Celleney Peny.
Basicamente, eu tomei o pequeno-almoço com a Cora apenas, ninguém retornou para a sala de desjejum, depois disso a Cora teve a brilhante ideia de irmos até ao estábulo, e foi aí que vi a Lyra lá entrar.
Mas não nos cruzamos, estávamos distantes uma da outra.
Eu realmente espero que ela não ache que eu, seduzi quem ela gosta de alguma forma, ou algo parecido.
Até porque literalmente, não fiz nada.
E eu não devia importar-me com o que ela acha ou deixa de achar, mas a face dela, no momento em que o Leopoldo disse que comprou o cavalo para mim e não para ela, como todos nós esperávamos, foi esdrúxula, eu senti pena.
Parece-me que ela realmente gosta dele e está profundamente magoada, e não me custaria nada lhe esclarecer mais uma vez que eu não fiz nada, mesmo sem ter essa responsabilidade, se for necessário.
Huhahuhahua.
O relincho dos cavalos ao entrarmos nesse enorme estábulo anima-me.
- Aqui está o seu cavalo, senhorita. - o cocheiro mostra.
- Obrigada! - eu falo e ele assente, enquanto o cavalo relincha.
Ele é majestoso.
- Ele é alto! - a Cora comenta.
- Hey, grandalhão! - eu o cumprimento colocando a mão na sua fuça, o acariciando e ele relincha. - Humn, você é calmo, eu acho que nos daremos muito bem. - eu falo e ele relincha novamente.
Ele concordou.
- Como vai nomeá-lo? - ela questiona-me e eu sorrio, enquanto as suas bochechas coram. - Você nomeia? Eu costumo nomear as minhas flores. - ela diz e eu sorrio.
Com certeza o meu avô adoraria ter uma Cora como neta, ela é tão angelical e tão no mundo dela, com dezassete anos, graças aos meus primos, porque eu tinha saído com eles e estava sobre a supervisão deles, quase entrei em coma alcoólico.
Talvez eu esteja a exagerar, mas eu bebi demais, e nem devia para início de conversa, mas não é como se fosse mudar alguma coisa, eu sempre faço o que não devo.
Talvez não em coma alcoólico, mas com uma ressaca fortíssima que tive de disfarçar, para me poupar de uma palestra que só ia piorar o meu estado.
Mas enfim, memórias.
- Esse estábulo é menor do que o que me mostrou. - eu falo o observando.
- Pois, esses são os nossos cavalos individuais. - ela diz e eu assinto, fazendo uma nova descoberta.
- Aquele é o do Henrik, é idêntico ao seu. - ela conta o apontando e eu viro-me para ver.
São da mesma raça com caraterísticas semelhantes.
Isso é bom de saber.
- Eu ainda não sei do que vou o chamar, mas com certeza terá um nome. - eu digo para ela pegando uma maçã que tem aqui, e o oferecendo.
- O que acha de Dominic? - ela me questiona depois de algum tempo e eu encaro-a curiosa.
- Quem é Dominic? - eu questiono e o seu rosto ruboriza.
- Eh… era o nome do meu pai. - ela fala num fio de voz.
Sim, claro, eu li naquele quadro.
- Deixe estar, foi apenas uma sugestão boba da minha parte. - ela diz e o meu coração aperta.
- Eu achei esse um nome lindo, Cora. - eu digo e ela sorri animada, mas eu estou receosa, por aqui as coisas não andam muito bem para o meu lado. - Mas eu não acho que os seus familiares me olharão com bons olhos, se eu der ao cavalo que todos pensaram que era para a Lyra com o nome do seu pai. - eu explico-lhe e ele torce os lábios assentindo positivamente.
- Tem razão. - ela diz. - Não seria de bom tom. - ela afirma e eu concordo. - A Lyra não deve estar bem. - ela fala, preocupada com a irmã, é visível na sua expressão facial.
- Devia ir vê-lá, talvez ela queira conversar com a irmã dela. - eu falo e ela me olha com pena.
- Eu não quero deixa-lá só. - oh, eu estou habituada, Corinha.
- Não se preocupe comigo, tem muita gente por aqui, eu darei uma volta pelo palácio e subo. - eu falo.
- Como preferir. - ela diz. - Nos encontraremos lá em cima. - ela diz e eu assinto, logo em seguida ela sai.
- Você quer mais? - eu questiono, já o oferecendo outra maçã.
Fiquei um bom tempo falando com os cavalos, e depois com as servas que entraram para alimentá-los, ao menos elas falam, e foram super simpáticas.
E após isso, eu simplesmente fui investigar em forma de passeio alguma saída clandestina dentro desse palácio.
Fui até onde eu pude, não consegui ir mais porque a Karen veio me chamar para me preparar para o almoço.
E assim decorreu o dia, o clima não estava dos melhores, portanto o dia inteiro eu mantive-me calada, e também andei tanto, que não estou me sentindo nada bem.
Então logo depois de todas as refeições, eu não consegui fazer mais nada, após me trocar da roupa do jantar, a não ser dormir.
