O restante da aula se arrastava como uma corda esticada prestes a arrebentar. Carla tentava, em vão, focar no que a professora dizia. As palavras vinham e iam como ondas distantes, incapazes de atravessar a barreira de pensamentos e sensações que dominavam sua mente. O calor da proximidade de Daniel ainda queimava na pele como se ele a tivesse tocado por dentro. O perfume dele, o olhar, aquele sorriso de canto que mais parecia uma promessa indecente — tudo nela pulsava com algo novo. E perigoso. Mas foi quando Yang se virou em sua direção pela terceira vez em menos de cinco minutos que Carla começou a perceber que algo estranho estava acontecendo. “Ei, você anotou o que ela disse sobre a página do exercício?” ele perguntou, se inclinando sobre a carteira dela, o braço roçando o ombro de

