Capítulo 14

2985 Palavras
Anne passou a semana toda sobressaltada. Temia que Klyne viesse até a casa de Henry e a expulsasse. Mas, ele não fez nenhum movimento quanto a isso. Ela esperava que a situação esfriasse. Que ele a esquece. E havia Henry, que parecia disposto a tudo para conquistá-la, inclusive entregando flores a ela. Bilhetes e bombons. Ele deixava tudo em seu quarto. E pedia para que ela reconsiderasse o pedido dele. Ele queria se casar com ela. Essa proposta a deixava em êxtase profundo. Mas, havia um problema maior. Temia que seu problema fosse Henry, que ele ficasse com raiva depois que se casassem. Que não sentisse mais nada por ele. Ela não contava que Klyne dificultaria tanto as coisas. Se ele soubesse que Henry queria a mão dela, faria de tudo para atrapalhar, inclusive desmoralizá-la. Ela precisava ver a realidade. Um homem como Henry, um cavalheiro, não iria se casar com ela. De maneira alguma. E sua família iria desencorajá-lo. Até o ponto que ele visse a realidade e a deixasse. E ela não poderia suportar se isso acontecesse. - Muito bem, Erik – ela disse, em uma tarde, fechando o tampo do piano – Você está indo muito bem mesmo. Conseguiu reproduzir a música com eficiência. Erik sorriu. Estava ganhando peso, além de estar mais corado e sorridente. Gaguejava ainda e se encolhia nos cantos, quando tinha lembranças do seu passado, que ele guardava firmemente para si. Mas, seu progresso era admirável. Já fazia dois meses que Anne cuidava dele. E se afeiçoava cada vez mais. Sentia seu coração se apertar toda vez que pensava que teria que abandoná-lo. Iria precisar. Era impossível ficar ali por mais tempo. - Anne, Anne – chamou Nancy da porta da sala, junto com a senhorita Stone – Olhe isso. Anne se levantou e foi até ela, com Erik as suas costas. - O que? – ela perguntou. Nancy estendeu o jornal. Ela leu a manchete. Falava sobre um livro. O Barão Enlouquecido e a Srta. Flinch. Um livro que pode abalar seu conceito sobre vilões É curioso ler um livro que nos faz pensar sobre um vilão. E ver seus motivos para se tornar um homem c***l e até mesmo enlouquecido. É um livro apaixonante do começo ao fim. E um estilo gótico, muito parecido com o da Sra. Redcliffe. A Sra. Stone realmente está cativando seus leitores por toda Londres. E estamos ansiosos para saber mais sobre ela. Apesar de nossos esforços, a Editora Harrison é muito sigilosa quanto a identidade dessa escritora maravilhosa, mas subversiva. A sociedade está dividida entre opiniões pouco lisonjeiras sobre o livro e opiniões fervorosas. Caro leitor, qual é sua opinião sobre esse novo sucesso literário? Não esqueça de nos enviar sua carta, relatando suas impressões. Coluna escrita pela Sra. Hamilton Anne respirou fundo, ao ler aquilo. Ela não sabia que o livro teria uma receptividade tão estrondosa. E ruidosa. Ela contara para Nancy sobre seu empreendimento e sua amiga parecia entusiasta. - Viu, você conseguiu – ela disse, com os olhos marejados – Eu preciso ler esse livro. Precisamos Jane. A senhorita Stone assentiu, colocando os óculos o lugar com o dedo indicador. - Eu fico honrada de meu nome ser seu codinome – ela disse, com um sorriso tímido. Anne ficou vermelha. Aquela não era ideia dela, mas da senhorita Harrison. Contudo, não iria estregar a amizade que estava fazendo contando a verdade. - Precisam manter segredo, por favor – ela implorou – E obrigada pelo apoio. Elas se abraçaram. Erik fitou tudo com estranheza, quando Anne dirigiu o olhar a ela. - Logo eu explico para você, Erik – Anne disse, com um sorriso de jubilo. Ele assentiu e os quatro se dirigiram a cozinha. A Sra. Hackney parou Anne na porta e entregou uma carta para ela. O remetente era da senhorita Harrison, com certeza querendo falar sobre as novidades. Anne guardou a carta no bolso do vestido cinza. Quando entrou na cozinha, ficou pasma. Havia um bolo na mesa e todos estavam reunidos com um sorriso. Henry estava lá, em pé com um sorriso contido. Seus olhos cinzas brilhavam. Ela se perguntou o que significava aquilo tudo, mas então, se lembrou do seu aniversário. - Feliz aniversário Anne – todos disseram juntos. O motorista, Sr. Jones, estava lá, Nancy, a senhorita Stone, Sra. Hackney, Sra. Campbell, Erik, que parecia contente, com certeza devido ao bolo e uma surpresa especial. Jacob. Ele a abraçou pelas pernas. Erik fitou com ciúme e fez um biquinho adorável. - Isso...