O Incêndio Parte 2

991 Palavras
Fiquei aguardando alguns segundos, até que o bombeiro apareceu novamente, chamando por mim. Fui até ele, e o homem me segurou e desceu comigo. Corri e abracei meu pai e minha irmã. - Como você está, meu amor? Se feriu? - Papai perguntou. - Não, estou bem. - Respondi, ainda assustada. Os bombeiros tentaram conter o fogo, mas as chamas destruíram 95% da nossa casa. Papai agradeceu aos bombeiros por nos resgatarem e nos levou para sua casa e no caminho para casa tentou ligar para nossa mãe, que não atendeu. - Onde vamos morar agora? - May perguntou. - Não sei, meu amor, mas daremos um jeito nisso. - Papai respondeu sem tirar os olhos da estrada. -Bem que podíamos ficar com o senhor, né? - Questionei. - Eu adoraria, minha princesa, mas infelizmente isso não depende só de mim. Ah, se sua mãe concordasse em me deixar ficar com vocês… Assim que chegamos na casa do meu pai, papai já pediu que a gente fosse tomar banho, pois estávamos sujas por conta da fumaça do incêndio. - Chloe, toma banho comigo? - May perguntou. - O papai disse que podemos tomar banho na banheira. Eu olhei para minha irmã e depois para papai, que estava nos esperando, e eu não soube o que responder. Não estava doendo e também não estava mais machucado, mas… Eu sabia que o meu pai era bonzinho, ele nunca encostou um dedo na gente, mas… Não sei. E antes que eu respondesse algo, ele me disse: - Filha, se você não quiser, não tem problema, pode tomar banho depois. - Ah papai… Eu gosto de brincar com a Chloe com as espumas. - Disse a minha irmã. - Ok, eu tomo banho com você. - Falei. - Oba! Minha irmã e eu saímos correndo em direção ao banheiro, e papai correu atrás da gente. Ele ajudou a minha irmã a tirar a roupa dela e eu tirei a minha sozinha. Entramos na banheira, que papai havia preparado e May e eu começamos a brincar com as espumas, que havíamos feito com água e sabão, a gente sempre se divertia brincando assim e papai ria da gente, acho que ele também se divertia com a nossa bagunça. Papai lavou os nossos cabelos com muito cuidado para não cair shampoo nos nossos olhos, eu amava o quanto ele era cuidadoso com a gente. - Acho que já deu, né meninas? Venham aqui. Saimos da banheira e papai secou a minha irmã enquanto eu me secava sozinha, May ainda tinha um pouco de dificuldade em se secar, então papai a ajudava, porém, ele sempre deixava que a minha irmã secasse as suas partes íntimas, ele dizia que era por respeito, achava legal da parte dele. Assim que terminamos de nos arrumar, a campainha tocou. Pensamos que fosse mamãe, que havia chegado furiosa com a gente, então nos escondemos no nosso quarto. Mas não era. Ouvimos uma voz familiar e fomos até a sala. Era a tia Cath, a vizinha nova do papai, e ela estava acompanhada de um menino que devia ter mais ou menos a minha idade. - Oi, meninas. - Ela sorriu gentilmente. - Hã… Eu fiz lasanha e… Não sei se vocês gostam, mas queria convidá-los para nos acompanhar. - Oba! Eu amo lasanha! - Falei. - E já estou com uma fominha… - Papai e tia Cath riram. - Verdade, acabei me esquecendo de fazer o jantar. - Disse meu pai. - Acho que aceitamos o convite, né meninas? May e eu acenamos a cabeça positivamente. - E quem é o garotão? - Papai perguntou ao se referir ao menino. - É o London, meu sobrinho. Minha irmã está trabalhando e deixou ele aqui comigo. - Fez cafuné no menino. Os dois entraram e nos sentamos à mesa. London parecia ser quietinho, ou talvez estivesse tímido por ainda não nos conhecer. Ele tinha seis anos e parecia ser bem legal. Comemos toda lasanha e estava deliciosa, tia Cath acertou em cheio. Assim que terminamos, May e eu fomos brincar com London, não demorou muito para ficarmos bem amigos. Já o papai ficou na sala conversando com tia Cath, eles pareciam ter bastante assunto. Até que ela disse: - London, querido, acho melhor irmos, já está ficando tarde. - Ah, por quê? - Perguntei. - Fiquem mais um pouquinho. - Ô meu amorzinho, ele ainda precisa tomar banho e fazer a lição de casa. - Se dirigiu para o menino. - Né mocinho? - Ele consentiu com a cabeça, e a mulher logo se dirigiu para mim novamente. - Mas prometo que outro dia ele volta pra brincar mais com vocês. Combinado? - Combinado! - Falamos May e eu em uníssono. Nos despedimos dos dois e eles foram embora. Ah, eu adorava a tia Cath, ela era tão legal e carinhosa com a gente, às vezes eu desejava que ela fosse a minha mãe. Assim que os dois foram embora, papai nos colocou para dormir. - Conseguiu falar com a mamãe? - Perguntou May. - Não, meu bem. Eu ligo e só dá desligado. Me digam, ela sempre sai e deixa vocês sozinhas? - May e eu nos olhamos em silêncio. - Hey, está tudo bem, podem me falar a verdade, não precisam ter medo. - Às vezes. - Disse minha irmã. - Mas não tem problema, não. - Deu um falso sorriso. - Mas não pode, vocês são crianças, não podem ficar nem 5 minutos sem a presença de um adulto, eu vou conversar com ela. Agora descansem. Deu um beijo na gente e saiu do nosso quarto. Custei para dormir nessa noite e quando consegui acabei tendo pesadelo com o incêndio. E onde será que mamãe havia se metido? Às vezes eu até torcia para mamãe morrer, assim ela não mandaria mais aqueles caras maus me machucarem e também poderíamos morar com papai. Será que eu era muito má por pensar assim?
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