Capítulo LXIII

1963 Palavras
Celleney Peny. O seu olhar para mim não é o dos mais agradáveis que já recebi vindo dele e isso aperta o meu coração. Eu solto a areia nas minhas mãos e retiro os meus joelhos do chão também, agora com receio do que se passa na sua cabeça, e com dor, muita dor. - Henrik... - eu balbucio, e o seu olhar analisa-me minuciosamente de cima a baixo. - Devia prender o cavalo. - ele comenta sugestivamente e eu olho para o animal que continua ali parado e quieto. - Era para cá que tentava vir esse tempo todo? - ele questiona retoricamente, como se já soubesse que a resposta da sua questão era positiva, faz tempo e eu suspiro mordendo o meu lábio inferior, frustrada. Ele é príncipe regente e herdeiro de um reino, é óbvio, que eu escolhi acreditar que ele simplesmente ignoraria absolutamente tudo de errado nessa história e acreditaria nas coisas sem pé e nem cabeça que eu o contei sem que ele desconfiasse. Oh, Neyney como você foi tola. Como você subestima quem claramente não devia ser subestimado, Celleney? - Vir para uma floresta inabitável, de madrugada, com trajes... - o seu olhar em mim faz com que o meu rosto aqueça ainda mais. - Não apropriados para uma moça que ainda está completamente sozinha, num lugar que tem tudo para não ser seguro. - ele fala num tom sugestivo e eu sinto o meu coração na minha garganta. - Questiono-me se foi um pedido seu para o Leopoldo que a oferecesse o cavalo, apenas para prosseguir com um plano aparentemente planeado pelos dois. - ele fala e aí, sim, a minha alma saí. Ele está a sugerir que eu estou armada em algum complot com o Leopoldo? É isso? - Eu conheci o Leopoldo naquele baile, eu não planeei absolutamente e tão pouco pedi alguma coisa para ele, Henrik. - eu falo ofendida, encarando os seus olhos esverdeados iluminados pela luz do luar. - Quem você acha que eu sou? - eu o questiono ultrajada e ofendida com a sua sugestão. - Eu não sei, diz-me você. - ele fala, me encarando frio, extremamente frio, como nunca fez anteriormente, e está me machucando e me deixando irritada. - Eu não tenho nada para dizer para você, Henrik, acredite na p***a que você quiser. - eu falo cheia e irritada, mas confusa e com dor o suficiente para eu não me importar com o que ele escolhe achar ou deixa de achar de mim a esse ponto. Eu viro o meu rosto, e ajoelho-me no chão novamente, querendo chorar, e volto a procurar alguma coisa, alguma peça, mesmo eu sabendo que o relógio está completo, mas precisa ter alguma coisa aqui. Sem conseguir conter-me, lágrimas vertem incessantemente pelo meu rosto, desesperada. Eu preciso encontrar alguma coisa, eu preciso que esse relógio funcione agora, o quanto antes. Sem condições de voltar ou ficar num reino onde o príncipe regente que eu começava a confiar e achava que realmente estava tentando me proteger acabou de sugerir algo que provavelmente vai custar a minha vida se eu retornar. E as ameaças de morte da Lyra... Sem condições. - Celleney! - eu ouço ele chamar-me, mas eu o ignoro, procurando por algo que eu não faço a mínima ideia do que seja. O meu corpo está inundado das mais diversas sensações, que eu não faço mais ideia de como descrever. - Celleney! - ele me chama novamente e eu o ignoro. - Celle... - ele pega no meu braço, levantando-me do chão sem dificuldade alguma, e impedindo-me que eu continue me arrastando por aqui, e a minha primeira reação foi tirar o aperto dele de mim, olhando nos olhos dele com raiva. - Me deixa em paz! - eu grito, fazendo menção de continuar, mas ele não permite, e pega nos meus dois braços, imobilizando-me e forçando com que eu levante o meu olhar para ele. A minha respiração está ofegante. - O que está fazendo, Celleney, o que realmente está a acontecer? - ele questiona com o olhar confuso, me encarando, e ainda de raiva eu desenvencilho-me dele, porque o toque dele não devia despertar nada em mim a essa altura do campeonato. - O que faz aqui? - ele questiona extremamente confuso, não entendendo absolutamente e o meu olhar oscila no dele. - Eu estou procurando por respostas, Henrik! - eu falo choramingando e exausta. - Eu acordei aqui, e eu queria sair do seu palácio para cá, a procura de alguma coisa, alguma explicação para que eu tenha acordado e aparecido justamente aqui. - eu lhe digo frustrada. - Você acha que eu sou alguma psicopata que está a tramar algum plano com uma pessoa que conheci e fui obrigada a conhecer num baile que fui forçada a participar pela sua tia, então continue acreditando nisso e só me deixe em paz, Henrik... - eu falo com a intenção de continuar, porque eu não faço questão de parar ou de continuar aqui. - Eu não a chamei de psicopata. - ele diz e suspira fundo, como quem diz, chega disso por agora. - Você não me parece bem, e daqui a pouco irá chover, precisamos ir. - ele fala e eu reviro os meus olhos. - E por que se importa? - eu o questiono indignada. - Me erra, cara. Você acabou de me acusar de algo que eu nunca fiz e jamais faria, eu não pretendo sair daqui e muito menos ir para lugar algum com você. - eu deixo claro limpando o meu rosto. - Me deixa em paz! - eu falo irritada, e no mesmo instante o som estrondoso de um trovão se faz ouvir com tudo, e veio acompanhado de uma faísca que obviamente assustou-me e eu por pouco tropecei na