Capítulo LXII

1334 Palavras
Celleney Peny. Ele não passa por nenhum corredor que eu já tenha passado, e é escuro e não tem nenhum guarda por aqui. Isso é algum corredor secreto? Parece. Eu caminho nas pontas dos pés, seguindo-o com todo o cuidado, porque pelo que vejo essa é a minha única oportunidade de conseguir sair daqui. Eu estou com palpitações, com dores fortes, ofegante, com medo, incerta de absolutamente tudo, mas com a certeza que eu não quero mais ficar aqui. Eu continuei o seguindo, quando simplesmente ele entrou num outro corredor extremamente escuro, mais escuro que os anteriores, mas logo no final dele a sua silhueta foi iluminada pela luz do luar. Já chegamos a parte externa? Eu mantenho a minha cautela, e ouço barulhos de metal enquanto permaneço no mesmo lugar. Parece que algum portão foi aberto, aquele estábulo tem um portão, será que é ele? Eu caminho lentamente e coloco o mínimo da minha cabeça para fora, para ver se a minha hipótese está correta, e sim, essa saída está mesmo ao lado do portão do estábulo onde o cavalo dele está. Permaneço no mesmo lugar, aguardando que ele saia do estábulo, porque não tem chances de eu entrar enquanto ele lá está. Eu espero mesmo que ele saia, porque se ele entrar por aqui novamente, eu estarei lixada, já me encontraram caminhando por aqui mais de uma vez durante a madrugada, se me encontram nesse corredor que com certeza é secreto, acharão que eu estou aqui tramando alguma coisa. E acho que eu não quero ter a minha cabeça decapitada tal como fui ameaçada. - Argh… - eu balbucio de dor no meu abdómen. Eu diria que talvez a comida não tenha me caído bem, mas eu não estou com dores de barriga, é uma dor que não parece ter razão alguma. Será que eu estou morrendo? Ou será que são dores de ansiedade e nervosismo? Eu não faço a mínima ideia, mas está muito forte. - Será que aquela lambisgoia me envenenou? - eu sussurro comigo mesma, refletindo nessa hipótese, quando eu ouço o relinchar de um cavalo bem perto. Ele vai sair! Eu respiro fundo, tentando conter o meu nervosismo, até ao momento que eu ouço-o cavalgar, no mesmo instante eu apresso-me e saio do corredor, e entro no estábulo logo em seguida, procurando ser o mais flexível possível, e tentando conter-me. - Calma, Celleney… - eu balbucio indo até ao meu cavalo, entrando no seu pequeno lugar como uma pequena ladra. Mas eu estou habituada, o meu único medo que tenho é perder o Henrik de vista ou alguém vir e encontrar-me aqui. Mas o Henrik é inquestionavelmente inteligente, senão tem nenhum guarda aqui protegendo o estábulo onde os cavalos da realeza estão, é porque deve ser horário de troca deles. Eu só não sei quanto tempo essa troca dura. - Hey grandalhão, por favor, me ajude… - eu falo com ele que surpreendentemente não está relinchando ou fazendo nada maluco. Eu coloco nele apenas a sela e as rédeas, eu irei me machucar não colocando o equipamento completo nele, mas eu não tenho tempo. E o que será algum machucado comparado com tudo o que está acontecendo comigo? Nada. - Venha… - eu falo com ele o puxando para fora do estábulo e ele colabora. Assim que saio, monto nele, e o vestido teve de subir bastante obrigatoriamente, eu estou usando a minha calcinha hoje, e mais nada, mas o que eu posso fazer? Nada, também. Nada íntimo está exposto, apenas as minhas pernas que estão a apanhar essa corrente gelada. Eu não vejo mais o seu cavalo, mas eu consigo escutar o cavalgar dele e é isso que eu sigo, numa velocidade que dê para não fazer tanto barulho. - Eu sei que você está confuso, mas eu preciso muito de ajuda. - eu converso baixinho com ele cavalgando. - Eu preciso que não relinche e tente fazer o menos de barulho que você conseguir, tudo bem? - eu o questiono retoricamente acariciando a sua pelagem. Eu vou cavalgando, até finalmente conseguir