Sem saber o que fazer e com a roupa e a cama molhadas, comecei a chorar. E de repente, Mike acordou para minha surpresa e desespero.
- O que houve? - Perguntou sonolento.
- Hã… Nada…
Ele sentou em sua cama e se pôs a me olhar.
- Você está chorando?
- Não. - Menti.
- Está sim. O que aconteceu?
- É que… - Tentei conter o choro. - Promete que não ri de mim?
- Claro que não! Por que eu faria isso?
- Eu… - Baixei a cabeça. - Fiz xixi na cama.
- Ah… Hã… Tudo bem, eu também já fiz xixi na cama.
- Quando? Aposto que foi quando você era pequeno. - Falei envergonhada.
- Hã… Não. Semana passada, mas é segredo, só você sabe. - Falou, me arrancando um sorriso tímido.
- Promete que não fala pra ninguém?
- Claro, segredo nosso. - Sorriu. - Vai trocar de roupa, e depois eu te ajudo a trocar o lençol.
- Obrigada! - Falei.
Dei um beijo no rosto do menino, que sorriu timidamente. Peguei uma roupa em minha mochila e fui até o banheiro, onde me troquei. Lembrei do pesadelo que tive, que parecia mais uma lembrança, e comecei a chorar. Desde que mamãe começou a levar aqueles caras lá em casa para me machucarem, eu passei a ter pesadelo quase todas as noites, e eu detestava isso.
Lavei o rosto e voltei para o quarto de Mike, onde ele me aguardava. Nós dois trocamos o lençol da cama e depois eu voltei a me deitar, porém fiquei com medo de dormir e acabar tendo pesadelo de novo.
Tentei driblar o sono, mas algum tempo depois, acabei dormindo novamente, mas não tive mais pesadelo, ainda bem.
(...)
No dia seguinte, a mãe do Mike nos acordou de forma carinhosa, com um doce beijo no rosto e um leve carinho, queria que a minha mãe fosse assim também.
Nos levantamos, trocamos de roupa e fomos tomar o café da manhã. Em seguida, May e Yohan se sentaram à mesa conosco. Após terminarmos, a mãe de Mike nos levou para a escola.
(...)
Assim que a aula acabou, May e eu fomos para a casa. Mamãe não estava, para a nossa alegria, porém, ela chegou pouco depois fedendo a bebida, e cambaleava, e ainda estava acompanhada de um homem, os dois riam. Me assustei ao vê-los. E então eles começaram a se beijar.
- Vem brincar. - Disse May ao sair do quarto. - O que você está vendo?
- A mamãe chegou. - Falei.
- Ah… Quem é? - Perguntou ao se referir ao homem.
- Não sei e nem quero descobrir.
- Eca! - Falou ao ver os dois se beijando.
- Vem, vamos brincar. - Falei, a levando para o nosso quarto.
May e eu fomos brincar no nosso quarto e pouco depois escutamos um barulho vindo do quarto de mamãe e ela gritava muito, o que assustou a minha irmã.
- Eu não gosto de ouvir isso. - Disse May ao colocar as mãos nos ouvidos.
Liguei o rádio e ficamos ouvindo música durante algum tempo.
Mais tarde, depois que o homem já havia ido embora, resolvi ir falar com a mamãe.
- Estou com fome.
- Eu vou sair, te vira.
- Mas você recém chegou.
- E daí? Não posso sair, não? Ah, comprei um acendedor. - Apontou para o objeto. - Acende o fogo com ele, só apertar o botão, faça um miojo pra vocês ou o que você quiser. Ah, e não sei que horas eu volto.
Ela saiu e eu peguei o acendedor, apertei o botão como ela havia dito, e me assustei ao sair um pouco de fogo. Resolvi fazer um ovo, era rápido e poderíamos comer com pão.
Assim que terminamos de comer, faltou luz. May correu e me abraçou.
- Ai, odeio escuro! Será que a mamãe não pagou a luz de novo?
- Não sei. Fica aqui, vou procurar a lanterna.
Minha irmã ficou onde eu havia dito e eu comecei a procurar a lanterna no escuro mesmo, porém não encontrei, mas acabei encontrando uma vela.
- Não achei a lanterna, mas achei uma vela. - Falei ao voltar para onde estava a minha irmã.
Liguei a vela com o acendedor, e coloquei em um pires como mamãe fazia. Em seguida, fui brincar com May em nosso quarto.
Acho que já havia passado umas 2 ou 3 horas, mamãe ainda não havia voltado. De repente começamos a sentir um cheiro r**m, parecia coisa queimada.
- Chloe, que cheiro é esse?
- Não sei. - Respondi. - Vou ver.
Sai do quarto e tinha muita fumaça, quase não dava para enxergar, porém notei que…
- A CASA TÁ PEGANDO FOGO!
- Quê? - May saiu do quarto e correu até mim. - Ai, meu Deus! Vamos morrer! Eu não quero virar churrasquinho. - Começou a chorar. - O que fazemos?
O fogo estava trancando a passagem da porta principal, não tínhamos nem como sair.
- Vou ligar pro papai. - Falei.
Fui até o meu quarto, sendo acompanhada por May, que estava muito assustada. Liguei pro papai, e ele atendeu em seguida.
- Oi, minha princesa!
- Pai, a casa está pegando fogo, e a mamãe saiu.
- Quê? Onde vocês estão?
- No meu quarto. O andar de baixo já está com muito fogo, estamos com medo.
- Fiquem calmas, vou ligar para os bombeiros e estou indo praí.
Papai desligou a ligação, e eu abracei a May e começamos a chorar, eu estava com muito medo, mas dizia a todo momento que tudo ia ficar bem, mesmo não acreditando muito nisso, mas eu queria que ela acreditasse.
Começamos a tossir muito, culpa da fumaça.
- E se o papai não chegar a tempo? - May perguntou.
- Ele vai chegar porque ele é o nosso herói. - Falei, a fazendo sorrir.
Nisso, ouvimos a sirene dos bombeiros, o que nos deu esperança. Também ouvimos a voz de papai, que gritava pela gente.
De repente, uma escada encostou na janela do nosso quarto e em seguida avistamos um bombeiro.
- Venham, não tenham medo.
- Vai primeiro. - Falei.
- E você? - Perguntou aos prantos.
- Eu já vou. Agora vai logo.
May foi com o homem e eu fiquei aguardando morta de medo, enquanto tossia bastante. E se não desse tempo de me tirarem da casa?