O silêncio no escritório destruído era opressor, preenchido apenas pela respiração ofegante daquele homem que, até poucos minutos atrás, se consumia em uma crise de fúria incontrolável. Agora, porém, enquanto o sangue seco escurecia na palma da mão ferida, um outro calor percorria suas veias: o da inspiração maligna. De repente, uma ideia surgira, cortante e precisa como uma lâmina recém-afiada. Os olhos dele se arregalaram e, num estalo, ele se pôs de pé, encarando o reflexo retorcido no vidro fumê da parede envidraçada. “É isso…”, sussurrou para si mesmo, enquanto a boca se curvava num sorriso de puro veneno. Sim… seus informantes haviam relatado, dias antes, um detalhe que, até aquele momento, ele subestimara: Marco não havia contado a Eva que, na verdade, ele era Carlos — o amor de