vê-lo, foi aí que abrandei significativamente a velocidade com a qual eu cavalgava e fui o seguindo, até sairmos do palácio. Para onde ele vai? Ele é tão devasso assim, que coloca a reputação dele que a duquesa tanto fala que protege, em risco por mais dessa devassidão? Ou será que ela é mais que uma concubina, como eles falam? - Por que eu estou me importando? Isso não é da minha conta. - eu murmurei comigo mesma mais nervosa do que eu devia estar com o que não deve ser do meu interesse. Eu prossegui cavalgando e a velocidade foi aumentando extraordinariamente, ele cavalga demasiadamente rápido. E sem saber onde ele pretende ir ou por onde estávamos passando, e nervosa, morrendo de dor, tentando identificar alguma coisa ao redor, eu simplesmente o perdi de vista. Não escuto mais nada e não consigo ver mais nada. - Que d***a! - eu exclamo irritada, parando. Eu olho para os lados, e estou rodeada de árvores altas e frondosas, devem ter todos os tipos de bichos por aqui, e eu simplesmente não sei onde estou e não estou vendo absolutamente nada familiar ao meu olhar. Com dores, agora misturadas com os solavancos da cavalgada e essa dor misteriosa, eu simplesmente deito-me sobre o cavalo. Eu estou literalmente perdida agora, e morrendo. - Humn… - eu gemo contra os meus lábios de dor, e permaneço na mesma posição, até uns sons estranhos ao meu redor começarem a fazer com que a minha consciência de perigo volte. Recomponha-se, Neyney! Eu inspiro voltando a minha postura anterior um bocado zonza. - Amiguinho… - eu falo acariciando a sua pelagem e ele relincha dessa vez em resposta. - Eu não sei onde estamos, eu vou confiar em você para nos levar apenas para um lugar que não seja essa floresta, ok? - eu o questiono e realmente como se me entendesse, ele relincha e eu início a cavalgar lentamente, deixando ele seguir a sua direção. Eu não sei se eu estou a alucinar, mas ele parece seguir as minhas instruções e entender tudo o que eu falo. Cavalos são extremamente inteligentes, principalmente essa raça, mas ele age de maneira surpreendente para um cavalo que conheci ontem e que não estava familiarizado. Está frio, extremamente frio por aqui, e eu estou apenas com um vestido de noite. Mas tudo bem. Talvez eu seja inconsequente, por estar perdida no meio de uma floresta e simplesmente deixar um cavalo guiar-me por ela, mas os meus olhos foram abençoados pela luz da lua mais aberta agora, porque ele simplesmente acabou de nos tirar floresta. - Oh! - os meus olhos esbugalham-se quando eu instantaneamente reconheço o lugar. - Não acredito! - eu falo saindo de cima do cavalo imediatamente, olhando os arredores, completamente deserto, provavelmente com animais ferozes me observando à espera de dar o bote, escuro, iluminado pela luz das estrelas e da lua, mas eu não estou nem aí. - Meu Deus, eu não acredito… - eu balbucio incrédula, caminhando e tentando olhar para o lugar que eu tenha caído exatamente. Impossível, mas já que estou aqui, eu procurarei alguma coisa, alguma coisa que for. Precisa ter alguma coisa. O quê? Eu não faço a mínima ideia. Mas eu preciso de alguma coisa. Eu preciso de respostas. Eu preciso sair daqui, o quanto antes. Eu estou em perigo. Eu estava ajoelhada por um curto período de tempo mexendo na areia, olhando até onde era visível para a floresta para achar alguma justificativa para tudo isso, quando o meu cavalo solta um relincho alto que faz-me olhar na sua direção assustada, porque a minha mente literalmente apagou. Apagou completamente que nem me dei conta que estou a tremer, lágrimas estão a verter dos meus olhos pelo meu rosto, e nem sequer escutei o cavalgar do cavalo do… Henrik. Os meus batimentos cardíacos falham, e eu paraliso assim que os nossos olhares se cruzam. Porra!
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