é...eu estou sem palavras – ela disse, pegando Jacob no colo e o abraçando – Que bom vê-lo de novo, querido. - Senti saudades – ele disse, com a voz doce – A Sra. Brown é muito má. Ela me bate com a régua. Anne engoliu seco. O que poderia dizer a ele? Não poderia interferir, não era sua mãe. Ela acariciou seus cabelos, com devoção. - E o senhor tem se comportado, querido? Ela pode ser rígida, mas está tentando fazer de você um cavalheiro. Ele franziu o nariz. - Ela é uma sapa velha – ele reclamou. - Jacob. Não pode falar assim – ralhou Anne. Ele ficou emburrado, mas logo sorriu quando ela disse que lhe daria um pedaço de bolo. Erik estava no canto, com um olhar triste. Henry não tirava os olhos dela, enquanto ela distribuída o pedaço de bolo, com cobertura de creme para todos. Quando chegou a vez dele, ele sorriu. - É bom vê-la sorrindo – ele sussurrou – Está encantadora. Meus parabéns. Ela corou. - Obrigada. Anne se afastou e foi até Erik, com um pedaço de bolo, mas ele se recusou a comer. - Vamos, querido, venha para mesa e coma seu bolo – ela pediu, com paciência. - Não...que...ro – ele negou. - Por que não? É meu aniversário. Vai negar bolo no meu aniversário? – ela sabia que estava chantageando o menino, mas não queria vê-lo triste. Ele bufou e foi para mesa e comeu o bolo. Não conseguiu esconder sua satisfação em comer. Ficou com o rosto todo sujo de creme. Anne riu e estava feliz de verdade. A festa terminara tarde. Todos conversavam e estavam alegres. Henry não saia da cozinha, conversando com cada criado, sem tirar os olhos de Anne. Quando caiu a noite, todos se retiraram e Henry levou Jacob para casa em sua carruagem. Convidou Anne para ir com ele. Ela aceitou, para ter mais tempo com o pequeno. - Promete que vai me visitar? – ele pediu. - Eu vou tentar, eu juro – ela disse, com a voz entrecortada. - Eu o trarei para vê-la – Henry interveio. Anne o fitou com agradecimento nos olhos. Ele sorriu. A carruagem parou em frente à casa de tijolos vermelhos e Henry o ajudou a descer, enquanto Anne aguardou no veículo. Não iria entrar e ser fulminada pela Sra. Armstrong. Era errado ter ido, pois não seria de bom tom. Mas, Henry não agia como um cavalheiro comum. E isso a fez lembrar do discurso feroz de Klyne, no parque. Ele havia dito que seu primo era bom demais com os outros. E ele estava certo. Henry era bom demais com todos. Era da sua natureza. Henry voltou a carruagem, com um sorriso cheio de jubilo. Ele se sentou ao lado dela, fazendo questão de encostar sua coxa contra a dela. Anne queria repreendê-lo, mas não tinha forças mais. Ele agarrou a mão dela, entrelaçando-os e beijou o dorso da mão dela. - Eu estou tão feliz, Anne – ele sussurrou, enquanto a carruagem estava em movimento – Espero muito que tenha gostado da surpresa. - Eu adorei – ela confessou, suspirando e apertando a mão dele. - Era disso que eu estava falando. Eu queria esse suspiro – ele disse, provocativo – Quero que você veja o quanto vai ser feliz, se for minha esposa. - Henry, você não pode querer isso. Eu não posso ser sua esposa. Você não me conhece – ela disse, agoniada. Henry tomou o queixo dela com sua mão livre. - Eu a conheço o bastante para dizer que já a amo – ele disse, com a voz profunda. Anne queria chorar. Ele a amava e isso seria pior. Ela já o amava. O amava tanto. E por amá-lo, não iria prendê-lo daquela maneira. Seria muito pior ver a tristeza dele, quando descobrisse que ele teve um caso com seu primo. Ele iria pensar o pior, com certeza. E Klyne iria garantir que pensasse. - Não diga isso, Henry, por favor – ela pediu, com os olhos marejados. - Não dizer o que? Que a amo? Eu não vou mentir – ele a fitou com intensidade – Eu a amo e daria