Mudança De Casa

1077 Palavras
No dia seguinte, acordamos com a campainha tocando sem parar, parecia alguém desesperado, será que era outro incêndio? May e eu acordamos assustadas com o tocar da campainha e fomos até a sala. Papai também acordou e foi atender a porta, e quando ele abriu, nos assustamos ao ver de quem se tratava. - Eu posso saber o que aconteceu com a minha casa? - Como é? Você está mais preocupada com a casa do que com suas filhas? - Papai perguntou aos berros, parecia indignado. - Eu estou vendo que elas estão bem. - Falou com certa fúria. - Como você é insensível! Eu não sei como algum dia consegui ter algo com você. E eu só queria saber por que você não deixa elas ficarem comigo se você não se importa com elas. - Porque não foi você que teve que aturá-las chutando sem parar a tua barriga e não foi você que sofreu pra parir-las, por tanto elas ficam comigo. - Mas você não dá a mínima pra elas, você deixou as duas sozinhas em casa, elas podiam ter morrido naquele incêndio, e se isso tivesse acontecido... - Fez uma curta pausa. - Eu nem sei o que faria com você. - Ai, que exagero! - Disse mamãe, fazendo papai bufar de raiva. - Elas estão bem, não estão? Agora vamos! - Pra onde, mamãe? - May perguntou. - Não temos mais casa. - Eu dou um jeito! Papai pediu para mamãe deixar May e eu ficarmos em sua casa até a gente se reerguer, mas ela não deixou, disse que ele já havia nos pegado sem sua permissão e que já havíamos ficado mais do que o combinado com ele. Minha irmã e eu começamos a chorar, não queríamos ir com ela, mas infelizmente papai não fez nada além de pedir pra mamãe não nos levar, ele dizia que a tal justiça estava do lado dela por ser a mãe, mas eu acho essa justiça muito injusta, por que não perguntam pra gente o que queremos? Por que não nos ouvem? Por que criança não tem voz? Até quando vai ser assim? (...) Mamãe havia nos levado para um lugar estranho. Era uma casa velha e fedia muito. Nessa casa moravam várias mulheres, elas eram estranhas e se vestiam com saias muito curtas e blusas super decotadas. - Onde estamos? - Perguntei. - Não te interessa. Eu disse que ia conseguir um local pra ficarmos, e consegui, então não reclamem, ou preferiam estar na rua? - Preferíamos estar com o papai. - Retruquei. - Cala boca! - Me deu um t**a na boca, assustando a May e a mim, que comecei a chorar. - Eu te odeio! - Falei com lágrimas nos olhos. - Quer levar outro? - Levantou a mão para me bater. - Tiffany, não! - Disse uma moça. Ela era nova e muito bonita, acho que não devia ter mais do que 25 ou 26 anos. Ela havia nos ajudado, não deixou mamãe me bater, o que fez eu achá-la legal. - Qual, é? São crianças e suas filhas! Quem me dera ter duas filhas tão lindas assim. - Sorriu de forma gentil. É, acho que essa moça devia ser bem legal. Ainda bem que eu não estava errada. A moça disse que se chamava Samantha, mas que podíamos chamá-la de Sammy. Nisso, avistamos um homem passar de mãos dadas com uma mulher, ele deu um t**a na b***a dela, mas não pareceu doer, ela não reclamou. Ele passou pela gente e nos encarou, o que fez eu sentir medo. - Quem é? - Perguntei. - Ninguém importante. - Sammy respondeu. Mamãe nos chamou para mostrar onde iríamos dormir. Era um… quarto? Tinha apenas uma cama de solteiro e uma cômoda. - A cama é minha. - Disse mamãe. - E a gente? - May perguntou. - Depois eu vejo uns colchões pra vocês. - Tô com fome. - Falei. - E eu com isso? Cada um com seus problemas. - Eu vou preparar algo bem gostoso pra vocês. - Disse Sammy. - O que vocês querem comer? - Com a fome que eu estou como qualquer coisa. - Disse May, fazendo a gente rir. - Eu também! Minha barriga está fazendo cada barulho, parece um motor. - Falei, fazendo minha irmã rir. - Que tal bife com batata frita? Minha irmã e eu sorrimos e acenamos a cabeça positivamente, parece até que ela adivinhou a nossa comida preferida. - Isso, vai mimando elas… - Falou mamãe ao acender um cigarro. Sammy olhou seriamente para a nossa mãe e depois se retirou. May e eu nos abraçamos, estávamos com muito medo. Sammy fez um almoço delicioso pra gente, comemos bastante, ah, ela era tão legal e boazinha. De todas aquelas mulheres que moravam naquela casa, Sammy era a única que era legal com a gente, as outras m*l falavam comigo ou com minha irmã. Naquele lugar moravam cerca de umas 10 mulheres, e era um entra e sai de homens o tempo todo, eles iam para um quarto e ficavam lá por um bom tempo, acho que sei bem o que eles ficavam fazendo. (...) Era noite, eu estava dormindo quando mamãe me acordou. Ainda sonolenta, olhei para ela, que apenas disse: - Levanta! - Por quê? O que aconteceu? - Eu mandei você levantar, está s***a? Levantei e saimos do quarto, por que mamãe me acordou do meio da noite? Eu estava caindo de sono, queria dormir. - Tem uma pessoa que quer te conhecer. - Quem? - Perguntei já temendo do que se tratava. - Vem comigo e você vai ver. - Falou. - Não quero. - Não perguntei se você quer ou não. Agora vem. - Me pegou pelo braço à força e me levou até a sala. Quando chegamos na sala, avistei um homem, ele devia ter uns 35 anos mais ou menos, era barrigudo, careca e barbudo, me deu medo. - É ela? - O homem perguntou. - É linda! - Se aproximou de mim e eu me escondi atrás de mamãe. - Não seja tímida, vá conversar com o moço. - Mamãe, eu não quero. - Comecei a chorar. - Por favor. Quero dormir, estou com sono. - Depois você dorme. - Se dirigiu para o homem. - Pode levá-la. Ele me pegou pela mão e eu comecei a gritar de desespero, tentei agarrar em tudo o que vi pela frente, mas foi inevitável.
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