Foge Comigo?

1026 Palavras
Tia Cath dormia no quarto do papai, confesso que no começo tive medo de ouvir eles namorando, que nem eu escutava quando mamãe se trancava no quarto com aqueles caras, eu não gostava de ouvir isso, mas ainda bem que eu nunca ouvi tia Cath e papai fazendo esses barulhos. Já London, passou a dormir no meu quarto e no da May, quando estávamos na casa do papai dormíamos nós 3 no mesmo quarto, eu tinha uma bicama, e London passou a dormir na parte de baixo. Papai e tia Cath falavam em se casar e mudar para uma casa maior. Na segunda - feira, tia Cath me levou para a escola. May não foi nesse dia porque estava com febre, ela ficou com papai, eu queria ter ficado também, mas mamãe não deixou dessa vez, ela disse que isso estava virando mania e que queria que eu fosse pra casa depois da escola. Assim que nos viu, a Babi, uma das minhas colegas veio até a gente. - Oi, Chloe. Hoje você veio com a sua mãe? - Vim, sim. - Falei. - Que legal! Ela é linda. - Obrigada. - Disse tia Cath meio surpresa com minha resposta. A chata da Jolie chamou por Babi, que foi correndo até a garota. - Meu bem, por que não disse que não sou tua mãe? - Porque… Porque você é namorada do meu pai, e porque… eu queria que você fosse. - Oh, meu amor, eu também queria. Te amo, viu? - Também te amo, muito. Abracei ela enquanto tentava conter o choro, logo desfiz o abraço e as lágrimas começaram a rolar. - Hey, meu amor, o que houve? - Não me deixa aqui, por favor. - Falei aos prantos. - Hey, você não gosta da escola? Da tua prof? Dos teus amiguinhos? - Gosto, mas… Eu realmente gostava da escola, na verdade, eu gostava de qualquer lugar que não fosse a minha casa, mas não queria ficar na escola, pois eu sabia que depois da aula, eu teria que ir pra casa, e eu não queria isso. - Eu quero ficar com o papai e com você. - Pequena, eu tenho uma entrevista de emprego pra ir e teu pai está em casa, mas está trabalhando enquanto cuida da tua irmãzinha. - Por favor… - Pedi aos prantos. - Chloe, pequena… Você viu o que a tua mãe disse, se a gente ficar com você hoje, ela pode aparecer com a polícia na casa do Carter e podemos perder o direito de ver vocês. - Não, isso não. - Então, por favor, entra, e assim que der, passo na tua casa pra gente tomar outro sorvete, ok? Sem parar de chorar, acenei a cabeça positivamente, a abracei fortemente e entrei na escola, onde desabei a chorar. Vi tia Cath ir embora e solucei muito de tanto chorar. Nisso, Mike chegou e imediatamente veio até mim. - Chloe? O que houve? - Eu não quero ficar aqui. - O abracei. - Está se sentindo m*l? - Desfizemos o abraço. - Não. Eu só… Me tira daqui? - Tipo, fugir da escola? - Perguntou surpreso. - Eu nunca matei aula. - Tudo bem, eu vou sozinha. - Pra onde? - Pra qualquer lugar, mas aqui eu não fico. - Ok, eu vou com você, não posso deixar uma menina sair sozinha na rua, é perigoso. - Obrigada. - Sorri. Mike e eu fomos até o estacionamento da escola, e assim que o portão automático abriu, Mike e eu saimos de fininho e olhando para todos os lados, com medo de alguém nos ver, mas isso não aconteceu. Então, sem rumo, saimos correndo. Após cansarmos, nos sentamos em um banco. - Pra onde vamos? - Perguntou. - Não sei. - Quer me contar o que está havendo? - Neguei com a cabeça. - Não confia em mim? - O encarei seriamente. - Sério que ainda não esqueceu aquilo? Prometo que vou guardar segredo dessa vez. - Hã, não é nada demais, é que eu aprontei em casa e estou com medo. - Da tua mãe te bater? - Acenei positivamente com a cabeça. - Minha mãe diz que é errado adulto bater em criança. - Meu pai diz o mesmo. - Sorri ao lembrar dele. - Mike, obrigada por vir comigo. - Dei um beijo no rosto do garoto. - Amigos são pra isso. - Sorriu timidamente. - Você é mais que um simples amigo pra mim. - Quê? - Perguntou meio surpreso. - Você é o meu melhor amigo. - Ah, sim… Você também é minha melhor amiga, mas… Quando a gente crescer, você vai ser minha namorada, né? - Hã… Eu… Eu vou. Vou, sim. - Legal. - Sorriu timidamente. Nós dois saimos para caminhar, eu queria ir para o mais longe possível da casa de mamãe, e só voltaria na sexta - feira para ir pra casa do papai. Após caminharmos um pouco, acabamos avistando uma pracinha, e ficamos um bom tempo brincando com outras crianças. Quando começou a escurecer, as crianças foram embora com os seus pais, e a gente não tinha pra onde ir. - Estou com fome. - Disse Mike. - Eu também. Ah… Meu pai me deu dinheiro para comprar algumas coisas de comer. - Peguei uma nota de 50,00 da mochila. - Podemos ir ao mercado. - Legal! Fomos ao mercado mais próximo e compramos chocolate, um pastel pra cada e um refri pra cada, também compramos dois pacotes de bolacha recheada e dois pacotes de salgadinho. Saimos do mercado e voltamos a caminhar sem rumo, após eu dar umas três mordidas em meu pastel, avistamos uma moradora de rua. - Tem uma moedinha? - Nos perguntou. - Desculpa, não temos. - Respondi. - Mas eu tenho isso. Entreguei o meu pastel pra ela, que agradeceu. - E pode pegar também. - Mike entregou o refri dele para a moça. - Pastel seco é r**m. - Obrigada, vocês são crianças muito especiais, obrigada mesmo. Voltamos a caminhar e nos sentamos no primeiro banco que vimos. Mike dividiu o pastel dele comigo e eu dividi o meu refri com ele.
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