Celleney Peny.
Chegamos ao quarto que ela se direcionava e entramos os três.
- Desculpe-me por incomodar você. - eu falo sem querer ser m*l agradecida e ela encara-me e pisca algumas vezes.
- Não é incômodo algum. - ela diz indo para o outro lado do quarto, enquanto o Henrik se questiona o que ele está fazendo aqui. - Eu só me questiono como não previu que teria a sua menstruação hoje, senhorita Mille. - ela comenta e eu suspiro fundo.
Uma questão plausível.
- Eu vim para cá inesperadamente, e tantas coisas aconteceram que nem sequer a data do meu a aniversário eu me recordava. - eu lhe respondo e ela me observa atentamente dos pés a cabeça.
- E onde anota as suas datas, não trouxe? - ela questiona parecendo desconfiada.
- Eu anoto numa coisa chamada celular, tem um aplicativo que me alerta do dia. - eu respondo-a com tanta dor e querendo me limpar logo, que não estou nem aí de estar falando mais que a minha boca. - Sem ele eu fico completamente perdida, e consequentemente não consegui pensar e tão pouco prever a data. - eu nunca anotei no caderno ou algo do tipo, nunca achei que um dia o faria, mas aparentemente eu terei de começar a fazê-lo graças ao meu avô.
Com tanta coisa na minha cabeça desde a morte do meu avô, e após vir parar aqui, com certeza eu tinha tudo na minha cabeça, menos isso.
Mas essa dor está estranha, não é dor de cólicas normal.
Está muito forte.
- Eu nunca ouvi falar, de nenhum método do qual mencionou. - ela comenta, trazendo mudas para mim.
- É algo que só existe onde eu moro, é compreensível. - eu respondo-lhe não conseguindo me conter e oscilar o meu olhar do dela para o Henrik.
Celleney Peny Mille!
- Por favor. - ela fala, me guiando para o que deve ser a casa de banho, e eu a sigo, sem falar nada com o Henrik.
Ele deve estar repensando a vida dele agora, depois disso.
Mas ele tem irmãs, eu quero acreditar que a calma dele, se deve a isso.
Quando eu tive na primeira vez, eu estava sozinha, eu já sabia o que era, mas eu já morava com o meu avô, e não tinha nenhum absorvente em casa, ou analgésico para cólicas, nada do tipo.
Era domingo, e lá os únicos funcionários que vinham nesse dia eram o jardineiro, um chefe de cozinha, não a governanta que cozinha de segunda a sábado, e aquele dia era dia da empresa de limpezas ir para lá.
Logo ninguém que eu confiava estava.
O meu avô não estava, para variar os meus pais estavam fora e nenhum deles atendia o celular, o Saul, não aparecia por nada, parecia até uma conspiração.
O que me restou foi, pedir ao motorista para ir comprar algo que ele aparentemente nem sabia o que era… foi uma confusão, que eu tive que ligar para o meu primo que estava na mesma reunião que o meu avô e os dois tiveram de vir a correr, com o que eu precisava.
Na verdade, quem comprou o que eu precisava e acabou me dando uma explicação um pouco mais detalhada da que já tinha, foi a assistente do meu avô, porque os dois, também não sabiam lá de muita coisa.
Foi uma pequena desgraça, e foi mais uma das coisas que eu não tive a minha mãe ou o meu pai, presentes para variar.
Bem, fim ao cabo, que bom que foi em casa e não em nenhum sítio público, como hoje.
Isso nunca tinha me acontecido antes, mas nem vou me sentir culpada, porque o culpado é o senhor Peny.
O banheiro tem uma decoração apelativa, diferente, e me embrulha o estômago pensar que talvez o Henrik e ela já estiveram aqui.
- Huhum… - eu pigarreio assim que ela fecha a porta.
- Fique à vontade. - ela diz deixando as coisas que ela pegou embrulhadas de lado, e é impressionante como eu estou convencida que estaria mais confortável em tirar a minha roupa na frente da vossa alteza devasso de primeira categoria pelo que estou vendo, do que na frente dela.
Talvez seja porque o olhar dela para mim, de certa forma me deixa extremamente desconfortável.
- Se não for inconveniente da minha parte, eu ficaria mais à vontade se puder ficar sozinha. - eu falo e ela sorri, mas um sorriso de lado sugestivo.
- Claro, não tem como vós seres inconveniente sendo a convidada da vossa alteza real. - ela definitivamente falou sarcasticamente. - Pode trocar-se e limpar-se à vontade. - ela diz e eu assinto a encarando.
- Eu não sei o seu nome. - eu falo para ela, e a mesma sorri.
- Pois, a vossa alteza não fez questão de apresentar-me. - ela fala e eu noto que ela não gostou desse fato, mas resolvo ignorar. - O meu nome é Márcia, uma das meretrizes da vossa alteza. - uma das? - Espero que não esteja ofendida por ser atendida por uma de nós, senhorita. - ela fala e o seu tom é sarcástico.
- Obrigada por me ceder a sua casa de banho, Márcia. - eu me limito em não prolongar essa conversa e ela assente e se retira.
