CAPÍTULO 2 - Eduardo

1622 Palavras
Sara Donson se tornou uma Telles, fazia dois anos do casamento, dois anos que me tornei marido, isso depois de namorar a menina mais linda que já vi e mais doce, além disso, me tornei também o cabeça do escritório, um que havia anos de trabalho e dedicação envolvidos. Papai sempre falava que aquilo era nosso nome e honra, que dependia dos herdeiros pra continuar o legado da família. Eu gostava de pensar que eu iria me envolver nisso e conseguir muita coisa, não só o reconhecimento do trabalho, mas da família. No começo era um desafio, mas vendo minha mulher na minha frente, segurando uma mala e dizendo que iria embora no meio da noite, céus, aquilo parecia um desafio maior que fazer uma empresa ficar de pé. Havia me casado e logo me tornado o cabeça da firma. Sara estava impaciente, eu não sabia como meu pai fazia isso. Era complicado associar as duas fases que havia entrado, de um lado o casamento com a mulher da minha vida e do outro a advocacia dos meus sonhos. Sara me acompanhou por três anos de namoro, até chegar o casamento, ela sabia o que eu gostava, o que eu queria e o que eu almejava. - Eu não vou fazer nada, mas veja, está tarde e você está de cabeça quente, você tem que ficar. Tento, mesmo vendo uma raiva evidente nos olhos dela. Pra uma pessoa que sempre via doce e tranquila, ver ela daquele jeito me faz pensar que ela tem razão, que tem algo que saiu fora do controle e parecia ter acabado de explodir. Eu agora evitava o dano colateral evitando que ela saísse de casa, ela poderia se machucar ou Deus sabe-se lá o que mais. - Vou facilitar pra você, se quer ficar se dedicando tanto aquela empresa, fique com ela, não vou me sentir m*l sempre que ficar de lado na sua vida. Veja onde duas coisas se cruzam. - Está sendo insensível. - Quando foi que não quis que fosse como seu pai, responsável e um ótimo advogado? Mas quando eu tive que abrir mão do cara que eu amo pra isso? Não gosto de ver ela chorando. Tento me aproximar dela, pra ver se ela para de chorar e se acalma, mas ela se esquiva e passa por mim, eu vou atrás dela, atravessamos os vidros do vaso que ela quebrou e ela para na sala, pegando a bolsa dela. - O que foi? - Pergunto, com medo do próximo passo que ela pode tomar, temendo que eu não vá gostar nenhum pouco de saber. - Olha pra você, você nem mesmo está tentando se justificar, nada, parece nem se importar com essa m***a. - Eu me importo Sara, eu juro que me importo. - Quando foi a última vez que jantou comigo, Edu? - A voz dela sai num tom baixo demais e eu fico perto dela ou tento, mas ela não me quer perto. Ela se afasta e seu que ela pode tentar me jogar um caso novamente ou quebrar cada parede dessa sala. Observo a mulher que escolhi, vejo o quanto ela tem olhos bonitos e uma personalidade simples e esforçada. Sara era o tipo de pessoa que cuidava de outra, que amava intensamente. Ela era incrível e eu estava sendo um completo i****a. Meu pai ainda me disse sobre segurar o casamento, ele disse mais algumas coisas, mas não perguntem o que era. O que eu devia responder pra pergunta dela? Que eu não me lembrava e que eu não sabia quando foi a última vez que jantei com ela? Que ela estava certa? - Eu não me lembro. - Claro que não se lembra, já faz quase dois meses. Eu fico toda noite esperando você, acho que pra isso terminar você só iria precisar de uma amante, não é? Joga no ar e eu balanço a cabeça em negação. - Eu não iria trair você e nem penso nisso, você me conhece. - Nem pro s**o você me procura, quando procura não é como antes, nem vinho juntos tomando e nem assistimos nada mais juntos. Juntos não é bem a palavra que estamos usando aqui, não é? Juntos. Eu realmente não estava junto da minha própria mulher. Céus, era óbvio que ela tinha razão. - Eu quero que entenda... - Que você precisa ser bom para o escritório, que você agora tem responsabilidade, que você precisa estar lá e eu preciso ser companheira - Fico parado, ela dá um suspiro fundo, vai até a mesa ao lado do sofá e pega a chave do carro dela. - Não devíamos ter casados tão rápido, agora sei porque esperam cinco a dez anos pra se casarem de verdade, pra não acontecer isso. Aquilo