Carla fechou a porta do apartamento de Eva, respirando fundo. O ar da noite estava fresco, cortante, como se quisesse limpá-la por dentro, arrancar dela as dúvidas, os receios, as memórias que pesavam tanto. Ela deveria ir para casa — o caminho lógico, responsável, o que sempre fazia. Mas seus pés, como se tivessem vontade própria, começaram a levá-la por outra direção. Nem percebeu quando virou a esquina, quando deixou o prédio de Eva para trás e começou a andar, andando sem rumo, ou talvez com um rumo que seu coração soubesse antes de sua mente. O campus estava quieto naquela hora, mas o centro de convivência não. As luzes das lanchonetes e lojas de conveniência iluminavam a praça, os bancos espalhados ocupados por grupos que não tinham pressa de voltar para os dormitórios. Carros com

