Valentina
Aquilo não era uma casa, era praticamente uma mansão e fiquei exausta apenas perambulando pelo lugar, o dia se arrastou no meu primeiro dia de trabalho, Matteo dedicou todo seu tempo ao Léo enquanto eu tentava organizar tudo, a casa estava limpa e como resultado de uma pequena confusão de Matteo com a empresa que ele contratou, estávamos recebendo os móveis hoje, todos eles.
Desde os móveis da sala de estar, até os da sala de jantar, da varanda, do quarto, até os do Hall de entrada que é tão grande que seria estranho não ter uma decoração ali, no entanto, o lugar ainda parecia vazio duas horas depois que os entregadores e montadores acomodaram os móveis nos seus devidos lugares, com a minha indicação é claro, mas eram todos muito simpáticos e atenciosos e atenderam todos os meus pedidos, e apesar de Matteo aparecer vez ou outra para conferir como as coisas andavam, ele me deu carta branca para organizar tudo, então não poupei despesas quando fiz um pedido de plantas ornamentais em uma loja de paisagismo que conheci através dos meus sogros, ex-sogros, lembrei.
Estava acomodando as últimas plantas na sala com os janelões de vidro quando Matteo colocou a cabeça através da porta.
— A comida chegou, vamos almoçar?
— Claro, já estou finalizando aqui. — Sorri, o entregador me estendeu um recibo quando posicionou a última planta, assinei e me despedi do rapaz, avaliei o atendimento no tablet de última geração que me foi dado para usar no trabalho, pedi para os entregadores moverem as demais plantas para o Hall de entrada e fui para a cozinha.
Encontrei a mesa de plástico limpa e organizada, posta para duas pessoas, os descansos de prato lado a lado, ele havia perguntado a minha preferência e escolhi um ravióli que estava sendo servido em pratos de plástico, e um guaraná devidamente servido em um copo de plástico, alguma vez Marcos fez isso por mim?
Diabos, não.
E nem podia dizer que isso era fruto do status do meu patrão, educação e cavalheirismo simplesmente eram fruto da criação e da índole da pessoa, não tinha nada a ver com poder aquisitivo.
Os pais de Marcos eram uns amores, então eu só podia culpar a sua índole duvidosa, sorri ao ver a opção fit no seu prato, arroz integral, frango, batata-doce e cenoura grelhada, me senti culpada ao encarar meu prato com parmesão extra em cima do molho, eu deveria mesmo começar uma dieta a saia estava estrangulando minhas coxas e eu me sentia completamente desconfortável com esse excesso de peso, não que dependesse do meu corpo para ganhar dinheiro, mas precisava me cuidar mais e me toquei que iria sentir isso constantemente convivendo ao lado de um cara que ganhava dinheiro com sua aparência física.
Ele puxou a cadeira e me sentei encabulada, aquilo era tão estranho, esperei ele se acomodar e quando enchi a boca com a primeira garfada ele sorriu.
— Bom apetite. — disse e engoli a comida constrangida.
— Bom apetite. — Respondi mortificada, eu parecia uma morta de fome. Meu Deus, que horror!
Eu era educada, mas a educação dele era de outro nível, de outro planeta!
Comemos tranquilamente enquanto ele falava comigo a respeito da sua vida, da sua ex, da vida deles juntos, do quanto ela foi filha da p**a ao deixá-lo quando descobriu que o contrato com o antigo patrocinador dele havia chegado ao fim e não foi renovado, mas mesmo dando tantos detalhes da sua vida, meus pensamentos intrusivos me diziam que ele estava me sondando, era uma sensação estranha, mas sempre que ele acrescentava algum detalhe a suas histórias fazia uma breve pausa, como se esperasse que eu preenchesse o silêncio com relatos da minha vida, como as senhorinhas do ônibus que ás vezes puxam conversa do nada, aquilo me deixou inquieta, acho que era isso que os antílopes sentiam quando estavam sendo cercados por predadores nas Savanas naqueles documentários dramáticos da vida selvagem
Eu não queria falar sobre mim, na verdade achava completamente absurdo que ele estivesse falando tanto da sua vida particular, eu era uma desconhecida, gente rica às vezes não tinha nem um pingo de sensatez em determinadas situações, tudo bem que eu assinei um termo de confidencialidade, mas cara, ele falava demais e mesmo sentindo que ele tinha um objetivo obscuro com aquele falatório não pude me impedir de me solidarizar com ele ao comentar.