minha vida a você. Deixe-me fazer isso por você, amor. Deixe-me amá-la. Seja minha. Ela negou com a cabeça, mas ele não deu tempo de ela pensar. A beijou com paixão. E a tocou como se ela fosse desaparecer. Eles se soltaram apenas porque a carruagem havia parado. Ele desceu e abriu a porta para ela, do outro lado. E a puxou pela mão, na presença do Sr. Jones. Ele parecia não se importar com isso. Ou fingia não se importar. - Não pode fazer isso, Henry – ela tentou se soltar – É errado. É indecente. - Eu não me importo – ele disse, sério, fazendo-a subir as escadas, em direção aos quartos – Eu já disse aos criados que quero me casar com você. E todos aprovaram minha decisão. Será minha Sra. Collins. Não me negue isso. Anne engoliu seco. Será que ela poderia se dar ao luxo de amá-lo, pelo menos um pouco? - Me dê tempo, Henry. Eu preciso pensar nessa decisão. E eu preciso te contar fatos sobre minha vida- ela pediu. Ele assentiu, a contragosto. - Ó, você é teimosa. Quanto eu terei que esperar? – ele perguntou, com azedume, parando no corredor. Ainda segurava a mão dela. - Eu só preciso de algumas semanas, tudo bem? – ela pediu. - Sim, sua criatura terrível – ele provocou e roubou um beijo dela – Mas, não vou querer uma resposta negativa. Você me ama e eu igualmente. Então, não vou deixá-la escapar. Ela suspirou, comovida por sua doçura. Não tinha mais medo de confiar nele. Henry era diferente. Ela sabia que ele iria ser um bom marido. E não iria sufocá-la, ou tratá-la com desdém e condescendência. Só temia que aquele amor todo pudesse sumir. E ainda mais por causa de Klyne. - Eu espero que realmente não me mande embora, Henry – ela disse, com pesar e medo – Eu espero que me entenda. Dessa vez, foi ela quem o beijou. E queria mostrar todos seus sentimentos mais profundos. E o quanto o amava. Ele se afastou, com a respiração acelerada. - Eu sempre entenderei – ele disse, resvalando um beijo em seus lábios, mais uma vez – E agora, eu vou deixá-la no seu quarto. Quero fazer tudo corretamente. Vamos nos casar e ter nossa noite de núpcias, com tudo que você merece e tem direito. - O senhor é engraçado. Semanas atrás queria que eu fosse sua amante e já me queria na sua cama – ela provocou, o agarrando pelas lapelas do paletó. - Eu sei. Estava sendo perverso. Mas, você me enlouquece, Anne – ele a beijou de novo e se afastou. Estava com os braços cruzados – Agora, eu vou dormir, minha ninfa. Antes que eu estrague tudo. Ela deu um passo à frente, o agarrando pelo pescoço. - Não vá. Fiquei comigo – ela pediu. Não conseguia mais pensar direito. Às favas com a lógica e o bom decoro. Ela o queria. - Anne, não faça isso comigo – ele pediu, com a voz entrecortada, mas envolvendo-a pela cintura – Já fui canalha o suficiente com você. Eu não sou assim, sabe? Eu tenho princípios. Está me transformando em um devasso. Ela riu. - Você não fez nada de errado, foi só um beijo inocente – ela argumentou. - Mas, o que estou pensando agora não é – ele disse, beijando de novo. Ela o puxou para porta do quarto dela e abriu a maçaneta, o puxando com ela. Ele chutou a porta com o pé, para fechá-la. E parou de beijá-la apenas para trancá-la. Ele e a conduziu até a cama, beijando seu pescoço, com ela de costas para ele. E a fez sentar na cama, fazendo uma trilha de beijos em seu b***o e pescoço. - Tem certeza disso? – ele perguntou, com a voz ofegante, procurando o olhar dela – Tem certeza de que é isso que quer? Se não me parar, eu não irei conseguir. Ela sorriu. Não conseguia vê-lo devido a penumbra do quarto, mas estava tão feliz de tê-lo ali com ela. Sabia que o amava e queria dar tudo a ele. Mesmo que fosse só por uma vez. - Sim, sim – ela disse, beijando-o nossos lábios repetidas vez – Eu te amo, Henry. Nunca amei ninguém assim. - Nem Thomas? – ele perguntou, com ciúme. - Ó, meu Deus. Não acredito que está pensando nisso – ela se soltou dele, se sentindo fria. Aquilo forçou sua libido a recuar. - Anne – ele disse com a voz sofrida, puxando-a para ele – Me desculpe...