Shake it out

2079 Palavras
Alguns meses depois… A visita das famílias não era comum na vida de Baekhyun e Chanyeol, ainda mais em tudo que haviam se envolvido nos últimos meses. Os pais de Chanyeol foram os que mais demoraram a conhecer a neta, já que ainda estavam decepcionados com o filho, como se ele tivesse acabado com o segundo casamento do irmão de caso pensado. A verdade era que os Park’s estavam sempre à procura de alguém para o filho mais velho, sempre tentando manter Yifan na linha, mas claramente, os planos de Deus não seguiam o mesmo rumo, estava na hora de aceitarem que o filho não estava pronto para encontrar a pessoa certa. Mas os mais velhos não poderiam ignorar o filho para o resto da vida, muito menos a neta, que pelas fotos em redes sociais, era a criança mais linda do mundo. E no momento que decidiram conhecer o bebê, nunca mais conseguiram se afastar da pequena. Isso tudo nos leva ao momento que Baekhyun revirava os olhos sentado no sofá, de fato estava cansado e queria dormir um pouco, mas não aguentava mais os sogros enfurnados em sua casa, brincando com In Hee, que já estava com cinco meses. O garoto respirou fundo e amaldiçoou Jongin por ter levado Kyungsoo e mais cedo e Chanyeol por passar tempo demais no trabalho e não ir lhe livrar daquele tormento. —  Sabe, vamos ter culto hoje a noite, podemos os encontrar lá. — disse, sutilmente tentando despachar os sogros. — Vocês raramente aparecem nos cultos. Por isso ficamos aqui com essa gostosa. — disse a sogra, dando vários beijos na bochecha da neta. — É que In Hee sempre chora no meio do culto pedindo mama, por isso escolhemos os dias que ela está mais calma, mas eu prometo que vamos essa noite. Vocês podem ir pra casa e descansar, eu encontro vocês a noite. — Não se preocupe conosco, Baekhyun, estamos bem. — Mãe, ele está te mandando embora. — disse Chanyeol assim que entrou em casa, ouvindo parte da conversa, o mais novo nunca gostou de meias palavras — Eu sei que a In Hee é maravilhosa, é minha filha, mas está na hora de arrumarem outro hobby, o Baekhyun costuma dormir a tarde, já que a maior parte da noite ela fica acordada. Se ele não dorme, fica estressado. E quando ele se estressa eu também me estresso. — disse quase bufando, pegando a filha do colo dos pais e dando vários beijinhos em seu rosto — Não é mesmo princesa? Vai com seu papai tomar um banho. — disse entregando a pequena para Baekhyun, que sorriu aliviado. — Ora, meu filho, não precisa agir assim. — disse Josung — Nós gostaríamos de nos aproximar de sua família. — Eu fico bem feliz que gostem do meu marido e da minha filha, pai, mas vocês estão nos forçando a suportar essa situação, vocês nem ao menos me perdoaram de verdade e, da forma que as coisas vão no meu trabalho, eu sei que terão muito mais motivos para me odiar. Esse não é o momento e nada deveria ser feito desse jeito. Não estou proibindo vocês de verem a In Hee, só peço que não morem dentro da minha casa, que respeitem os nossos limites. — Eu entendo, meu filho. Mas você não continua com a ideia de prender seu irmão, não é? Chanyeol, ele é seu irmão. — disse MiChan. — Se ele vai preso ou não, quem determina é o juiz, eu só faço o meu trabalho. — suspirou e abriu a porta, esperando seus pais saírem. Chanyeol odiava aquela situação, amava seus pais e odiava deixar a sua mãe triste daquela forma, mas não se perdoaria se não fizesse Kris pagar pelos seus erros. O Park passou as mão pelo rosto, secando as poucas lágrimas e tentando se manter firme, odiava seus momentos emocionais. — Tudo bem, amor? — Baekhyun foi para a sala alguns minutos depois, vendo os olhos de Chanyeol avermelhados, claramente o marido estava chorando. O pequeno sentou no solo do seu alfa e encheu o rosto