Tem Algo De Errado

995 Palavras
- Fala querida, pode me contar a verdade. - Disse tia Cath. - Eu só quero te ajudar. - Hã… Eu… Eu… Hã… Tivemos aula de dança ontem e a professora estava nos ensinando a fazer espacate, acho que tentei demais e acabei me machucando. - Sei… - Parecia desconfiada. - E também… Hã… Tenho sentido muita coceira, dai tenho coçado bastante. - Chloe, você confia em mim? - Acenei positivamente com a cabeça. - Então, por que não me conta a verdade? - Eu juro que é verdade. - Comecei a chorar. - Hey, está tudo bem, meu amor. - Me abraçou de forma carinhosa. - Já passou, viu? Vem, vamos voltar a jogar dominó. Tia Cath e eu voltamos pra sala e continuamos jogando dominó. Pouco depois, papai voltou com a May, a minha irmã se sentou à mesa e ficou jogando com a gente. (...) Carter - Amor, podemos conversar? - Cath perguntou. - Claro. Fomos até o meu quarto e nos sentamos em minha cama, que é de casal. - Tem algo de muito estranho acontecendo, essas meninas não estão bem, estão gritando por socorro. Primeiro, a Maytê para de falar do nada e agora… - Agora o quê? Está me assustando. Aconteceu algo? - A Chloe… Ela reclamou de dor na… Nas partes íntimas, eu pedi para ver, e após ela autorizar, me surpreendi muito quando ela me mostrou, estava muito vermelha e machucada. Primeiro ela disse que se machucou fazendo espacate, depois disse que havia coçado bastante, mas não sei, não. - Você acha que…? Não... - Me levantei furioso. - Eu não posso nem pensar nessa hipótese, se alguém… Seja quem for, encostou um dedo sequer na minha filha, eu o mato. Eu… - Comecei a chorar. - Papai… Olhei para o lado e vi Chloe parada na porta do quarto. - Ninguém me machucou. - Filha… - Me aproximei dela, a peguei, sentei novamente na cama e coloquei ela no meu colo. - Tem certeza? O papai só quer te ajudar e te proteger. - Contive o choro. - Está tudo bem, papai, eu só… hã… Só devo ter me machucado na aula de dança ou de coçar, mas vai passar, já nem está doendo tanto. - Sorriu. - Chloe, a gente só quer o teu bem. - Disse tia Cath. - Com certeza. - Disse papai. - Se você ou a May estiverem passando por qualquer coisa que deixem vocês tristes, vocês podem e devem nos contar, capiche? - Aham. Capisco. Chloe me deu um selinho, e me abraçou fortemente. (...) Chloe Ah, como queria conseguir contar toda a verdade, mas mesmo querendo, eu não conseguia falar sobre isso, sem falar que tinha muito medo do que mamãe pudesse fazer. Alguns meses haviam se passado. Maytê e eu estávamos indo em uma psi… psi… psi alguma coisa, a doutora Cinthia, ela era super legal e boazinha. May e eu íamos em horários diferentes, todos os sábados com papai, até que era legal, eu conversava com ela, brincava, desenhava… Fazia duas semanas que papai e tia Cath estavam morando juntos, eles não haviam se casado, embora falassem nisso, mas resolveram dividir o mesmo teto, papai brincava que antes de casar de novo, tinha que fazer um tal de teste dri… dri… drive, isso, acho que é isso, Cath ria quando ele dizia isso, a gente também ria mesmo sem entender. May ainda estava sem falar, ah, que saudade de ouvir a voz da minha irmã, e pensar que ela ficou assim por minha causa… Estávamos na casa do papai, que havia ido com a May ao mercado, e eu preferi ficar em casa com tia Cath. London não estava, havia ido dormir na casa de um coleguinha. Confesso que eu adorava quando ficava sozinha com a minha mã… com a tia Cath. - Pequena, eu vou tomar banho, me sujei toda de tinta, pintando o teu quarto com o Carter. Você fica aqui quietinha vendo desenho? - Aham. - Pensei por um instante. - Hey, posso tomar banho com você? - Comigo? - Perguntou meio surpresa. - É… Por favor… - Não sei se o teu pai acharia uma boa ideia. - Por quê? Você é mulher, o que tem demais? Tem vergonha? - Ela riu. - Tudo bem, pode vir. - Oba! - Pulei do sofá. Tia Cath e eu fomos para o banheiro. Tiramos nossas roupas e entramos no box. A Jenny dizia que quase sempre toma banho com a mãe dela, e que era super divertido. Eu queria ter essa sensação também. Tia Cath lavou o meu cabelo com muito cuidado para não cair shampoo e condicionador nos meus olhos, depois ela deixou que eu lavasse o cabelo dela, também cuidei para que não caísse nada nos olhos dela. - Tia… Quando… Hã… Quando eu vou ter s***s que nem você? - Quando você entrar na puberdade, querida. - O que é isso? - Perguntei. - É quando o corpo começa a se desenvolver. - Falou enquanto se ensaboava. - Deixando de ser corpo de criança para virar corpo de adulto, é quando as meninas começam a menstruar, os s***s começam a surgir e os pelinhos começam a nascer nas axilas, nas pernas e… - Na v***a, né? - Isso mesmo. - Sorriu. - Dói quando essas coisas acontecem? - Ela riu. - Não, meu amor, não dói. - Quando essa tal puberdade vier me visitar, você vai estar comigo? - Perguntei. - Claro que sim, eu sempre vou estar com você. - Ela sorriu. Tia Cath pegou um pouco da espuma do sabonete e passou no meu nariz, o que me fez rir e eu fiz o mesmo nela. Assim que terminamos de tomar banho, nos enrolamos na toalha e nos arrumamos no quarto do papai. E cada dia que passava, eu sentia mais e mais que Cath era minha mãe, e essa sensação era tão boa, dava um calorzinho gostoso no coração.
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