O meu sono foi abruptamente interrompido quando eu senti um aperto forte no meu pescoço e sufoco e o meu ar indo com Deus, o que me fez abrir os olhos com o coração acelerado e assustada.
Lyra?!
Porra!
As minhas mãos vão rapidamente para as suas que estão ao redor do meu pescoço, para tentar tirá-las, e eu juro que não achei que ela tinha tanta força.
- So… oh… - o seu aperto engasga-me, enquanto, ao mesmo tempo, eu procuro respirar.
Os seus olhos esverdeados parecem estar de uma cor diferente, e a raiva dela me assusta.
Ela quer me m***r.
- Argh… - eu balbucio sem ar pressionando as minhas unhas na pele das suas mãos, e levanto o meu pé e a chuto na barriga, fazendo-a se afastar.
E além de inspirar a maior quantidade de ar possível me sentando, eu tusso, já me levantando, vendo ela começar a chorar, colocando a mão na sua barriga.
Essa menina é louca.
- O que porras você pensa que está fazendo? - eu questiono-a com o meu coração acelerado.
Com medo, porque ela simplesmente invadiu o meu quarto, e tentou me m***r sufocada no meio da madrugada enquanto eu estava no último sono.
- m***r você! - ela ainda responde.
E a fúria nela é realmente assustadora.
- Você é doente… - eu falo atordoada, a observando.
- Eu quero que me escute atenciosamente, plebeia, eu quero que pegue as roupas com as quais chegou e saia desse palácio e desse reino imediatamente, senão quiser morrer. - eu só consigo a encarar embasbacada, ela parece a personificação de um monstro agora. - Caso contrário eu vou fazer de tudo para cortarem a sua cabeça e alimentem os animais selvagens com o seu cadáver, se não o fizer, e nem mesmo o meu irmão a irá proteger. - ela está literalmente me ameaçando de morte.
Eu não vou mentir, eu estou com medo, ela literalmente ia me m***r, enquanto eu dormia.
Eu me questiono por quanto tempo ela ficou me observando, antes de decidir colocar as suas mãos em mim?
Isso é insano, e eu estou completamente vulnerável, onde eu não posso fazer nada, porque eu estou num lugar que pertence a ele e todos os obedecem.
A minha vontade era partir para cima dela no mesmo instante em que consegui livrar-me das suas garras, mas se eu a machuco, o que farão comigo?
Vontade não me falta.
- Esse foi o meu primeiro e último aviso. - ela diz e sai, e eu fico paralisada olhando para a porta.
Tentando entender toda a mistura de sentimentos no meu corpo.
- Ah… - eu balbucio, com o meu cérebro tentando se recuperar desse choque repentino.
Eu inspiro e expiro por algum tempo, quando os meus olhos oscilaram do relógio na parede para o relógio de bolso na cabeceira.
Tic-Tac.
Tic-Tac.
Tic-Tac.
- Que m***a é essa? - eu questiono-me incrédula, passando a mão pelo meu rosto enlouquecida.
Eu vou para a casa de banho, e olho-me no espelho, as marcas dos seus dedos estão no meu pescoço.
- Isso é insano… - eu balbucio com todo o meu nervosismo se espalhando pelo meu corpo.
O Henrik…
Eu vou falar com ele e saio daqui, não estou segura de todo.
Jogo água no meu rosto, faço a minha lavagem o**l rápido, para tentar me acalmar antes de sair por esse porta e pensar com coerência, mas eu estou muito agitada que não estou a ligar muito para a razão.
Eu não faço muito, apenas pego os meus cristais, o relógio de bolso, e vou assim, até ao seu quarto, sem pensar muito.
Atordoada.
É início da madrugada, com certeza os corredores estão vazios, só com essas armaduras fantasmas e esses guardas silenciosos.
Senhor Peny, onde você me colocou?
- Que filha da peste… - eu balbucio nervosa, entrando no corredor que dá ao seu quarto quando ouço as portas enormes dela serem abertas.
A minha primeira reação foi me encostar a parede para ver, ele saindo dos seus aposentos, achando que talvez seria outra pessoa, mas é apenas ele.
O meu coração acelera disparadamente quando o vejo.
Ele não falou o dia inteiro comigo, nem sequer uma palavra depois do pequeno-almoço, talvez ele concorde com a irmã agora.
E tudo bem, desde que eu saia daqui.
Eu já notei que ele sempre sai de madrugada, talvez, seja ele quem sai por aquele esconderijo.
Porque eu pressuponho que sei aonde ele vai, ficou mais do que claro, que ele não pode ter concubinas ou o que eles chamam, mas ele obviamente não liga muito para isso.
Faz todo o sentido que ele seja o dono do cavalo que saiu naquele dia, e se for melhor para mim, eu vou o seguir, e depois viro-me até achar a floresta e fazer a p***a desse relógio funcionar, de uma vez por todas.
Eu suspiro fundo, vendo-o virar no final do corredor e assim eu começo a segui-lo.
Nem pensar que eu vou ficar aqui mais um dia que for.
Nem pensar.