dele de beijinhos, fazendo carinhos nas bochechas de Chanyeol, o fazendo sorrir. — Agora está tudo bem. Eu amo você. — sorriu e retribuiu o carinho do Byun, beijando os lábios do pequeno — Deveria dizer que odiava a visita da minha mãe, eu conversaria com ela antes. — Eu estava evitando conflitos, mas estou tão aliviado agora. — suspirou e deitou a cabeça no ombro do Park — Graças a Deus meus pais acham suficiente o tempo que passamos no igreja com In Hee, imagina se eles também vivessem aqui… eu arrancaria os cabelos. — Ainda bem, eu amo seus cabelo. — disse rindo e beijou novamente os lábios do Byun. A risada persistia entre um beijo e outro, mesmo quando as roupas começaram a parar no chão. Se Baekhyun pudesse escolher uma trilha sonora para aquele momento seria Shake It Out de Florence and The Machine. Não pela letra, mas a sonoridade da música o deixava feliz, trazia sentimentos bons, tanto quanto os beijos do marido. Além do refrão ser perfeito para o momento que apenas fechou os olhos e se entregou a seu alfa, sentindo uma sensação diferente de todas as outras. Fazia muito tempo desde que não tinham contato íntimo. Desde que In Hee havia nascido, não tiveram tempo para aquilo. Eles nem sabiam que era possível sentir tanta saudade de alguém que se ver todos os dias. Tanta saudade de um simples beijo, uma caricia. — Eu amo tanto você. — disse Baekhyun, ainda ofegante e abraçado ao corpo do marido. — Não tem nada que me faça mais feliz nessa vida do que ouvir isso, do que amar você. — Obrigado por não ter desistido de mim, amor. Eu não sei o que eu faria se hoje não fosse você ao meu lado, se não tivéssemos a nossa filha e nossos melhores amigos. Foi tudo por você e graças a você. Eu te amo muito. — Eu não viveria sem você Baekhyun, é por isso que nunca desisti. — acariciou os cabelos do marido e lhe deu mais um beijo — Vamos tomar um banho, daqui a pouco a In Hee já está com fome de novo. O pequeno concordou e agarrou ainda mais o corpo do marido, que entendeu o recado rapidamente e o levou para o banheiro e banhou o corpo bonito. (•••) — Você sabe que não está errado né? — Jongin deu dois tapinhas nas costas de Chanyeol, o maior respirou fundo tentando acreditar nas palavras do amigo, mesmo que fosse difícil, sabia que magoaria demais seus pais. — Eu não queria que minha mãe perdesse dois filhos, só isso. — disse um tanto triste e saiu do carro com o mandado, logo batendo na porta da casa dos pais. — Chanyeol, o que aconteceu? — perguntou a mãe assim que abriu a porta e viu a viatura de polícia em frente a sua casa. — Temos um mandado de prisão para Park Yifan, peço que não o escondam ou atrapalhem a investigação ou isso pode ser interpretado como obstrução da justiça. — disse o Park, já entrando na casa da família junto com Jongin, que começou a vasculhar a casa atrás do filho mais velho. — Chanyeol, não faça isso com seu irmão. — Eu não estou fazendo nada, mamãe, ele mesmo escolheu isso. — suspirou e abaixou a cabeça quando viu Jongin seguir com Kris para fora da casa, o colocando algemado na viatura de polícia. Apesar de nunca ter se dado bem com seu irmão, aquela não era uma atitude fácil, simplesmente porque amava demais seus pais, mas estava na hora de todos verem do que Yifan era capaz, se ele não fosse levado a justiça, nunca pararia de degradar e machucar inocentes simplesmente porque ele acredita que a classificação é inferior a sua. Aquele tipo de pensamento já deveria ter sido extinto a muito tempo e, naquele momento, estava nas mãos de Chanyeol e Jongin fazer a diferença perante a sociedade. (...) — Como foi, meu amor? — perguntou Baekhyun assim que os alfas entraram na casa. O pequeno estava sentado no sofá com Kyungsoo, o Do estava cuidando da pequena In