Uma das?
- Não é da sua conta, não é… da sua conta, Celleney. - eu murmuro comigo mesma sentindo o meu peito e o meu rosto aquecer.
Eu não entendendo o porquê eu estou tão incomodada, com algo que eu já tinha deduzido faz tempo.
Por favor, Celleney…
Eu retiro o vestido, retiro o relógio de pulso, os cristais que estavam no meu sutiã com o relógio de bolso, e deixo junto das roupas que ela me emprestou.
E daí, prossigo lavando a minha roupa interior inferior e só depois iniciei um curto banho.
A dor continua extremamente forte, e foi um sacrilégio fazer tudo isso.
Eu vesti a anágua, igual àquelas que me recuso a usar e prefiro usar a minha calcinha em substituição, mas não tem como porque ela está molhada, então visto a anágua e o absorvente é um pano, como eu imaginava.
Mais vale isso do que nada.
Vesti um vestido de cor preta que ela trouxe, definitivamente não é de igual a de uma vovó, mas o feitio não importa a esse ponto.
Eu só gostaria de um analgésico porque eu não estou nada bem, essa dor está mais intensa que o costume.
Eu lavo o meu vestido de noite, e volto a colocar o meu relógio, e guardar os meus cristais e relógio de pulso, em mim.
E depois organizo direito o resto.
E tento procurar por alguma sacola, para colocar as minhas roupas molhadas.
- Celleney? - eu assusto-me com a porta sendo aberta e com a voz do Henrik, soando em seguida atrás de mim.
- E se eu ainda estivesse vestindo? Não achou que seria legal, se batesse a porta antes de entrar, Henrik? - eu o questiono encarando-o indignada.
- Eu chamei por você diversas vezes e não obtive nenhuma resposta, achei que alguma coisa tivesse acontecido. - ele se explica e eu suspiro e decido não prestar atenção nele, ainda procurando por alguma sacola.
- O que está a fazer? - ele questiona-me se aproximando e instantaneamente a minha respiração começa a ir com Deus.
- Eu estou procurando uma sacola. - eu respondo-o e sinto a sua mão no meu pescoço, tal como o seu olhar.
- Quem fez isso com você? - ele questiona e os meus batimentos cardíacos falham, a minha respiração corta, enquanto os meus olhos são cativos pelos seus.
O seu polegar desliza pela pele sensível do meu pescoço, enquanto ele o observa cuidadosamente e eu engulo em seco.
- Não me faça questionar, outra vez. - ele diz e o toque dele, está me distraindo, a voz dele está me cortando o ar, a presença e aproximação dele está fazendo com o que o meu corpo aqueça mais.
- A sua irmã fez isso comigo. - eu falo, retirando a mão dele de mim e dando um passo para trás, para a minha própria segurança.
- Quem? - ele questiona confuso e eu inspiro frustrada.
- A Lyra. - eu o respondo e eu vejo a frustração no seu olhar. - Vai acreditar em mim? - eu o questiono, e ele suspira fundo.
- Quando foi que isso aconteceu? - ele questiona, me observando.
- Essa madrugada, eu acordei sendo sufocada pela sua irmã, que só não me matou porque eu consegui a afastar de mim. - eu conto me recordando daquela sensação h******l. - Ela depois me mandou sair do palácio o quanto antes ou ela ia certificar-se que cortariam a minha cabeça e depois atirar-me-iam para os animais selvagens. - eu conto tudo e eu não consigo saber o que está se passando na cabeça dele.
Mas ele me escuta.
- Eu saí do quarto, e fui ter com você para contar o que tinha acontecido, mas calhou que você estava saindo, e eu achei melhor seguir você, se você saísse, eu conseguiria sair, e ia até a floresta procurar talvez alguém que tivesse me visto, ou alguma coisa, que me fizesse recordar de onde eu venho e sumir desse reino, porque talvez você concordasse com a sua irmã já que me ignorou o dia inteiro. - eu falo observando-o, triste e com o meu coração amuado, e vejo o seu maxilar trancar enquanto falo.
- Então não, eu não saí seguindo você, eu não pedi nada para ninguém, e não tenho um plano contra ninguém, eu só estou em perigo, não posso confiar em ninguém, e quero sair daqui o quanto antes. - eu falo-lhe com lágrimas vertendo pelo meu rosto de frustração.
Eu literalmente estou me sentindo abandonada.
Quando inesperadamente o Henrik tomou-me nos seus braços fortes, me desconfigurando instantaneamente.
Ele está se sentindo culpado?
Está com pena de mim?
Eu não faço ideia, mas eu me senti muito bem, tal como na madrugada passada.
Sinto a sua mão deslizar subtilmente pela minha cintura, enquanto eu o abracei de volta, procurando não ligar para as minhas pernas que enfraqueceram no mesmo instante, nem para os meus batimentos cardíacos irregulares.
- Eu falei que protegeria você, e é isso que farei. - a sua voz de sete trovoes soa razoavelmente baixa no meu ouvido, acabando com a minha sanidade mental. - Tudo bem? - p***a…
Por que eu estou fazendo isso comigo mesma?