—Hoje em dia é difícil encontrar alguém que respeite e goste de você pelo que é, e pela forma que é tratada. A grande maioria está interessada apenas em dinheiro e sexo, e isso não é só sobre as mulheres.
— Tem razão...
Fiquei constrangida assim que as palavras foram ditas pela minha língua, aquilo soou bem amargo, mas o mundo é repleto de verdades amargas e era por isso que não queria opinar, quem eu era para falar algo a respeito? Tive um único relacionamento que deu em merda, se ele estava esperando consolo não teria de mim, não estava em condições de consolar ninguém nem mesmo a mim.
A minha vida amorosa estava em pedaços e nunca soube aconselhar ninguém, como não podia murmurar o tradicional "é f**a" apenas assentia e murmurava um "nossa" e ocasionalmente um "poxa vida", ele continuou tentando extrair algo de mim, como se mostrar as feridas dele fosse o segredo que abriria o cadeado e faria com que eu mostrasse as minhas, mas não consegui formular nada relevante para falar, escolhi o silêncio, eu queria que ele parasse de falar sobre essas coisas, por que isso era um gatilho pra me lembrar da minha fossa particular e não queria entrar numa crise de choro no meio do trabalho, isso estava reservado a privacidade do meu lar, já tinha problemas demais, mas não queria ignorar o traquejo social e ser grosseira ao deixar uma conversa pela metade por falta de interação, então mostrei um sorriso compreensível que era meu coringa em situações em que não sabia como agir, para meu alívio ele sorriu de volta.
— Quer sobremesa?
Quase suspirei aliviada, duvidava que ele comesse doces a não ser algo feito com whey protein, mas percebi que ele também queria sair daquela conversa, aceitei um alfajor fit e fiquei chocada ao perceber que era absolutamente delicioso.
Quando terminamos me senti incomodada quando ele tirou a mesa e jogou todas as embalagens no lixo, a culpa me corroeu, quem estava trabalhando para quem? Fiquei sem saber o que fazer e comecei a abrir e fechar os armários fazendo uma avaliação minuciosa e montando uma lista do que precisaria ser comprado, ele me arranjou uma escova de dentes e um creme dental, agradeci e fui até o banheiro da área de serviço, não conseguia ficar sem escovar os dentes após comer.
Quando terminei Matteo me disse que entraria em uma call e que não precisaria de mim, ele sumiu dentro do escritório mobiliado apenas com uma mesa e uma cadeira, era o único lugar com móveis que não eram de plástico, então me empenhei em arrumar o resto da casa, havia encomendado vasos adequados que vieram junto com as plantas, eram simples e elegantes, saí distribuindo plantas pelo lugar todo e quando acabei encontrei o aspirador que Melina havia deixado para suas funcionárias usarem e aspirei a sujeira que caiu de alguns vasos, Matteo havia pedido apenas que usasse bom-senso na decoração, tentei ser moderada e não transformei a casa do pobre homem em uma floresta tropical.
Quando terminei fui embelezar os banheiros com alguns tapetes felpudos e antiderrapantes que encontrei ainda nas embalagens amarelas do mercado livre, distribuí aromatizadores que pedi pelo mercado delivery, passei um pano úmido onde sujei e joguei bom ar nos cômodos, encontrei alguns pacotes de roupas de cama, escolhi um jogo de lençol cinza-escuro e decidi lavar antes de colocar na enorme cama King size, odiava cheiro de coisas novas, enquanto a máquina lavava o lençol desfiz as malas dele e passei uma boa hora organizando as roupas no closet com a ajuda de alguns organizadores que havia no lugar, finalmente colocaria em prática o que apreendi no curso de personal organized, algumas horas depois os lençóis estavam limpos e secos, arrumei a cama e fiquei orgulhosa de mim mesma quando acabei, fiquei tentada a colocar um bombom na cama e lembrei que ele não comia nada fora da dieta, tenho que encomendar alguns doces fit, sorri ao olhar para o quarto, senti falta de cortinas e um belo tapete, mas por enquanto as persianas dariam conta e iria encomendar o tapete depois, saí adentrando os cômodos e conferindo tudo, agora sim aquele parecia o lar de alguém.
