Henrik Cartier.
- Sinceramente, eu não entendo. - a Lyra diz chorando por aquele homem.
E eu não sei se estou chateado por ela estar a chorar, ou, por estar a chorar por causa dele, ou pior, por ele estar a fazer a minha irmã mais nova chorar.
Porém, com ele eu resolvo-me mais tarde.
- Ele disse, ele falou que pediria a minha mão, após regressar do treinamento, eu juro que ele falou. - ela insiste choramingando com a face extremamente vermelha.
- Não devia acreditar nas palavras de qualquer um que a corteja, Lyra, isso foi ensinado a você. - eu digo-lhe e ela encara-me com a expressão de dor nos seus olhos. - Se ele quisesse ter pedido a sua mão, ele já teria feito. - eu lhe digo.
- Ele irá pedir! - ela afirma com uma certeza que me faz questionar de onde ela a tirou.
Custa-me acreditar que ela seja tão inteligente, mas tão manipulável.
- Lyra. - eu tento ser o mais dócil e paciente que consigo. - Ele não irá pedir a sua mão, e se o fizer, eu jamais aceitarei. - eu deixo claro, e vejo a sua expressão de indignação.
Esse é o máximo de dócil e paciente que eu consigo ser, depois o Charles e a Christine vêm resolver isto.
- Você não gosta dele. - ela afirma e eu limito-me em observa-lá afirmar o óbvio.
- Correto, e ele não se casará com você e a partir de agora eu quero que mantenha distância dele. - eu aviso.
- É por isso que trouxe aquela plebeia para cá? - ela questiona visivelmente nervosa. - Para distraí-lo e fazer com que a atenção dele não esteja em mim, Henrik. - aja paciência.
- A Celleney não tem nada a ver com isso. - eu lhe digo.
- Porque continua a protegendo? - ela grita e eu suspiro fundo procurando manter a calma. - Porque não a manda para fora daqui? - ela questiona com o rosto vermelho e encharcado de lágrimas.
- Desse jeito não vai dar para conversarmos. - eu digo-lhe e ela se senta-se na sua cama colocando as mãos no rosto.
- Eu estou protegendo você, Lyra. - afirmo. - Eu tenho razões para fazer isso, e não preciso que você entenda agora. - eu deixo claro. - Apenas não quero que derrame mais uma lágrima sequer por causa dele. - eu falo, a observando, frustrado.
- Eu o amo… - os meus olhos fecharam-se no mesmo instante em que ela deixou isso escapar dos seus lábios.
Ela não sabe de nada, mas mesmo assim, parece que acabei de escutar a minha irmã mais nova confessar uma traição.
- Você não sabe o que é isso. - ela fala e voz amuada dela, provoca-me sensações que não são seguras de senti-las perto dela.
Portanto, observar e escuta-lá é o melhor que eu consigo fazer agora, para o seu bem e para o meu.
- Você não sabe o que é amar alguém, Henrik. - ela diz se levantando novamente. - Você não sabe o que é esperar por alguém, o que é ter sentimentos por alguém que parecem não caber no seu peito de tão grandes e intensos que eles são, você não sabe! - ela exclama.
- Você nunca amou ninguém, você não ama ninguém. - ela diz, me encarando com os seus olhos cheios de lágrimas. - Com certeza se não fosse pela coroação exigir que traga uma rainha para o reino, se não fosse para formar alianças mediante um casamento, você jamais se casaria e se contentaria com as suas concubinas sem problema algum. - ela diz.
- Você não sonha em construir uma família, mas eu sonho! - ela diz. - E você quer me impedir de fazer isso, com quem eu amo, simplesmente porque você e o Charles não gostam dele, sem motivo algum. - por mais que não saiba a verdade, o que ele fez hoje devia ter sido motivo e explicação o suficiente para você, Lyra.
- Eu irei ignorar tudo o que disse agora, e você vai se acalmar e regressar para a sala de desjejum. - eu falo, e ela encara-me incrédula.
- É uma ordem? - ela questiona e não precisei falar mais nada para que ela entendesse.
Como eu gostaria que tivesse sido no início dessa conversa.
- Como desejar, vossa alteza. - ela diz e eu saio dos seus aposentos, controlando-me para o bem desse reino.
- Ei, ei, ei… - eu escuto o Charles falar se aproximando e apoiando a sua mão no meu ombro assim que me alcança. - Você não foi severo com ela, não? - ele questiona, enquanto entramos na biblioteca.
- Devia ter sido. - eu respondo-o sentando-me exausto. - Você fala com ela depois. - eu digo e ele assente sentando-se na minha frente.
- Eu farei isso. - ele diz, e eu sorrio desacreditado com o que ela disse ainda.
- Ela disse que ama o Leopoldo. - eu falo enfurecido e o Charles suspira fundo, tal e qual eu fiz minutos atrás. - Você acredita nisso? - eu o questiono indignado.
- Irá passar. - ele diz e eu não tenho certeza disso.
Ela nunca se exaltou daquela forma e quando o faz, é devido ao i****a do Leopoldo.
- O que faremos com ele? - ele questiona e eu olho para o relógio de bolso do meu pai que está aqui na mesa.
“Você tem o seu destino traçado, Henrik, um destino sem escapatória e onde o tempo é importante. - o meu pai diz.”
“Eu não pedi por isso. - eu digo-lhe, exausto de ter a vida e um reino inteiro nas minhas costas e ele sorri, mas é um sorriso empático, ele nunca sorriu desse jeito.”
“Infelizmente, ninguém que existe alguma vez pediu para estar na posição em que se encontra, e com as responsabilidades que lhe foram atribuídas. - ele diz, me observando. - E delas não se foge, portanto, devia parar de tentar fazê-lo. - ele diz e eu suspiro frustrado.”
“E raciocine antes de agir, a impulsividade é o pior vilão que um governante pode ter, meu filho.”
- Por enquanto nada, eu quero que veja os melhores pretendentes para a Lyra com a Christine. - eu lhe digo.
- Tudo bem. - ele diz. - E o que aconteceu ontem, o que teve que resolver? - ele questiona curioso.
- Foi uma pequena emergência no castelo, mas está resolvido. - eu omito e ele assente.
- Onde está a Celleney? - eu questiono-lhe.
- Com a Cora. - eu inspiro fundo.
Eu preciso de paciência, e não possuo nenhuma tão cedo da manhã.