o lindo desconhecido

1099 Palavras
Capítulo 9 Ponto de Vista: Angélica Os faróis vieram na minha direção. Por um segundo, eu achei que seria o fim. Mas o carro freou bruscamente, os pneus cantando no asfalto, o som cortando a madrugada. Eu ouvi alguém gritar meu nome ao longe — talvez fosse imaginação — e meu instinto falou mais alto que qualquer pensamento racional. Antes que o motorista pudesse sair, eu já estava correndo. Abri a porta de trás com mãos trêmulas e me joguei para dentro do carro, me abaixando no assoalho, o coração batendo tão forte que parecia querer sair pela boca. — Arranca! — ouvi alguém gritar atrás de mim. Mas o carro não arrancou. Eu fiquei ali, encolhida, tentando controlar a respiração, esperando que eles passassem direto. E então uma voz masculina, grave e ríspida, cortou o silêncio dentro do veículo. — Quem é você? Meu corpo congelou. — O que está fazendo no meu carro? Foi só naquele momento que eu percebi. Eu não estava sozinha. Levantei o olhar devagar. Havia um homem sentado no banco de trás. Na penumbra, eu só conseguia ver o contorno do corpo — largo, imponente. O cheiro dele era marcante, algo amadeirado, forte, masculino. O motorista olhava pelo retrovisor, claramente sem entender nada. Eu precisava me esconder. Precisava que as pessoas lá fora acreditassem que eu não estava ali. Eu precisava sumir. E então fiz a maior loucura da minha vida. Sem pensar. Sem medir consequências. Eu me ergui do assoalho e, num impulso desesperado, me sentei no colo do homem. Ele ficou imóvel por um segundo. Eu segurei o rosto dele e beijei sua boca. Foi um beijo urgente. Quase selvagem. Não era delicado, não era planejado — era uma fuga. Senti a rigidez do corpo dele sob o meu. Ele tentou resistir. Eu percebi. Seus lábios ficaram tensos, suas mãos pairaram no ar como se ele estivesse decidindo se me empurrava ou não. Mas lá fora, eu ouvi passos passando. Risadas distantes. Meu coração quase parou. Eu aprofundei o beijo. E então aconteceu. As mãos dele desceram para minha cintura. Grandes. Firmes. Ele me apertou contra o próprio corpo. O beijo mudou. De defesa, virou domínio. A boca dele se moveu com intensidade, como se tivesse decidido aceitar aquele desafio inesperado. Seus dedos cravaram levemente na minha pele através do tecido do vestido, me segurando com firmeza no colo dele. O mundo lá fora deixou de existir. Eu sentia o calor do corpo dele sob o meu. A respiração pesada. O toque decidido. — Dirige — ele ordenou ao motorista, a voz baixa e autoritária. O carro arrancou. Eu só percebi quando a movimentação me fez perder levemente o equilíbrio e ele segurou minha cintura ainda mais forte. Eu deveria estar com medo. Eu deveria me afastar. Mas o álcool queimando nas minhas veias estava transformando tudo em algo distante, quase irreal. E o beijo dele era… viciante. Quando ele finalmente se afastou alguns centímetros, seus olhos encontraram os meus. Azuis. Intensos. Não eram olhos de garoto. Eram olhos de homem. — Você é louca? — ele perguntou, a voz grave vibrando contra meus lábios. Talvez eu fosse. Porque, ao invés de descer do colo dele, eu deslizei a mão pelo peito largo, sentindo a firmeza do corpo sob a camisa social. — Eu precisava me esconder… — sussurrei, ainda ofegante. Ele me analisava como se estivesse tentando decifrar um enigma. Seus traços eram fortes, mandíbula marcada, barba por fazer. O tipo de homem que não passa despercebido. O tipo que parece perigoso só de existir. — De quem você está fugindo? Eu não respondi. Não queria lembrar. Não queria sentir. Eu apenas o beijei de novo. Dessa vez, não por desespero. Mas porque eu quis. Ele segurou meu queixo, aprofundando o beijo, agora sem resistência alguma. Seu corpo reagia ao meu. Eu sentia. O calor, a tensão, o desejo crescendo entre nós. O carro entrou por um portão automático. Eu m*l percebi o trajeto. Quando finalmente parei para respirar e olhei pela janela, meu coração falhou outra vez. A casa à nossa frente era enorme. Maior que a dos Ferraz. Muito maior. Iluminada, imponente, com uma arquitetura moderna que gritava poder. Quem era aquele homem? Ele abriu a porta do carro primeiro e saiu, depois estendeu a mão para mim. Hesitei por meio segundo. Mas coloquei minha mão na dele. Seus dedos envolveram os meus com firmeza. Eu desci. O salto que ainda restava em um dos pés parecia ridículo diante daquele lugar. Ele me guiou para dentro da casa como se aquilo fosse natural. Como se levar uma estranha bêbada para casa fosse parte da rotina. O interior era ainda mais impressionante. Mármore claro, pé-direito alto, lustres modernos, obras de arte nas paredes. Mas nada chamava mais atenção do que ele. Alto. Corpo definido. Peito largo. O terno ajustado marcava cada linha do físico masculino. Eu me sentia pequena perto dele. Ele fechou a porta atrás de nós. O silêncio da casa era absoluto. — Quantos anos tem? ele perguntou. — 19. Então ele votou a me beijar com um desejo ardente Eu devia ir embora. Eu devia agradecer e sair. Mas quando ele se aproximou, ainda mais, a proximidade fez minha pele arrepiar. Seus olhos azuis percorriam meu corpo sem pressa. Não havia deboche. Não havia humilhação. Havia desejo. Um desejo cru. Masculino. Intenso. — Você faz ideia do que acabou de fazer? — ele perguntou, a voz baixa. Eu balancei a cabeça levemente. — Não. Talvez o álcool estivesse me empurrando para um abismo. Talvez fosse a necessidade de provar para mim mesma que eu não era aquela garota humilhada na beira da piscina. Talvez eu só quisesse sentir algo diferente da dor. Ele segurou meu rosto com delicadeza inesperada para alguém tão imponente. E me beijou. Diferente do carro. Mais lento. Mais profundo. Suas mãos deslizaram pelas minhas costas, puxando meu corpo contra o dele. Eu senti o calor da pele, a força, a segurança que ele transmitia. Era loucura. Era imprudência. Era errado. Mas era intenso. Eu nunca tinha sido beijada assim. Nunca tinha sido tocada assim. Ele me fez sentir desejada. Não como piada. Não como atração. Mas como mulher. O mundo lá fora desapareceu. O passado daquela noite se dissolveu no calor do toque dele. E, embalada pelo álcool e pela carência, eu me entreguei àquele momento. Talvez fosse a decisão mais imprudente da minha vida. Mas, nos braços dele, pela primeira vez naquela noite… eu não me senti fraca. Eu me senti viva. E essa sensação era poderosa demais para ser ignorada.
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