Uma Triste e Dura Despedida

1107 Palavras
- Está mais calma? - Sammy me perguntou. - Aham. - Acenei a cabeça positivamente. - Me conta, há quanto tempo isso acontece? - Já faz algum tempo. - Falei cabisbaixa. - E a sua mãe? Contou pra ela? - Ela sabe, ela que me obriga a ir com esses caras, eu não gosto e choro muito, mas ela não liga. - Falei ao sentir algumas lágrimas rolarem pelo meu rosto. - Como é? - Percebi a expressão de espanto da mais velha. - Sua mãe sabe disso? - Acenei a cabeça positivamente. - Eu vou m***r aquela… Infeliz. A mulher saiu em disparada e eu sai correndo atrás dela e chamando por ela, implorando para que ela não fizesse nada, mas Sammy parecia não me ouvir, ela não parou, seguiu procurando pela minha mãe. Foi até a cozinha, onde mamãe estava descascando uma laranja. - Você enlouqueceu? Como você tem coragem de fazer isso? É uma criança! - Do que você está falando? - Mamãe perguntou se fazendo de desentendida. - Não se faz, eu já sei de tudo. - Você contou pra ela? - Largou a faca em cima da pia e veio na minha direção na intenção de me bater. - Se você encostar um dedo nela, eu te quebro. - Sammy parou na minha frente. - Você é asquerosa, repugnante, você deveria ser estéril, não deveria ter as filhas incríveis que tem. Você é louca! - Ué, elas sempre me deram gasto, já estava na hora de servirem pra algo. - Disse mamãe. Não entendi do que ela estava falando. - Você está a prostituindo? - Perguntou espantada. O que era prostituindo? - Claro, ou pra que serve um corpinho bonitinho? Sammy bufou de raiva e deu dois tapas na cara de mamãe, depois a empurrou, fazendo ela bater com as costas na mesa, não fiquei com pena, afinal, mamãe já tinha batido na May e em mim antes. Mamãe se desequilibrou e acabou caindo no chão. - Isso acabou! Eu vou te denunciar, você vai ser presa e nunca mais fará m*l para essas crianças. Sammy deu as costas para mamãe e foi em direção da porta principal, porém, mamãe pegou a faca que estava em cima da pia e cravou nas costas da Sammy, que se contorceu de dor. Dei um passo para trás, muito assustada. Foi tão rápido que nem deu tempo de eu avisar ou fazer algo para ajudar a Sammy. Mamãe deu mais duas facadas na mulher, que caiu no chão. E sem saber o que fazer, eu comecei a chorar de desespero. Fiquei tão assustada, que não consegui ter nenhuma reação, não consegui pedir pra mamãe parar e nem gritar por ajuda, fiquei imóvel vendo tudo, vendo mamãe dar diversas facadas em Sammy, como se fosse esses assassinos em série que eu vejo falar na TV. E de repente, Sammy estava morta, ela havia morrido ali, bem diante de mim, nos meus pés, e eu não consegui fazer nada para impedir. Eu nem sequer consegui sair correndo para me esconder ou para não ver aquilo. - Se você contar para alguém o que aconteceu aqui, eu corto a sua língua e dou para os cachorros comer, você me entendeu? - Acenei a cabeça positivamente. - p***a, o que eu faço com isso? Preciso dar um jeito nisso antes que alguém apareça. Dei alguns passos para trás enquanto via a mamãe arrastar o corpo da minha amiga, da minha mamãe postiça e da única pessoa que era capaz de me ajudar. Fui até o meu quarto, onde May dormia e me sentei em meu colchão, abracei meus joelhos e chorei muito enquanto pensava o que fazer, eu queria gritar, queria sair correndo, queria ligar para o papai, mas eu não conseguia, não consegui fazer nada a não ser chorar, a imagem da Sammy morta não saia da minha cabeça. Por que mamãe, por quê? Algum tempo depois, ouvi passos se aproximando, então deitei no meu colchão, me cobri toda com a coberta e fingi estar dormindo, rezei para mamãe não me acordar, e por sorte ela apenas deitou e dormiu como se nada tivesse acontecido. Onde será que ela havia levado a Sammy? Chorei baixinho a noite toda. Agora eu via que as ameaças que ela me fazia era verdade, se eu contasse para papai, ela machucaria ele ou a May, como ela dizia que faria. (...) No dia seguinte, assim que May acordou, começou a procurar por Sammy. A May ia ficar tão triste quando soubesse, e eu não teria coragem de contar a verdade, espero que mamãe também não fale, não quero que a minha irmã sofra. - Cadê a Sammy? - May perguntou. - Não a vi desde que acordei, deve ter saído. - Disse uma mulher. - Tomara que ela não demore. - Falou minha irmãzinha. Estávamos com fome e já não tínhamos quem fizesse algo gostoso pra gente comer, as outras mulheres não se importavam com a gente. E como antigamente, preparei uma torrada para mim e outra para May. - Vamos tomar banho pra irmos pra escola. - Falei. - Não, vou esperar a Sammy pra me dar banho. - Disse minha irmã. - Talvez ela demore, é melhor a gente ir logo para não nos atrasarmos. - Falei. - Ok. - Revirou os olhos contrariada. Fomos tomar banho e assim que saímos, May procurou pela Sammy, e ficou desapontada ao ver que ‘’ela ainda não havia voltado’’. Sem Sammy, fomos sozinhas para o colégio como antes. Assim que chegamos, Mike veio correndo em minha direção. - Oi Chloe. - Sorriu. E naquele momento, eu até esqueci que estava chateada com ele. Sem dizer nada, apenas o abracei e comecei a chorar. - O que houve? Não está mais chateada comigo? - Perguntou. Desfiz o abraço e neguei em um gesto com a cabeça. - Por que você está chorando? O que aconteceu? - Hã… - As cenas da noite anterior vieram em minha mente. - Nada. Eu só… Estava com saudade de falar com você. - Eu também. Chloe, me desculpa, eu só queria te ajudar. - Tudo bem, não estou mais brava. Mas… Não fala mais disso pra ninguém. - Mas é verdade? - Hã… Não. Acho que eu me enganei. - Como assim? - Perguntou confuso. Eu inventei uma desculpa para ele, que acabou acreditando, para minha sorte. Eu não consegui prestar atenção na aula, só lembrava da Sammy morta e da mamãe esfaqueando ela sem dó, nem se importou de eu ver tudo. Ainda bem que era sexta - feira e que iríamos pra casa do papai.
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