Ah, Se Eu Pudesse Ficar Com Papai...

1061 Palavras
No dia seguinte, papai resolveu fazer um piquenique com a gente e deixou eu chamar o Mike e a Jenny, fiquei muito feliz deles saírem conosco. Fomos em uma praça e papai colocou uma toalha no gramado, nos sentamos em volta e ficamos comendo o que havíamos levado. Depois que terminamos, ficamos brincando de pega-pega, de esconde-esconde… Foi super divertido. (...) Mais tarde, estávamos brincando na frente do apartamento do papai quando vimos um caminhão de mudança parar bem onde estávamos, logo um carro parou atrás do caminhão. - Será que você terá vizinhos novos, papai? - Perguntei. - Tomara que eles tenham crianças. - Disse May. Nisso, dois rapazes desceram do caminhão e começaram a tirar algumas caixas. E uma mulher desceu do carro, e ela era linda por sinal, alta, nem gorda e nem magra demais, e tinha o cabelo loiro não muito comprido, e olhos cor de mel. A mulher pegou uma caixa e veio em nossa direção. - Oi. - Falou com um enorme sorriso. - Oi. - Disse papai. - Eu sou a Catherine. - Eu sou o… - Carter. - Falei. - Isso, eu sou o Carter. - Disse papai, fazendo a mulher rir. - E essas princesas? - São minhas filhas, Maytê e Chloe. - Que lindas! - Sorriu. - Vocês moram aqui? - Só eu… Hã… Elas moram com a mãe, mas… hã… vêm todo final de semana pra cá. - Ah, entendi. Bom, vou nessa, tenho que arrumar as coisas da mudança, mas foi um prazer. - Hã… Quer ajuda? Com a mudança… - Não precisa, mas obrigada. - Sorriu e se retirou. Papai ficou vendo-a e eu dei uma leve revirada de olhos, desse jeito ele iria assustar a moça, ela poderia pensar que ele é um maluco ou algo assim. - Poderia disfarçar um pouco, né? - Papai me olhou sem entender. - Tá na cara que você gostou dela. - Quê? Eu? Não, nada a ver… Que isso! Vamos voltar a brincar, é melhor. (...) Papai havia pedido pizza para o jantar, minha comida favorita. - Eu amo pizza! - Falei ao pegar um pedaço. - Eu também! - Disse minha irmã de boca cheia. Assim que terminamos de comer, May e eu vestimos nossos pijamas para irmos dormir. - Comprei um livro novo pra ler pra vocês, se chama Pipo e Fifi. - Papai pegou o livro e sentou entre a minha cama e a da minha irmã. Eu adorava quando papai lia pra gente, mamãe nunca nos leu um livro, e por isso, eu pedi pro papai me ensinar a ler para eu ler pra May quando estivermos na casa de mamãe. Fui alfabetizada com 4 anos e passei a ler para May todas as noites que não estamos com papai. - "Encostar nas suas partes íntimas? Não você deve dizer. Seu corpo é muito especial e você pode protegê-lo de qualquer m*l…" - Papai, tô com sono. - Menti. - Tudo bem, amanhã terminamos o livro. Papai ficou conosco até pegarmos no sono, como ele sempre fazia. May dormiu em seguida. O livro que papai tinha lido não saia da minha cabeça. Eu me sentia segura e protegida com ele, mas tinha tanto medo de lhe falar… - Papai… - Sim, meu amor? - Me fez cafuné. - Boa noite! - Boa noite! - Me deu um beijo na testa. Pouco depois acabei adormecendo. (...) May e eu já estávamos na casa da nossa mãe, infelizmente. Assim que chegamos, fomos direto para o nosso quarto para brincarmos. Algum tempo depois, mamãe entrou, estava fumando seu cigarro e sua aparência estava h******l. - Chloe, venha! - Onde? - Perguntei, temendo a resposta. - Venha! - Não! - Comecei a chorar. - Eu não vou! Eu não quero! Isso está errado. - Como é? Você disse "não"? - Me deu um t**a no rosto, e logo pegou em meu braço com força. - Solta ela! - Pediu May, assustada. - Cala boca! - Fez menção em bater em May, que recuou. - Você vem comigo ou não? - Mamãe perguntou. - Eu não quero! - Falei aos prantos. - Ok. Maytê, vem comigo! - Pra onde, mamãe? - Ela perguntou inocentemente. Não, eu não podia deixar que aqueles homens maus machucassem a minha irmã, que era tão pequena, eu não podia deixar que ela passasse pelo mesmo que eu. Eu tinha que protegê-la, era meu dever de irmã mais velha. - Eu vou! - Falei sem parar de chorar. Mamãe deu um sorriso vitorioso e saiu comigo do quarto, após mandar a minha irmã não sair do quarto por nada. Ela me levou até a sala, onde um homem de mais ou menos uns 25 anos nos aguardava. - É ela? - Ele perguntou. - Não é linda? - Que idade você tem? - O homem me perguntou. Fiquei em silêncio, pois estava muito assustada e não queria falar com ele. - Responde! - Ordenou mamãe. - Recém fiz 7. - Respondi. - É quase um bebê. - Falou. - Eu… - Vão logo, você não vai se arrepender, ela já é experiente. - Disse minha mãe. O homem me olhou em silêncio, pegou em minha mão de forma gentil e fomos até o quarto da minha mãe. Ele se sentou na cama e eu fiquei encostada na parede, sem parar de chorar. - Eu sabia que era menor de idade, mas pensei que fosse mais velha, que tinha uns 16, 17 anos. - Falou. - Por favor, não me machuca. - Pedi aos prantos. - Eu… Eu não sou um monstro. Eu nunca toquei em uma criança e eu… jamais conseguirei fazer isso. Pode ficar tranquila. - Obrigada! - Falei mais aliviada. - Mas deixa sua mãe pensar que aconteceu, assim ela não vai ficar zangada. - Obrigada, tio! O homem não era mau como os outros. No começo ele me deu bastante medo, mas no fim, me deixou mais calma, conversou comigo e até me falou um pouco sobre sua vida, ele até que era legal. - Acho que já deu, vamos? - Obrigada, tio! - O abracei. - Obrigada por não me machucar como os outros. Ele sorriu meio envergonhado e se levantou. Saimos do quarto e ele foi até a sala para dar um dinheiro para minha mãe e eu voltei para meu quarto.
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