sai da boca dela pesado, mesmo sabendo que pra ela doa muito, assim como é difícil pra mim escutar aquilo vindo dela. Fico sem reação e chateado por ouvir aquilo dela, sabendo que ela foi a minha escolha, foi ela que estava comigo quando precisei e quando ela precisou. - Sério que está me falando isso? Está parecendo que se arrependeu de ter ficado comigo, eu sou tão r**m assim, Sara? Eu sinto a voz mais grave e sei que estou começando a me chatear, não gosto dessa possibilidade e nem nada do tipo. Ela não pode entender que faço isso pra gente, pra ela ter uma vida de princesa e não deixar faltar nada, pra poder construir algo grande e nosso legado? Céus, não era tão difícil entender a fase que eu estava, não mesmo, ela devia compreender, isso passa, eu sei que passa. Com o tempo as coisas iriam facilitar. - O que você acha? - Eu sei que está dizendo isso porque está chateada. Mas não coloca isso aqui agora por raiva. - Ao ponto de pedir o divórcio, Eduardo? - Nesse momento eu encaro ela, meu rosto é tomado por uma sombra que me faz encarar ela, me aproximo do sofá e me sento, pareço não acreditar que ela dá essa saída no meio de algo como aquilo. Mas ela iria sair de casa, o que mais eu poderia fazer ou pensar. - No primeiro problema quer cair fora, Sara? - Dois anos, a gente se casou e você tomou posse da cadeira que foi do seu pai, de lá até aqui, você já disse isso, disse que iria melhorar, mas veja, não melhorou. Você está em uma fase e eu talvez em outra, eu não sei, mas eu não me casei pra me sentir sozinha. Ela se mexe e eu vejo ela caminhar pela porta. Talvez ela esteja certa. Eu estava falhando como marido. - Talvez você esteja certa - Ela para de andar e lentamente se vira, quando vejo os olhos vermelhos dela e a onda de lágrimas que cai, sinto o peito apertado. - Sara. - Me esquece cara, viu, você só não tinha a p***a da coragem. Mas agora você teve, não somos mais um casal - Ela se mexe e abre a porta, eu me levanto. - Espera, você não precisa ir, fica, eu vou para o quarto de hóspede e fico lá, está tarde e você está nervosa, por favor. Essa casa é tudo que tenho e seu ainda, se você quer o divórcio, eu vou fazer isso Sara, mas dá forma certa, eu amo você e as vezes casais não dão certo. Ela solta a mala no chão e vejo a onda Sara chegar, por um segundo fico sem entender como ela está tão expressiva no que sente, duas vezes mais que o normal, ela pega tudo que vê e começa a me jogar e tentar acertar. A situação fica complicada quando ela aumenta o tamanho das coisas que vai me jogando, fico agoniado e com receio que ela se machuque. - Vai pro inferno, vai pro inferno! - Fala alto, ela pega o telefone e me joga, um abajur e até mesmo uma revista. - Você é tão infeliz que nem lembrou de mim, que nem se dignou a me dar os parabéns, hoje é a p***a do meu aniversário! Nesse momento eu me xingo tanto, de uma forma tão estranha que eu ergo as mãos, enfrento a ferra e chego perto dela, ela não aceita que eu abrace ela, ela se debate até eu conseguir, ela está ofegando e sinto as unhas me arranhar agora. - Para, meu amor, para, tá bom? - Você não era assim. - Me desculpa, tá bem? Eu não quero magoar você. Parabéns pelo seu dia. - Eu não quero chorar, Eduardo. - Então pare. - Eu não consigo, eu não consigo mesmo. Ainda abraçado com ela, levo ela pro sofá e faço ela se sentar, me abaixo na frente dela e seguro o rosto dela, o rosto fino e bonito, com a boca avermelhada e os olhos úmidos. - Respira, por favor - Ela fecha os olhos. - Eu vou buscar água, você está muito nervosa. - Eu estou tonta, não preciso de água nenhuma. - Me deixe cuidar de você. Ela abre os olhos, ergue a mão e segura meu rosto também, se inclina e coloca a testa na minha. - Ainda amo você. - Eu também - Ela da uma risada sem graça. - Preciso de um pouco de água - Eu me mexo, beijo ela devagar e me mexo, deixo ela ali e sigo pra cozinha. Antes que o copo fique cheio com água, eu escuto barulho da garagem, nesse momento eu paro o que estou fazendo e me mexo, quando chego no jardim, vejo o carro dela cantando pneu. Nesse momento eu só falo um palavrão. - Pra onde raios você vai, Sara?
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