Hee, já era final da tarde e Baekhyun havia passado o dia inteiro preocupado em como Chanyeol iria se sentir com a prisão preventiva do irmão. — Foi difícil. Ele berrou comigo tudo que pode e por conta da alteração dele a audiência foi marcada para amanhã, com todas as provas e testemunhas não tem como ele se livrar, ele vai pegar no mínimo cinco anos. — Eu sinto muito por você ter passado por tudo isso, mas ele precisa pagar as contas dele com a justiça, você sabe que ele precisa parar com isso. — disse Baekhyun, abraçando seu alfa. — Eu sei e espero que ele mude de verdade. — Todos esperamos, amor. Vai dar tudo certo. (...) No dia seguinte todos estavam na audiência, de um lado os ômegas que iriam testemunhar as agressões, Jongin, Kyungsoo, Baekhyun - que segurava In Hee - e Chanyeol. Do lado da defesa estavam alguns amigos de Kris, pessoas da igreja e os pais do mais velho, que encaravam Chanyeol com dó. — Eles vão morrer achando que eu fiz isso por birra. — suspirou, recebendo um aperto em seus ombros por parte de Jongin. — A gente sabe que fizemos o nosso trabalho, cara, nossos ômegas terem sido vítimas dele foi apenas consequência, seus pais vão entender. Um dia eles vão. — Um dia. — suspirou e segurou a mão de Baekhyun, o único capaz de lhe dar conforto naquele momento. A audiência demorou algumas horas, mas no final, não poderia ser diferente, Kris foi sentenciado a cinco anos de reclusão sem direito a condicional. (...) QUATRO ANOS DEPOIS — In Hee, eu mandei guardar os brinquedos agora. — disse Baekhyun. — Não, papai, eu vou brincar depois. — disse com os braços cruzados. — In Hee, faz o que eu tô mandando. — gritou, vendo a pequena começar a chorar. Baekhyun respirou fundo e logo Chanyeol entrou no quarto da pequena também, a pegando no colo e fazendo carinho nas costas da filha. — Tudo bem, filha, depois a gente guarda. — falou para acalmar a pequena, que parava de chorar aos poucos no colo do pai. — Eu não acredito nisso… — Baekhyun saiu irritado do quarto, indo para o seu próprio e passando a guardar, com raiva, as roupas que havia acabado de tirar da secadora. — O que deu em você, Baekhyun? — O que deu em mim? O que deu em você, Chanyeol? Você faz tudo que a In Hee quer e tira toda a minha autoridade na frente dela, ela tem que me obedecer, mesmo chorando. Eu sou o pai dela. Mas você sempre dá razão pra ela e deixa ela fazer o que quer, eu to cansado disso. — Cansado do nosso casamento? — Não. De você tirar minha autoridade porque você é a p***a de um alfa. Eu acho bom você para com isso ou… — Ou o quê? — perguntou sentindo os olhos marejados. — Ou esse casamento vai acabar, Chanyeol. Eu posso te amar o que for, mas ela é minha filha também e eu não vou continuar aturando essa falta de respeito de vocês dois comigo. — Desculpa, amor, eu juro. Eu não vou fazer mais. — segurou o rosto de seu ômega e o beijou, dando diversos beijinhos no rosto corado pela raiva logo em seguida. — Eu te amo, seu babaca. — disse beijando Chanyeol novamente. Já fazia um pouco mais de quatro anos que estavam juntos, nem sempre tudo era perfeito. Aquele casamento começou abaixo de brigas e não era de se duvidar que hora ou outra eles fizessem isso novamente, mas eram imensamente felizes. Assim como Kyungsoo, atualmente grávido de seis meses de um menino, o orgulho de Jongin, que ainda nem havia visto o filho nascer, mas já era um pai babão. Aqueles dois casais se conheceram nos piores momentos da sua vida e juntos descobriram o que era uma família de verdade. Assim como aprenderam na igreja, muitas pessoas fazem um único corpo, contribuindo para o funcionamento de todas as partes. Por mais diferentes que fossem, eles se amavam demais.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR