- Fala querida, pode me contar a verdade. - Disse tia Cath. - Eu só quero te ajudar.
- Hã… Eu… Eu… Hã… Tivemos aula de dança ontem e a professora estava nos ensinando a fazer espacate, acho que tentei demais e acabei me machucando.
- Sei… - Parecia desconfiada.
- E também… Hã… Tenho sentido muita coceira, dai tenho coçado bastante.
- Chloe, você confia em mim? - Acenei positivamente com a cabeça. - Então, por que não me conta a verdade?
- Eu juro que é verdade. - Comecei a chorar.
- Hey, está tudo bem, meu amor. - Me abraçou de forma carinhosa. - Já passou, viu? Vem, vamos voltar a jogar dominó.
Tia Cath e eu voltamos pra sala e continuamos jogando dominó. Pouco depois, papai voltou com a May, a minha irmã se sentou à mesa e ficou jogando com a gente.
(...)
Carter
- Amor, podemos conversar? - Cath perguntou.
- Claro.
Fomos até o meu quarto e nos sentamos em minha cama, que é de casal.
- Tem algo de muito estranho acontecendo, essas meninas não estão bem, estão gritando por socorro. Primeiro, a Maytê para de falar do nada e agora…
- Agora o quê? Está me assustando. Aconteceu algo?
- A Chloe… Ela reclamou de dor na… Nas partes íntimas, eu pedi para ver, e após ela autorizar, me surpreendi muito quando ela me mostrou, estava muito vermelha e machucada. Primeiro ela disse que se machucou fazendo espacate, depois disse que havia coçado bastante, mas não sei, não.
- Você acha que…? Não... - Me levantei furioso. - Eu não posso nem pensar nessa hipótese, se alguém… Seja quem for, encostou um dedo sequer na minha filha, eu o mato. Eu… - Comecei a chorar.
- Papai… Olhei para o lado e vi Chloe parada na porta do quarto. - Ninguém me machucou.
- Filha… - Me aproximei dela, a peguei, sentei novamente na cama e coloquei ela no meu colo. - Tem certeza? O papai só quer te ajudar e te proteger. - Contive o choro.
- Está tudo bem, papai, eu só… hã… Só devo ter me machucado na aula de dança ou de coçar, mas vai passar, já nem está doendo tanto. - Sorriu.
- Chloe, a gente só quer o teu bem. - Disse tia Cath.
- Com certeza. - Disse papai. - Se você ou a May estiverem passando por qualquer coisa que deixem vocês tristes, vocês podem e devem nos contar, capiche?
- Aham. Capisco.
Chloe me deu um selinho, e me abraçou fortemente.
(...)
Chloe
Ah, como queria conseguir contar toda a verdade, mas mesmo querendo, eu não conseguia falar sobre isso, sem falar que tinha muito medo do que mamãe pudesse fazer.
Alguns meses haviam se passado. Maytê e eu estávamos indo em uma psi… psi… psi alguma coisa, a doutora Cinthia, ela era super legal e boazinha. May e eu íamos em horários diferentes, todos os sábados com papai, até que era legal, eu conversava com ela, brincava, desenhava…
Fazia duas semanas que papai e tia Cath estavam morando juntos, eles não haviam se casado, embora falassem nisso, mas resolveram dividir o mesmo teto, papai brincava que antes de casar de novo, tinha que fazer um tal de teste dri… dri… drive, isso, acho que é isso, Cath ria quando ele dizia isso, a gente também ria mesmo sem entender.
May ainda estava sem falar, ah, que saudade de ouvir a voz da minha irmã, e pensar que ela ficou assim por minha causa…
Estávamos na casa do papai, que havia ido com a May ao mercado, e eu preferi ficar em casa com tia Cath. London não estava, havia ido dormir na casa de um coleguinha. Confesso que eu adorava quando ficava sozinha com a minha mã… com a tia Cath.
- Pequena, eu vou tomar banho, me sujei toda de tinta, pintando o teu quarto com o Carter. Você fica aqui quietinha vendo desenho?
- Aham. - Pensei por um instante. - Hey, posso tomar banho com você?
- Comigo? - Perguntou meio surpresa.
- É… Por favor…
- Não sei se o teu pai acharia uma boa ideia.
- Por quê? Você é mulher, o que tem demais? Tem vergonha? - Ela riu.
- Tudo bem, pode vir.
- Oba! - Pulei do sofá.
Tia Cath e eu fomos para o banheiro. Tiramos nossas roupas e entramos no box.
A Jenny dizia que quase sempre toma banho com a mãe dela, e que era super divertido. Eu queria ter essa sensação também.
Tia Cath lavou o meu cabelo com muito cuidado para não cair shampoo e condicionador nos meus olhos, depois ela deixou que eu lavasse o cabelo dela, também cuidei para que não caísse nada nos olhos dela.
- Tia… Quando… Hã… Quando eu vou ter s***s que nem você?
- Quando você entrar na puberdade, querida.
- O que é isso? - Perguntei.
- É quando o corpo começa a se desenvolver. - Falou enquanto se ensaboava. - Deixando de ser corpo de criança para virar corpo de adulto, é quando as meninas começam a menstruar, os s***s começam a surgir e os pelinhos começam a nascer nas axilas, nas pernas e…
- Na v***a, né?
- Isso mesmo. - Sorriu.
- Dói quando essas coisas acontecem? - Ela riu.
- Não, meu amor, não dói.
- Quando essa tal puberdade vier me visitar, você vai estar comigo? - Perguntei.
- Claro que sim, eu sempre vou estar com você. - Ela sorriu.
Tia Cath pegou um pouco da espuma do sabonete e passou no meu nariz, o que me fez rir e eu fiz o mesmo nela.
Assim que terminamos de tomar banho, nos enrolamos na toalha e nos arrumamos no quarto do papai.
E cada dia que passava, eu sentia mais e mais que Cath era minha mãe, e essa sensação era tão boa, dava um calorzinho gostoso no coração.