu pagar de bom samaritano?
- Eu nunca encostei um dedo nela e nem em qualquer outra criança, porque eu não sou um monstro como os caras que você traz aqui. E se um dia eu pisei nessa casa foi por achar que se tratava de alguém bem mais velha, de uma moça de programa maior de idade, se eu soubesse que se tratava de uma criança… Isso é… Tão repugnante e doentio. Ou você acaba com isso imediatamente ou eu te denuncio e dai você vai apodrecer na prisão. E eu não ligo mais se eu tiver problema com a polícia, prefiro ser preso de novo do que ver essa criança sofrendo desse jeito.
E antes que mamãe respondesse algo, Edu saiu da minha casa. Escondida, eu sorri. E sem que mamãe me visse, fui até o meu quarto, onde minha irmã estava.
- Chloe, quando eu vi as nossas fotos na tv e nos jornais, eu pensei que a mamãe tinha feito isso porque estava preocupada com a gente. Acho que me enganei. - Disse May tristemente.
- Ela não é o papai, não se preocupa se estamos bem ou não.
- A tia Cath não é nossa mãe e se preocupa com a gente.
- Porque ela é boazinha e gosta da gente de verdade.
- Podemos adotá-la como mamãe?
- Eu não sei, ela não mora em um abrigo, talvez não esteja pra adoção.
- Ah… - Falou desapontada.
Nisso, mamãe entrou furiosa em nosso quarto, começou a me xingar, eu não sabia se ela estava brava pela fuga ou pelo lance com o Edu, talvez fosse as duas opções.
- Vocês enlouqueceram? Acharam o quê? Que eu não daria um jeito de trazer vocês de volta? Pois bem, se enganaram, e olha vocês aqui de novo.
- Mamãe… - Disse May.
- Cala boca! - Deu um forte t**a no rosto da minha irmã, que começou a chorar.
- NÃO BATE NELA! - Gritei.
- Você fica quieta! Eu vou pegar a menor primeiro e depois me acerto com você.
Mamãe começou a bater na minha irmãzinha, que chorava e gritava sem parar, eu tentei afastá-la, mas não adiantou. E após bater na Maytê, mamãe começou a bater em mim, ela bateu tanto e tanto, fiquei com todo meu corpo dolorido.
Após isso, ela saiu de casa sem dizer para onde ia ou que horas ia voltar, mas eu queria mesmo é que ela nunca voltasse.
(...)
À noite, as dores ainda não haviam diminuído. May e eu estávamos desenhando quando escutamos risada e vozes, mamãe havia chegado em casa, e pelo jeito estava acompanhada. Quando ouvi passos se aproximando do meu quarto, me escondi rapidamente embaixo da cama. Mamãe entrou no quarto, e logo perguntou:
- Cadê sua irmã?
May não respondeu nada.
- Responde, infeliz!
- Não sei. Fui ao banheiro e quando voltei, ela não estava.
Ouvi passos caminhando pelo quarto, ela estava me procurando. Fechei os olhos e rezei para ela não me achar, mas de repente, escutei:
- Ah, você está aí…
Ela me puxou pela perna e me tirou de debaixo da cama.
- Eu estou machucada! - Comecei a chorar. - Estou machucada!
- E dai? Não perguntei nada. Vem comigo.
- Não, mamãe, por favor, não.
Ela me levou pelo braço até o quarto dela, onde havia um homem alto, magro e narigudo, que fedia muito, ele me deu muito medo.
- E o que o tio Edu te falou? - Perguntei.
- Ah, você ouviu? Bom, esquece, ele não vai ser teu super herói, e com ele eu me acerto depois. Bom, se divirtam…
- Espera… - O homem a pegou pela mão e lhe puxou, fazendo ela sentar em seu colo, e colocou a mão no peito da mamãe. - Fica! Por que não brinca com a gente? Aposto que vai ser bem mais divertido.
- Acho que vou gostar disso. - Mamãe disse se pondo a beijá-lo.
Dessa vez mamãe ficou o tempo todo com a gente, e ela participou de tudo, ela viu tudo, viu eu gritar, viu eu chorar implorando para aquilo parar e ela apenas riu de mim, parecia estar se divertindo com a minha dor. O homem fez tudo o que quis comigo e também com mamãe, e quando ele estava namorando com ela, os dois me obrigavam a olhar para eles, como mamãe podia gostar disso? Dói tanto!
Ah, meu Deus! Quando isso vai ter fim?