Me sentei em uma das poltronas na sala de vidro e comecei meu trabalho virtual atualizando meu i********: com uma foto de Léo descansando aos meus pés, revisei a agenda de Matteo para a semana e agendei uma sessão de massagem para a segunda-feira, dependendo do resultado do evento de domingo poderia ser necessário para ele relaxar, meu ex patrão adorava e eu já era conhecida na casa de massagem, depois tinha que verificar se Matteo preferia outro tipo de massagem ou alguma coisa mais especifica para alguém que pratica fisiculturismo.
Continuei trabalhando na agenda sincronizando tudo com meu calendário pessoal para não esquecer de nada e nem gerar nenhuma confusão por algum esquecimento, agendei a próxima faxina, adicionei um lembrete sobre uma reunião que o pessoal do hotel queria agendar no meio da semana com o antigo dono, agendei uma sessão de fotos com o novo patrocinador, contatei uma conhecida que fazia marmitas e fiz alguns pedidos para experimentar o cardápio fitness dela, quando finalizei tudo respirei fundo e me espantei ao ver a hora, já passavam das 16h.
Larguei o tablet na poltrona e levei o lixo para baixo, dei duas voltas ao redor da casa até encontrar a lixeira que ficava na extremidade do quintal em uma área coberta, quando voltei novamente para dentro da casa encontrei Matteo na cozinha preparando café na cafeteira.
— Aceita um café?
Deveria recusar? De alguma forma isso parecia uma ofensa maior, então não fiz cerimônia, mas me encarreguei de preparar as xícaras e entregar-lhe, tinha que comprar louças também, ele teria problemas se fosse receber alguém para uma refeição ou mesmo para tomar café, adicionei outra nota mental sobre coisas para comprar, ainda precisava comprar tantas coisas, suspirei cansada, mas satisfeita por ele ter me dado carta branca para gerenciar tudo.
—Sim, por favor.
— Como fez isso em tão pouco tempo, Valentina? O lugar parece ter saído de uma daquelas revistas de decoração, só que é habitável e aconchegante, ficou... perfeito.
— Imagina, só testei as combinações e posicionei os móveis da melhor forma, as plantas são lindas por si só...
— Não desmereça seu trabalho, ficou incrível. Aceite o elogio. Puro?
— Obrigada, puro está bom. — Sussurrei constrangida, ele me entregou o café e me encostei na bancada. — As plantas não são tóxicas, não precisa se preocupar com o Léo.
— Obrigada por se atentar a isso. — Sorriu e bebericou seu café, era muito engraçado ver ele segurar a asa minúscula da xicara que mais parecia uma pata de pernilongo refém dos seus dedos grossos, ele era grande demais, em todos os lugares... dei uma olhadela em sua bermuda e me engasguei ao notar para onde meus pensamentos estavam indo, ele se aproximou alarmado.
— Você está bem?
— Sim, desculpe. — Ofeguei envergonhada e terminei o café num gole só. — Gostaria que eu desse outra volta com o Léo? — Ofereci desesperada para sair dali, ele pareceu pegar a deixa.
— Ah, sim... — Disse ganhando tempo para engolir o café, depois estendeu a mão para pegar a minha xícara. — Ele geralmente se comporta bem não se preocupe, mas sempre que for sair coloque a focinheira nele, tem muita gente metida a b***a que gosta de encher o saco, então vamos evitar confusão a respeito do Léo pelo menos.
— Ok — Concordei sem entender do que ele estava falando, uma lagartixa era mais agressiva que o Léo. Eu nem era fã de cachorro, mas estava apaixonada por ele e não tinha medo algum de me aproximar, quer dizer, não depois de todas as instruções de Matteo a respeito de comportamento canino.
— Ah e tenha cuidado com o portão, ele costuma fugir então sempre coloque a guia e a focinheira nele antes de abri-lo. — Acrescentou quando dei minha xícara para ele.
— Está bem. — Concordei apressadamente. — Vamos, Léo? — Chamei ao chegar à porta e o bebezão veio trotando balançando o r**o euforicamente, estava a postos desde que ouviu seu nome, caminhei ansiosamente até a escada com ele em meu encalço até que um pigarrear nada discreto me deteve e recuei um passo até o pórtico.