pedra, que não notei na frente, pela mão do Henrik que me tomou antes, eu não o fiz. Foi tudo muito rápido… - Oh... - eu balbucio com medo que algum bicho esteja a subir pela minha perna, e puxo o meu vestido para cima para ver, e na mesma curiosidade os olhos do Henrik vão para a minha perna, aonde eu encontro duas linhas de sangue vertendo pela minha perna. - Com o que se machucou? - ele questiona aparentemente preocupado, que fez menção de subir um pouco mais o meu vestido, mas eu não permiti, sentindo tudo começar a fazer sentido na minha cabeça, me fazendo fechar os olhos momentaneamente, com a minha face queimando, atordoada e confusa. - Que droga... - eu balbucio indignada e frustrada sem ter absolutamente nada aqui, e ainda por estar com ele do meu lado. - Não devia ter cavalgado sem o equipamento necessário. - ele diz sugerindo que eu tenha me machucado por causa disso e eu levanto o meu olhar para ele. - Isso não tem nada a ver com equipamento nenhum, o meu período começou, Henrik. - eu falo frustrada e vejo o seu rosto ruborizar, e pelos seus olhos, eu sinto que ele ficou nervoso e eu suspiro frustrada. Afff, o que eu faço agora? - Tudo bem, venha. - ele fala casualmente e eu não sei se essa será uma boa decisão da minha parte e acho que ele notou o que eu estava achando no meu olhar. - Não seja teimosa, está sangrando, e têm vários animais lá dentro que podem presumir que está ferida se continuar aqui. - ele fala e o trovão que soou novamente me convenceu, mesmo com um pé atrás. Que droga... O que se usa aqui, com certeza não tem pensos… - Você não pretende seguir-me cavalgando, Celleney, pois não? - ele me questiona enquanto eu caminho para o meu cavalo. - Pretendo. - eu o respondo montando no cavalo, que graças a Deus não sujarei por conta da sela, e ele suspira visivelmente frustrado e aparentemente cheio, que monta no dele, ignorando a minha resposta. - Faça como quiser. - ele diz e eu reviro os olhos. Argh... O cavalo simplesmente o seguiu, eu não precisei fazer muito a não ser iniciar a cavalgada. Eu m*l prestei atenção no caminho, mas quando o fiz, eu notei que nos aproximávamos de uma casa, bem grande, por sinal, mas não é o palácio. - Que lugar é esse? - eu o questiono curiosa, confusa e com medo, porque esse lugar está isolado, enquanto ele desce do seu cavalo e um homem aqui, o pega, para ir guardá-lo. Não está uniformizado como os homens que andam com ele ou guardam o palácio. - Você trouxe-me aqui, para me executar, Henrik? - eu o questiono desconfiada, enquanto ele vem até mim. - Se eu quisesse executar você, eu o teria feito faz tempo, Celleney. - ele diz e o meu coração acelera. Não sei como devo digerir a sua afirmação, mas decido descer, e após eu colocar dois dos meus pés para um só lado do cavalo, as suas mãos inesperadamente tomam a minha cintura, e me tira de cima do cavalo. Eu estou ensanguentada. - Oh, que droga... - eu falo comigo mesma observando o vestido de noite, as minhas pernas sujas de sangue. - Você está bem? - ele questiona levando o seu olhar até ao meu preocupado, e o meu rosto queima e o meu coração acelera. - Sim. - eu o respondo desviando o meu olhar do dele. - Tem certeza que não está machucada? É normal, sair tanto sangue? - ele questiona curioso e ruborizando, me guiando até a porta. - Eu adoraria que isso fosse algum machucado Henrik, mas não é. - eu o respondo frustrada. - Tudo bem. - ele responde, como quem diz foi apenas uma questão, e foi só nos aproximarmos até a porta que ela foi aberta e no mesmo instante os meus olhos ficaram esbugalhados. Isso não é uma casa. Eu ignoro o olhar da moça na minha frente e levo o meu para o Henrik confusa. - Meu príncipe. - a moça fala com um sorriso no rosto o encarando e o meu coração aperta. Ela tem o cheiro que senti nele na outra madrugada. - Eu não sabia que traria... uma visitante consigo. - ela fala em tom sugestivo descendo o seu olhar em mim, e por algum motivo o meu corpo se rejeita a ficar aqui. - Acompanhe a senhorita Celleney até algum aposento disponível, e forneça o que lhe for necessário. - ele diz, me guiando para dentro com a sua mão ainda na minha cintura, e eu não acho que ela esteja feliz com isso. Eu retiro os meus olhos dos dela, para o lugar, e consigo ver, coisas que eu não achei que pessoas de mil oitocentos e quarenta e cinco faziam. Olha só… Além dela tem várias outras mulheres com roupas bem diferentes das que eu já vi por aqui, sedutoras, e homens devorando outras, sons de gemidos, álcool pelo que estou vendo... O meu olhar se volta para ela, e com toda a certeza ela não me parece nada animada com a minha presença aqui, e não preciso nem questionar o porquê. - Como desejar, vossa alteza. - ela o responde e volta o seu olhar para mim. - Siga-me, senhorita Mille. - ela diz e eu questiono-me como sabe o meu apelido. Sem muita escolha eu caminho, desacreditada com o que os meus olhos veem. - Você não vem? - eu questiono virando-me para o Henrik. Não que eu esteja com medo ou algo parecido, eu só quero que ele esteja próximo de mim. - Venha. - eu falo sem intenção de receber um não como resposta, e surpreendentemente ele vem logo atrás, e seguimos a moça, que parece estar querendo soltar fogo, mas disfarça. Oh, Neyney…
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