é que estou sendo consumido pelo ciúme. Você já foi de outro homem e eu queria ter sido o único para você. - E você já foi de outras mulheres, não foi? – ela rebateu. - Sim, mas... - Então, agora vamos ser um do outro essa noite, Henry – ela pediu – Esquecendo o que aconteceu. Deixe que o passado fique no passado, pelo menos hoje. Vamos nos unir, sem pensar no que nos perturba. O anseio da minha alma é ter a sua. Poder tocar você, por inteiro. Não só seu corpo, mas seu coração. Ele a apertou contra si, beijando a testa dela. Acariciou sua nuca e começou a soltar as forquilhas do seu cabelo. As mechas caíram em cascata em suas costas. - Parece seda nas mãos, Anne – ele sussurrou – Você é tão linda. - Como pode dizer isso, se não está me vendo direito? – ela disse, rindo. - Eu não estou vendo, mas eu sinto aqui dentro – Ele puxou a mão dela contra seu peito. Ela sentiu o coração dele acelerado – E confio no que sinto, Anne. Eu sei que você é linda. Não é só por sua aparência. Por seus olhos azuis como o seu no verão, mas porque você é boa Anne. Tem um coração tão bom. Suas ações falam por si. E a forma como você trata Erik é tão doce e gentil. Eu imagino nossos filhos, quando eu vejo vocês dois interagindo. Como você seria linda, quando estivesse carregando cada um deles. E quando eles nascerem, eu sei que você vai ser uma mãe zelosa e paciente. E que vai me deixar orgulhoso com sua inteligência para dirigi-los. E que nós dois vamos ser enganados por nossos criados, pois nós confiamos tanto nas pessoas. E isso vamos ter que melhorar em nós mesmos, é claro. Anne não conseguiu aguentar ouvir aquilo. Seus olhos embaçaram e ela sentiu as lágrimas rolarem por seu rosto. Seu coração não aguentava de tanto amor por aquele homem. E por suas palavras serem tão sinceras e bonitas. Ela temia que tudo isso sumisse, como uma miragem. Que ele ficasse ressentindo dela, quando descobrisse toda a verdade sobre ela. Ele pensaria o pior. - Meu amor, desculpe, eu falei algo errado? – ele tocou o rosto dela – Por que está chorando? - Eu estou feliz – ela respondeu. E não era mentira. Ela amou cada palavra que ele disse. Era como se ele estivesse repetindo votos de casamento – Eu te amo tanto. - Eu também Anne – ele disse, beijando-a com delicadeza nos lábios e se afastando. Seus dedos tocaram a base da garganta dela e com a outra mão limpava suas lagrimas – Se quiser, podemos esperar. Você está comovida agora. Só me deixe dormir com você, hoje. - Não precisamos esperar. Eu quero ser sua – ela disse, com a voz rouca. - Muito bem, e lá se vão minhas tentativas de ser um cavalheiro – e isso a fez rir com ele. Mas, eles não riram mais, quando ele tirou as roupas dela, com cuidado e ela o ajudou a tirar as suas. Tudo foi ao chão e ela queria poder vê-lo diante de si, mas era difícil devido a escuridão. Somente sentia seu tato. E ele parecia sem pressa, a tocando com amor. Ele tomou os s***s delas contra sua boca e os beijou. Pediu que ela ficasse de pé, para beijar todo o seu corpo, até os pés. Ele subiu os beijos da panturrilha erguida dela, até suas coxas, e resvalou um beijo em sua i********e. Ela sentia que estava mergulhando mais uma vez, sem ter seus sentidos, apenas o tato. E seu coração estava acelerado como nunca. Ele lhe deu tudo que tinha para dar dele. Tocando-a com reverência e paciência. A descobrindo, como se fosse um presente. E ela fez o mesmo com ele, aproveitando cada toque e cada beijo que ele lhe dava. Ele a deitou na cama, quando estavam satisfeitos das investigações e a tomou para si. Mergulhando dentro dela, a levando até o seu próprio clímax. E então ele se entregou também, derramando-se dentro dela. Ela sabia que nunca iria esquecê-lo, nem que tentasse por anos a fio. Pela eternidade. Ela nunca iria se esquecer da entrega dele, nem das palavras doces que ele disse aquela noite. Só que como tudo que era doce e bom em sua vida, sempre acabava m*l. E não seria diferente agora para ela. Anne tinha a certeza estranha de que tudo iria ficar mais difícil e doloroso. 
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