— Valentina, não está esquecendo de nada? — Perguntou erguendo a sobrancelha.
O que diabos esqueci? De pedir permissão para sair? Agradecer a magnanimidade dele em me deixar passear com o cachorro? Abri a boca pronta para dizer o não mais desprezível da minha vida e ele sorriu me desarmando completamente, um sorriso maroto de menino que de alguma forma combinou perfeitamente com seu imenso e másculo corpo abençoado por Deus, quem disse que nosso senhor não tem preferidos mentiu, eu e meu metabolismo de bosta somos a prova.
— A guia... — O encarei completamente confusa. — Você esqueceu de pegar a guia e a focinheira. — Esclareceu e minha boca caiu aberta com minha lerdeza.
— Verdade... — Voltei até a mesinha de canto que ficava no hall, peguei a guia e a focinheira e escapuli em passos curtos e rápidos. — Até mais! — Disse e saí para a segurança da rua.
Ainda estava atordoada enquanto colocava o peitoral no Léo, ele esperou pacientemente enquanto eu afivelava o tal negócio que parecia muito um colete, coloquei a focinheira com rapidez e abaixei a saia quando me levantei e apertei o controle, o portão abriu silenciosamente e caminhei devagar subindo pela rua, Léo estava tranquilo e não puxava a guia, mas a masoquista dentro de mim teve o ímpeto de ver a casa onde iria morar se ainda estivesse noiva.
Caminhei devagar em direção a primeira guarita, passei por ela cumprimentando os porteiros, subi mais um pouco e virei a esquerda em uma rua larga e bem cuidada, a casa branca apareceu logo e caminhei até ela, era a terceira de um sequência de imóveis quase iguais com apenas um detalhe ou outro diferenciando uma das outras, uma lixeira na ponta da calçada onde na outra não havia nada além de uma calçada, um canteiro de flores lindas em outra, a nossa estava vazia, uma casca vazia que um dia esteve repleta de sonhos e... o portão abriu, meu coração começou a palpitar antes mesmo de ver Marcos, ele me viu e estacou a meio passo de uma BMW azul.
Minha mente ficou em branco, fiz um breve vistoria da minha aparência e concluí que estava horrorosa, enquanto ele estava lindo de calça jeans e polo azul-marinho, meu corpo ficou tenso quando ele se aproximou, o desgraçado ainda parecia anormalmente bonito aos meus olhos, e me odiei por ter sido flagrada espiando, ele parou na minha frente com a mão enfiadas nos bolsos da frente da calça, estava nervoso.
— Você está bem? — Perguntou preocupado, minha vontade era dar um murro na cara dele, forte o suficiente para arrancar todos aqueles dentes perfeitos e traidores.
— Se estou bem? —Perguntei e degustei o veneno das palavras, ele se empertigou. — Estou ótima, seu cretino traidor.
— Tina, por favor me deixe explicar. — Pediu erguendo as mãos á frente do corpo.
— Explicar o quê!? Conheço muito bem o processo que resulta no seu p*u dentro da b****a de outra, se chama traição!
— Pelo amor de Deus, não faça um barraco! — Ele se aproximou em passos apressados e segurou meu braço enquanto sussurrava entredentes — O que é que deu em você ultimamente hein? — Questionou segurando meu braço e a arquiteta que estava saindo parou onde estava, meu corpo ficou tenso quando escutei um rosnado.
Marcos se afastou um pouco e arregalou os olhos quando olhou para baixo, para o espaço entre nós dois e encarou o cachorro que não havia notado antes, dei uma volta na guia e a enrolei em meu punho, mas se Léo quisesse realmente avançar eu não impediria, na verdade parte de mim queria que ele estivesse sem focinheira e abocanhasse o p***o do filho da p**a, mas Deus me livre de matar o cachorro do meu chefe por consumir carne podre.
— Me solte. — Exigi, ele tirou os olhos do cachorro e me olhou com raiva e rancor e outras coisas que não soube interpretar. Percebi pela visão periférica que a arquiteta ainda estava parada atônita ao lado do carro. — Me solta, p***a! — Berrei e esse foi o meu erro, Marcos não me soltou, meu braço sacolejou violentamente para frente quando Léo pulou e o derrubou no chão, latindo em cima dele enquanto ele tentava bater nele para que se afastasse, as pessoas começaram a sair e gritei em pânico tentando tirar Léo de cima dele, tentei puxar a guia, mas o cachorro estava ensandecido e avançava em Marcos com tanta fúria que me derrubou e caí de quatro no asfalto.
Ergui a cabeça quando Léo o derrubou novamente e colocou as patas no peito dele latinado em sua cara enquanto Marcos se sacudia tentando se livrar dele, alguém segurou embaixo do meu braço e me levantou do chão como se eu fosse uma boneca de pano, fiquei em choque quando me virei e vi Matteo, ele assobiou, um som agudo curto e estridente e Léo parou de latir, mas não saiu de cima de Marcos, apenas virou a cabeça e encarou o dono.
— Aqui, garoto. — Chamou, Léo latiu uma única vez como se protestasse contra o chamado, a postura de Matteo mudou quando ele disse. — Leônidas, aqui! — Sua voz retumbou pelos meus ouvidos, fiquei perplexa quando o cachorro baixou as orelhas e veio de mansinho com o r**o entre as pernas para o lado dele como se soubesse que havia feito algo errado.
— Eu vou processar você! Esse bicho é um perigo para as pessoas! — Marcos esbravejou levantando-se do chão e sacudindo a sujeira, mas não se atreveu a dar um passo em nossa direção e virei para o lado horrorizada ao ver a quantidade de pessoas que filmavam a situação e assistiam tudo.
— O que aconteceu? — Matteo perguntou, meus olhos se cravaram no chão e percebi que estava abraçando o próprio corpo, mas ele não havia me soltado e Léo estava sentado calmamente ao lado de seus pés.
Me senti m*l pelo cachorro, não conseguia nem fazer meu trabalho direito, por que diabos vim até aqui!? Lágrimas brotaram em meus olhos quando percebi que a saia havia rasgado, parte da minha coxa estava á mostra e meus joelhos sangravam.
— Sinto muito, ele estava tentando me proteger. Não fez nada de errado e... — As lágrimas começaram a escorrer, antes que pudesse fazer algo senti seus dedos erguendo meu queixo, me recusei a olhar para ele e mantive a cabeça baixa, mas Matteo segurou meu rosto com as duas mãos e o levantou suavemente até que olhasse para ele.
— O que aconteceu com seu braço, Valentina? — Perguntou e me arrepiei com seu tom autoritário. — Foi ele? — Ele indicou Marcos com um aceno sútil e assenti.
Marcos se aproximou com o celular em punho ameaçando chamar a polícia, mas Matteo apenas dirigiu a ele um olhar que me deu calafrios, meu estômago afundou quando ele soltou meu rosto pegou a guia do cachorro e me entregou, depois se aproximou de Marcos com três passadas largas, a postura tensa e ameaçadora.
— Vá em frente, chame a polícia. — Disse parando na frente dele, fiquei completamente abismada quando notei a diferença de altura deles, ele podia quebrar Marcos ao meio se quisesse. — Se você não chamar eu mesmo faço isso, acho que teremos uma história muito interessante para contar quando eles virem as marcas que deixou no braço dela.
— Ela é minha noiva! Só estávamos conversando e seu cachorro descontrolado tentou me morder!
— Valentina me falou de um ex noivo. — Murmurou repentinamente cheio de deboche, o que diabos estava acontecendo? Ele era bipolar?
Marcos ficou branco de ódio, vi a sua mandíbula se retesar, ele iria socar Matteo, mas de repente seu rosto adquiriu um tom doentio e até sua postura mudou drasticamente.
— Eu conheço você...
Minhas pernas começaram a tremer, se a polícia chegasse aqui eu é quem iria presa porque ele iria investigar e vai descobrir que foi Matteo quem me ajudou no dia em que quebrei o carro dele, consegui f***r com tudo no meu primeiro dia de trabalho, parabéns Valentina.
— Você é Matteo Ricci. — Murmurou horrorizado e Matteo sorriu de uma forma tão arrogante que até eu me irritei um pouco.
— O principal cliente do escritório do seu papai, dono da academia que você treina e o atual namorado da Valentina. — Matteo completou com sincero triunfo e com o rosto carregado de desdém.